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A disputa não é pela presidência. É sobre virar o jogo ou virar Venezuela.

A disputa não é pela presidência. É sobre virar o jogo ou virar Venezuela.Sem desconsiderar a importância de ocupar a presidência em uma democracia republicana, o que está em jogo nessas eleições passa longe do cargo. Ao registrar o voto na urna eletrônica (fraudada? fraudável?) o eleitor estará decidindo se quer enfrentar o corrupcionismo, como disse @zangaoblues  (no vídeo que você pode ver aqui), ou deixar que o Foro de São Paulo complete seu trabalho e nos “venezuelize” sem que possamos fazer mais nada.

O sistema “corrupcionista” está implantado nos três poderes e em toda a administração pública. No judiciário, para cada Sérgio Moro existem muitos juízes que conspiram a favor da corrupção e da impunidade. No legislativo, um bom vereador, deputado estadual, deputado federal ou senador, por mais bem intencionado que seja, não é capaz de fazer frente ao sistema.

No executivo, não faltam maus exemplos. Todos que ocuparam a presidência após o regime militar tem envolvimento com corrupção. E não é assim tão diferente com a safra de governadores e prefeitos que há anos se revezam na má administração e desvios do dinheiro do contribuinte.

Nessa eleição, não se trata de gostar ou não do candidato. Trata-se de gostar ou não de viver no país como ele é hoje.

É importante ter em mente que o candidato que venha a ser eleito, qualquer um deles, não será capaz de resolver todos os problemas do país nem em dois mandatos consecutivos. E desconfie de qualquer candidato que ofereça soluções para tudo, ou elas não existem ou não existe dinheiro capaz de colocá-las em prática na forma e no tempo que eles afirmam.

Dentre as poucas frentes que a presidência da república pode atuar diretamente e que podem oferecer resultado num prazo menor estão a economia, agricultura, segurança pública e saúde, e mesmo assim leva tempo para sentir os efeitos.

Não se constrói 25% da infraestrutura rodoviária ou ferroviária que o Brasil precisa em menos de 10 anos, e nem há dinheiro para isso. Na educação não é possível sentir os efeitos de uma mudança em menos de 15 ou 20 anos, além de precisar de pelo menos 30 para se consolidar um resultado desse trabalho. Não se gera 13 milhões de empregos em menos de 3 anos. E esqueça cultura, ciência e tecnologia e outros ministérios que só existem para dar emprego para correligionários e militantes partidários.

Há candidatos à presidência com boas propostas, boa visão de país, mas que não demonstram a menor disposição para se comprometer imediatamente com o corrupcionismo instalado em toda a administração pública. E sem atacar e extirpar esse câncer corruptocrático o Brasil não vai sair do lugar.

Por isso entendo que votar em Jair Bolsonaro não é uma questão de gosto ou prazer, mas de necessidade. Se houvesse outro candidato que agregasse simpatia com capacidade de fazer o enfrentamento que julgo necessário, eu votaria nele. Mas não tem. E não se resolverá o problema do país com simpatia e boa vontade, muito pelo contrário. Precisamos de alguém que não se importe em ser antipático o suficiente para ter má vontade com aquilo que não é bom para o povo brasileiro.

Cada um tem sua preferência para candidato à presidência, mas isso só vai valer no primeiro turno. No segundo turno, na hora da verdade, a escolha será entre a manutenção do Brasil de hoje, da corrupção generalizada da presidência à vereança, representada por todos os que aparecem nas pesquisas disputando a liderança com Jair Bolsonaro, ou pela quebra do sistema que rouba o país há 33 anos, coisa a que, na minha opinião, só Jair Bolsonaro se propõe e poderia fazer.

Os venezuelanos estão correndo para cá. Nós vamos correr para onde?

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A Lava Jato do povo completa 4 anos com 118 julgados e condenados

A Lava Jato do Supremo Tribunal Federal, nos mesmo 4 anos, não julgou ninguém, muito menos condenou.

Foi no dia 17 de março de 2014 que o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba deu início ao que ficou conhecido como Operação Lava Jato.

Iniciada num posto de gasolina onde também onde se descobriu a movimentação de dinheiro ilícito, a Lava Jato abriu a caixa preta da podridão do sistema político brasileiro, expondo, um a um, seus personagens, e tornando público o tamanho da desgraça brasileira. Não que muitos nomes não fossem conhecidos ou imagináveis, mas, mesmo sendo, a exposição destes nomes associadas à valores, obras e a ineficiência do estado fizeram com que o brasileiro tivesse a verdadeira dimensão do que é a corrupção na política brasileira e como ela opera.

