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Bolsonaro implodiu a estrutura do poder. O (ainda) congresso dá o troco.

Bolsonaro implodiu a estrutura do poder. O (ainda) congresso dá o troco.Não ia ficar barato para Jair Bolsonaro. Implodir é o termo que penso mais adequado para o tipo de dano que ele causou na centenária estrutura de poder da república brasileira. A explosão foi de dentro para fora, atingiu fortemente o Senado e razoavelmente a Câmara dos Deputados. As pautas bombas, além de outras coisas que ainda estão por vir, são parte dos estilhaços que se espalham para todos os lados, acertando principalmente o próprio Bolsonaro.

A aprovação do aumento do judiciário, um buraco de 6 BILHÕES DE REAIS em efeitos cascata, ou seja, ao aumentar o salário do STF todos os juízes dali para baixo recebem o mesmo aumento. E assim também o Ministério Público Federal. Eu disse efeitos cascata, no plural mesmo, porque além dos aumentos que impactam as carreiras de cima para baixo, outro efeito cascata é a contaminação pelo desejo de receber aumento que se espalha por toda a administração pública.

A atitude de Eunício de Oliveira, um corrupto milionário, merecidamente rejeitado pelos eleitores do seu estado, agiu como bandido ao pautar a aprovação do reajuste do judiciário, merecedor de um processo por lesa pátria. Foi antipatriótico o que Eunício de Oliveira fez. Foi antipatriótico o que fizeram os demais senadores que votaram a favor, como também foram antipatrióticos os senadores que não estavam no plenário na hora da discussão, mesmo que saíssem perdedores.

Nomes como Ana Amélia, Lasier Martins, Álvaro Dias, este até um mês atrás, em campanha, fazia discursos contra a corrupção, contra a impunidade, contra a irresponsabilidade administrativa do país. Cada qual com as devidas desculpas dadas pelas respectivas assessorias, como se isso resolvesse alguma coisa.

Usar a caneta como arma de vingança não é covardia contra Bolsonaro, mas contra um país inteiro que expurgou muitos desses senadores exatamente por terem sido eles causadores, cúmplices e beneficiários de toda a irresponsabilidade que já foi pratica nesse país, assim como muitos deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores.

O Congresso Nacional, a fim de não colaborar com o governo Temer (muito menos com Bolsonaro) já vinha aprovando pautas bombas que impactam as contas públicas em vários bilhões. Em julho mesmo já tinham aprovado um impacto de 2 BILHÕES de reais. Antes da eleição outro pacote de 8,2 BILHÕES de reais e agora mais 6 BILHÕES de reais com o reajuste do judiciário. A conta mais uma vez vai cair no colo do contribuinte, mas o verdadeiro rombo que essas leis provocam é no futuro do Brasil.

É preciso reduzir ao máximo o tempo entre a eleição e a posse dos políticos eleitos. Na Congresso Nacional a posse é só em 2 de fevereiro do ano seguinte à eleição, se dá ao final do recesso parlamentar. Mesmo assim, entre eleição e recesso há pelo menos 1 mês e meio, tempo suficiente para que senadores e deputados federais derrotados “liguem o foda-se” e causem danos irreparáveis ao próximo governo.

A posse do presidente, mesmo sendo dia 1° de janeiro do ano seguinte à eleição, portanto apenas dois meses da eleição, de fato, não muda a necessidade de que esse tempo seja reduzido. O presidente em fim de mandato também continua com a caneta na mão e com total autoridade para fingir que não viu o tamanho do “foda-se” que uma proposta como essa do reajuste do judiciário vai causar ao país e, especialmente, à gestão de seu sucessor.

Soma-se a isso tudo o fato de que o presidente da república atual, diversos ministros, 32 senadores e 168 deputados federais respondem a inquéritos no STF, ou responderão em instâncias inferiores quando perderem seus mandatos, fazendo que a concessão de reajuste para o judiciário possa, quem sabe, causar simpatia à magistratura quando essa for tratar dos processos dessas pessoas.

