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MAIS UM AUMENTO NO PREÇO DA GASOLINA -10% EM UM MÊS

MAIS UM AUMENTO NA ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS SOBRE COMBUSTÍVEIS. QUAL É A GOTA QUE AINDA FALTA?

A conta é simples. O Governo precisa de dinheiro e não tem como ficar aumentando impostos. Então, em 20 de julho aumentou os impostos sobre combustíveis, PIS/COFINS, passando a arrecadar mais sobre o consumo.

Segundo notícia do Estadão “Nos cálculos da área técnica do governo, cada R$ 0,01 de aumento na alíquota do PIS/Cofins sobre a gasolina resulta em uma arrecadação anual de R$ 440 milhões. No caso do diesel, a receita é de R$ 530 milhões.”

Traduzindo: como não pode aumentar impostos, aumenta o preço da gasolina e acaba dando no mesmo. Ou seja, você está dando mais dinheiro para o governo, queira ou não. E como todo mundo está cansado de saber, o aumento do combustível impacta no preço de praticamente tudo, e esse tudo todo gera mais impostos para o governo. É só uma equação matemática na qual para o povo não sobra nem o resto, muito menos o resultado.

Como você viu, o mísero aumento de R$ 0,01 gera milhões. Devia se chamar Imposto Conta Gotas, porque é dessa forma que esse dinheiro vai saindo do bolso de todo brasileiro, motorizado ou não. E não demora empresas de ônibus solicitar aumento de passagem para as respectivas prefeituras.

O governo não está de olho em todas as maneiras de arrecadar dinheiro, e o mês de agosto a indústria automobilística – sempre ela – teve crescimento animador, de modo que mais automóveis foram vendidos e mais combustível será gasto e mais imposto será arrecadado. E esse ciclo nunca terá fim.

O brasileiro é apaixonado por carro, vai de carro para todos os lados porque gosta e porque na maioria das cidades o transporte coletivo não atende eficientemente as demandas da população. E é inseguro, porque o Brasil é inseguro. E é caro, porque tudo no Brasil é caro.

Parece que no copo do povo brasileiro a indignação não transborda nunca.

Matéria Estadão 20/07/2016

TEMER VAI À CHINA E DEIXA RECADO PARA JANOT: BEIJING, BEIJING, TCHAU, TCHAU!

TEMER PÕE MAIA NA SUA CADEIRA E DEIXA A CÂMARA POR CONTA DE FUFUCA

Não está escrito errado não. É Fufuca o nome do deputado federal que comandará a Câmara dos Deputados enquanto Rodrigo Maia faz a vez de presidente na ausência de Temer. André Fufuca, 28 anos, primeiro mandato de deputado federal. E sabe o que isso significa? Absolutamente nada.

Na cadeira da presidência da república, o deputado Rodrigo Maia nada será além de presidente da Câmara dos Deputados ocupando o cargo interinamente, sem capacidade, poder ou competência para algo mais do que isso.

E na cadeira da presidência da Câmara dos Deputados, o deputado André Fufuca estará apenas enriquecendo seu currículo e tendo os holofotes e câmeras apontados em sua direção. De fato, ele estará no controle remoto de Rodrigo Maia, que estará no controle remoto de Michel Temer. Portanto, não importam as pautas, tudo correrá como o governo quer que corra, mesmo com Fufuca. E se não correr não será Fufuca o culpado.

Temer vai à China no rastro de João Doria. E tal qual Doria vai lá arrancar o que puder e trazer o que conseguir. Está especialmente interessado em colocar os chineses na Eletrobrás, vender para eles o que quiserem comprar. E por que não aeroportos também? Quem sabe estradas interessem? Vai telefonia? Petróleo? Gás? Correios?

Antes era o Brasil que comprava barato da China. Hoje nós é que estamos vendendo barato para eles.

Não tenho nada contra privatizar, acho inclusive uma pena que não se tenha privatizado mais antes. Mas tenho tudo contra a forma como estão sendo feitas estas privatizações, mesmo que o fato de não colocar mais dinheiro público nelas justifique. O problema maior é que o país terá benefícios no longo prazo, e o dinheiro arrecadado com essas privatizações não produzirá nenhum efeito imediato, será usado na rolagem da dívida do governo.