Se no início o foco da Lava Jato era a corrupção na Petrobrás, pouco a pouco foram sendo descobertos e revelados escândalos sucessivos em todas as esferas da administração pública, envolvendo diversas estatais, ministérios e bancos públicos. A sujeira revelou também que não apenas o PT era beneficiário da corrupção que foi se tronou sistêmica a partir do governo Lula, mas também o PMDB e o PP, e quase todos os partidos, mais da metade políticos presentes no Congresso Nacional, e políticos no governo federal, nos governos dos estados, nas assembleias legislativas, prefeituras e câmaras municipais. Pior que isso, a propina oriunda da corrupção no Brasil financiou e interferiu em processos eleitorais de outros países da América do Sul.

E não bastasse a classe política totalmente contaminada pela corrupção, a Lava Jato também colocou às claras a participação ativa de importantíssimos empresários de quase todos os setores da economia, inclusive o setor bancário, que se revezaram no papel de corruptores e corrompidos, expondo como nunca antes nesse país a profundidade e o cheiro do esgoto que se tornou a política nacional depois da redemocratização.

Até outubro de 2017, o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato em Curitiba, já havia condenado 109 pessoas envolvidas com corrupção, entre doleiros, operadores, ex-funcionários de estatais, ex-ministros, ex-deputados e ex-governadores. Só Sérgio Cabral o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, já condenou 5 vezes, cujas penas somadas chegam a impressionantes 100 anos

Nesse mesmo período, o Supremo Tribunal Federal não condenou nenhum, nem sequer julgou algum. Há grande participação do STF na Lava Jato se deu mesmo foi através da concessão de habeas corpus que soltaram diversos bandidos, da recusa em homologar determinadas delações premiadas, de rejeições de denúncias da PGR, e do arquivamento de denúncias contra parlamentares. Nenhum, unzinho só que fosse, político com foro privilegiado foi sequer julgado pelo STF.

Enquanto a Lava Jato do povo faz um serviço impagável para a população brasileira, não se sabe o quanto são impagáveis são os serviços da Lava Jato realizado nos gabinetes do STF. A primeira e segunda instâncias investigam, julgam e condenam. O STF não investiga, não julga e não condena ninguém.

O papel do Supremo Tribunal Federal é vergonhoso. É vergonhoso na sua composição, na sua atuação, nas suas interferências, nas suas sentenças, no descompasso com os verdadeiros anseios por mudanças, fortemente simbolizadas na expectativa de ver na cadeia políticos que, há décadas, fazem dos cofres públicos seu parque de diversões.

Existe uma compreensão possível para a “lerdeza” do STF, uma vez que a Suprema Corte não é uma instância criminal. Mas não é compreensível que a atuação de muitos dos ministros sirva apenas para proteger políticos e empresários corruptos, interpretando e reinterpretando a Constituição Federal de acordo com o condenado do dia.

O processo do fim do foro privilegiado, paralisado por um pedido de vista do ministro Dias Tóffoli quando o placar de 8 a 1 já garantia uma derrota para a classe política envolvida com corrupção, é uma demonstração clara do papel que a mais importante instância judiciária nacional trabalha a favor da manutenção do sistema e da proteção dos corruptos que necessitam desse foro privilegiado para não cair nas mãos de juízes que julgam e condenam.

Quatro anos de Operação Lava Jato. E não se lavou nem um décimo da sujeira.

Muita coisa ainda precisa ser lavada nesse país, a começar pelos corredores e gabinetes mais poderosos do país.

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Corrupção é nosso maior problema? Ou é a autoflagelação cívica?

Corrupção todo mundo sabe o que significa, e nos últimos cinco anos sabemos também, e com exatidão de detalhes suficientes para não haver dúvida que ela percorre os corredores dos três poderes com a mesma desenvoltura de uma madrinha desfilando diante de sua bateria na Marquês de Sapucaí. Políticos com cargo ou sem cargo são verdadeiros mestres-salas em suas performances, enquanto juízes se comportam literalmente como porta-bandeiras, levando os estandartes de seus bandidos de estimação.  E nós?

Quem acreditou que o carnaval já tinha acabado esse ano, ouso dizer que ele mal começou. Nós, os trouxas, estamos de olho na tela da TV no meio desse povo que mal sabe para onde vai ou para onde correr. Nós pagamos ingresso para ver o samba atravessando diante dos nossos olhos e ouvidos, com políticos e juízes desfilando altivos em seus carros alegóricos, esbanjando luxo e luxúria na maior exibição de promiscuidade explícita jamais antes vista nesse país, e talvez no mundo civilizado e democrático.

