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Brasil: esqueça o futuro! Somos cada dia mais o país do passado.

Uma das frases mais emblemáticas sobre o Brasil é que somos o país do futuro. Um futuro que pareceu num momento estar se transformando em presente, mas que a cada dia tem mais cara de passado.

“Estamos perdidos há muito tempo. O País perdeu a inteligência a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caráteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se, progressivamente, na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua ação fiscal com um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda parte que o País está perdido.”

Esta afirmação não é minha, nem dizia respeito ao Brasil quando foi escrita. Trata-se de Eça de Queiroz, escritor português referindo-se a Portugal no distante ano de 1871. Porém, mais atual impossível. Somos mais portugueses do que nunca. Nossos “descobridores” plantaram a semente de uma erva daninha que se alastrou pelo nosso território continental, e, ao que tudo indica, é impossível de ser exterminada.

A Operação Lava Jato foi a primeira esperança de nos vermos livres dessa herança – essa sim – maldita que, desde nosso descobrimento, corrói o futuro de todos nós. Foi assim com nossos bisavós, avós, pais, todos apostando que o futuro do Brasil um dia chegaria. Mas a sina insiste em se repetir. Parece que chegamos a olhar para ele, imaginar o quão próximo ele estaria dos nosso filhos e netos. Mas os acontecimentos levam a crer que ainda não foi dessa vez.

Nossa capacidade de produzir retrocessos é infinitamente maior do que a de produzir avanços. Nesse contexto, a Lava Jato foi uma ousadia que desafiou o passado e o presente, mas, infelizmente, não foi capaz de desafiar o futuro e fazer com que ele se estabelecesse entre nós. E tenho que repetir Eça de Queiroz quando diz que ” Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos“.

Muitos dirão que sou pessimista, mas estou sendo mais realista que o Rei. A reação do sistema é a prova disso. As facções criminosas que imperam no Brasil reagiram a ponto de cooptar a esperança, que já não é mais a última que morre, ela agora está morrendo lentamente diante dos nossos olhos, dia após dia. E mais uma vez me remetendo à Eça de Queiroz, ” A classe média abate-se, progressivamente, na imbecilidade e na inércia”. Continuamos acreditando que super heróis surgirão em nossa defesa e assim não fazemos nada além de chamá-los, mesmo quando vemos que os poucos que poderiam sê-los estão sendo vitimados pela kryptonita da corrupção.

Falta-nos coragem para o enfrentamento necessário. Falta-nos lucidez para discernir entre a ilusão e a realidade. Sobra-nos paixão e otimismo vão. Mas paixões são mais dadas a loucuras do que a atitudes sensatas, e otimismo só produz resultado se nos propulsiona para alguma coisa.

O Brasil é cada dia mais o país do passado, das oligarquias sarneyzianas, da justiça que só é justa para quem pode pagar por ela, do povo que insiste em repetir que na próxima eleição será diferente, e, enquanto isso, trabalha bovinamente gerando os impostos necessários para manter a boa vida de quem o explora.

Não soubemos aproveitar a oportunidade que a Lava Jato deu ao Brasil. E não temos a menor ideia do que fazer para enfrentar quem está acabando com ela. E são muitos, mesmo que nós sejamos muitos mais. E aí me remeto a Renato Russo quando disse: “Quem me dera ao menos uma vez, explicar o que ninguém consegue entender: O que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente
“.

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A Lava Jato que Brasília quer é a de lavagem de dinheiro

A Operação Lava Jato está sofrendo o maior ataque desde que começou. Até aqui foram 5 anos de resultados jamais alcançados por nenhuma operação de combate à corrupção, atingindo políticos e empresários, desvendando os meandros de organizações criminosos e métodos de lavagem de dinheiro através de investigações minuciosas que contaram com o envolvimento de diversos órgãos de estado como a Justiça Federal, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal, além de colaborações de delatores que entregaram não apenas nomes, mas, principalmente provas.

A primeira operação da Polícia Federal, e que teve o nome Lava Jato que todos conhecemos, aconteceu em 17 de março de 2014. De lá para cá foram 62 operações derivadas dessa primeira, que já resultaram em mais de 2294 anos de penas e 159 condenações, segundo artigo da Folha de São Paulo. Entre os nomes famosos e conhecidos na política, o ex-presidente Lula, o ex-governador Sérgio Cabral (só ele condenado a mais de 200 anos), o ex-ministro José Dirceu, o ex-ministro Antônio Palocci. Entre os empresários, os dirigentes da Construtora OAS, da Iesa Óleo & Gás, da Camargo Corrêa Construções, daUTC Engenharia, da Engevix, da Construtora Queiroz e Galvão, da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, da Mendes Júnior, ficando apenas nas empreiteiras.

Dentre os partidos políticos envolvidos estão o PT, PSDB, PMDB, PSB, DEM, PP, PR, PSD, PDT, PTB, PCdoB, SD, PSC, PRB, PRTB, PROS, PV, PEN, PPS, PTN, PTdoB, PMN, PSL, PTC, PHS, PRP, PPL, PSDC. Alguns deles inclusive mudaram o nome nesse período, buscando de dissociar do escândalo. O PMDB voltou a ser apenas MDB, o PTN virou Podemos, o PTdoB virou Avante, o PEN virou Patriota, o PSDC virou Democracia Cristã, o PPS virou Cidadania.

Sobre isso, Antônio Augusto Queirós, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, disse o seguinte ao site Brasil de Fato: “Isso apenas demonstra o desrespeito desses partidos para com os eleitores. Porque de um lado despreza a ideologia, a doutrina, a defesa de programa, de ideias, que é o que deve ser o ponto central de qualquer partido, e busca tratar o partido como se fosse um produto comercial, a partir da propaganda, como se faz com uma marca de sabonete, tentar agregar eleitores a partir daí. E isso, do ponto de vista político e da representação política, é uma tragédia. Porque se em um primeiro momento pode haver uma simpatia do eleitor, no momento seguinte vai se descobrir que se comprou gato por lebre.”

Exceto alguns poucos nomes, como o do ex-juiz federal e atual ministro da justiça Sérgio Moro e o procurador da república e coordenador da Lava Jato em Curitiba Deltan Dallagnol, já é difícil saber quem realmente está a favor ou contra a Operação Lava Jato. E muito fácil indentificar claramente quem está contra, como é o caso de muitos ministros do STF, centenas de parlamentares municipais, estaduais e federais, e até mesmo gente que se encontra instalada dentro do governo federal. Sem contar grandes setores da imprensa, notadamente Revista Veja, Folha de São Paulo e grupo Band, que se encarregaram de divulgar as mensagens roubadas dos celulares de diversas autoridades, cuja publicação sistemática busca incansavelmente denegrir a imagem dos principais atores do combate à corrupção, mais especificamente Moro e Dallagnol.

