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O BRASIL É O QUE O POVO BRASILEIRO QUER QUE ELE SEJA

SÓ O CAOS MUDARIA ISSO. O PROBLEMA É QUE NO BRASIL ATÉ O CAOS É DE MÁ QUALIDADE.

Certas horas é difícil escrever sobre um tema sobre o qual eu falo com alguma insistência. Não se trata do que falar, mas do como falar.

Acredito que tudo o que alguém que escreve alguma coisa deseja é que essa alguma seja lida, entendida, e que possa fazer alguma diferença na vida desse alguém. Novamente, não é o que falar, mas o como falar. Quem escreve tem por objetivo sensibilizar o leitor através da narrativa que faz dos fatos. E fica complicado quando as pessoas ficam insensíveis e anestesiadas a tudo que acontece.

Depois de três anos de seguida exposição das quase profundezas (ainda pode ir mais fundo) da corrupção no Brasil, o brasileiro não se escandaliza mais com nada. Aliás, a palavra escândalo caiu em desuso. O brasileiro não consegue associar escândalo com corrupção porque não classifica esse crime como algo relacionado à moral. O povo brasileiro não associa lei com moral. Moral continua sendo tomar chifre, botar chifre, coisa ligada a honra, nada a ver com lei. Roubar, desviar, superfaturar, o que isso tem a ver com moral?

Eu poderia me referir às esvaziadas manifestações de ontem, absolutamente sem liderança, sem foco, sem objetivo, marcada com 3 meses de antecedência por um motivo que foi mudando ao longo do tempo até ninguém saber qual era. Ir lá fazer o que? Protestar contra o que? Contra quem?

Lula continua solto. Renan continua solto. Aécio continua solto. Dilma continua solta. Mantega continua solto. Gabrielli continua solto. Luciano Coutinho continua solto. Gleisi Hoffmann continua solta. Paulo Bernardo continua solto. Romero Jucá continua solto. Collor continua solto. Sarney jamais será preso.

Dois terços do Senado e mais da metade da Câmara dos Deputados respondem a inquéritos e processos que vão de crime ambiental a estupro.

O deputado federal Osmar Bertoldi, do Paraná, preso há 8 meses por lesão corporal, estupro e cárcere privado, entre outros, ganhou liberdade porque era o primeiro suplente do deputado Ricardo Barros, que se licenciou para assumir o Ministério da Saúde. Saiu do cumprimento de pena por estupro para assumir o cargo de deputado federal, propor leis, votar em leis. Isso faz algum sentido?

Esse é um caso absurdo, mas não menos absurdo que os crimes de peculato, improbidade administrativa, desvio de verbas, fraude em licitação, crime contra o patrimônio, recebimento de propina, concussão e outros tantos a que tantos prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e até o próprio presidente da república respondem.

Não serão eles a mudar as coisas. Muito menos o Supremo Tribunal Federal que, na figura de alguns ministros, tendo Gilmar Mendes à frente, dão seguidas demonstrações de que estão lá para assegurar que as coisas continuem como estão. Ou melhor, que voltem a ficar mais fácil para os corruptos, como a provável revisão contra a prisão após condenação em Segunda Instância que não demorará a ser – forçosamente – pautada pela ministra Carmem Lúcia.

Não contem com intervenção militar exceto num caos extremado onde uma guerra civil se estabeleça nas ruas; pelo menos formalmente, porque se o Rio de Janeiro não vive uma pequena guerra civil fica difícil nominar o que acontece por lá.

Não existe mágica. Não existe salvador da pátria, nem haverá um em 2018. Seja quem for o eleito, por mais bem-intencionado que queira ser, encontrará um país sucateado que só os próximos 50 anos poderão consertar. E quem está no poder vai tirar o que conseguir enquanto o final de 2018 não chegar. Com tudo o que já se viu na mídia, diariamente somos brindados com cenas de flagrante de suborno, como o caso da funcionária do Incra nessa semana.

O Brasil permanecerá assim enquanto o povo brasileiro assim quiser. Não haverá mudança vinda de um povo que não muda.