Caso alguém tenha dúvida sobre o que é a autoflagelação, vou economizar o Google dando de graça a definição que mais vai se encontrar por lá: “autoflagelação é o ato de causar flagelo (dor) a si mesmo, de se castigar fisicamente”. No mesmo Google, encontrar-se-á (sempre tenho sensação do orgulho de Temer por mim nessas horas) como Conceito de “cívica” um adjetivo utilizado para referir-se a várias questões relacionadas com o civismo ou convivência social dentro de uma comunidade. Estamos nos boicotando, essa é que é a verdade.

Lidamos com a corrupção com a mesma valentia que milhões de pessoas discutem o BBB nas redes sociais. E não é incomum que o assunto BBB obtenha maiores índices de publicações e interações em redes como Twitter e Facebook, frequentando, inclusive, os Top 10 de assuntos mais comentados, mesmo em dias de revelações de escândalos graves. E o BBB dura cerca de três meses, enquanto a corrupção come solta o ano inteiro.

Nosso silêncio no mundo real é nossa autoflagelação cívica. Nos resumimos a cidadãos que se acostumaram que “as coisas são assim”. Muitas vezes observa-se em redes sociais réplicas de comentários que dizem “e do que adianta fazermos isso ou aquilo?”, ou questionamentos como “e você, faz alguma coisa além de ficar publicando em redes sociais?”. Talvez o fato de expor opiniões na tentativa de gerar pensamento crítico, debate, e até movimento, seja realmente pouco, e nesse momento eu nem saberia dizer o que mais fazer além disso, já que não há movimentos além da internet nos quais me engajar para fazer mais. Os poucos que surgiram foram sequestrados pelo sistema.

A corrupção age também na nossa vontade, na nossa coragem, corrompe a nossa esperança, e talvez por isso tantos de nós busquem mitos e salvadores da pátria que possam fazer por nós o que nós mesmos não estamos dispostos a fazer. Nenhum empresário fecharia a sua empresa uma semana em nome de uma ação cívica. Nenhum grupo de funcionários deixaria de ir trabalhar em nome de uma ação cívica. Nenhuma frente rebelde ganhou tamanho ou proporção em nome de uma ação cívica. E nesse cenário, nosso civismo é corrupto, porque se vende aos fatos.

Na semana que termina hoje ficamos sabendo que foram afastados do juiz Vallisney da 10ª Vara de Brasília processos que envolvem Lula, Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e Lúcio Funaro estão sendo transferidos para as 12ª Vara de Brasília, teoricamente uma corte especializada como a Vara que Sérgio Moro comanda em Curitiba. E só para reler os autos dos processos levará 40 dias. E terá poder para desfazer o que já foi feito pelo juiz Vallisney, que até a metade do ano certamente proferiria sentença final sobre os acusados envolvidos, especialmente Lula. Coincidência?

Agora, para concluir a sexta-feira de mais uma semana de pura imoralidade política e judiciária, o presidente do TRF4, Desembargador Flores Thompson, informa que um juiz substituto poderá assumir uma vaga na 8ª Turma, cobrindo as férias do desembargador Victor Laus, e acontecendo isso poderá participar do julgamento dos embargos de declaração apresentados pela defesa de Lula. E com poderes para fazer o que quiser, inclusive rever o veredito dado pelo titular. Coincidência?

Enquanto isso tudo acontece, a intervenção federal no Rio de Janeiro toma de assalto os holofotes e as atenções, trava constitucionalmente o Congresso Federal para votar qualquer alteração na Constituição Federal e deixa temas relevantes como a PEC do Fim do Foro Privilegiado numa gaveta qualquer, provavelmente até 31 de dezembro, quando os pobres espantalhos fardados, espetados no milharal do tráfico de drogas, encerrarão a estática parada militar. Coincidência?

E nós?

Nós não iremos às ruas, porque não é nossa vocação. Os militares não irão as ruas por nós porque já estão nas ruas do estado fluminense provando que não há plano de intervenção. Se tivessem um plano preparado, não perderiam a oportunidade de demonstrar sua força assumindo o controle e as ações da missão de erradicar o crime e os criminosos do Rio, o que incluiria, certamente, um faxina nos poderes executivo, legislativo e, quiçá, judiciário local. Não, eles não têm. E pelas regras a que aceitaram a missão, fica claro que não havia preparo nem para essa intervenção.

O Brasil é o samba do crioulo doido (que os mimizentos me perdoem, mas a expressão é antiga e de fácil compreensão), e a corrupção é o enredo.

O salvador da pátria não virá porque ele não existe. E se vier, será algo meio independência ou morte (conheço isso de algum lugar), porque ou ele mata a raiz da corrupção, ou será mais um presidente morto por ela.