Em outra frente de combate está o Supremo Tribunal Federal, que abriu um inquérito absolutamente ilegal e inconstitucional, ferindo, também, além da Constituição Federal, os Código de Processo Civil e Penal, além do regimento e da jurisprudência da corte. Os ataques proferidos pelos ministros envolvem investigação de pessoas comuns por supostos ataques aos ministros, afastamento de auditores da Receita Federal que monitoravam transações suspeitas de ministros e familiares, abertura de inquéritos contra procuradores da Lava Jato (leia-se Deltan Dallagnol) e a suspensão de todos os processos investigativos que estavam sendo realizados pelo COAF – Conselho de Atividades Financeiras, organismo da Receita Federal. O que surpreende nesse último ato, é que a ação derive de um pedido de ninguém menos que um senador que é filho do presidente da república.

Para coroar o combate ao combate à corrupção, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência-urgentíssima, a Lei de Abuso de Autoridade, que visa inibir a ação de policiais, juízes e procuradores da república. Mas não fica nisso. Os parlamentares agora pretendem mudar a lei das Delações Premidas, fundamentais para conhecer caminho e obter provas. Querem os parlamentares proibir que pessoas presas façam delação. Mas tem mais. O deputado petista Paulo Pimenta já se movimenta para colher assinaturas para abertura de uma CPI da Lava Jato.

Enquanto isso, o presidente do Senado já arquivou duas tentativas de abertura da chamada CPI da Lava Toga, com a finalidade de investigar as ações do Supremo Tribunal Federal, além de ignorar pedidos de impeachment de ministros do Supremo, assim como ignorar o apelo de diversos senadores para que esses pedidos sejam analisados pela casa.

No momento, Jair Bolsonaro está analisando a escolha do novo ocupante da cadeira da PGR, Procuradoria Geral da República, que será decisivo para entendermos o rumo que será adotado pelo governo no combate à corrupção. Ao mesmo tempo, tenta interferir em decisões internas da Polícia Federal. Um dos mais cotados no momento é Antonio Carlos Simões Soares, acreditem, indicação atribuída pela imprensa ao senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente e autor do pedido que paralisou todas as investigações do COAF sem prévia autorização da justiça.

Em outra ação que faz parte da desestruturação de um dos braços que alimentava a Lava Jato de informações, o ministro Paulo Guedes assinou na data de hoje a Medida Provisória que extingue o COAF como conhecemos e o transfere para o Banco Central com o nome de Unidade de Inteligência Estratégica. O lado mais sensível disso, no entanto, é a extinção também da presidência do COAF, ocupada por Roberto Leonel por indicação de Sérgio Moro.

Bolsonaro também dá sinais de que não vetará na íntegra a Lei de Abuso de Autoridade aprovada pelo Congresso Nacional, mesmo recebendo imensa pressão das redes sociais, de associações da magistratura e do ministério público federal, de eleitores e cidadãos nas redes sociais, e recomendação de Sérgio Moro para vetar ao menos 9 artigos da lei.

A sobrevivência da Operação Lava Jato, nesse momento, só depende de fé, esperança, e de Deus, pois tudo indica que a história da maior operação de combate à corrupção jamais antes vista na história desse país está com seus dias contados. E os mocinhos sendo transformados em bandidos.

E para fechar com chave de ouro, não esqueçamos que, ao que tudo indica, a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância deverá ser revogada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o que significa colocar na rua o ex-presidente Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, José Dirceu, João Vaccari Neto e mais de 140 mil assassinos, pedófilos, estupradores, traficantes e bandidos de toda espécie.

Definitivamente, a única Lava Jato que Brasília quer é a de lavagem de dinheiro.

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Alexandre de Moraes e as surpresinhas do Kinder Ovo

Alexandre de Moraes, como ministro do Supremo Tribunal Federal, já tendo sido também Ministro da Justiça e Secretário de Segurança Pública de São Paulo, autor de diversos livros sobre direito, deveria saber mais do que ninguém que com segurança jurídica não se brinca.

A Constituição Federal não é um Kinder Ovo. Por pior que ela seja, foi debatida, escrita, revisada e promulgada exatamente para que a república oferecesse aos cidadãos e investidores tivesse um conjunto de regras previsíveis, capaz de organizá-los e garantir a previsibilidade dos fatos, dentre eles o Artigo 5° da Constituição Federal, cujo Caput (que é a ideia geral expressada no artigo) diz expressamente:

Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”

Para evidenciar ainda mais o descumprimento explícito da Constituição Federal, destaco ainda os seguintes incisos, com meus comentários abaixo de cada um:

II –  ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; (nenhuma lei dá poder ao Supremo Tribunal Federal de ser ele o investigador, denunciante e julgador de nenhum inquérito. O devido processo legal determina que cabe ao Ministério Público Federal investigar e oferecer a denúncia ao STF, cabendo a esse a análise das provas colhidas, o julgamento e a sentença)

IV –  é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; (excetuando-se os casos de anonimato e de ameaças comprovadas, o inquérito relatado por Alexandre de Moraes vai totalmente contra a livre manifestação do pensamento)

VI –  é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; (a inviolabilidade de consciência está diretamente ligada à livre manifestação do pensamento, sendo a possível ofensividade uma questão absolutamente subjetiva)

VIII –  ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; (quando pessoas comuns são investigadas em inquérito inconstitucional, sigiloso e por motivos subjetivos, este inciso não é apenas violado, mas violentado)

IX –  é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; (da mesma maneira, a censura às manifestações intelectuais é mais uma violação flagrante da constituição)

X –  são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; (quando pessoas comuns são investigadas em sua vida e manifestações privadas, mais uma violação aos direitos fundamentais está sendo cometida)

XXXVII –  não haverá juízo ou tribunal de exceção; (aqui cito trecho de notícia publicada pelo jornal O Globo e demais jornais que trata do parecer emitido pela Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, que diz ” No parecer divulgado neste sábado, Dodge diz que o inquérito usurpa competências do Ministério Público, fere a Constituição e diz que a sua existência cria um “verdadeiro tribunal de exceção”. )

XLI –  a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; (entendeu, ministro Alexandre de Moraes?)

O inquérito aberto pelo ministro Dias Toffoli fere basicamente todos os artigos citados, além de outros tantos. Da mesma maneira a designação do ministro Alexandre de Moraes para a relatoria fere o próprio regimento interno do Supremo Tribunal Federal que determina a relatoria deve ser feita por sorteio.

Cito ainda o seguinte inciso:

LIII –  ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; (não cabe ao STF processar, apenas aceitar ou rejeitar denúncias e proferir sentenças)

O que estamos vivenciando no Brasil é a ditadura do judiciário, o judicialismo, implantada por ministros que são claramente defensores de corruptos e mantenedores da imunidade vigente no país nos últimos 31 anos. Ministros que não aceitam ser investigados pela Receita Federal e que ainda blindam de investigação suas esposas e mais 131 agentes públicos, na sua maioria pessoas que não teriam como explicar seu enriquecimento.

