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FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

SE MICHEL TEMER TIVESSE SIDO HONESTO NA ENTREVISTA DESTE SÁBADO NO ESTADÃO…

…LERÍAMOS RESPOSTAS COMO ESSAS QUE NO PONTO DO FATO SE ATREVEU A DAR POR ELE. CONFIRA.

O Estadão deste sábado publica uma entrevista com Michel Temer, na qual ele fala sobre vários assuntos, entre os quais a saída de Rodrigo Janot e comportamento do governo em relação aos deputados da base aliada, que votaram contra o arquivamento da denúncia de corrupção feita pela PGR.

Michel Temer, obviamente, deu uma entrevista absolutamente institucional, aproveitando o palanque dado pelo Estadão para reforçar sua conduta de bom “rapaz”, sua honestidade, e que sua única e verdadeira preocupação continua sendo apenas o Brasil. Será?

No Ponto Do Fato republica as perguntas do Estadão e responde com a sinceridade que Michel Temer só terá diante de um juiz de primeira instância, se não melarem de vez a Lava Jato e o combate à corrupção ou se ele morrer antes. Confira cá e lá, ou lá e cá.

ESTADÃO – O sr. conseguiu derrubar na Câmara a denúncia de corrupção passiva, mas é possível que Rodrigo Janot apresente novas acusações. Como governar com esta espada na cabeça?

Pseudo-Michel Temer – É foda. É foda porque a gente sabe que não faltam coisas pra denunciar. E ele é um mala porque não dá sossego. É uma merda toda hora ter que ir na televisão com cara de que não sei nada sobre o assunto, me fazer de vítima e tentar diminuir o estrago. Muitas vezes me vejo repetindo Lula e Dilma. No meu caso nem é espada na cabeça, é um dedo ameaçando entrar no meu rabo.

ESTADÃO – Janot pediu que o sr. e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha sejam incluídos no inquérito do “quadrilhão” do PMDB. Como responde?

Pseudo-Michel Temer – Como toda quadrilha responde. Já botei meu emissários, capangas, subalternos e puxa-sacos pra tratar disso. Já convoquei meus advogados, meus ministros e meus juízes do STF pra resolver isso. Acho que não vai dar em nada.

ESTADÃO – A base aliada encolheu após as delações da JBS. Hoje o sr. não tem 308 votos para aprovar a reforma da Previdência. Como vai reaglutinar a base?

Pseudo-Michel Temer – Sem propina é complicado fazer isso. Antes a própria JBS ajudava nisso, agora veja, que situação. O pior estrago da delação da JBS foi revelar que muita gente não participava da distribuição da grana, por isso que estão contra mim. Cada um queria o seu quinhão, e quando descobriram que a gente levava sozinho pegou mal demais. A reforma da previdência, só a divina providência garante.

ESTADÃO – O sr. pretende fazer uma reforma ministerial para rearrumar a base?

Pseudo-Michel Temer – Não sei exatamente quando e como, mas o pau vai quebrar. Muita cabeça vai rolar no meu governo.

ESTADÃO – Não foi constrangedora a negociação de emenda em plenário no dia da votação?

Pseudo-Michel Temer – Minha cara, constrangedor é ser velho, ter uma mulher gostosa, vazarem fotos dela na internet e todo mundo duvidar que você dá conta do recado.

ESTADÃO – Mas no dia da votação, no plenário?

Pseudo-Michel Temer – Comprar deputado no plenário é a coisa mais comum que se possa imaginar. O deputado te faz uma proposta alta, sabendo que você precisa do voto dele. Vai pro microfone votar e fica olhando pra se recebe alguma sinalização de acordo pra decidir se fala sim ou não. O plenário sempre foi um enorme balcão de negócios, no atacado e no varejo

ESTADÃO – Como contar com o PSDB para outras votações sendo que o partido está rachado e praticamente metade da bancada votou contra o senhor?

Pseudo-Michel Temer – O PSDB é essa merda que todo mundo conhece, só tem chantagista lá também. Depois que o Joesley entregou o Aécio então a coisa piorou, porque viram qual é realmente a do PSDB. Então agora tem uma parte que quer se distanciar disso e se distancia do governo também. Não dá pra saber com quem e quando contar com o PSDB.

ESTADÃO – O sr. está magoado ou irritado com o PSDB? Vai dar um prazo para os tucanos decidirem se ficam ou saem do governo?

Pseudo-Michel Temer – Só se eu for louco. Estou empenhado em negociar um apoio mais expressivo pra que eles não saiam. Não tenho como dar prazo. Se eu puxar o assunto dessa maneira corro o risco de perder o pouco de apoio deles que ainda tenho. Tenho que engolir essa sacanagem e negociar caso a caso.

ESTADÃO – Dizem que o seu governo está refém do Centrão.

Pseudo-Michel Temer – Só do Centrão?