Aí, então, lembro-me de que autoflagelação cívica é provocar castigo em si mesmo através da leniência, da covardia, da impassividade, e, mesmo fazendo ativismo digital, não deixo de me ver partícipe de cada um desses substantivos, pois o que eu faço pode até gerar pensamento crítico, opinião, mas não gera nenhum tipo de movimento capaz de tirar ninguém da inércia a que todos nós civicamente e espontaneamente nos submetemos. E a corrupção ganha mais um round.

Talvez nosso maior problema não seja nem a corrupção, nem a autoflagelação cívica, mas sim que o brasileiro goste tanto de carnaval que não esteja disposto a tirar a fantasia e encarar de frente que, de verdade mesmo, vivemos uma interminável quarta-feira de cinzas.

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Brasil, mostra tua cara. A gente já sabe quem paga para ficarmos assim.

Brasil, já sabemos o teu negócio, o nome dos teus sócios, chegou a hora de colocarmos um fim.

Quando Cazuza fez a música que eu mal parodiei, não sabíamos quem pagava, qual era o negócio, muito menos os sócios. Já sabemos. E sabemos porque o Brasil não sai do lugar.

Mas, mesmo com tudo escancarado do jeito que está, ainda querem que paguemos sem ver essa droga que já vem malhada antes da maioria das pessoas com até 30 anos ter nascido. Continuam imaginando que ainda queremos ver TV a Cores, como se fossemos todos índios, programados para dizer sim. Grande pátria desimportante. Já te traíram.

O que estamos esperando para acordar e perceber que o Brasil já é um grande Rio de Janeiro? Quantos escândalos mais teremos que ver nas manchetes e achar que isso faz parte da democracia?

Estão, insistentemente, tentando nos convencer de que os nomes postos até agora são as únicas opções eleitorais que temos e teremos nas próximas eleições. E, exceto Jair Bolsonaro, os nomes que surgem como novidade nada mais são do que “puxadinhos” dos nomes que há 32 anos fazem parte da dilapidação do patrimônio brasileiro.

Já sabemos todos os nomes que pagam para que o grosso do povo brasileiro continue na miséria e na impossibilidade de sonhar com uma vida decente para seus filhos e netos.

Já sabemos também que os sócios são senadores, deputados federais e estaduais, governadores, prefeitos, vereadores, ministros de estado, juízes de tribunais da 1ª Instância ao Supremo Tribunal Federal, empresários, imprensa, igrejas e movimentos sociais. E que além de pagarem para ficarmos assim, pagam muito para ficarem como estão.

Mas o Brasil não sabe mostrar a cara, porque o Brasil não tem mais uma cara. Somos um povo de mil faces, de mil tendências, de mil correntes, subdivididas dentro de seus interesses e suas capacidades de sonhar um país melhor.

Precisamos de alguém que nos traga o novo verdadeiramente novo. Não podemos mais viver de reforma em reforma, que além de não reformar profundamente nada, ainda deformam a sociedade, nos impregnando de ódios e conflitos que nada tem a ver com a questão de fundo e a mais importante, chamada Brasil.

O povo brasileiro precisa urgentemente mostrar a sua cara e existem caminhos consistentes para isso. A classe média, goste ou não, não pode fugir à sua responsabilidade de liderar a mudança que precisa ser feita. E muito bem feita.

Após todos os movimentos já feitos para asfixiar o combate à corrupção, o Supremo Tribunal Federal começa essa semana uma nova e decisiva fase, cujo primeiro movimento dando continuidade ao julgamento do fim do foro privilegiado, que já conta com 4 votos a favor. O veredito desse julgamento será a pista para o que estará por vir, como a revisão da prisão após condenação em 2ª Instância.

Ao mesmo tempo a Câmara dos Deputados resolveu tratar do projeto que também trata do fim do foro privilegiado, já aprovado no senado, o que nos leva a pergunta: se as decisões dos dois poderes forem distintas, qual delas valerá? Quem tem a supremacia? E que ninguém duvide se a Câmara aprovar a proposta do Senado, mas com vigência só a partir do ano 2200.

Mostremos a nossa cara ou esqueçamos Cazuza. E passemos, então, o resto da vida cantando, resignadamente, o refrão de Renato Russo “Que país é esse”. Ou o certo seria “Que povo é esse”?

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O foro por prerrogativa de função.

 

Fim do foro privilegiado. Não foi um pedido de vista. Foi de prazo mesmo.

E, ENTÃO, QUATRO MESES DEPOIS, A SITUAÇÃO DE AÉCIO NEVES MOSTRA O QUE MOTIVOU ALEXANDRE DE MORAES

Se ao invés de pedir vistas ao processo Alexandre de Moraes tivesse votado no dia 1° de junho, essa situação ridícula porque passa o Brasil, tanto no campo político como no jurídico, não estaria acontecendo.

O ministro relator, LuisBarroso, levou o assunto ao plenário e votou a fim de que o foro privilegiado só tenha validade para crimes cometidos na vigência do cargo e em função dele. Simples assim.