O que estamos vivenciando no Brasil é a ditadura do judiciário, implantada por ministros que são claramente defensores de corruptos e mantenedores da imunidade vigente no país nos últimos 31 anos. Ministros que não aceitam ser investigados pela Receita Federal e que ainda blindam de investigação suas esposas e mais 131 agentes públicos, na sua maioria pessoas que não teriam como explicar seu enriquecimento.

O Supremo Tribunal Federal ridiculariza o sistema judiciário brasileiro, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, a Receita Federal e tenta se sobrepor aos demais poderes da república através de um inquérito inconstitucional, ilegal, que não apenas fere a Constituição Federal como também todos os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

A solicitação de Alexandre de Moraes para que a Polícia Federal encaminhe ao STF os conteúdos de todas as mensagens roubadas pelos hackers de Araraquara – e já atendida pela PF – demonstra o desespero do Supremo para ter total controle sobre essa investigação. Mais do que isso, a mera ideia de que essas mensagens (não as dos ministros, óbvio) possam vir a ser legalizadas e usadas contra os integrantes da Lava Jato, em especial Deltan Dallagnol, revela mais claramente aonde o STF está disposto a chegar para conter o combate à corrupção.

Faço questão de repetir. A Constituição Federal não é um Kinder Ovo. A regulamentação jurídica de um país, por mais república de bananas que ele possa ser, não aceita que as regras do jogo sejam mudadas enquanto ele está sendo jogado. E quando essas regras são quebradas por quem deveria exigir a todo custo que fossem cumpridas à risca, todas as outras instituições da república se veem à mercê da decisão de pessoas que, já se sabe, não tem a menor isenção nas decisões que tomam.

O Senado Federal se nega a dar andamento à CPI da Lava Toga, como tem se negado repetidamente, nos últimos anos, a colocar em análise sucessivos pedidos de impeachment de ministros do STF. E agora, através de mais uma ação arbitrária e autoritária, a Receita Federal se vê impedida de investigar as movimentações financeiras desses mesmos ministros, que deveriam ser os primeiros a ter consciência tranquila quanto aos seus atos.

E retornamos então às primeiras palavras do Caput do Artigo 5° da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Nem o Kinder Ovo está acima da lei, por mais divertido que possa ser. Não se brinca com a Constituição Federal nem com a vida do povo brasileiro. Quando um produto faz mal ao consumidor ele precisa ser retirado do mercado.

Não sou advogado, nem tenho a pretensão de que minhas análises sejam juridicamente perfeitas, ou mesmo que tenham alguma conotação jurídica. Mas sou um cidadão atento, que busca informação para emitir opinião, sem a pretensão de que ela seja a verdade absoluta ou que não possa ser corrigida, completada ou contestada por quem quer que seja. Porém, dentro da lei.

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Sérgio Moro ministro não mete medo no PT. O medo é Moro presidente.

Sérgio Moro foi indicado para o Ministério da Justiça e eu me manifestei contra no artigo “Sérgio Moro no Ministério da Justiça será um “Sérgio Morto”. Não aceite.“. É só clicar no link caso queira ler na íntegra.

No final do primeiro parágrafo eu disse o seguinte: ” Um ministro da justiça pode muito menos do que um juiz, e ainda pode ser demitido da função, por não apresentar resultados satisfatórios ou até mesmo por pressão política e midiática. “

E continuei no segundo parágrafo dizendo “Por que Sérgio Moro é Sérgio Moro? Porque ele é juiz, e apesar do STF, foi na primeira instância que ele começou a mudar a história do Brasil. Jogado no Ministério da Justiça ele deixará de sentenciar para ser sentenciado.

Obviamente eu não contava com invasão de celulares e privacidades de Sérgio Moro nem de ninguém quando escrevi essas coisas em outubro de 2018. Aliás, no momento que escrevia não contava nem com a hipótese de ele aceitar o cargo. Mas aceitou, no mesmo dia. E o que estão tentando fazer é “matar” o juiz Sérgio Moro, para, com isso, tirá-lo do comando do Ministério da Justiça, porque sabem de sua capacidade. Mas sabem também das limitações que esse cargo político lhe impõe.

Há quem enxergue na revelação das mensagens entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato, em especial Deltan Dallagnol, a solução para o problema número 1 do PT, que é tirar Lula da cadeia, principalmente depois que José Dirceu, principal cérebro de tudo de ruim que a esquerda faz, voltou para lá. Mas eu faço a aposta de que a coisa é ainda mais ambiciosa.

A esquerda quer acabar com a imagem ilibada de Sérgio Moro por dois motivos: vingança e medo. Vingança pelo óbvio. Medo porque ele cada vez mais, mesmo sem fazer nada para isso e negar categoricamente que não quer, se cacifa como candidato do povo à presidência da república quando for o momento da sucessão de Jair Bolsonaro, em 2022 ou 2026. E isso é tudo o que o PT e seus “puxadinhos” não querem.

A invasão dos telefones do ministro Sérgio Moro, dos procuradores da república, de juízes dos TRFs, é apenas mais um crime da ORCRIM. O apenas não diminui o crime, gravíssimo, mas ressalta uma sequência de absurdos patrocinados pela esquerda e pela imprensa brasileira, que dão eco a todo e qualquer absurdo que venha dessa facção criminosa.

O absurdo fica ainda mais escandaloso quando vemos que por trás do vazamento do conteúdo das mensagens de Sérgio Moro e dos procuradores está Glenn Greenwald, que sequer é brasileiro, ainda que tenha se naturalizado. O mesmo Glenn Greenwald que patrocinou a publicação dos arquivos roubados por Edward Snowden que revelaram segredos de estado norte americanos e de outras superpotências. Tanto é que seu parceiro, atual deputado federal David Miranda, foi preso no aeroporto de Heathrow em Londres de posse de documentos secretos, motivo pelo qual responde a processo no Reino Unido por espionagem e terrorismo.

Em qualquer país sério do mundo, um cidadão não natural – naturalizado ou não – que se envolva em crimes que espionagem, invasão de privacidade e divulgação de conteúdos privados que remetem à segurança nacional teria sua naturalização cassada (caso fosse naturalizado) e seria no mínimo deportado, se não preso. Basta vermos que para se quebrar o sigilo telefônico e telemático de investigados e acusados de crimes comprovados tem que haver autorização expressa da justiça, que costuma negar, como já fez em inúmeros casos dentro da operação Lava Jato.

