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HOJE É DIA DE PROTESTAR? É CONTRA O QUE MESMO?

ESTÁ PREPARADO? O GRITO DE PROTESTO ESTÁ AFIADO?

As pessoas chegam às dezenas. Daqui a pouco, mais uma manifestashow vai começar. Enfim as pessoas do Brasil inteiro darão vazão ao grito de protesto represado por quase 3 meses, quando foi marcado o protesto de hoje, 27/8. Imaginem, 3 meses aguardando para poder gritar ao mundo aquilo que não aceita mais.

Estão todos tomados pelo espírito verde e amarelo, empunhando suas bandeiras, faixas e cartazes, caras pintadas, corpos pintados, sedentos pelo grito libertado do mestre de cerimônias que chegará em breve, montado no seu trio elétrico e pronto para agitar a massa.

E então, a partir de um grito de guerra “Fora Temer”, grupos próximos travam o seguinte hipotético diálogo:

Grupo 1 – Fora Temer não. E fora Gilmar!

Grupo 2 – Fora Gilmar! Intervenção já!

Grupo 3 – Intervenção não! Lula na Cadeia!

Grupo 1 – Lula na Cadeia!

Grupo 2 – Lula na cadeia! Fora Aécio!

Grupo 3 – Fora Aécio não! Fora Gilmar! Viva Sérgio Moro!

Grupo 1 – Viva Sérgio Moro! Viva Carmem Lúcia!

Grupo 2 – Carmem Lúcia não. Viva Moro! Viva Janot!

Grupo 3 – Janot não, porra! Janot é Globo! Janot é PT. For Janot!

Grupo 1 – Fora Janot! Fora Gilmar! Fora Temer! Lula na cadeia!

Grupo 2 – Foram Renan! Fora Raquel Dodge!

Grupo 3 – Fora Raquel Dodge não! Brasil!

Grupos 1, 2 e 3 – Brasil! Brasil! Brasil!

Que chegue logo o mestre de cerimônias. Depois de 3 meses ninguém mais sabe nem sobre o que vai protestar.

Mas não fique triste, amigo brasileiro, amiga brasileira. Manifestashow é assim. Daqui a 3 meses tem outra.

O Brasil urge!

 

LULA SE DEU MAL COM A CARAVANA

VAI TENTAR AGORA COM DILMA VANA

Lula tinha razão quando imaginava que seria recebido pelos braços do povo. Só não imaginou que o povo talvez quisesse sentar-lhe os braços, e não abraçá-lo.

Descobriu que não é o filho pródigo voltando para casa e que o Brasil inteiro sabe que ele é pródigo mesmo em enriquecimento ilícito, propinas e desvio de dinheiro público.

Já foi hostilizado em restaurante, aeroportos, rodoviárias e até por gente montada em jegue.

Não dá dois passos sem o escudo humano de pelo menos dez seguranças em volta, abrindo caminho e contendo as pessoas.

Lula não confia mais em simples abraços. Só chega perto de Lula quem comprova que está com o tíquete para pegar a mortadela depois da foto.

E como o que está ruim sempre pode piorar, estão agregando Dilma Vana à caravana.

É possível que nunca descubramos o autor dessa ideia, mas certamente ela parte da premissa de que Dilma é mais querida do que Lula no Nordeste.

Ele realmente precisava de uma cara, mesmo sendo a de Vana. A dele sozinha não se sustenta mais.

E se não der certo? Parafraseando Mônica Moura, companheira do marqueteiro João Santana, “sempre haverá Havana”. A cidade, não Dilma.

 

POR QUE SÓ A ELETROBRÁS?

PRIVATIZEM O GOVERNO BRASILEIRO!

Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, nem monarquia. Inventaremos o privaticionismo. Mais do que um sistema de governo, um sistema de gestão.

Político faz política. Gestor toma decisão. E dá para ver que desde 1500 não tivemos um verdadeiro gestor por essas bandas, aqueles que a gente chama de CEO, que lança livro autobiográfico aos 45 anos e ganha muito dinheiro enchendo de dinheiro os cofres da empresa que trabalha.