Como após o relator quem vota é o mais novo integrante da corte, coube a Alexandre de Moraes o voto seguinte, que se surpreendeu a muitos, ao pensarmos bem veremos que não surpreendeu ninguém. Foi um voto que levou mais de uma hora, contradizendo o comportamento público do próprio Alexandre de Moraes, que se dizia favorável ao fim do foro privilegiando antes de assumir uma cadeira no STF. E pediu vista.

Certo de que a coisa se daria por encerrada ali, e usando de uma prerrogativa pouco usual no STF, Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e Carmem Lúcia, a despeito do voto que venha dar Alexandre de Moraes, anteciparam seus votos e acompanharam o relator, deixando desde aquele momento um placar de 4 a 0, que muito provavelmente contará ainda com os votos Luiz Fux e Edson Fachin na mesma direção.

Alexandre de Moraes levou um 4 a 0 para o seu gabinete exatamente para que não se estabelecesse um placar favorável ao entendimento do relator.

O pedido de vista, em si, não é um mal, quando serve para ajudar que um juiz fundamente melhor o seu voto. Mas não é assim que ele é usado, e assim proporciona essa excrecência jurídica sem prazo para que um ministro traga o processo de volta à pauta. Gilmar Mendes fez a mesma coisa com relação ao processo que tratava das doações eleitorais e Dias Tóffoli quando levou para o seu gabinete a ação que tratava da impossibilidade de um réu assumir a presidência da república. E em ambos os casos o placar já dava uma maioria de 6 ministros. Ou seja, os dois pediram vista para proferir um voto que estaria derrotado se fosse contrário.

A situação de Aécio Neves vive no limbo do pedido de vista de Alexandre de Moraes. E a justiça fica impedida de acionar outros tantos políticos desavergonhadamente envolvidos em gravíssimos crimes de corrupção, mantendo o Brasil no primeiro lugar do ranking mundial de corrupção.

A fome não dá prazo, o desemprego não dá prazo, a doença não dá prazo, a violência não dá prazo. Não há pedido de vista na vida real do cidadão brasileiro, as coisas acontecem na hora e a toda hora.

Alexandre de Moraes é um ministro comprometido com o status quo político brasileiro. Foi indicado ao STF por um presidente da república bi denunciado por cometimento de crimes durante a vigência do cargo, e de quem era ministro da Justiça. Foi avalizado pelo PSDB, ao qual era afiliado, partido de Aécio Neves, O Afastado.

A conclusão é que no final das contas quem dá prazo demais não é ministro do STF, mas o povo da fome, do desemprego, da doença e da violência, o povo brasileiro, tão leniente e cúmplice quanto Alexandre de Moraes, mesmo levando de 4 a 0.

 

POLÍTICOS VÃO GASTAR 1,7 BILHÃO DE DINHEIRO PÚBLICO PARA ELEIÇÕES

DEVEMOS ADMITIR. SOMOS REALMENTE UM POVO PASSIVO, OTÁRIO E INCAPAZ DE REAGIR. PARABÉNS AOS POLÍTICOS.

O texto base foi aprovado agora a noite no Senado. O projeto prevê que o dinheiro que era gasto com propagandas partidárias em rádio e TV, através de compensação de créditos em impostos com os veículos de comunicação, vai ser destinado aos diretamente aos partidos políticos. O único lado bom nisso é que não seremos obrigados a assistir programas dos partidos.

Para completar o valor, os políticos vão retirar 30% dos valores destinados às bancadas, as tais emendas de bancadas estaduais de 2018 para investir nas eleições. Ou seja, serão destinados menos recursos para saúde, educação, segurança e infraestrutura para que o dinheiro seja usado para ajudar políticos corruptos a garantir seus empregos.

Some-se isso ao fato de que ainda estaremos obrigados a conviver com as coligações partidárias no próximo ano, que também vai ajudar que esses promíscuos representantes da política brasileira tenham mais chance de se reeleger, e com isso garantir o “bendito” foro privilegiado, já que o ministro Alexandre de Morais não se digna a tirar o processo debaixo de sua bunda.

E esse gigantesco tapa na cara que os políticos estão dando tem que chegar na mão de Temer até dia 7 de outubro para ser sancionado, só assim vai poder valer nas eleições de 2018. Alguém duvida da urgência que darão a esse assunto na pauta da Câmara dos Deputados?

VOCÊ VAI PAGAR ESSA CONTA, INTEIRINHA, E SUA CIDADE AINDA VAI RECEBER MENOS INVESTIMENTO PÚBLICO.

 

NÃO ESTÃO REFORMANDO A POLÍTICA. ESTÃO DEFORMANDO.