Sem enrolação, o que está acontecendo é ao mesmo tempo uma sabotagem ao governo de Jair Bolsonaro e um cala boca para o judiciário, especialmente para os ministros de tribunais superiores. A reivindicação dos magistrados por aumento de salário é no mínimo imoral. Segundo – acreditem – o futuro ex-senador (amém) Roberto Requião, só no Paraná “600 juízes receberam em setembro mais do que 60 mil reais“.

Ou seja, o pé direito do teto salaria do funcionalismo público não tem a mesma altura para todos. E deve ser difícil encontrar juízes que realmente ganhem somente o valor estabelecido por lei. Os penduricalhos continuam sendo altamente interessantes.

O problema é que a conta está ficando caríssima, e não se sabe do que esse Congresso Nacional ainda é capaz de fazer contra o futuro governo de Jair Bolsonaro tendo ainda pouco mais de um mês com a caneta na mão. Muito menos dá para arriscar o que pode fazer Michel Temer, que é quem tem a caneta que pode avalizar ou vetar essas irresponsabilidades, não esquecendo que, ainda assim, em caso de veto, o Congresso Nacional, se quiser, pode derrubar tão estranha e extraordinariamente como pautou o reajuste do judiciário.

Que não ia ficar barato para Jair Bolsonaro, todo mundo sabia. Só resta saber o saldo final dessa conta.

A estratégia claríssima é inviabilizar ao máximo, financeiramente, o governo Bolsonaro, e com isso construir uma narrativa de incapacidade e incompetência que é muito mais disseminável e assimilável do que explicar ao povo que muita coisa poderá se tratar de impossibilidade por causa dessas pautas bombas que o Congresso Nacional impõe ao país.

Poucos são os parlamentares que realmente se preocupam com o Brasil. Certamente, os que trabalharam para colocar o reajuste do judiciário em pauta, e os que votaram a favor, não estão entre eles. E alguns conseguiram se reeleger e continuarão sendo o estorvo que sempre foram negociando o poder em troca de mais poder, ou de não ir para a cadeia.

E eu nem falei do papel ridículo que o próprio judiciário protagoniza nesse fato. Um país quebrado, mergulhado em corrupção, centenas pessoas morrendo diariamente de todos os males de um estado que não cumpre suas obrigações constitucionais, dentre eles o próprio poder judiciário, que já ganha muito mais do que qualquer cidadão comum ganhará um dia na vida.

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CPI da Lava Jato. Só falta Gleisi inocentada e Lula solto dia 26.

Não há limites para a falta de caráter dos deputados federais que assinam o requerimento para instalar uma CPI da Lava Jato. Um congresso sem moral, lotado de parlamentares em honra. Deveria ser proibido que se fizesse uma CPI há tão poucos meses da eleição, assim como deveria ser proibido que notórios bandidos ainda tivessem mandato e ainda estivessem soltos.

A culpa extrema dessa situação está no Supremo Tribunal Federal, onde a Lava Jato tem seus mais algozes inimigos. A imbecilidade dos deputados é usar a lei em benefício próprio. A imbecilidade do Supremo é para garantir a impunidade alheia, sabe-se lá em benefício de quem, se dos deputados ou o benefício deles mesmos.

Assistiremos com cara de idiotas deputados federais investigados pela Lava Jato investigando a própria Lava Jato. E para quem não sabe, uma CPI tem poder de polícia, poderes de investigação equivalentes ao do ministério público. Em tese eles terão acesso a todo material sigiloso que estão em posse do Ministério Público Federal.

Segundo o site O Antagonista os partidos estão apoiando da seguinte forma:

 

PT – 57 PSD – 7 DEM – 4 PROS – 2
PP – 35 PR – 6 SOLIDARIEDADE – 3 PODEMOS – 1
MDB – 34 PDT – 6 PPS – 2 PSC – 1
PCdoB – 9 PSOL – 5 AVANTE – 2 PSDB – 1
PSB – 9 PRB – 5 PTB – 2

 

 

Mais de 200 deputados federais já assinaram o requerimento para instalação da CPI da Lava Jato. Por força do regimento, tendo as assinaturas, Rodrigo Maia, não desinteressadamente, será obrigado a instalar a CPI.