ESTADÃO – Parlamentares do Centrão ameaçam não aprovar a reforma da Previdência, caso o sr. não puna quem o traiu na votação de quarta-feira.

Pseudo-Michel Temer – O que eles estão fazendo é valorizar o apoio de quem votou com o governo. De verdade eles só usam os traidores pra aumentar o preço de seus votos. E pra continuar votando querem cargos, verbas e propina se possível, que anda difícil.

ESTADÃO – O sr. também está se referindo ao PSDB?

Pseudo-Michel Temer – Entenda isso. Parlamentar só quer duas coisa: dinheiro e poder. É a versão pão e circo deles.

ESTADÃO – Com essa crise, o PMDB terá candidato próprio em 2018?

Pseudo-Michel Temer – Com a crise resta saber se haverá PMDB em 2018. O partido não tem um nome limpo com chance pra se eleger. Veja aí que tem senador com medo de não ser eleito nem vereador na sua cidade. Sem chance.

ESTADÃO – Em setembro de 2015, o sr. disse a empresários que era difícil a então presidente Dilma resistir e chegar ao fim do mandato com uma popularidade tão baixa (à época 7% a 8%). O sr. tem agora 5%. Como conseguirá governar mais um ano e meio sendo tão impopular?

Pseudo-Michel Temer – Eu tô na mesma merda e diria até que pior do que ela. Dilma tinha esse índice baixo mas tinha o PT e sua militância ao lado dela. Eu não tenho, e ainda tenho o PT e a militância contra mim. Eu tô tentando, mas acho difícil eu resistir mais seis meses no cargo.

ESTADÃO – O sr. não tem receio de delações de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha?

Pseudo-Michel Temer – Eu “me ca go to do”. Tenho calafrios, pesadelos, crises de ansiedade… Muitas vezes perco até o efeito do Viagra.

ESTADÃO – Vai ter mudança na Polícia Federal?

Pseudo-Michel Temer – Eu coloquei o Torquato Jardim na justiça pra fazer isso. A pressão popular é grande, então estamos esperando ver se sai alguma notícia muito quente contra o Lula ou outro graúdo desses, aí mudamos quando o povo estiver distraído, igual fizemos pra soltar o Rocha Loures.

O sr. acredita que, com a entrada de Raquel Dodge na Procuradoria-Geral da República, haverá alguma mudança?

Pseudo-Michel Temer – Eu coloquei ela lá pra isso. Falei pra ela: “Raquel, esse combate à corrupção, não tem que manter isso” (risos).

ESTADÃO – E todas essas mudanças na PGR, na PF e no Supremo Tribunal Federal darão um novo rumo para a Lava Jato?

Pseudo-Michel Temer – O objetivo é apenas colocar a Lava Jato no rumo certo, nada além disso.

ESTADÃO – E qual é o rumo certo?

Pseudo-Michel Temer – Os arquivos dos tribunais em todas as instâncias. O que queremos é acabar com Lava Jato e toda e qualquer operação que nos coloque em risco. É isso que todos esperam.

ESTADÃO – Nas denúncias contra o senhor, acha que foi cumprida a lei?

Pseudo-Michel Temer – Se não tivesse sido cumprida a lei você acha que eu e todos os políticos estaríamos morrendo de medo? O problema é exatamente que estão cumprindo rigorosamente a lei e com isso nos colocaram na parede. Mas, como eu disse, não dá mais pra manter isso. Se a lei nos prejudica, mudamos a lei. Lei é para quem rouba chiclete e biscoito.

SOMOS OS TAIS ESCRAVOS DE JÓ?

 

TIRA, PÕE, DEIXA FICAR?

Já não é mais uma questão de querer que saia, ou querer que fique. A defesa das duas teses é absolutamente lógica, dentro de cada lógica. Mas a coisa me parece muito mais profunda, tanto Temer saindo, como ficando.

Quem defende que fique, ao mesmo tempo defende a estabilidade do país e da quadrilha da vez que está com a caneta na mão. Quem tem a caneta nomeia, desnomeia, dá verba, corta verba, pressiona, alivia, compra e vende.

Quem defende que saia, ao mesmo tempo defende Rodrigo Maia por trinta dias, o aprendiz de Eduardo Cunha de quem o mestre deve morrer de rir na cadeia. Só que acaba defendendo também a hipótese aguda de rasgarem mais uma vez a constituição e forjarem uma eleição direta que, teoricamente, favorece Lula e que se der certo pode dar-lhe pelo menos quatro anos de foro privilegiado, mesmo com as mudanças que fizeram. E em todo caso, é só dar mais uma rasgadinha e conserta-se isso.

E então, corremos para que lado? Ficamos de que lado? A estabilidade ou o caos? A instabilidade ou o status quo vigente?

Quem defende é acusado pelo outro lado. Quem acusa recebe o mesmo troco. E ninguém mais se entende.

O fato é que depois que José Dirceu saiu da cadeia, guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá.