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Porr@ Pacheco! Porr@ Alcolumbre!

Nossa república é dada a mais demonstrações de atitudes pouco ou nada republicanas do que o contrário. Enquanto na maior parte do mundo os ocupantes das Supremas Cortes vivam quase que enclausurados em suas consciências, sem nenhum tipo de contato formal com políticos ou, menos ainda, em momentos de confraternização social ou com política partidária, os ministros da nossa justiça maior não só travam diálogos curriqueiros com políticos como praticam política partidária, confraternizam com políticos, advogados criminalistas e réus que depois julgam ou mandam para o arquivo com zero peso na consciência.

Essas supostas ligações do ministro Fux para Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre deixam claro o quanto a bagaça tá embaralhada. O presidente do STF precisa ligar para o presidente do Senado e para o presidente da CCJ do Senado para pedir-lhe que façam o favor de cumprir a lei e fazer a sabatina do André Mendonça.

“Porra, Pacheco! ‘Cê num é homem não? Quem manda no Senado é você ou o Alcolumbre? Essa cara de esfinge não resolve não. Toma conta desse chiqueiro! O presidente é você! Quer ser presidente do Brasil parecendo um mordomo pálido?”

“Porra Alcolumbre! Seguramos suas pontas aqui até arquivando coisa que não devia! ‘Cê vai ficar embaçando até quando? Esqueceu que aí da tem coisa sua rolando por aqui? Resolve logo essa sabatina. Ou a gente resolve aqui “

As aspas são para mim mesmo. Obviamente não seria esse o linguajar usado por Fux para falar essas coisas, mas é como eu falaria. E imagino que o recado tenha sido o mesmo.

Com a presidência da CCJ Davi Alcolumbre é um “nada” poderoso, diante dos assuntos que tramitam por ali. Mesmo assim ele continua sendo o nada que sempre foi, precisando fazer birra para ganhar algum espaço na imprensa. E se não fosse a presidência do senado ninguém teria conhecido Alcolumbre. E se não fosse a CCJ já teria sido esquecido. Suas maiores pretensões são o governo do Amapá ou reeleger ao Senado. Corre sérios riscos de não conseguir em nenhuma das duas. Vai ter que gastar muito bacon.

Rodrigo Pacheco é mais ambicioso, vem de um círculo mais restrito, de gente rica, cliente rico, bandido rico. Ninguém envereda pelo direito criminalista para tirar cunhado da cadeia. Advogado criminalista tem que ter carteira de motorista categoria D para manobrar pelas brechas da nossa Constituição e dos códigos civil e penal. Chegou no Senado com pedigree, foi membro importante da OAB-MG. Contudo, nem disfarçou muito, de cara já mostrou ser um banana inconfiável com mais 4 anos e meio de mandato. Não dá nem para trocar.

O ministro Fux é, para mim, o mais decepcionante de todos os ministros do STF. Dos 10 atuais ocupantes das cadeiras amarelas, ele é o único que exerceu a magistratura plena, entrando por concurso na primeira instância e galgando sua carreira (sabe-se lá a que preço) até o STF, que agora preside. Portanto, mais do que os outros, deveria honrá-la e servir de exemplo aos juizes de instâncias inferiores.

Rosa Weber também é concursada, mas entrou direto na justiça trabalhista como juiz substituta, não teve a vivência de Fux. E é nisso que está o componente frustrante, e deveria ser a mesma frustração de todos que entraram via concurso para a magistratura. Luiz Fux abriu mão de ser um digno representante dos dignos magistrados do Brasil para ser parte de um indevido sistema político/judiciário que pode levar o país ao caos social.

É preciso reconhecer a fragilidade desses personagens em contraste com a responsabilidade dos cargos que ocupam e de como suas participações e decisões interferem nas nossas vidas. Precisamos entender a surub@ de político/judiciária que envolvem as decisões mais importantes da nação e assimilar que nós, povo, estamos fora da equação matemática desses personagens.

A melhor chance de melhorar esse quadro é votar direito para o Senado Federal em 2022. E claro, para presidente também. O Senado é a chave para uma mudança de comportamento no Congresso Nacional. As regras eleitorais vão tornar mudanças na Câmara dos Deputados ainda mais difíceis. Mas no Senado o voto é majoritário, e será apenas uma vaga para cada estado dessa vez. A escolha tem que ser a dedo e o mais consensual possível dentro da direita em cada estado. É a mudança possível. Um terço das vagas no Senado, se bem preenchidas, mudam muita coisa.

Enquanto essa mudança não acontecer Brasília continuará sendo terreno de oportunistas e chantagistas fantasiados de legisladores e magistrados, e qualquer presidente da república que consiga se eleger fora desse sistema será escorraçado como é Bolsonaro.

Ao invés da separação de poderes estabelecida na Constituição Federal, vemos uma mistura de poderes entre legislativo e judiciário, um usando o outro, os dois inviabilizando o executivo e atendendo agendas que não tem absolutamente nada a ver com o que deseja a maioria da população. Esse papo de “todo poder emana do povo” é muito bonito por escrito, mas, na prática as ordens vêm de outro lugar, onde o povo não tem vez nem voz.

A difícil praticar a paciência na política, tamanhas são as urgências de tantos de nós, especialmente o povo mais simples, com menos oportunidades. Porém, se não houver algum tipo de ruptura drástica, um fato realmente novo que altere totalmente o rumo do Brasil, teremos que tentar promover a mudança onde ele é possível de ser feita, e esse lugar é o Senado Federal. E ainda que uma ruptura acontecesse, a importância do Senado na consolidação de quaisquer mudanças continuaria e deve continuar sendo fundamental para o país sair desse triste momento da nação e da democracia.

Presidente do Supremo precisar ligar para senadores para pedir que cumpram a lei e trabalhem é o fundo do poço de uma presidência de judiciário. Nem Cármen Lúcia pagou esse mico feio desse jeito. Porr@ Fux!

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.

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