Quando Jean Wyllys saiu do Brasil eu perguntei no Twitter quanto teria custado sua renúncia em favor de David Miranda. E não deve ter sido barata, pois David Miranda no Congresso Nacional era uma porta aberta para seu parceiro Glenn Greenwald atuar diretamente no dia a dia dos congressistas, como, claramente, aconteceu.

Sérgio Moro representa tudo o que os brasileiros de bem desejam para o Brasil. E o completo oposto do que a esquerda não deseja.

A esquerda brasileira não tem responsabilidade ou compromisso com o Brasil ou com o povo brasileiro, e não se cansará de criar factoides que objetivem destruir a reputação de todos que foram fundamentais na revelação e elucidação dos graves crimes que cometeram contra o estado e contra a nação.

Agora a tarde, nessa data, Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados (é impressionante que um ser tão repulsivo e desprezível tenha conseguido enganar tanta gente tanto tempo e ainda assim ter sido reeleito) avisou que a oposição fará obstrução às pautas do Congresso Nacional até que Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato sejam afastados e tenham seus celulares retidos pela Polícia Federal para investigação. Era a desculpa que eles precisavam para empatar o Brasil e não votarem o PLN4 para autorizar ao governo um crédito suplementar de 284 bilhões de reais.

O objetivo dessa obstrução à votação do PLN4 é o estrangulamento financeiro do governo e que redundará no descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (que o PT votou contra) e com isso no acometimento de crime de responsabilidade do presidente da república, abrindo assim a possibilidade daquilo que o PT mais fez desde que chegou à Brasília, que é apresentar pedidos de impeachment. Mas não fica nisso.

A não aprovação do PLN4 implicará na falta de recursos para pagamentos de benefícios como aposentadorias e bolsas família, e com isso a chance de jogar o povo contra o governo de Jair Bolsonaro.

Estamos vivendo um momento crucial da vida política nacional, uma encruzilhada que nos põe diante do futuro ou do abismo, e o PT e a esquerda estão optando pelo abismo, sua única chance de sobrevivência.

Devemos ficar atentos ao Supremo Tribunal Federal, no qual chegou um pedido de suspeição de Sérgio Moro em função dos vazamentos das mensagens pelo site de Glenn Greenwald, e que, coincidentemente, caiu exatamente nas mãos do ministro Gilmar Mendes, notório desafeto de Sérgio Moro e árduo opositor da Lava Jato. É aí que mora o perigo.

Sérgio Moro não deve se afastar ou ser afastado, muito pelo contrário. É hora do governo e da sociedade ampliar e amplificar o apoio ao ministro.

Sobre as mensagens vazadas por Glenn Greenwald não há absolutamente nada que remeta a qualquer ilegalidade. No máximo comentários pessoais que não configuram nenhum crime ou descumprimento das leis. Ministros do STF fazem comentários muito mais complicados para os microfones das rádios e TVs. Gilmar Mendes já foi flagrado em interceptações da Polícia Federal em conversas nada republicanas com investigados, julga e solta conhecidos e clientes do escritório de advocacia da qual sua mulher é sócia (será que só ela é sócia mesmo ou seria ela uma laranja de Gilmar?) e jamais se declarou suspeito. E todos sabemos que é.

Penso que Sérgio Moro realmente não será candidato à presidência da república. Mas pensava também que ele recusaria o cargo de ministro da justiça. E concluo com o mesmo antepenúltimo parágrafo que escrevi no artigo ao qual me referi no início desse : ” Que Jair Bolsonaro, deixe Sérgio Moro aonde está, e que Sérgio Moro, aguarde para ir para o STF na hora certa, um assento que sem dúvida ele merece, mas sem pressa.”

Mas que o PT continue vivendo com esse pesadelo. O que é pesadelo para eles é sonho para quem quer viver num Brasil livre de ladrões e corruptos.

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STF. A ditadura da corrupção, paralela à democracia que pensamos viver.

O Brasil é um país democrático. Ou pelo menos é isso que todo mundo pensa. O STF, porém, que deveria ser o guardião dessa democracia, desde a redemocratização do país é o lado ditatorial do Brasil. Mas só nos demos conta disso nos últimos anos.

Tais quais os diversos escalões do governo, desde Sarney, à medida que os ministros saem do STF, compulsoriamente ou por vontade própria, o tribunal vem sendo aparelhado pelos presidentes da república de plantão, que escolhem seus indicados pelo perfil ideológico demonstrado em suas carreiras ou pelo compromisso que eles assumem em defender os interesses de quem os indica.

Infelizmente, no STF, antiguidade é posto. Quanto mais tempo um ministro faz parte da corte, maior é sua capacidade de construir seu feudo, influenciar julgamentos e pares e se associar aos interesses dos governos e dos políticos com quem estabelecem laços ao longo de suas carreiras.

O povo brasileiro demorou muito a se dar conta de que o nosso STF é quase bolivariano, tendo pelo menos metade de seus membros comprometidos com a manutenção da impunidade de corruptos e corruptores, aos quais, muitos inclusive se associam.

A ditadura do STF é invisível aos olhos do povo, mas absolutamente eficaz pela autoridade que tem e usa para interferir nos processos de todas as instâncias do judiciário e do Ministério Público Federal. A Lava Jato é a maior prova disso. Muitos ministros usam monocraticamente suas canetas para arquivar processos e inquéritos, soltar presos e reinterpretar a Constituição Federal para atender aos interesses do grupo a que pertence ou que defende.

O julgamento de hoje do STF, que pode mandar todos os processos de políticos corruptos para a justiça eleitoral – e assim anular centenas de processos já julgados pela justiça criminal – é a ação mais ousada do grupo de ministros comprometidos com políticos e empresários corruptos. E eles não se incomodarão em usar dos artifícios mais ardilosos que as letras miúdas da Constituição permitem, a despeito da lei e da opinião pública.

O povo brasileiro não sabe reagir a isso. Não sabe ir às ruas se manifestar contra o judiciário, e nem sequer ir às ruas se não for motivado por algum grupo que promova manifestações. Se as redes sociais foram um ganho gigantesco para que as pessoas manifestem suas vontades e insatisfações, são também um reforço à leniência e ao comodismo de um povo acostumado a terceirizar sua indignação.

O envio dos inquéritos e processos de políticos corruptos para a justiça eleitoral, notoriamente incapaz e despreparada para investigar, coletar provas e julgar crimes de corrupção, será o golpe mais baixo dado na Lava Jato e no povo brasileiro, e acabará por tirar da cadeia aqueles que ainda estão presos, como por exemplo Lula, que é quem realmente motiva a atuação desse grupo de ministros do STF.

A Lava Jato do Rio de Janeiro é a parte da operação que chegou mais próxima do judiciário brasileiro, muito mais do que o centro da operação em Curitiba. E quanto mais próxima do judiciário a Lava Jato chega, maior é o desespero e o descaramento com que o sistema reage ao perigo. É a água batendo na bunda.