No que diz respeito ao BRICS, que é o pano de fundo dessa viagem de Temer, provavelmente Rússia, Índia, China e até a África do Sul devem estar se perguntando o que Temer foi fazer lá. O Brasil está para o BRICS assim como a Venezuela está para o Mercosul, só está lá. Eles não nos olham como uma ditadura, mas nos enxergam do mesmo tamanho.

O mais importante mesmo dessa viagem é que Michel Temer não estará aqui quando Rodrigo Janot apresentar a segunda denúncia contra ele. Como só volta dia 6, terá um bom tempo para ensaiar o discurso e a defesa, além de fugir do batalhão de repórteres que sempre o perseguem em território nacional.

Convenhamos, coisa de baixinho, né?

 

POR QUE SÓ A ELETROBRÁS?

PRIVATIZEM O GOVERNO BRASILEIRO!

Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, nem monarquia. Inventaremos o privaticionismo. Mais do que um sistema de governo, um sistema de gestão.

Político faz política. Gestor toma decisão. E dá para ver que desde 1500 não tivemos um verdadeiro gestor por essas bandas, aqueles que a gente chama de CEO, que lança livro autobiográfico aos 45 anos e ganha muito dinheiro enchendo de dinheiro os cofres da empresa que trabalha.

CEO olha para a coisa pensando em como fazer dinheiro. Político olha pensando em como ganhar dinheiro.

O Brasil precisa abandonar de vez essa mania de celebrizar políticos. Político não é artista de televisão e se for não é bom político. Basta a gente se lembrar da quantidade de mentiras e histórias interpretadas por esses bandidos diante das câmeras, todos com cara de santo, com caras de bons moços e moças que não são.

Um gestor tem que ter medo de perder o emprego. Político não tem esse medo. E nós nem colocamos esse medo neles.

Manda embora um gestor não vai precisar de congresso, de câmara ou de senado, nem de autorização ou rito por parte de ninguém, nem do STF. O que vai decidir isso é o conjunto de índices prometidos e alcançados, com avaliação semestral. Não atingiu, rua. E se quiser procurar justiça será a trabalhista.

O Brasil precisa urgentemente de alguém que entenda segurança pública com a mesma importância que um CEO entende o investimento em sistemas de segurança para uma empresa. Precisa pensar na saúde como pensa quem tem o poder de decisão para contratar um plano de saúde para os funcionários. Tem que enxergar a educação com a mesma relevância que um líder empresaria dá à formação de seus funcionários.

Precisamos de alguém que fale em planejamento estratégico e não apenas pontes para o futuro. O político ainda pensa em pontes, o gestor pensa em como chegar no futuro.

Não podemos mais conviver com a ideia nacionalista de ser donos disso ou daquilo. Nós somos donos seja lá quem for que esteja comandando empresas e tomando decisões.

O Petróleo continuará sendo brasileiro e o país provavelmente terá mais lucros com alguém bancando os riscos sem ser com o dinheiro do contribuinte.

A energia elétrica continuará chegando nas casas das pessoas independente de quem pendurou os fios na rede elétrica. A água chegará independente de quem fez a rede.

A prova da capacidade de que o Brasil e os brasileiros são capazes de produzir riqueza é o fato de mesmo com mais de 1 Trilhão de reais roubados e desviados dos cofres público nos últimos 15 anos nós não quebramos. Driblamos a violência, a deficiência da saúde, da educação, da infraestrutura, mas seguimos adiante. A sexta ou sétima economia mundial, o quinto maior em área territorial privilegiadíssima, onde, adubando, tudo dá.

Enquanto no Brasil nos entendermos apenas como povo, população ou nação, vamos ficar nessa situação. Isso só vai mudar quando começarmos a nos entender como contribuintes antes de tudo. A relação com o governo não é consanguínea, não é fraterna, é de negócios. Nós pagamos para receber serviços. E quando em qualquer lugar alguém não recebe pelo que paga, deve ter o direito de não querer mais aquele fornecedor.