CEO olha para a coisa pensando em como fazer dinheiro. Político olha pensando em como ganhar dinheiro.

O Brasil precisa abandonar de vez essa mania de celebrizar políticos. Político não é artista de televisão e se for não é bom político. Basta a gente se lembrar da quantidade de mentiras e histórias interpretadas por esses bandidos diante das câmeras, todos com cara de santo, com caras de bons moços e moças que não são.

Um gestor tem que ter medo de perder o emprego. Político não tem esse medo. E nós nem colocamos esse medo neles.

Manda embora um gestor não vai precisar de congresso, de câmara ou de senado, nem de autorização ou rito por parte de ninguém, nem do STF. O que vai decidir isso é o conjunto de índices prometidos e alcançados, com avaliação semestral. Não atingiu, rua. E se quiser procurar justiça será a trabalhista.

O Brasil precisa urgentemente de alguém que entenda segurança pública com a mesma importância que um CEO entende o investimento em sistemas de segurança para uma empresa. Precisa pensar na saúde como pensa quem tem o poder de decisão para contratar um plano de saúde para os funcionários. Tem que enxergar a educação com a mesma relevância que um líder empresaria dá à formação de seus funcionários.

Precisamos de alguém que fale em planejamento estratégico e não apenas pontes para o futuro. O político ainda pensa em pontes, o gestor pensa em como chegar no futuro.

Não podemos mais conviver com a ideia nacionalista de ser donos disso ou daquilo. Nós somos donos seja lá quem for que esteja comandando empresas e tomando decisões.

O Petróleo continuará sendo brasileiro e o país provavelmente terá mais lucros com alguém bancando os riscos sem ser com o dinheiro do contribuinte.

A energia elétrica continuará chegando nas casas das pessoas independente de quem pendurou os fios na rede elétrica. A água chegará independente de quem fez a rede.

A prova da capacidade de que o Brasil e os brasileiros são capazes de produzir riqueza é o fato de mesmo com mais de 1 Trilhão de reais roubados e desviados dos cofres público nos últimos 15 anos nós não quebramos. Driblamos a violência, a deficiência da saúde, da educação, da infraestrutura, mas seguimos adiante. A sexta ou sétima economia mundial, o quinto maior em área territorial privilegiadíssima, onde, adubando, tudo dá.

Enquanto no Brasil nos entendermos apenas como povo, população ou nação, vamos ficar nessa situação. Isso só vai mudar quando começarmos a nos entender como contribuintes antes de tudo. A relação com o governo não é consanguínea, não é fraterna, é de negócios. Nós pagamos para receber serviços. E quando em qualquer lugar alguém não recebe pelo que paga, deve ter o direito de não querer mais aquele fornecedor.

Meu amigo, minha amiga, entenda que contribuinte é a mesma coisa que cliente. E se você é cliente tem que exigir o melhor dos mundos.

O Brasil tem que privatizar tudo aquilo que não é função primária do estado. Chega de sustentar vagabundo.

PEITAR OU NÃO PEITAR GILMAR MENDES, EIS A QUESTÃO

 

PEDIDO DE SUSPEIÇÃO DE GILMAR MENDES FEITO POR RODRIGO JANOT JÁ ESTÁ NAS MÃOS DE CARMEM LÚCIA

É claro que a ministra Carmem Lúcia sabia do tamanho da tarefa que a esperava. Ninguém chega sequer a ministro do STF se não estiver reconhecidamente preparado para o cargo. Mas isso tudo no campo técnico. No campo político é outra história.

Desde que assumiu o papel de presidente paralelo do STF, o ministro Gilmar Mendes manda e desmanda, faz e desfaz, com constituição ou sem constituição. E ninguém faz nada contra ele. Que se saiba ninguém fez uma representação no CNJ. Ele faz do Código de Ética da Magistratura apenas uma fonte de frases bem construídas às quais se permite as licenças poéticas que bem entender.