Não se pode, ainda, afirmar que todos os ministros do STF compactuam com esse pensamento, mas basta que 6 deles se unam no mesmo propósito para isso. E se o placar ficar em 6 a 5, ao contrário da insatisfação permanentemente manifestada em relação a esse mesmo placar na decisão de prender após condenação em segunda instância, os 6 que saírem vencedores não se incomodarão em ver sua tese passar por um placar tão apertado.

Não vivemos uma democracia plena. Escolhemos nossos representantes no executivo e no legislativo, mas não escolhemos os guardiões da Constituição Federal, que, diga-se de passagem, foi feita sob medida para que a ditadura do judiciário exista e funcione com plenitude, ignorando por completo as mudanças e necessidades sociais. Temos um STF que não guarda ou defende as leis, mas que as usa como ferramentas contra a própria sociedade.

O povo brasileiro não soube e não sabe se antecipar as pautas do judiciário, e assistirá hoje a mais uma sessão de profunda hipocrisia judiciária, protagonizada por pessoas que já demonstraram não ter caráter ou compromisso com a democracia que fingem defender. E assistirá calado, e engolirá calado caso o resultado acabe enviando para a justiça eleitoral o que deveria – e deve – ser julgado pela justiça criminal.

O maior caso de corrupção da história mundial está em vias de ser relegado a um mero caso de caixa 2 de campanha, mesmo que a maior parte do dinheiro que circulou pela Lava Jato sequer tenha sido movimentado em época de campanhas eleitorais. E em termos de indignação, as redes sociais só servirão mesmo para que as pessoas deem atestado de incompetência cidadã.

Um julgamento como esse de hoje mereceria no mínimo 1 milhão de pessoas se manifestando e pressionando os ministros às portas do STF. O mais provável, no entanto, é que meia dúzia de gatos pingados apareça por lá, enquanto o restante estará comentando nas redes sociais que esse julgamento é um absurdo ou que ministro A, B ou C é um corrupto que só quer proteger seus bandidos de estimação.

A sessão de hoje do STF não servirá apenas para mandar ou não inquéritos e processos da Lava Jato para a justiça eleitoral. Será também um balão de ensaio para a sessão marcada para o dia 10 de abril, quando os ministros decidirão se condenados em segunda instância poderão ou não iniciar o cumprimento de suas penas.

Ou o Brasil reage, ou em menos de um mês veremos em liberdade criminosos como Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, respondendo apenas a crimes de caixa 2 na justiça eleitoral e rindo de nossas caras.

A única chance do Brasil no dia de hoje é que no STF ainda existam ao menos 6 ministros que acreditem na democracia; e estejam dispostos a defendê-la.

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A sociedade não está mais dividida como em 2014. Agora está decidida.

As eleições de 2014 vencidas por Dilma Rousseff (um dia saberemos essa história direitinho) dividiram a sociedade brasileira. Dilma recebeu 54.501.118 dos votos válidos, enquanto Aécio Neves saiu derrotado com 51.041.155, uma diferença de 3 milhões e meio de votos.

Apesar de todos os sinais claros do tamanho do escândalo que nos aguardava, a Lava Jato ainda engatinhava naquele momento, e os principais políticos, empreiteiros e operadores que vieram a detalhar a cleptocracia petista, emedebista e peessedebista ainda não tinham sido presos. A ponta do novelo se resumia a Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que nem a boca tinham aberto ainda.

Passados 4 anos, hoje sabemos a profundidade que a corrupção atingiu a partir da posse de Lula, e o próprio Lula está preso. A sociedade que estava dividida naquele momento deu o seu recado no primeiro turno ao entregar 49 milhões de votos para Jair Bolsonaro, superando inclusive os votos recebidos por Lula e Dilma no primeiro turno de suas eleições e reeleições. E é muito possível que o recorde de Lula na eleição de 2006, quando recebeu 58.295.042 venha a ser quebrado também.

O que podemos tirar disso? Que, definitivamente, o Brasil não quer mais o PT. Não se trata de tirar os méritos de Jair Bolsonaro como candidato, mas de reconhecer, também, que ele acima de tudo representa o antipetismo.

O placar majoritário do primeiro turno e o provável placar com uma diferença ainda mais acentuada no segundo turno encerrarão a tese de uma sociedade dividida entre dois projetos. O que ficará absolutamente cristalino é que a sociedade brasileira não quer mais projetos de poder, pessoas, partidos ou ideologias. O povo brasileiro busca um projeto de Brasil, e enxerga em Jair Bolsonaro, além disso, um candidato que representa também o fim do lulopetismo e, se tudo caminhar bem, a derrocada da esquerda e seus projetos ideológicos.

Pesquisas apontam que 95% dos brasileiros que declararam voto em Jair Bolsonaro fazem disso uma decisão imutável, seja por acreditar nele ou por enxergar que só ele é capaz de pôr fim ao projeto petista de poder. Já a esquerda, somando-se aí os votos recebidos pelo PT e pelas outras legendas, se mostra incapaz de reter seu eleitorado de primeiro turno, o que sustenta o prognóstico de uma provável surra de votos em Fernando Haddad, PT e seus aliados.

Nunca antes na história desse país a vontade majoritária da sociedade brasileira se mostrou tão clara sobre os rumos que quer para o país, talvez nem quando Lula foi eleito pela primeira vez emplacando, também pela primeira, vez seu pacote de mentiras.

Hoje, todos sabemos que os 13 anos e meio de poder do PT resultaram numa escalda de violência urbana, aumento do índice de violência contra mulheres, LGBTs e negros, no saqueamento de empresas estatais para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas eleitorais, no sucateamento da educação, da saúde, da infraestrutura, e especialmente, no aprofundamento drástico do desemprego.

Não dá para afirmar, e, com sinceridade nem esperar, que Jair Bolsonaro vá resolver todos esses problemas, muito menos em 4 anos, porque nenhum presidente teria essa capacidade. Mas, pelo comportamento do mercado financeiro que reage positivamente a cada pesquisa que o coloca na dianteira da corrida presidencial, dá para afirmar que os investidores estão interessadíssimos e colocar seu dinheiro num Brasil sem PT e que travará uma guerra ferrenha contra a corrupção, permitindo e incentivando que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a justiça de primeiro e segundo grau façam seu trabalho sem interferência.

Em outra frente, podemos esperar também, com certeza, o combate aos desvios ideológicos, ao aparelhamento do estado e a busca incessante pela diminuição da violência urbana que nos últimos 10 anos ceifou dezenas de milhares de vidas sem que o PT ou a esquerda se importasse com isso.

O voto em Jair Bolsonaro é o voto de uma sociedade decidida. Quem sairá dividida dessa eleição é a esquerda, e tão dividida que, felizmente, será difícil juntar os pedaços.