Meu amigo, minha amiga, entenda que contribuinte é a mesma coisa que cliente. E se você é cliente tem que exigir o melhor dos mundos.

O Brasil tem que privatizar tudo aquilo que não é função primária do estado. Chega de sustentar vagabundo.

HOJE, A CULPA É DO PRESIDENCIALISMO. AMANHÃ, SERÁ DO PARLAMENTARISMO.

E OS CORRUPTOS, MUITOS QUE ASSALTAM O PAÍS DESDE OS TEMPOS DOS MILITARES, NUNCA TERÃO NADA A VER COM ISSO.

A desculpa se aproxima daquelas dadas por jogador de futebol depois do seu time tomar uma goleada. A culpa foi do juiz, do gramado, da dureza do adversário, da torcida que fica muito próxima do gramado, das dimensões do gramado, do cara que segurou a camisa dentro da área e o juiz não viu. Mas nada a ver com seu próprio desempenho ou de seus colegas de time, muito menos com o treinador.

O presidencialismo pode não ser o melhor sistema de governo, mas a culpa não é meramente ‘do sistema’. Isso é uma maneira de desviar a atenção do eleitorado com a promessa de mais um conto de fadas que tem tudo para não funcionar também.

A crise brasileira não é de sistema de governo, mas da sistematização da corrupção. A crise é moral, ética. E com pessoas amorais e aéticas, tanto faz o sistema.

O governo e o congresso estão tentando criar fatos novos, que justifiquem as pilantragens pregressas, e que sirvam como demonstração da preocupação, totalmente falsa, em mudar a realidade.

Não se sabe ao certo o tamanho da corrupção no governo FHC e nem se havia um funcionamento sistêmico disso, a maioria das investigações e depoimentos de corruptos já interrogados e/ou presos, nunca confirmou. Mas são fartas as declarações que o sistema de cooptação de parlamentares através de corrupção sistêmica foi largamente utilizado desde que Lula assumiu em 2003.

De todos, porém, nenhum deles está mais infiltrado nas entranhas do poder do que o PMDB, que como toda boa “Maria vai com as outras”, nunca se importou de alugar sua legenda para o governo de plantão. Com isso, figuras como José Sarney, que esteve ao lado do regime da primeira à última hora, dominam e se beneficiam de áreas estratégicas como o setor elétrico. Sarney só virou PMDB por conveniência.

O que precisa mudar no Brasil não é necessariamente o sistema e sim a mentalidade. E também não necessariamente apenas a mentalidade do político, mas principalmente a do eleitor. Não renovar os mandatos de 90% dos políticos é o primeiro passo, e terá que ser um serviço completo, dos deputados estaduais ao presidente da república.

A população precisa ter mais atenção à política local, conhecer seus vereadores e deputados estaduais. Pela ordem natural das coisas, os vereadores de hoje são os deputados estaduais de amanhã que virão a ser deputados federais, senadores e governadores mais para frente. E não se revelam corruptos quando estão no topo, lá só fica mais escandaloso.

Portanto, obedecido o critério da honestidade, da probidade, o sistema de governo é uma questão de lógica e/ou preferência. Mas é inconcebível que qualquer mudança seja feita sem a devida consulta popular, seja através de plebiscito ou referendo. Qualquer coisa fora disso é usurpação de poder.

Quando Michel Temer fala em semi-presidencialismo, ele só está mesmo dando legitimidade ao semi-presidente que é. Não conseguiu e não conseguirá ser um presidente por inteiro, por mais reformas que aprove e por melhor que a economia possa evoluir.

E quanto ao que disse Rodrigo Maia sobre fundo de participação, sistema de governo, reforma política, esquece. Ele só fala o que mandam, quando mandam e como mandam. Ele é mais um nada bem-mandado que não carrega mais malas. Só as suas.

O que precisa mudar no Brasil é o pacto federativo. Enquanto não mudar isso, não importa quão bem intencionado é um projeto, uma lei ou uma reforma. O governo federal com todo o dinheiro e investindo mal, os estados e municípios continuarão muito mais pobres do que deveriam e de prato na mão se dispondo a fazer qualquer tramoia para receber uma migalha a mais. Fora isso, o resto e convera.