 

PARLAMENTARES ESTÃO DESESPERADOS ATRÁS DE DINHEIRO PARA CAMPANHA EM 2018

MAS JAMAIS VOTARIAM UMA LEI QUE PREVISSE UM FINANCIAMENTO PARA AJUDAR UM BRASILEIRO A PROCURAR EMPREGO

Por que as leis não funcionam no Brasil? Por causa de situações como essas. Os sujeitos que têm a caneta na mão usam de tudo que a constituição permite para não perderem o direito de serem cretinos. E sempre com você financiando isso.

O golpe foi duro na vida dos parlamentares brasileiros. Enquanto o STF fechava a torneira do financiamento empresarial de um lado, o Ministério Público e a Polícia Federal fechavam a torneira da propina do outro lado, e ainda mostraram para a população que a fonte que abastecia as duas torneiras era a mesma. Uma fonte contaminada que secou.

Desde a redemocratização do Brasil, e mesmo antes dela, políticos que aí estão dominam a vida do provo brasileiro, fazendo constituições, criando leis, nomeando juízes de todas as cortes, dominando todos os cenários da economia. E só fizeram por si.

E, então, de repente, se veem diante de um quadro novo. Propina da cadeia, financiamento empresarial disfarçado da cadeia, e a maioria que não conseguir se reeleger para garantir no mínimo mais 4 anos de foro privilegiado irá para a cadeia. Tudo em cadeia. E bate o desespero.

O que eles pensam então? Se antes eu desviava dinheiro do governo para financiar minha campanha, por que não tirar legalmente o dinheiro do próprio governo?

Como o fundo democrático de 3,6 bilhões não deu certo, cria-se uma opção autocrática mesmo, aumenta o fundo partidário dentro do orçamento de 2018, o mesmo que já havia sido triplicado por Dilma Rousseff. O povo engole, porque vão dizer que o dinheiro está dentro do orçamento, portanto for previsto e fim de papo.

O mais provável é que ninguém faça nada, mas deveria fazer. Os políticos e parlamentar, especialmente os que estão totalmente enrolados com a polícia e com a justiça, estão dispostos a fazer qualquer coisa, qualquer lei, de madrugada ou durante o dia se for preciso, que os livre de responder na justiça pelos crimes que cometeram. E sabem que se não houver dinheiro para fazer uma boa campanha, correm sério risco de ficar de fora.

Se lembrarmos que apenas 28 dos 513 deputados foram eleitos com seus próprios votos, não é difícil concluir que 485 deputados federais já não teriam sido eleitos em 2014; o que torna ainda maior a chance de não serem reeleitos se não investirem pesado em suas campanhas. E ainda assim terão que convencer o eleitorado de que os processos que correm contra eles na justiça são enganos e tudo será devidamente esclarecido e no fim a justiça será feita.

Faça-me o favor!

O fato é que estão mesmo tramando o aumento do fundo partidário, que pode chegar a 2 bilhões de reais. Tramando não, estão preparando isso.

O ponto é que somos sempre nós que financiamos esses criminosos quando procuram emprego. E se não é de forma ilegal, eles arrumam um jeito legal de fazer isso. Eles têm a caneta, está lembrando?

POR QUE SÓ A ELETROBRÁS?

PRIVATIZEM O GOVERNO BRASILEIRO!

Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, nem monarquia. Inventaremos o privaticionismo. Mais do que um sistema de governo, um sistema de gestão.

Político faz política. Gestor toma decisão. E dá para ver que desde 1500 não tivemos um verdadeiro gestor por essas bandas, aqueles que a gente chama de CEO, que lança livro autobiográfico aos 45 anos e ganha muito dinheiro enchendo de dinheiro os cofres da empresa que trabalha.

CEO olha para a coisa pensando em como fazer dinheiro. Político olha pensando em como ganhar dinheiro.