Quem quiser vir junto, a hora essa.

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A república faliu. O golpe é dado pela frente, e narrado em tempo real.

O artigo 18 da Constituição Federal afirma que “A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.”

República federativa ou república federal consiste em um estado que é ao mesmo tempo uma república e uma federação. Isto significa que o país em questão tem um ou uma Presidente, mas está dividido em Estados, regiões ou entidades, que possuem alguma autonomia governativa. Nossa república é constituída pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, sendo um Estado Democrático de Direito.

Tudo muito bonito no papel, talvez até no ideal. Mas o que vivemos é a total desorganização político-administrativa da República Federativa do Brasil. A corrupção compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos para roubar, nos termos dessa Constituição, que não costuma levar corruptos para a cadeia.

Tão indissolúvel quanto a união dos Estados, Distrito Federal e Municípios é a união dos corruptos que roubam e legislam em causa própria. As leis são elaboradas para garantir a impunidade, e se falham em algum momento, nenhum problema, muda-se a lei que falhou. E se mesmo assim a coisa não funcionar, sempre se pode contar com um juiz amigo, integrante da turma que acredita que Estado Democrático de Direito é garantir o direito de políticos e empresários corruptos continuem a roubar o dinheiro do contribuinte livremente, sem nenhuma Lava Jato para encher o saco.

Desde que Michel Temer assumiu interinamente os rumos da Lava Jato vem mudando. Cortes de verbas, mudanças de posições no Ministério da Justiça, no Ministério da Defesa, no comando da Polícia Federal, na Procuradoria Geral da República, ministros do Supremo Tribunal Federal em consonância e agindo livre e descaradamente a favor da impunidade. Denúncias feitas pelo Ministério Público acumulam poeira nos gabinetes dos ministros. Só contra Renan Calheiros são 17. Fora um no qual se tornou réu, sobre os outros 16 nem previsão de acontecer alguma coisa existe.

Vemos agora a imprensa informando que se prepara uma CPI da Lava Jato. A total inversão da lógica, um absurdo, uma excrescência inimaginável. Deputados e senadores que são investigados pela Lava Jato e pela Polícia Federal querem instaurar uma CPI para investigar que os investiga. Que raio de República é essa?

Ministros do Supremo Tribunal Federal, que deveriam estar fazendo a lei ser devidamente cumprida, seguindo a máxima de que processo não tem capa, combatem a Lava Jato nas sessões plenárias, nas sessões das turmas, e, principalmente, no ar refrigerado de seus gabinetes. Um deles, inclusive, é frequentador assíduo de encontros com um presidente da República que é investigado no STF e a quem ele poderá ter que julgar. Isso não existe.

Ex-ministros do Supremo Tribunal Federal, em nome de favores que não podem negar a quem os pede, pressionam e articulam junto a atuais ministros da casa, e vários desses, são vistos costumeiramente se confraternizando com parlamentares cujos processos e inquéritos eles mesmos cuidam.

O combate à Lava Jato está entrando no seu momento mais duro e mais delicado. Em menos de quatro meses teremos eleições gerais. A maioria dos candidatos que aparecem nas pesquisas com chances está envolvida com algum tipo de crime relacionado à corrupção. É de total interesse deles que se coloque um freio definitivo na maior ofensiva contra a corrupção já realizada nesse país. E criarão quantas CPIs forem necessárias com esse objetivo, com total amparo dos poderes executivo e judiciário.

De sua parte, o judiciário continua dividido entre os que defendem corruptos e impunidade e os que querem acelerar as coisas. Mas não se pode confiar num sistema no qual são os corruptos que indicam os ministros da Suprema Corte.

Não bastará o voto para reverter isso tudo. É como tentar se defender de tiros de metralhadora com papel alumínio. A República Federativa do Brasil está em processo de morte por falência múltipla dos órgãos que deveriam sustentá-la. A tríade criada para gerir nossa república foi infestada de corruptos que não esperam mais a calada da noite para agir. Fazem à luz do dia, diante das câmeras e microfones, em tempo real.

Antigamente a imprensa era responsável por contar as notícias depois de acontecidas. A evolução tecnológica agora permite que o crime seja noticiado enquanto está acontecendo, como se um assalto a banco fosse transmitido ao vivo pelos bandidos enquanto acontece. Não há mais denúncias na imprensa, há a narrativa dos eventos.

Estamos sendo golpeados pela frente, olhando o inimigo nos olhos, psicologicamente incapazes de esboçar defesa, sabendo o que está acontecendo. Mas, infelizmente, só sabemos reclamar da dor e ver o sangue escorrer, torcendo para que alguém apareça para abater sozinho nosso inimigo enquanto tentamos tampar a ferida com o dedo.

República não é isso. Republiqueta não é isso. Como povo, talvez sejamos mesmo tão somente o paizeco do qual Gleisi Hoffmann nos acusou dias atrás da tribuna do senado. O povo gosta mesmo é de pão e Ciro.

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Lula poderá realmente ser preso amanhã. O que vem depois disso?

Lula é a prisão mais desejada do Brasil. Nunca no Brasil tanta gente desejou a prisão de uma pessoa.

Não houve estuprador, assassino, ladrão, pedófilo ou qualquer outra categoria de bandido cuja prisão tivesse sido tão esperada por tanta gente.

Mesmo em torno de nomes que causaram comoção nacional pela prática de crimes bárbaros ou hediondos, como Guilherme de Pádua pelo assassinato de Daniela Peres, Alexandre Nardoni e Ana Paula Jatobá pelo assassinato da pequena Isabela, Suzane Von Richthofen pelo assassinato dos próprios pais enquanto dormiam, ou o goleiro Bruno pela morte de Elisa Samúdio, tanta gente se manifestou pedindo sua prisão.

A diferença é que Lula é estuprador, assassino, ladrão e, para ser simpático à ideologia que apoia seu personagem, um pseudo-apologista da pedofilia. Explico.
Lula estuprou a mente das pessoas pobres desse país, pessoas intelectualmente indefesas em cujas cabeças foram enfiadas ideias deturpadas da realidade, deturpando até mesmo de suas próprias realidades.

A explosão da violência no Brasil se deu no governo Lula e descambou para uma curva ascendente que levou o governo federal a uma indesejada intervenção na segurança do Rio de Janeiro, incapaz de mostrar algum resultado significativo após aproximados quatro meses de operações. Lula e o PT desarmaram a população e fizeram vista grossa enquanto o tráfico de drogas se armava até os dentes. São cúmplices da morte de cada cidadão brasileiro que foi vítima do descaso com a segurança pública, com o combate ao tráfico de drogas e armas e com a vigilância das fronteiras.