A VIOLÊNCIA URBANA MATOU 155 PESSOAS POR DIA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2017

 

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8,2 MIL PESSOAS PERDERAM A VIDA. E OS POLÍTICOS BRASILEIROS PERDERAM A VERGONHA DE VEZ. 

Em outubro do ano passado, matéria do G1 registrava que a violência urbana no Brasil matava mais do que regiões de guerra. Enquanto em 4 anos haviam morrido 256 mil pessoas na Síria, no mesmo período no Brasil morreram 279 mil.

O Estadão de hoje registra que no primeiro semestre desse ano já ocorreram 28,2 mil homicídios no Brasil, uma média de 155 por dia.

Continua a matéria do Estadão informando que “são 155 assassinatos por dia, cerca de seis por hora nos Estados brasileiros, onde as características das mortes se repetem: ligada ao tráfico de drogas e tendo como vítimas jovens negros pobres da periferia executados com armas de fogo. O número é 6,79% maior do que no mesmo período do ano passado e indica que o País pode retornar à casa dos 60 mil casos anuais.”

Todo mundo está cansado de saber que o estados é um grande patrocinador dessa violência. É quando ele se torna ausente que ela prolifera nesse proporção.

Essa conta só diz respeito a homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte) e nos dá a sensação de que a violência gerada pela ausência do estado se refletisse apenas isso. Não é verdade.

Quando o estado não cumpre seu papel a violência começa na ausência de um sistema educacional capaz de conter os jovens nas escolas e oferecer a eles educação de verdade que lhes dê oportunidade de conquistar uma vida profissional de qualidade. O governo brasileiro não faz isso.

Também é violência tirar do cidadão a capacidade de prover seu próprio sustento, e de sua família. São 14 milhões de desempregados no Brasil, possivelmente 14 milhões de famílias, algo próximo de 40 milhões de pessoas sem uma remuneração formal ou digna.

A violência se estabelece quando as pessoas morrem por falta de assistência médica capaz de retribuir a elas o que lhes toma na forma de impostos. Faltam médicos, faltam remédios, faltam leitos, falta vergonha na cara.

Centenas de pessoas morrem em estradas como a BR 262 que liga Minas Gerais ao sul da Bahia, cuja duplicação é promessa de campanha de presidentes e governadores dos últimos 20 anos, sem que um metro de acostamento tenha sido feito para isso. Além disso, essa estrada é importante ligação de escoamento de cargas entre sudeste e nordeste, de comida a bens de consumo. Segundo o Portal Brasil, do governo em 2016 foram 6405 mortes em acidentes nas estradas federais.

Não é possível achar isso normal. Nada disso.

A corrupção desviou 80 bilhões de reais por ano de 2003 a 2016. Um trilhão de reais foi tirado da segurança, da educação, da saúde, da infraestrutura, do meu bolso, do seu bolso.

Nesse ritmo de 155 pessoas por dia, passaremos novamente dos 60 mil homicídios em 2017. E o ano que vem será pior.

Ou alguém começa a estabelecer o povo como prioridade ou em breve estaremos estabelecendo também o recorde de maior país produtor de caixões funerários.

 

MATÉRIA DO G1

MATÉRIA DO ESTADÃO

INFOGRÁFICO DO O GLOBO COM MAPA DOS ACIDENTES EM ESTRADAS

NÃO SE ILUDA. A REFORMA POLÍTICA EM CURSO É NA VERDADE ELEITORAL. E ELEITOREIRA.

INVENTARAM AGORA O “DISTRITÃO MISTO”, PARA O ELEITOR ENTENDER AINDA MENOS O QUE ESTARÁ FAZENDO NA URNA.

Você lê sobre reforma política aqui, ali, acolá, mas o que está sendo reformado mesmo?

Senadores continuarão tendo 8 anos de mandato e os demais cargos eletivos continuarão a ter 4 anos. A reeleição está mantida. Não se falou um segundo sobre reduzir número de senadores ou deputados federais ou estaduais ou vereadores. E se deixar eles aumentam em vez de reduzir.