O Brasil precisa abandonar de vez essa mania de celebrizar políticos. Político não é artista de televisão e se for não é bom político. Basta a gente se lembrar da quantidade de mentiras e histórias interpretadas por esses bandidos diante das câmeras, todos com cara de santo, com caras de bons moços e moças que não são.

Um gestor tem que ter medo de perder o emprego. Político não tem esse medo. E nós nem colocamos esse medo neles.

Manda embora um gestor não vai precisar de congresso, de câmara ou de senado, nem de autorização ou rito por parte de ninguém, nem do STF. O que vai decidir isso é o conjunto de índices prometidos e alcançados, com avaliação semestral. Não atingiu, rua. E se quiser procurar justiça será a trabalhista.

O Brasil precisa urgentemente de alguém que entenda segurança pública com a mesma importância que um CEO entende o investimento em sistemas de segurança para uma empresa. Precisa pensar na saúde como pensa quem tem o poder de decisão para contratar um plano de saúde para os funcionários. Tem que enxergar a educação com a mesma relevância que um líder empresaria dá à formação de seus funcionários.

Precisamos de alguém que fale em planejamento estratégico e não apenas pontes para o futuro. O político ainda pensa em pontes, o gestor pensa em como chegar no futuro.

Não podemos mais conviver com a ideia nacionalista de ser donos disso ou daquilo. Nós somos donos seja lá quem for que esteja comandando empresas e tomando decisões.

O Petróleo continuará sendo brasileiro e o país provavelmente terá mais lucros com alguém bancando os riscos sem ser com o dinheiro do contribuinte.

A energia elétrica continuará chegando nas casas das pessoas independente de quem pendurou os fios na rede elétrica. A água chegará independente de quem fez a rede.

A prova da capacidade de que o Brasil e os brasileiros são capazes de produzir riqueza é o fato de mesmo com mais de 1 Trilhão de reais roubados e desviados dos cofres público nos últimos 15 anos nós não quebramos. Driblamos a violência, a deficiência da saúde, da educação, da infraestrutura, mas seguimos adiante. A sexta ou sétima economia mundial, o quinto maior em área territorial privilegiadíssima, onde, adubando, tudo dá.

Enquanto no Brasil nos entendermos apenas como povo, população ou nação, vamos ficar nessa situação. Isso só vai mudar quando começarmos a nos entender como contribuintes antes de tudo. A relação com o governo não é consanguínea, não é fraterna, é de negócios. Nós pagamos para receber serviços. E quando em qualquer lugar alguém não recebe pelo que paga, deve ter o direito de não querer mais aquele fornecedor.

Meu amigo, minha amiga, entenda que contribuinte é a mesma coisa que cliente. E se você é cliente tem que exigir o melhor dos mundos.

O Brasil tem que privatizar tudo aquilo que não é função primária do estado. Chega de sustentar vagabundo.

FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

A REFORMA POLÍTICA É UMA SOPA DE PEDRA

AH! VOCÊ NÃO SABE O QUE É UMA SOPA DE PEDRA?

Reza a lenda que um morador de uma vila se encontrava ajoelhado diante de um caldeirão sob uma fogueira. Dentro havia apenas água e uma pedra grande.

O primeiro vizinho que viu aquela cena questionou o que fazia ali o rapaz e ele disse solenemente: sopa de pedra. Espantado, o vizinho afirmou que jamais tinha visto uma sopa de pedra, quando o rapaz disse que é muito boa, mas que ficaria melhor se tivesse ali também umas batatas. Motivado pela curiosidade, o vizinho correu e providenciou as batatas.

Estavam, então, os dois ali diante do caldeirão quando um terceiro vizinho se interessou pela cena, repetiu os questionamentos do anterior e recebeu de volta a informação que se além da pedra e das batatas tivessem também umas cenouras, ficaria ainda melhor. E ele se encarregou de ir providenciar as cenouras.

E então outros vizinhos foram chegando, entendendo o que ali acontecia e informados que agregando azeite, sal, cebolas e mandioca a sopa ficaria perfeita. E cada um deu sua contribuição e ficaram ali todos diante do caldeirão, ansiosos pela sopa.