Rodrigo Janot não é o que se pode chamar de home isento também, ainda mais para questionar a isenção de alguém. Mas o fez. Pediu a suspeição de Gilmar Mendes. E colocou esse abacaxi no colo de Carmem Lúcia.

O que está em jogo nesse negócio não é lei, ou apenas lei, é política pura. E Carminha não parece ser muito fluente nesse idioma.

Carmem Lúcia pode simplesmente arquivar o pedido, e sua biografia junto. Vai assumir que na presidência do STF ela não passa de mera “Rainha da Inglaterra”.

Pode ouvir Gilmar Mendes dizer que padrinho de casamento não é parente. Pode ouvir também testemunhas que dirão até que nem sabiam que Gilmar Mendes era ministro do STF.

Mas ela não vai fazer isso. Vai levar para o plenário decidir. E com isso vai acabar peitando Gilmar Mendes do mesmo jeito. Só que não vai fazer sozinha.

Está aí uma chance de vermos Gilmar Mendes numa posição muito desconfortável. É boa a chance de que o pedido de suspeição seja aceito pelos outros ministros, mesmo que isso sirva apenas para diminuir a quantidade de holofotes que vivem em cima do STF, e assim vender uma falsa imagem de confiança aos contribuintes, como se fosse de verdade. Veja que uma sessão do STF para isso, inclusive, é secreta.

Carmem Lúcia preside o STF, mas não manda. Ou o Gilmar Mendes desmanda. Ou que quem manda é ele?

Antônio Dias Tóffoli será o próximo presidente do STF, o que prova que Tiririca não entende nada de slogan ou previsão. Pior que está pode ficar sim.

HOJE, A CULPA É DO PRESIDENCIALISMO. AMANHÃ, SERÁ DO PARLAMENTARISMO.

E OS CORRUPTOS, MUITOS QUE ASSALTAM O PAÍS DESDE OS TEMPOS DOS MILITARES, NUNCA TERÃO NADA A VER COM ISSO.

A desculpa se aproxima daquelas dadas por jogador de futebol depois do seu time tomar uma goleada. A culpa foi do juiz, do gramado, da dureza do adversário, da torcida que fica muito próxima do gramado, das dimensões do gramado, do cara que segurou a camisa dentro da área e o juiz não viu. Mas nada a ver com seu próprio desempenho ou de seus colegas de time, muito menos com o treinador.

O presidencialismo pode não ser o melhor sistema de governo, mas a culpa não é meramente ‘do sistema’. Isso é uma maneira de desviar a atenção do eleitorado com a promessa de mais um conto de fadas que tem tudo para não funcionar também.

A crise brasileira não é de sistema de governo, mas da sistematização da corrupção. A crise é moral, ética. E com pessoas amorais e aéticas, tanto faz o sistema.

O governo e o congresso estão tentando criar fatos novos, que justifiquem as pilantragens pregressas, e que sirvam como demonstração da preocupação, totalmente falsa, em mudar a realidade.

Não se sabe ao certo o tamanho da corrupção no governo FHC e nem se havia um funcionamento sistêmico disso, a maioria das investigações e depoimentos de corruptos já interrogados e/ou presos, nunca confirmou. Mas são fartas as declarações que o sistema de cooptação de parlamentares através de corrupção sistêmica foi largamente utilizado desde que Lula assumiu em 2003.

De todos, porém, nenhum deles está mais infiltrado nas entranhas do poder do que o PMDB, que como toda boa “Maria vai com as outras”, nunca se importou de alugar sua legenda para o governo de plantão. Com isso, figuras como José Sarney, que esteve ao lado do regime da primeira à última hora, dominam e se beneficiam de áreas estratégicas como o setor elétrico. Sarney só virou PMDB por conveniência.

O que precisa mudar no Brasil não é necessariamente o sistema e sim a mentalidade. E também não necessariamente apenas a mentalidade do político, mas principalmente a do eleitor. Não renovar os mandatos de 90% dos políticos é o primeiro passo, e terá que ser um serviço completo, dos deputados estaduais ao presidente da república.