Partidos grandes já tentam, inclusive, recriar o financiamento privado de campanhas, fazendo parecer que a ameaça de criação do fundo partidário de 3,6 bilhões era apenas uma ameaça para que a sociedade aceitasse o retorno da doação de dinheiro das empresas como uma alternativa melhor.

Todas as questões e movimentos convergem para a reforma do sistema eleitoral, que é “onde a porca torce do rabo”.

Grande parte dos deputados e senadores sabem que se não for criado um modelo que iluda ou confunda os eleitores, a chance de não se reeleger é gigante. E sabem que mesmo com toda pirotecnia que inventem, esse risco ainda existe.

Com as desculpas mais esfarrapadas do mundo, partidos políticos correm ao TSE para trocar de nome. E não fazem por ideologia ou simpatia, mas pelo desgaste dos nomes das legendas, quase todas envolvidas com corrupção. Como se isso mudasse também o caráter dos políticos que as compõem. E não se assuste se daqui a pouco políticos começarem a mudar de nome também, pelo menos o nome

Tudo trata apenas de tentar criar artifícios que levem o eleitor a cometer erros nas próximas eleições, seja por votar num partido com novo nome, como se novo o partido fosse, ou votar de maneira que garanta aos rejeitados uma fórmula mágica de coeficiente eleitoral que os permita continuar roubando e, principalmente, que lhes garanta imunidade e impunidade, longe das mãos da justiça.

Resumindo, eles não querer reformar a política, só querem deformar mais ainda.

 

FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

PARLAMENTARISMO À BRASILEIRA

NUM PAÍS ONDE ATÉ O IMPOSSÍVEL É POSSÍVEL, NÃO É IMPOSSÍVEL.

Político brasileiro é um saco sem fundo de ideias que só servem para servir a si mesmos.

O ex-motorista do Marighela, aquele que fez plástica para ficar com a cara do Dedé Santana e atende pelo nome de Aloysio Nunes, não foge à regra.

Segundo resumo do Estadão, a proposta de parlamentarismo do atual Ministro das Relações Exteriores (se está licenciado do senado para ser ministro não devia estar cuidando disso ao invés de estar propondo leis?) promete ser um misto do que tem de ruim no presidencialismo com o que tem de poderoso no parlamentarismo.

Segundo a proposta, o povo elege o presidente que vai ser chefe das Forças Armadas e fazer política externa. Esse presidente eleito escolhe o primeiro-ministro, que seria quem comandaria o país. Mas, ao contrário da esmagadora maioria dos países que adotam o sistema, o primeiro-ministro não representado pelo partido que tem a maioria das cadeiras no parlamento.

E para coroar a meleca, o presidente teria poder para dissolver o congresso quando lhe desse na telha, e ao mesmo tempo o congresso teria poder de dar uma moção de censura, tipo um voto de desconfiança, o que obrigaria o presidente a nomear um novo primeiro-ministro.

Resumindo a titica, o presidente poderia nomear um primeiro-ministro contrário ao congresso, que poderia derrubar esse primeiro-ministro, mas se ameaçar fazer isso o presidente pode dissolver esse mesmo congresso.

E perceba que eu sequer toquei na questão da economia, que ficará a mercê disso tudo.

O pior de tudo é saber que tão fantástica quanto as mentes dos políticos é a capacidade do povo brasileiro de permitir que essas coisas possam virar realidade.

A REFORMA POLÍTICA É UMA SOPA DE PEDRA

AH! VOCÊ NÃO SABE O QUE É UMA SOPA DE PEDRA?

Reza a lenda que um morador de uma vila se encontrava ajoelhado diante de um caldeirão sob uma fogueira. Dentro havia apenas água e uma pedra grande.

O primeiro vizinho que viu aquela cena questionou o que fazia ali o rapaz e ele disse solenemente: sopa de pedra. Espantado, o vizinho afirmou que jamais tinha visto uma sopa de pedra, quando o rapaz disse que é muito boa, mas que ficaria melhor se tivesse ali também umas batatas. Motivado pela curiosidade, o vizinho correu e providenciou as batatas.