Depois de algum tempo, enfim, o dono do caldeirão informou que a sopa finalmente estava pronta. Mergulhou então uma colher no caldeirão, retirou de dentro a pedra e jogou fora.

Mais curiosos ainda os vizinhos então perguntaram: mas você jogou a pedra fora? E o dono do caldeirão respondeu: tem problema não, a pedra era só para dar um gostinho.

A reforma política brasileira é uma sopa de pedra.

MICHEL TEMER POUPA O FIM DE SEMANA DOS BRASILEIROS. NOVO ROMBO DA META FISCAL SAÍ NA SEGUNDA.

E COM ISSO SE LIVRA DA REMOTA POSSIBILIDADE DE PROTESTOS PELAS RUAS DO PAÍS

Para quem não entende o que é a tal meta fiscal, é o seguinte: é a diferença entre o que o governo prevê que vai arrecadar e gastar. E ela está furada, ou seja, o governo vai gastar mais do que vai receber. E para que isso dê certo, ele vai emitir títulos do tesouro para captar dinheiro no mercado. É como se ele vendesse agora uma receita que vai receber no futuro, só que pagando muitos juros por isso. E, claro, no fim das contas quem paga somos nós, contribuintes.

O governo tem gastos que não tem como fugir (e o pior é que foge) como saúde, educação, infraestrutura, segurança e tem que ter dinheiro para pagar essas contas. Mas também tem inúmeras coisas que não precisa gastar (e disso ele não foge) ou poderia reduzir os gastos, como, por exemplo, a quantidade de funcionários públicos e os benefícios que eles recebem.

Auditoria do TCU em andamento aponta que o salário médio dos funcionários do BNDES (que são bancários) são, na média, 80 MIL REAIS POR MÊS. E na medida que essa auditoria avançar, certamente veremos mais absurdos como esses. São mordomias escandalosas como viagens em classe executiva e hospedagem em hotéis 5 estrelas, cursos no exterior, carros com motorista, biênios, triênios, quinquênios, férias prêmio…

Outros ralos por onde escorre o dinheiro do contribuinte são a corrupção, o desvio de dinheiro público, o superfaturamento de obras, município pobres com até 5 mil habitantes (que nem deveriam ser municípios) que precisam de recursos do governo para sobreviver, tudo sem o devido controle, sem a devida transparência e, geralmente, sem punição, pois se pune o município quem sofre é a população.

E o governo não corta gastos. Pelo contrário, aumenta. E nesse aspecto o governo Temer não é diferente dos outros.

Podemos e devemos comemorar os pequenos bons resultados da economia na gestão de Michel Temer, pois eles provam o quanto o Brasil é viável economicamente. Mas isso não pode, e não deve justificar que corrupção e corruptos continuem existindo livres, leves e soltos, muito menos às custas de mais dinheiro público, como compra de votos, aumento para determinadas categorias do funcionalismo público e cooptação e constrangimento do sistema judiciário.

Michel Temer poupou o fim de semana dos brasileiros. Não é bom dar notícias ruins às sextas-feiras. Mas não vai poupar os brasileiros de mais esse rombo astronômico nas contas públicas, muito menos de novo aumento de impostos, como a elevação do desconto do Imposto de Renda de 27,5% para 35% na faixa mais alta. E outros que ainda virão.

Portanto, caro leitor, cara leitora, se achar que pode, se tiver como, aproveite seu fim de semana, porque Michel Temer, sua equipe e todos os políticos o farão, nababescamente, com direito a usar jatinhos da FAB e tudo mais. E já que o povo brasileiro se mostra incapaz de reagir como poderia e deveria, que venha a segunda-feira! E o novo rombo.

 

 

 

SER CONTRA MICHEL TEMER NÃO É SER A FAVOR DE LULA

MAS APOIAR TEMER É APOIAR LULA. É SER CONTRA A LAVA-JATO. E A FAVOR DA CORRUPÇÃO

Quem rouba cem é menos ladrão do que quem rouba mil?

Quem mata cem é menos assassino do que quem mata mil?