Além de roubar o Brasil, Lula deixou que todos roubassem à vontade. Hoje mesmo o ex-governador Sérgio Cabral, já condenado a mais de 100 anos de cadeia por crimes de corrupção, tornou-se réu na Lava Jato do Rio de janeiro pela 22ª segunda vez, coisa inédita no país e sabe-se lá no mundo. Cabral roubava o Rio de Janeiro e ajudava Lula a roubar o Brasil. A Petrobrás foi saqueada, o BNDES distribuiu dinheiro para empresários e países alinhados aos esquemas do PT, o governo federal perdoou dívidas de “países amigos”, e assim foi nos Correios, Fundos de Pensão, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Eletrobrás, Eletronuclear, Itaipu e eu poderia passar duas horas aqui relacionando estatais roubadas com a liderança do PT e a parceria do MDB, PP, PSDB e mais umas duas dúzias de partidos.

Por motivos ideológicos, Lula não interferiu na movimentação da esquerda incentivando ações que induzem ou incitam a pedofilia nas escolas e na cultura. Mais e mais crianças tiveram acesso a sexualização precoce e a exposição da ideologia de gênero na tentativa de quebrar valores morais e sociais seculares e assim ampliar o domínio sobre a sociedade.

MST, CUT, MTST, amizade e apoio a países nitidamente socialistas como Cuba e Venezuela, aproximações com o Irã, declarações de apoio à Coreia de Norte. Em relação à Venezuela, mesmo após o genocídio comandado por Maduro, Lula e o PT não tiraram seu apoio. Aliás, pelo contrário, esse apoio vem sendo reiterado permanentemente e o governo venezuelano visto e apontado pelos petistas como exemplo de democracia.

Relacionar os crimes visíveis e não visíveis praticados por Lula e/ou pelo PT, ou em nome deles ou da esquerda, nos leva a passar pela saúde, pelo transporte, pela educação, pela segurança pública, pela fome, pela habitação, pela infraestrutura, pela economia, pelos direitos humanos, pela cultura… e ouso dizer que por todo e qualquer setor de responsabilidade direta ou indireta da administração pública enquanto Lula e o PT estiveram no comando.

Portanto, não chega a ser tão difícil entender o porquê de uma gigantesca parte da sociedade brasileira querer ver Lula na cadeia. E se nenhuma surpresa acontecer, e elas ainda são possíveis (eu mesmo só acreditarei vendo), 5 de abril será uma data lembrada por muitos anos como o dia em que o Brasil viu a justiça sendo feita. E que assim seja?

Mas e depois que Lula for para a prisão?

A ausência presencial de Lula no debate político não vai afastá-lo da cena, pelo menos não nessa eleição. Apesar de legalmente impossibilitado de concorrer por estar enquadrado no Ficha Limpa (por ter condenação em segunda instância) e fisicamente porque deverá estar atrás das grades, sua imagem será fartamente usada pela esquerda, e muita gente, inclusive do PT, aposta que Lula ajudará mais estando preso do que solto, e essa seria até a teoria de uma meia dúzia de lunáticos proféticos que imaginam eleger um presidente da esquerda que soltará Lula e todos os outros companheiros assim que assumir o poder.

É bom que todos pensemos no que é preciso ser feito a partir da prisão de Lula, para que a mesma acomodação resultante do impeachment de Dilma Rousseff não se abata na sociedade novamente. Esse não é o momento de descansar ou se sentir vingado ou mesmo livre do perigo.

A esquerda está viva, e tendo Lula pregado na cruz ela ganha um apelo que não teria se ele estivesse no palanque contando mentiras e encantando asnos. Os apelos a comparações com Jesus Cristo, Tiradentes e Nelson Mandela serão intensificados, e que ninguém se surpreenda se além de recorrer à ONU o PT recorra também ao Vaticano na tentativa de iniciar um processo de canonização em vida para Lula.

A sociedade brasileira não pode se acomodar com a prisão de Lula. E não pode se deixar afetar com as consequências da exploração desse fato.

O povo brasileiro precisa seguir em frente e mirando nos alvos que continuam soltos, como Aécio Neves, Renan Calheiros, Romero Jucá, Fernando Collor, e, claro, Michel Temer, o corrupto de plantão no poder. Menos ainda pode esquecer ministros do Supremo Tribunal Federal como Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Tóffoli e Celso de Mello, que são os que tomam a linha de frente na escandalosa defesa dos corruptos através da manipulação das leis.

Não duvido que apesar de toda a encenação a prisão de Lula tenha sido tramada para que em no máximo uma semana ele seja libertado pela decisão monocrática de algum desses ministros e que saia da cadeia com a aura de mártir e que comece a andar pelo país contando as “agruras que sofreu” no cárcere. Talvez essa estratégia possa ser um golpe em Sérgio Moro e na Lava Jato, sendo desmoralizados pela decisão de um tribunal superior. E não é difícil que aconteça, a tendência desses ministros de que um deles enfie a discussão das ADCs goela a baixo em Cármen Lúcia é muito grande.

É difícil dizer que o momento não é para comemorar, porque, ao mesmo tempo, é. Mas é talvez um dos pontos mais críticos dessa relação justiça/Lula/justiça, porque a justiça que protege a sociedade contraditoriamente é a mesma que a expõe quando deixa de cumprir sua função para proteger bandidos e, convenhamos, para se proteger.

Lula vai para a cadeia mas leva consigo centenas de rabos presos entre os nove dedos de suas mãos. E são rabos grossos, muito grossos.

Acreditem, a prisão de Lula, se acontecida, depois de acontecida, ainda merecerá vigília. Mas o mais importante será a manutenção da luta contra a corrupção, o apoio à Lava Jato e a união para que os donos dos rabos presos nas mãos de Lula possam fazer companhia a ele o mais rápido possível, sejam quem forem, sejam de que partidos forem.

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A Lava Jato do povo completa 4 anos com 118 julgados e condenados

A Lava Jato do Supremo Tribunal Federal, nos mesmo 4 anos, não julgou ninguém, muito menos condenou.

Foi no dia 17 de março de 2014 que o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba deu início ao que ficou conhecido como Operação Lava Jato.

Iniciada num posto de gasolina onde também onde se descobriu a movimentação de dinheiro ilícito, a Lava Jato abriu a caixa preta da podridão do sistema político brasileiro, expondo, um a um, seus personagens, e tornando público o tamanho da desgraça brasileira. Não que muitos nomes não fossem conhecidos ou imagináveis, mas, mesmo sendo, a exposição destes nomes associadas à valores, obras e a ineficiência do estado fizeram com que o brasileiro tivesse a verdadeira dimensão do que é a corrupção na política brasileira e como ela opera.