Estavam, então, os dois ali diante do caldeirão quando um terceiro vizinho se interessou pela cena, repetiu os questionamentos do anterior e recebeu de volta a informação que se além da pedra e das batatas tivessem também umas cenouras, ficaria ainda melhor. E ele se encarregou de ir providenciar as cenouras.

E então outros vizinhos foram chegando, entendendo o que ali acontecia e informados que agregando azeite, sal, cebolas e mandioca a sopa ficaria perfeita. E cada um deu sua contribuição e ficaram ali todos diante do caldeirão, ansiosos pela sopa.

Depois de algum tempo, enfim, o dono do caldeirão informou que a sopa finalmente estava pronta. Mergulhou então uma colher no caldeirão, retirou de dentro a pedra e jogou fora.

Mais curiosos ainda os vizinhos então perguntaram: mas você jogou a pedra fora? E o dono do caldeirão respondeu: tem problema não, a pedra era só para dar um gostinho.

A reforma política brasileira é uma sopa de pedra.

MICHEL TEMER POUPA O FIM DE SEMANA DOS BRASILEIROS. NOVO ROMBO DA META FISCAL SAÍ NA SEGUNDA.

E COM ISSO SE LIVRA DA REMOTA POSSIBILIDADE DE PROTESTOS PELAS RUAS DO PAÍS

Para quem não entende o que é a tal meta fiscal, é o seguinte: é a diferença entre o que o governo prevê que vai arrecadar e gastar. E ela está furada, ou seja, o governo vai gastar mais do que vai receber. E para que isso dê certo, ele vai emitir títulos do tesouro para captar dinheiro no mercado. É como se ele vendesse agora uma receita que vai receber no futuro, só que pagando muitos juros por isso. E, claro, no fim das contas quem paga somos nós, contribuintes.

O governo tem gastos que não tem como fugir (e o pior é que foge) como saúde, educação, infraestrutura, segurança e tem que ter dinheiro para pagar essas contas. Mas também tem inúmeras coisas que não precisa gastar (e disso ele não foge) ou poderia reduzir os gastos, como, por exemplo, a quantidade de funcionários públicos e os benefícios que eles recebem.

Auditoria do TCU em andamento aponta que o salário médio dos funcionários do BNDES (que são bancários) são, na média, 80 MIL REAIS POR MÊS. E na medida que essa auditoria avançar, certamente veremos mais absurdos como esses. São mordomias escandalosas como viagens em classe executiva e hospedagem em hotéis 5 estrelas, cursos no exterior, carros com motorista, biênios, triênios, quinquênios, férias prêmio…

Outros ralos por onde escorre o dinheiro do contribuinte são a corrupção, o desvio de dinheiro público, o superfaturamento de obras, município pobres com até 5 mil habitantes (que nem deveriam ser municípios) que precisam de recursos do governo para sobreviver, tudo sem o devido controle, sem a devida transparência e, geralmente, sem punição, pois se pune o município quem sofre é a população.

E o governo não corta gastos. Pelo contrário, aumenta. E nesse aspecto o governo Temer não é diferente dos outros.

Podemos e devemos comemorar os pequenos bons resultados da economia na gestão de Michel Temer, pois eles provam o quanto o Brasil é viável economicamente. Mas isso não pode, e não deve justificar que corrupção e corruptos continuem existindo livres, leves e soltos, muito menos às custas de mais dinheiro público, como compra de votos, aumento para determinadas categorias do funcionalismo público e cooptação e constrangimento do sistema judiciário.

Michel Temer poupou o fim de semana dos brasileiros. Não é bom dar notícias ruins às sextas-feiras. Mas não vai poupar os brasileiros de mais esse rombo astronômico nas contas públicas, muito menos de novo aumento de impostos, como a elevação do desconto do Imposto de Renda de 27,5% para 35% na faixa mais alta. E outros que ainda virão.

Portanto, caro leitor, cara leitora, se achar que pode, se tiver como, aproveite seu fim de semana, porque Michel Temer, sua equipe e todos os políticos o farão, nababescamente, com direito a usar jatinhos da FAB e tudo mais. E já que o povo brasileiro se mostra incapaz de reagir como poderia e deveria, que venha a segunda-feira! E o novo rombo.