A população precisa ter mais atenção à política local, conhecer seus vereadores e deputados estaduais. Pela ordem natural das coisas, os vereadores de hoje são os deputados estaduais de amanhã que virão a ser deputados federais, senadores e governadores mais para frente. E não se revelam corruptos quando estão no topo, lá só fica mais escandaloso.

Portanto, obedecido o critério da honestidade, da probidade, o sistema de governo é uma questão de lógica e/ou preferência. Mas é inconcebível que qualquer mudança seja feita sem a devida consulta popular, seja através de plebiscito ou referendo. Qualquer coisa fora disso é usurpação de poder.

Quando Michel Temer fala em semi-presidencialismo, ele só está mesmo dando legitimidade ao semi-presidente que é. Não conseguiu e não conseguirá ser um presidente por inteiro, por mais reformas que aprove e por melhor que a economia possa evoluir.

E quanto ao que disse Rodrigo Maia sobre fundo de participação, sistema de governo, reforma política, esquece. Ele só fala o que mandam, quando mandam e como mandam. Ele é mais um nada bem-mandado que não carrega mais malas. Só as suas.

O que precisa mudar no Brasil é o pacto federativo. Enquanto não mudar isso, não importa quão bem intencionado é um projeto, uma lei ou uma reforma. O governo federal com todo o dinheiro e investindo mal, os estados e municípios continuarão muito mais pobres do que deveriam e de prato na mão se dispondo a fazer qualquer tramoia para receber uma migalha a mais. Fora isso, o resto e convera.

A VIOLÊNCIA URBANA MATOU 155 PESSOAS POR DIA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2017

 

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8,2 MIL PESSOAS PERDERAM A VIDA. E OS POLÍTICOS BRASILEIROS PERDERAM A VERGONHA DE VEZ. 

Em outubro do ano passado, matéria do G1 registrava que a violência urbana no Brasil matava mais do que regiões de guerra. Enquanto em 4 anos haviam morrido 256 mil pessoas na Síria, no mesmo período no Brasil morreram 279 mil.

O Estadão de hoje registra que no primeiro semestre desse ano já ocorreram 28,2 mil homicídios no Brasil, uma média de 155 por dia.

Continua a matéria do Estadão informando que “são 155 assassinatos por dia, cerca de seis por hora nos Estados brasileiros, onde as características das mortes se repetem: ligada ao tráfico de drogas e tendo como vítimas jovens negros pobres da periferia executados com armas de fogo. O número é 6,79% maior do que no mesmo período do ano passado e indica que o País pode retornar à casa dos 60 mil casos anuais.”

Todo mundo está cansado de saber que o estados é um grande patrocinador dessa violência. É quando ele se torna ausente que ela prolifera nesse proporção.

Essa conta só diz respeito a homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte) e nos dá a sensação de que a violência gerada pela ausência do estado se refletisse apenas isso. Não é verdade.

Quando o estado não cumpre seu papel a violência começa na ausência de um sistema educacional capaz de conter os jovens nas escolas e oferecer a eles educação de verdade que lhes dê oportunidade de conquistar uma vida profissional de qualidade. O governo brasileiro não faz isso.

Também é violência tirar do cidadão a capacidade de prover seu próprio sustento, e de sua família. São 14 milhões de desempregados no Brasil, possivelmente 14 milhões de famílias, algo próximo de 40 milhões de pessoas sem uma remuneração formal ou digna.

A violência se estabelece quando as pessoas morrem por falta de assistência médica capaz de retribuir a elas o que lhes toma na forma de impostos. Faltam médicos, faltam remédios, faltam leitos, falta vergonha na cara.

Centenas de pessoas morrem em estradas como a BR 262 que liga Minas Gerais ao sul da Bahia, cuja duplicação é promessa de campanha de presidentes e governadores dos últimos 20 anos, sem que um metro de acostamento tenha sido feito para isso. Além disso, essa estrada é importante ligação de escoamento de cargas entre sudeste e nordeste, de comida a bens de consumo. Segundo o Portal Brasil, do governo em 2016 foram 6405 mortes em acidentes nas estradas federais.