E COMO PARECE QUE NADA SERÁ FEITO, ACABAREMOS MESMO É NOS CONFORMANDO

Mantidas as coligações para 2018, responsáveis pela eleição de um gigantesco número de políticos, caminha-se agora para tentar impedir que novos candidatos se lancem na política, mudando de seis meses para um ano o tempo necessário para alguém se filiar a um partido e poder disputar as eleições.

Como a eleição acontecerá no dia 7 de outubro de 2018, isso quer dizer que quem não se filiar a um partido nas próximas duas semanas estará impedido de disputar um cargo no próximo ano. E com isso, sobraria apenas mais do mesmo.

Quando em junho de 2013 o Brasil começou um movimento de contestação à política e aos políticos que aí estão, o povo brasileiro pedia uma verdadeira reforma, da política e dos políticos que aí estão. Em seguida, como fatos agudos no campo político, vieram a Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, as denúncias contra Michel Temer.

Paralelo a isso tivemos as dezenas de delações premiadas como Odebrecht e JBS, ou simples confissões de crimes como fizeram Renato Duque, Léo Pinheiro e Antônio Palocci. Em ambos os casos os discursos, desculpas e justificativas dos políticos são jogados por terra, pois o que as delações e confissões revelam são fatos graves e que envolvem os três poderes da república.

Passou-se então para o plano de deformar a política, tendo um petista como relator da proposta.

Não há que se esperar nada dessa reforma política. Nada de bom pode vir de uma proposta relatada por políticos envolvidos até o pescoço em casos de corrupção. É a mesma coisa que pedir aos presos de um presídio de segurança máxima que escrevam as regras da cadeia onde estão presos.

Brasileiros e brasileiras, acordem. Se não houver uma manifestação contundente da população, em 2018 teremos as mesmas urnas eletrônicas sem voto impresso e os retratos dos mesmos políticos nessas urnas. E não faremos nada, exceto cumprir com uma ação cidadã obrigatória e passível de multa, e reeleger os únicos candidatos elegíveis pelas leis que eles mesmos fizeram.

Os tentáculos dessa organização criminosa estão em todas as partes. Exemplo disso é o pedido de vista do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a ação que acaba com o foro privilegiado, um absurdo e uma ação deliberada para trancar o processo e garantir sossego aos que fogem de processos e prisões.

Uma contrapartida a isso, corajosa, é o fato do ministro Barroso ter disponibilizado para julgamento a possibilidade de haver candidatos avulsos nas próximas eleições, que não dependam de se filiar a partidos políticos para poder concorrer a um cargo eletivo.

Ainda está na pauta dos deputados e senadores a aprovação de um fundo eleitoral de 1 bilhão de reais, um valor 25% maior que os 800 milhões disponibilizados este ano para as Forças Armadas no orçamento deste ano. Isso sem falar nos custos absurdos dos mandatos destes deputados e senadores com mais de 50 assessores cada um e usando tudo isso em benefício próprio e não do país.

Vivemos num país deformado, numa sociedade deformada, e ao invés de nos voltarmos para uma verdadeira reforma disso tudo, estamos apenas assistindo a uma deformação ainda mais profunda, que terminará por reeleger a maioria dos corruptos e livrá-los definitivamente de prestar contas de seus feitos à justiça.

Ministros do STF, liderados por Gilmar Mendes, trarão para a pauta muito em breve a questão da prisão após condenação em segunda instância, e ao que parece, o placar tende a ser revertido em favor da liberdade de todos os comprovadamente acusados e condenados, abrindo um caminho sem retorno para a prescrição de todos os graves crimes cometidos pelos políticos.

Ninguém quer reformar nada, nem o povo faz nada para que uma reforma transformadora aconteça.

Eles deformam a reforma. A gente, passivamente, só se conforma

LULA PROCURA A LUZ NO FIM DO TÚNEL. PALOCCI ENXERGOU O FIM DA LINHA.

NÃO EXISTE TRAIÇÃO NUM AMBIENTE ONDE TODOS SÃO TRAÍRAS E TRAÍDOS

Enquanto a grande e poderosa imprensa ainda escolhe lados e termos adequados para tratar da delação de Antônio Palocci, eu optei por seguir apenas a lógica, que talvez até corrobore a fala de Lula quando disse que Palocci é frio e calculista. Pois ele é. E não está errado.

Lula se digladia com um mundo de evidências e provas, procurando brechas e frases de efeito que possam reverter decisões e opiniões. Já Palocci apenas se rendeu a esse mesmo mundo de evidências e provas, e entendeu que preenchendo brechas e dando efeito às suas frases seria muito mais bem-sucedido. Ele foi frio e calculista ao render-se ao óbvio.