Vivemos tempos de bandidagem explícita, acobertada pelo Supremo Tribunal Federal que trabalhou como árbitro de futebol de várzea e deixou o pau comer solto. Se tivesse dado os amarelos e vermelhos que manda o regulamento, o país não teria descambado e virado um bordel de quinta categoria. Se esse tipo de escárnio acontece, o Supremo Tribunal Federal é o grande culpado.

Amanhã a Segunda Turma desse Supremo irá começar o julgamento de Gleisi Hoffmann, uma das enroladas até o pescoço com a Lava Jato, e ninguém mais confia que será cumprida a lei. Os brasileiros, inertes, esperam até uma absurda absolvição, baseada em truques como tentar desmisturar caixa 1 de caixa 2, transformar doação ilícita em doação lícita ou até forçar um empate para beneficiar a ré. São teorias da conspiração, sim, mas todas absolutamente plausíveis e factíveis.

Não custa lembrar que a Segunda Turma é chamada também de “jardim do Éden” da Lava Jato, tendo na sua composição Ricardo Lewandowski na presidência, Gilmar Mendes, Dias Tóffoli, Celso de Mello e Edson Fachin. É dessa turma, ou monocraticamente por esses ministros, que tem saído os maiores absurdos na distorção e reinterpretação das leis de acordo com a cara do réu.

E essa mesma Segunda Turma irá julgar o habeas corpus pedindo a soltura de Lula no próximo dia 26. Recentemente Edson Fachin foi visitado por Sepúlveda Pertence para tratar desse assunto. Segundo o regimento do STF o habeas corpus não poderia ser votado na casa porque dependia de uma decisão do STJ. Curiosamente a decisão apareceu dois ou três dias depois dessa visitinha.

Esses fatos não são isolados. Fazem parte do maior ataque a Lava Jato, comandado pessoalmente por Gilmar Mendes, em especial por todas as suas intervenções na Lava Jato do Rio de Janeiro, desmoralizando todo o trabalho realizado pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo juiz Marcelo Bretas.

Essa ofensiva, agora traduzida numa CPI com poderes de investigação, pretendem inviabilizar não apenas a Lava Jato, mas todas as operações em andamento na Polícia Federal, como revela esse trecho do requerimento:

“O objeto da CPI deverá estender-se, por conexão, para ocorrência de irregularidades em sede de outras investigações, que estejam em desacordo com o quanto firmado na legislação de referência e na defesa do sistema de proteção de direitos e garantias insculpidas na Constituição Federal, por ser do interesse da sociedade o resultado válido, legítimo e eficaz da aplicação das normas e da conduta dos agentes públicos. ”

É bom que se conheça o nome dos principais cabeças por trás da CPI da Lava Jato. E não se assuste ao clicar nos nomes de alguns e ver a quantidade de processos a que eles respondem. Depois pense se tem cabimento que essas pessoas organizem uma CPI para investigar alguma coisa. São eles:

Baleia Rossi – MDB/SP  –  Paulo Pimenta ´PT/RS  –  Arthur Lira – PP/AL  –  Júlio Delgado – PSB/MG    –  André Figueiredo – PDT/CE 

Orlando Silva – PCdoB/SP  –  Weverton Rocha – PDT/MA  –  José Guimarães – PT/CE  –  Afonso Florence – PT/BA

Carlos Zarattini – PT/SP  –  Hildo Rocha – MDB/MA  –  Chico D’Angelo – PDT/RJ  –  José Rocha – PR/BA  –  Beto Mansur – MDB/SP

Estamos na marca do penalti. Ou o Brasil reage a isso tudo, como reage ao futebol, ou tomaremos outros 7 a 1 dos políticos com o apito do Supremo Tribunal Federal. A Copa acaba em 20 dias. o Brasil continua.

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