Não é possível achar isso normal. Nada disso.

A corrupção desviou 80 bilhões de reais por ano de 2003 a 2016. Um trilhão de reais foi tirado da segurança, da educação, da saúde, da infraestrutura, do meu bolso, do seu bolso.

Nesse ritmo de 155 pessoas por dia, passaremos novamente dos 60 mil homicídios em 2017. E o ano que vem será pior.

Ou alguém começa a estabelecer o povo como prioridade ou em breve estaremos estabelecendo também o recorde de maior país produtor de caixões funerários.

 

MATÉRIA DO G1

MATÉRIA DO ESTADÃO

INFOGRÁFICO DO O GLOBO COM MAPA DOS ACIDENTES EM ESTRADAS

HOJE OS DEPUTADOS VOTARÃO A REFORMA POLÍTICA KINDER OVO.

E PREPAREM-SE PARA AS SURPRESINHAS, NA MAIORIA DAS VEZES SÃO DECEPCIONANTES.

Todo mundo sabe que dificilmente uma votação desse gênero, envolvendo tantos interesses diferentes – menos o do povo – chegue ao seu final exatamente como foi proposta, mesmo que a proposição em si já tenha sido recheada de absurdos.

O que veremos hoje é a ganância versus democracia. O que veremos hoje é a exposição da face mais suja dos políticos brasileiros que tentam legalizar aquilo que antes era roubado, desviado ou simplesmente apropriado por todos na forma de propinas e venda de emendas e consciências.

Aliás, se é algo que falta à maioria dos deputados é a tal da consciência. A única coisa da qual são absolutamente conscientes é que precisam continuar no poder, uns para continuar roubando, outros para não ir para a cadeia.

A reforma política não é uma reforma, e sim a tentativa de uma nova forma de passar a perna nos cidadãos, e isso inclui tudo o que está na proposta, da apropriação espúria de dinheiro público que resolveria o problema da saúde pública às mudanças no sistema eleitoral que visa garantir que quem está continua, e roubando.

O povo brasileiro não saiu às ruas, não protestou com a veemência necessária para fazer os parlamentares sentirem pelo menos arrepios. Apenas usou as redes sociais como se fossem ruas e avenidas, e como se isso fosse suficiente para pôr medo nesses bandidos que nos últimos tempos só legislam em causa própria, seja qual for a matéria. Apenas se perguntam “o que eu vou ganhar nisso?”.

Para os atuais políticos, especialmente os encrencados, muito encrencados e encrencados para caramba, o povo é aquele detalhezinho chato da democracia, aquela pedrinha no sapato que incomoda, mas não impede de seguir a caminhada. E se tudo der certo, superado o trecho complicado do caminho, basta sacudir o sapato que a pedrinha cai no chão e se junta as outras milhares de pedrinhas que nunca incomodaram ninguém.

E já que ninguém se manifestou com a força e com o poder que tem, que fiquem atentos às surpresinhas que essa reforma kinder ovo promete, como, por exemplo, reaparecer a tal emenda Lula e outras tantas que em nada interessam à população, mas que garantem sossego para muitos políticos com medo de ver o sol nascer quadrado.

FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

OPOSIÇÃO NA VENEZUELA NÃO QUER INVASÃO MILITAR. DE NINGUÉM.

ANTES DE QUERER ALGUMA COISA PARA ALGUÉM É PRECISO SABER SE ESSE ALGUÉM QUER ESSA COISA

Lutar pela democracia através de canais democráticos é, além de justo, o caminho óbvio. Mas nem tudo que é óbvio é possível, e nem tudo que é possível é democrático.