Palocci não está entregando Lula. Lula já foi entregue por dezenas de pessoas e fatos comprovados. Palocci não está nem mesmo afundando Lula, só está pulando fora do barco que mais cedo ou mais tarde vai afundar de qualquer jeito, e se ficar nele ainda terá um Lula se afogando tentando se agarrar nele para não morrer sozinho.

Um dos principais motivos pelo qual a estratégia de defesa de Lula não vai dar certo é porque ela conta sempre, necessariamente, com ações subterrâneas que possam mudar o rumo das coisas. Não há em nenhum momento uma ação de defesa que comprove que as acusações contra Lula são falas. Lula e seus advogados preferem continuar a acusar os acusadores.

Palocci já sabe o que é a cadeia. Muito mais inteligente que Lula, sabe também que não sairá dela se não assumir seu papel de acusado e colaborar para que as coisas sejam encaminhadas para a verdade.

Porém, não foi apenas o tempo de cadeia que mudou a maneira de agir de Antônio Palocci, nem tão somente uma questão de render-se às evidências. O PT abandonou Palocci. Lula abandonou Palocci. E Palocci não é soldado do PT como o idiota inútil João Vaccari Neto que provavelmente morrerá na cadeia para não ser ele o motivador da cadeia de Lula.

Não há mais como desqualificar Palocci, um dos mais qualificados petistas nos governos Lula e Dilma. Como não há mais como desqualificar delações, testemunhos e provas. Palocci sabe disso. Lula finge que não.

Que fique Lula com o inábil e arrogante Cristiano Zanin como guia nessa busca pela luz no fim do túnel, e que insista nisso até que seja tarde para perceber que a luz que se aproximava era a do trem vindo de frente. Difícil escapar vivo desse tipo de acidente. Palocci preferiu estar dentro do trem, e chegar confortavelmente ao fim da linha, mesmo que o trem passe por cima de Lula, fria e calculadamente.

MICHEL TEMER E RODRIGO JANOT – ENTRE DENÚNCIAS E MINÚCIAS

NA INFINITA CAPACIDADE DO BRASILEIRO DE SE REINVENTAR, ESTAMOS REINVENTADO O RIDÍCULO.

Tratar do mérito da nova denúncia de Michel Temer é chover no molhado. Basta ver que dê dos denunciados apenas Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco são os únicos que não estão presos, muito provavelmente apenas pelo foro privilegiado. Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, linha de frente dessa facção da ORCRIM, estão presos. Cunha disposto a falar. Geddel do jeito que chora e tem medo dos outros presos da Papuda, não deve demorar para querer falar também.

A parte mais interessante dessa história é que a denúncia não importa, muito menos quem está dentro dela, menos ainda o fato de que outros já estão presos preventivamente, um deles, inclusive, com condenação em primeira instância. Prisões feitas com base em delações e investigações que comprovam os fatos. Prisões que não se sustentariam sem base legal e farto arsenal probatório.

Mas nada disso importa. O que importam são as minúcias.

Ninguém se interessa em discutir que os fatos narrados nessas denúncias são de conhecimento público, muito menos se surpreende com os fatos e personagens. E nem mesmo com a demora com que as denúncias foram feitas ou com a gravidade do que elas revelam.

As pessoas estão preocupadas apenas em defender seus pontos de vista e seus bandidos favoritos. Parece impossível para o brasileiro que possa desprezar a todos em pé de igualdade. A coisa rola sempre no “Janot é bandido, Raquel Dodge vai mudar tudo”, ou “Temer é bandido, mas a economia melhorou”, ou “Aécio é inocente e Joesley é bandido”. Que coisa ridícula.

A realidade é que nada disso se resolverá nas denúncias. São as minúcias que contam, e servem a quem acusa, a quem se defende, e, por incrível que pareça, são usadas por ministros do STF para tratar as acusações de acordo com quem está sendo acusado. Cria-se um clima tenso de desafetuosidade intensa, personalizam-se as imputações de crimes, e vai ficando tudo por isso mesmo.

Hoje temos um congresso que dita a pauta do executivo, um judiciário que se obriga a fazer o trabalho do legislativo e um executivo e um executivo que só atual na área judicial. E dizem que nossas instituições estão se mostrando sólidas, totalmente capazes de passar pelas crises que assolam nossa democracia. Balela.

A história do nosso ridículo começa com o processo de redemocratização, no qual os brasileiros entregaram a chave do cofre para um bandido de nome José Sarney. Aliás, quem não leu ainda Honoráveis Bandidos (Doria, Palmerio – Editora Record) recomendo. A reeleição de Lula logo após o mensalão foi o aprofundamento desse ridículo. E quando pensávamos que o Petrolão seria o ápice, na verdade era só o começo.