Entre vários apelidos, Michel Temer é chamado de vampiro. E aproveito o apelido para fazer uma analogia: manter Temer à frente do governo é deixar o vampiro tomando conta do banco de sangue.

Entre os argumentos otimistas usados pelos que defendem a permanência de Michel Temer até 2018, estão os bons resultados da economia. De fato, a economia respira novamente. Quer dizer, mais ou menos. Essa “respiração por aparelhos” já redunda num rombo de 170 Bilhões de reais nas contas do governo. E para financiar esse rombo, aumenta-se impostos ao invés de cortar custos. O povo paga.

Já há uma outra ala que defende com veemência que tirar Temer agora é trazer Lula de volta, uma versão terrorista dos fatos que serve tanto para Temer quanto para Lula, pois mantém o primeiro no poder e o segundo fora da cadeia.

Quando nas gravações do ex-deputado Sérgio Machado o senador Romero Jucá se referia a “estancar a sangria”, ele falava exatamente do que está acontecendo agora. Ou seja, tudo está sendo encaminhado para que a Operação Lava Jato seja estancada e asfixiada pouco a pouco. E a nova Procuradora Geral da República veio para isso.

O atual PGR Rodrigo Janot pode ter cometido diversos pecados, como, por exemplo, sequer ter denunciado Dilma Rousseff e outros do time. Mas não se pode dizer de maneira alguma que durante suas gestões ele apenas protegeu petistas. Se assim fosse João Vaccari Neto e Antônio Palocci, apesar de terem sido presos por Sérgio Moro, certamente já teria saído da cadeia.

Outra questão é que, a despeito dos ataques idiotas de Gilmar Mendes, o Ministério Público depende do STF quando se trata de figurões da república. E os políticos até então molestados pela PGR, o foram com o aval do próprio STF. Além disso, Gilmar Mendes não cita em nenhum momento que os processos contra políticos estão nas gavetas dos diversos ministros do Supremo sem nenhuma ação.

O fato é que Michel Temer é corrupto, tanto quanto Lula e todos os outros. Manter o apoio a ele é manter apoio ao sistema corrupto que aí existe. A própria reforma política apresentada por Vicente Cândido e aprovada em comissão na câmara mostra o quanto os corruptos se esforçam para que as coisas não mudem muito, e que as mudanças sirvam até mesmo para legalizar a corrupção.

Apoiar Temer é apoiar a continuidade disso tudo.

Muito cuidado com os anti-petistas que, bem ou mal-intencionados, insistem que a permanência de Temer é a certeza do não retorno de Lula. Isso não é verdade. Aliás, muito pelo contrário. As ações subterrâneas de Temer, os encontros fora de agenda, em horários estranhos até mesmo para políticos, e em locais como a garagem da residência oficial da presidência da república atestam isso.

As pessoas precisam ter convicções e não predileções. E convicções se formam através dos fatos e não das versões. Por mais poderosa que seja qualquer emissora de TV ou grupo de comunicação, ninguém vai conseguir convencer ninguém de que o vampiro é vegetariano.

Ladrão é ladrão a partir do primeiro real roubado. Assassino é assassino a partir da primeira vida que tira. O resto é conto da carochina.

UMA TERÇA-FEIRA COMO ESSA SÓ FOI POSSÍVEL POR UM MOTIVO: O POVO NÃO FAZ NADA.

O QUE ESPERAR DA QUARTA, DA QUINTA, DA SEXTA…

A terça-feira não chegou ao fim ainda, mas o fim da picada chegou para valer nessa terça-feira.

Michel Temer põe Rodrigo Janot em suspeição no STF. E entre os que decidem sobre acatar ou não acatar o pedido do presidente, estão os suspeitíssimos Gilmar Mendes, Antônio Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, além das manobras suspeitas que ocorrem por lá. E o povo não fala nada.