Enquanto o povo brasileiro se nega ir às ruas contra governos e políticos corruptos e parte dele sonha com uma intervenção militar caseira, 125 civis venezuelanos já morreram pelas mãos dos militares e milicianos venezuelanos em pouco mais de quatro meses. E agora a oposição solta uma declaração na qual repudia qualquer possibilidade de intervenção militar estrangeira.

É bom que prestem atenção nisso os brasileiros que tem gasto seu tempo sendo solidários aos hermanos venezuelanos com o entendimento de que só uma ação militar vai ajudá-los. Acredito até que ajudaria, uma vez que eles estão sendo vítimas das suas próprias forças armadas e pelas milícias formadas por venezuelanos e cubanos. Mas não é o que eles querem.

Essa declaração do MUD, coalizão de 30 partidos de oposição à Nicolás Maduro, reafirma a contradição entre o comportamento de venezuelanos e brasileiros. Nós, brasileiros, não vamos às ruas e ansiamos por um salvador da pátria que resolva todos os nossos problemas sem que precisemos “sujar as mãos”. Os venezuelanos estão nas ruas, e rejeitam salvadores da pátria que pensem em defendê-los por caminhos que não sejam através da democracia exercida diretamente pelo povo, sujando suas mãos para que isso aconteça.

O povo brasileiro não entendeu ainda o poder que tem, principalmente levando-se em consideração que aqui não existem militares ou milicianos impedindo que nos manifestemos livre e democraticamente. Aliás, pelo contrário, talvez seja esse o comportamento que faça com que nossos militares possam vir a apoiar o povo.

Recentemente questionei sobre o que realmente pode ser feito para ajudar a Venezuela (leia aqui), tratando das limitações que essa ajuda teria. Mas nem eu mesmo me atentei que um dos limites é a própria vontade do povo venezuelano que se faz representar pela coalização opositora.

Quando se trata do país dos outros, podemos até entender o que eles querem, mas precisamos entender também como é que eles querem que aconteça.

Nem tudo que é bom para o Brasil é bom para a Venezuela. E vice-versa.

Penso que faz mais sentido dedicarmos tempo e ação para a encontrar uma solução para o nosso país; e deixar que eles resolvam do seu próprio jeito a bagunça na qual se enfiaram. Aliás, diante do caos que vivem os venezuelanos, eles nem conseguem enxergar que temos problemas, muito menos que podemos ter as soluções para os problemas dele.

A REFORMA POLÍTICA É UMA SOPA DE PEDRA

AH! VOCÊ NÃO SABE O QUE É UMA SOPA DE PEDRA?

Reza a lenda que um morador de uma vila se encontrava ajoelhado diante de um caldeirão sob uma fogueira. Dentro havia apenas água e uma pedra grande.

O primeiro vizinho que viu aquela cena questionou o que fazia ali o rapaz e ele disse solenemente: sopa de pedra. Espantado, o vizinho afirmou que jamais tinha visto uma sopa de pedra, quando o rapaz disse que é muito boa, mas que ficaria melhor se tivesse ali também umas batatas. Motivado pela curiosidade, o vizinho correu e providenciou as batatas.

Estavam, então, os dois ali diante do caldeirão quando um terceiro vizinho se interessou pela cena, repetiu os questionamentos do anterior e recebeu de volta a informação que se além da pedra e das batatas tivessem também umas cenouras, ficaria ainda melhor. E ele se encarregou de ir providenciar as cenouras.

E então outros vizinhos foram chegando, entendendo o que ali acontecia e informados que agregando azeite, sal, cebolas e mandioca a sopa ficaria perfeita. E cada um deu sua contribuição e ficaram ali todos diante do caldeirão, ansiosos pela sopa.

Depois de algum tempo, enfim, o dono do caldeirão informou que a sopa finalmente estava pronta. Mergulhou então uma colher no caldeirão, retirou de dentro a pedra e jogou fora.

Mais curiosos ainda os vizinhos então perguntaram: mas você jogou a pedra fora? E o dono do caldeirão respondeu: tem problema não, a pedra era só para dar um gostinho.

A reforma política brasileira é uma sopa de pedra.