O Brasil elegeu e reelegeu Dilma, sob todos os fortes indicativos negativos políticos, econômicos e sociais. Veio a queda de Dilma, e o povo que foi às ruas deu-se por satisfeito de ver seu desejo atendido, mesmo tendo Michel Temer herdado a cadeira dela. E todos sabiam quem era Michel Temer. Se não soubesse bastaria usar o ditado “diga-me com quem anda…” que chegaria a uma conclusão óbvia.

Dilma Rousseff não caiu por pressão do povo, mas pela conveniência da ORCRIM do PMDB. Quem não gostou disso foi Renan Calheiros, que era importante para Dilma, mas não é importante para Michel Temer. Renan é líder de uma outra facção dentro do PMDB oposta à de Temer. A grande mágoa que Renan tem de Temer é por causa do segundo mandato de Dilma, quando ele queria ter sido o candidato a vice.

Isso só ajuda a comprovar que nas minúcias é que encontramos as explicações para tudo, não importa o que as denúncias digam.

Independente da falta de tato, de noção de tempo, de atropelamentos e atrapalhamentos da JBS, da imagem que se possa ter de Rodrigo Janot, ou os brasileiros se atém ao que é importante, ou viverão e morrerão sustentando a mesma casta política dominante, cuja renovação vem se dando através dos mesmos tipos de políticos e sistemas.

Está mais do que claro que para os políticos, juízes de tribunais superiores e advogados, o povo é apenas minúcia, um mero detalhe que só seria capaz de fazer diferença nas urnas. Mas o povo é mal informado, desinformado, deseducado, e as urnas são eletrônicas. É com isso que eles contam.

Mas a realidade não precisa ser essa. Podemos nos manter gado ou enfrentar essa situação entendendo que as instituições que aí estão faliram, tratando as denúncias com a gravidade que elas têm e ignorando as minuciosas versões que são veiculadas para nos desviar o foco do que é principal.

Se você acredita que temos um PGR bandido, ou um ministro de tribunal superior bandido, ou um presidente bandido, ou ministros bandidos, fique certo de que na atual conjuntura não há que se pôr a mão no fogo por nenhum deles. Não há mais como defender pessoas e intenções.

Nessa história, nem todos são bandidos, mas, certamente, todos são ridiculamente culpados. Inclusive nós.

A HISTÓRIA DO LULA SEM CABEÇA

 

NO FUTURO AINDA PERGUNTARÃO COMO FOI QUE TANTOS ACREDITARAM NESSA HISTÓRIA POR TANTO TEMPO

A lenda original da Mula Sem Cabeça trata do castigo recebido por uma mulher por ter fornicado com um padre dentro de uma igreja. Ela se transforma num fantasma na forma de uma mula que fogo no lugar da cabeça e assombra as pessoas.

Não é tão difícil de adaptar para o Lula Sem Cabeça, um político a caminho do castigo por ter fornicado, além da Rose Noronha, com todos os empreiteiros, empresários e políticos corruptos desse país, e de outros países.

Hoje, muito provavelmente, no lugar daquele Lula falastrão do primeiro depoimento, muito provavelmente Sérgio Moro verá um Lula Sem Cabeça, que pouco deverá responder e se o fizer será com chispas de fogo, saindo especialmente pelos olhos.

Lula Sem Cabeça, que nunca soube de nada, que nunca viu nada, que nunca falou nada, que nunca ouviu nada, hoje terá que desmentir aquele que foi seu braço direito durante seu primeiro governo, responsável pela interlocução com o mercado financeiro e que foi o garantidor da manutenção da política econômica iniciada por FHC.

Antônio Palocci não é alguém que Lula desmentirá com facilidade. Todo ataque que Lula fizer a Palocci estará fazendo a si mesmo, e sabe disso.

O interrogatório promete ser tenso e ainda mais comprometedor para Lula, um dos motivos pelo qual nem mesmo o PT teve coragem de tentar insuflar sua míngua militância. E se tivermos sorte, o brilhantino advogado Cristiano Zanin irá colaborar para que a audiência seja bastante tumultuada, e o clima o pior possível.

A verdade é que Lula Sem Cabeça já não assombra mais ninguém, muito menos o juiz Sérgio Moro. Solte ele quantos fogos quiser soltar pelas ventas, sua realidade se encaminha para mais uma condenação, a segunda das muitas que ainda há de receber.

A lenda da Mula Sem Cabeça muito provavelmente ainda sobreviverá por muitos anos, ensinada nas escolas como um mito do folclore brasileiro. Já a de Lula Sem Cabeça jamais será lenda, porque o mito já está morto. A única semelhança que ainda poderá relacionar uma história com a outra será mesmo o fato de ambas serem inacreditáveis!