A comissão de ética e decoro parlamentar do Senado simplesmente passou por cima da palhaçada protagonizada pelas senadoras marmitex, além de dar palco para o ridículo Lindbergh Farias que provavelmente não passaria nem num exame antidrops, o que dirá um exame antidoping. Além das cenas ridículas já de costume, faltou com a ética e com o decoro, exatamente na comissão que cuida de tal. E o povo não faz nada.

Na Câmara dos Deputados, tal qual o esgoto no Brasil, correm a céu aberto propostas para a criação do fundo bilionário para financiar campanhas eleitorais utilizando-se para isso as vergonhosas verbas das emendas parlamentares, o que em tradução livre significa menos dinheiro para a saúde, para a educação, para saneamento básico… E o povo não faz nada.

Os sindicatos que, a princípio, ficam sem as verbas do imposto sindical a partir de novembro, já articulam a criação de uma “Contribuição Negocial” para cobrir o rombo. E a desfaçatez é tão grande que, pelas regras propostas, bastará que 10% dos sindicalizados compareçam em uma assembleia e aprovem a o pagamento da nova contribuição para que todos os outros trabalhadores sejam obrigados a pagar também, concordando ou não. E o novo imposto, que hoje é de 4,5%, pode chegar a 13%. E o povo não faz nada.

Continuando o périplo do dia, a equipe econômica do governo acena com aumento da alíquota do imposto de rende, passando a faixa mais alta dos atuais 27,5% para 35%. Ou seja, quem ganha R$ 10.000,00 terá retida a “bagatela” de R$ 3.500,00 na boca do caixa do governo e ensaiar estripulias e malabarismos para ter direito à devolução do imposto retido. E o povo não faz nada.

E para concluir, Stédile informa em alto e bom tom, em cadeia nacional, que “está enviando um exército para a Venezuela” a fim de ajudar Nicolas Maduro a matar o povo venezuelano. Como o MST, teoricamente, não pode matar aqui, vai matar na Venezuela. Depois foge para cá de volta, ninguém vai ser punido, nem extraditado e fica o dito pelo Benedito. E o povo não faz nada.

O Brasil é ridículo. E o povo não faz nada.

 

GLEISI HOFFMANN É BI. SUSPEITAVA DESDE O PRINCÍPIO.

VAI SE TRANSFORMAR EM RÉ PELA SEGUNDA VEZ NO STF.

Narizinho está a caminho de se tornar ré pela segunda vez no STF. A Polícia Federal concluiu a investigação que consta de depoimentos e provas de que a senadora petista recebeu propina. Segundo o laudo que a PF entregará ao ministério público, ela cometeu crime eleitoral, corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro.

Ela e seu marido, o também petista Paulo Bernardo, ex-ministro do planejamento, já são réus em outra ação por terem recebido propina do Petrolão. Ele chegou a ser preso, mas por obra e graça de, advinha, Dias Tóffoli, foi solto na concessão de um habeas corpus de ofício, quando o juiz concede a liberdade porque quer, e pronto acabou.

Mais do que uma senadora enrolada, Gleisi Hoffmann é presidente nacional do PT, o partido dos enrolados, dos enroladores e dos rolos.

Para não ser presa, Gleisi Hoffmann precisará desesperadamente de um mandato em 2018, e já estuda cenários que envolvem até uma candidatura a deputada estadual, ou o absurdo de transferir seu domicílio eleitoral para outro estado onde teria chance de ser pelo menos deputada federal. Resta saber se o povo está de acordo com essas ideias, especialmente o do Paraná.

Gleisi Hoffmann tem declarado apoio ao ditador Nicolas Maduro, ignorando que todo o povo da Venezuela está nas ruas porque o chavismo, tal qual o lulismo, quebrou o país. As pessoas carecem das coisas mais básicas para a subsistência humana, como comida e remédios. Gleisi chama o povo com fome de “extrema direita”.

Outra distorção típica de petistas e de Gleisi Hoffmann é a inversão do ônus da prova. Ela chama Maduro de democrata e defende a recente convocação da constituinte bolivariana como um ato de democracia pura. E afirma que a ação da justiça brasileira é uma ditadura, tentando, com isso, engrossar o coro dos que pregam uma nova constituição para o Brasil como meio de burlar a justiça.