Se no início o foco da Lava Jato era a corrupção na Petrobrás, pouco a pouco foram sendo descobertos e revelados escândalos sucessivos em todas as esferas da administração pública, envolvendo diversas estatais, ministérios e bancos públicos. A sujeira revelou também que não apenas o PT era beneficiário da corrupção que foi se tronou sistêmica a partir do governo Lula, mas também o PMDB e o PP, e quase todos os partidos, mais da metade políticos presentes no Congresso Nacional, e políticos no governo federal, nos governos dos estados, nas assembleias legislativas, prefeituras e câmaras municipais. Pior que isso, a propina oriunda da corrupção no Brasil financiou e interferiu em processos eleitorais de outros países da América do Sul.

E não bastasse a classe política totalmente contaminada pela corrupção, a Lava Jato também colocou às claras a participação ativa de importantíssimos empresários de quase todos os setores da economia, inclusive o setor bancário, que se revezaram no papel de corruptores e corrompidos, expondo como nunca antes nesse país a profundidade e o cheiro do esgoto que se tornou a política nacional depois da redemocratização.

Até outubro de 2017, o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato em Curitiba, já havia condenado 109 pessoas envolvidas com corrupção, entre doleiros, operadores, ex-funcionários de estatais, ex-ministros, ex-deputados e ex-governadores. Só Sérgio Cabral o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, já condenou 5 vezes, cujas penas somadas chegam a impressionantes 100 anos

Nesse mesmo período, o Supremo Tribunal Federal não condenou nenhum, nem sequer julgou algum. Há grande participação do STF na Lava Jato se deu mesmo foi através da concessão de habeas corpus que soltaram diversos bandidos, da recusa em homologar determinadas delações premiadas, de rejeições de denúncias da PGR, e do arquivamento de denúncias contra parlamentares. Nenhum, unzinho só que fosse, político com foro privilegiado foi sequer julgado pelo STF.

Enquanto a Lava Jato do povo faz um serviço impagável para a população brasileira, não se sabe o quanto são impagáveis são os serviços da Lava Jato realizado nos gabinetes do STF. A primeira e segunda instâncias investigam, julgam e condenam. O STF não investiga, não julga e não condena ninguém.

O papel do Supremo Tribunal Federal é vergonhoso. É vergonhoso na sua composição, na sua atuação, nas suas interferências, nas suas sentenças, no descompasso com os verdadeiros anseios por mudanças, fortemente simbolizadas na expectativa de ver na cadeia políticos que, há décadas, fazem dos cofres públicos seu parque de diversões.

Existe uma compreensão possível para a “lerdeza” do STF, uma vez que a Suprema Corte não é uma instância criminal. Mas não é compreensível que a atuação de muitos dos ministros sirva apenas para proteger políticos e empresários corruptos, interpretando e reinterpretando a Constituição Federal de acordo com o condenado do dia.

O processo do fim do foro privilegiado, paralisado por um pedido de vista do ministro Dias Tóffoli quando o placar de 8 a 1 já garantia uma derrota para a classe política envolvida com corrupção, é uma demonstração clara do papel que a mais importante instância judiciária nacional trabalha a favor da manutenção do sistema e da proteção dos corruptos que necessitam desse foro privilegiado para não cair nas mãos de juízes que julgam e condenam.

Quatro anos de Operação Lava Jato. E não se lavou nem um décimo da sujeira.

Muita coisa ainda precisa ser lavada nesse país, a começar pelos corredores e gabinetes mais poderosos do país.

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A Lava Jato acabou. Michel Temer deu o golpe de misericórdia.

Agora só uma intervenção divina salva a Lava Jato. Quem espera por uma intervenção militar para terceirizar a resolução dos problemas civis da nação devia começar a pensar num plano B, porque, apesar dos discursos, a hipótese continua sendo ínfima.

Os apelos do juiz Sérgio Moro e dos procuradores de Curitiba não era mera encenação, nem mesmo campanha antecipada pensando nas eleições de 2018, porque nenhum deles deverá ser candidato. Eles falavam muito seriamente sobre a necessidade da manifestação do povo nas ruas, convocando os cidadãos para dar seu aval fazendo ao único barulho que político tem medo.

A população se deu por satisfeita com a queda de Dilma Rousseff, como se ela fosse o único grande mal que havia nesse país.

O ministro Torquato Jardim, com ajuda, apoio e incentivo do ministro Gilmar Mendes, entrou com a missão de enterrar a Lava Jato por todos os meios possíveis e “legais”. E ele fez. Logo no início do ano Temer já havia cortado os recursos da Polícia Federal em 40%, afetando diretamente a Lava Jato, com a redução de pessoal da força tarefa em Curitiba e paralisação de investigações, muitas sequer foram iniciadas.

Enquanto isso, na Segunda Turma do STF, Gilmar Mendes, Dias Tóffoli e Ricardo Lewandowski foram sabotando as decisões dos juízes de instâncias inferiores, soltando deliberadamente políticos presos preventivamente, e até condenados como José Dirceu.

Meses depois veio a troca de comando da PGR, tendo sido escolhida Raquel Dodge por indicação e aval de Torquato Jardim e Gilmar Mendes. Um bom exemplo do que ela foi fazer no comando do Ministério Público Federal foi a recusa da delação premiada de Antônio Palocci, que agora tenta um acordo com a equipe do MPF de Curitiba.

E para colocar a cereja em cima do bolo, a troca do comando da Polícia Federal, com Fernando Segovia no lugar de Leandro Daiello. E em menos de 24 horas ele já disse a que veio. Está trocando o comando da PF em Curitiba, e o indicado deverá ser o delegado José Alberto Iegas, exatamente o mesmo que armou a escuta clandestina na cela de Alberto Youssef logo no começo da Lava Jato.

O STJ arquivou mais da metade das denúncias do MPF contra governadores de estado. A Câmara arquivou duas denúncias contra Michel Temer. O senado devolveu o mandato ao senador Aécio Neves, suspenso do cargo pelo STF.

Sérgio Moro avisou. Os procuradores de Curitiba avisaram.

As ações e reações de Michel Temer demonstraram. Juízes do STF, TSE e STJ arbitraram. Senadores votaram a Lei de Abuso de Autoridade debaixo de nossos narizes. A Câmara dos Deputados aprovou o escandaloso fundo bilionário para financiar a política. E o projeto que estingue o foro privilegiado parou na câmara e no STF.

E nós não fizemos nada. E não faremos. E daqui há um ano estaremos votando nas mesmas urnas eletrônicas viciadas e sem o comprovante impresso como manda a lei aprovada e sancionada pelo presidente da república.

Antônio Palocci pode ser solto daqui há uma semana, Eduardo Cunha poderá ser solto no dia 28/11, e que ninguém se espante se a ministra Carmem Lúcia pautar – no apagar das luzes de dezembro – o tema da prisão após condenação em Segunda Instância.

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