Gleisi será bi. Será tri, talvez tetra, quem sabe até pena ou hexa como seu encantador de asnos. Da nossa parte, fica a torcida para que os novos títulos sejam comemorados por ela na cadeia, onde, provavelmente, será a vedete do pavilhão, dizem que adoram loirinhas por lá.

O QUE PODEMOS FAZER PELA VENEZUELA?

E O QUE DEVEMOS APRENDER COM ISSO?

Em primeiro lugar, rezar. Rezem, orem, mandem energias, bons fluídos, pensamentos positivos, façam torcida, enviem mensagens de apoio, mostre que estão com eles. Depois pode-se sempre pegar um voo pra Caracas ou ir de carro até o norte do Brasil e entrar na Venezuela a pé disposto a atacar pedras no exército de maduro. E talvez as opções são essas.

É de improvável a impossível imaginar que algum país ou alguma coalizão de forças vá invadir a Venezuela. E mais improvável ou impossível que isso viesse a ser uma missão para os capacetes azuis da ONU. Nesse tipo de conflito capacete azul serve mais de alvo do que de segurança para alguém.

Expulsar a Venezuela do Mercosul é um mero ato diplomático. Primeiro porque o Mercosul não serve para nada. Segundo porque a Venezuela estar ou não estar numa entidade que não serve para nada não muda em nada o tamanho do que esse nada significa.

Sanções comerciais ou embargos “a la Cuba” também não servem para nada. Se servissem Fidel Castro não tinha apodrecido no poder e o doidinho do Kin Jon Un não ia ficar brincando de soltar míssil transcontinental e “dando banana” para o que pensa o ocidente.

De fato, mesmo, pouco ou quase nada além de expressar solidariedade pode ser feito.

Mas, se não podemos ajudar lá, podemos e devemos ajudar cá.

O aprendizado que o Brasil precisa tirar desse episódio da Venezuela é que só o povo consegue tirar ditadores bananescos e ladrões do poder, seja de maneira democrática, pelo voto, ou na porrada, como está sendo lá. Precisamos prestar muita atenção nisso.

Talvez tenhamos tido a sorte ou a lucidez de interromper o caminho que nos levaria a ser uma Venezuela. Mas o serviço ainda não está completo. O povo precisa ir para as ruas, e fazer da sua indignação as pedras, bombas e coquetéis molotov que, hoje, os venezuelanos jogam contra seu exército e contra as milícias bolivarianas.

Temos, também, ainda, a possibilidade de usar uma arma mortífera chamada voto. Mas não pode ser nas urnas eletrônicas com software bolivariano e Gilmar Mendes na presidência do TSE. Tem que ser no papel, no voto a voto, com fiscais dos partidos e da população conferindo de perto a apuração. E se possível até com observadores internacionais.

A esquerda perdeu no Brasil, como está perdendo na Venezuela e vai perder nos outros lugares, porque o regime não funciona, como não funcionou em lugar algum do mundo onde foi implantado. A esquerda é uma invenção daqueles que não se conformam em ter que produzir e querem ser sustentados da mesma maneira, nem que para isso a igualdade se dê tirando tudo de todo mundo.

Os brasileiros precisam tomar as ruas novamente, fugindo da ideia de que isso beneficia a esquerda ou prejudica a direita ou coisa parecida ou qualquer outra justificativa que se dê. Ruas vazias significam contentamento, comodismo, acomodação e, principalmente, cumplicidade.

Não se faz omelete sem quebrar os ovos. Mas precisamos fazer alguma coisa enquanto ainda tem ovos. Na Venezuela nem isso tem mais.

O que podemos fazer pela Venezuela de verdade é não ser uma. Por mais justas que sejam as preocupações e manifestações, temos que olhar para o nosso umbigo. Ainda não estamos cem por cento livres do destino que tiveram nossos hermanos. E, cá para nós, sejamos sinceros, o povo votava em massa em Hugo Chaves. Demoraram para acordar.