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A República que nasceu e está morrendo de mentiras e um ego ferido.

A República que nasceu e está morrendo de mentiras e um ego ferido.

A República não fazia parte das ambições do Marechal Deodoro. Pelo contrário, ele era monarquista e amigo pessoal fiel a Pedro II. Mas como ele aderiu?

Resumidamente, contaram a ele duas mentiras. A primeira era de que o tinha mandado prendê-lo, uma vez que ele se manifestava descontente com o tratamento que o Império dava ao exército. Essa mentira colou e, mesmo doente, no dia 15 de novembro ele liderou a deposição do Visconde de Ouro Preto. E voltou para casa.

Mais tarde, meia dúzia de picaretas apareceram na casa de Deodoro com um documento conhecido como Moção de proclamação da república para ele assinar. O documento o designava como chefe do governo provisório. Mas nem assim ele não assinaria fácil. Deodoro era monarquista.

Segundo, ninguém tinha dito nada a ele que a deposição do Visconde de Ouro Preto era, na verdade, um golpe republicano. E com medo que ele fosse até Pedro II e se acertasse com ele, veio a segunda e fatal mentira.

Para convencer Deodoro, os picaretas disseram que Pedro II havia nomeado para o lugar do Visconde de Ouro Preto um sujeito chamado Silveira Martins. E esse nome não era um problema político para Deodoro, mas sentimental.

Quando serviu no Rio Grande do Sul, Deodoro da Fonseca se engraçou pela filha do Barão do Triunfo, que, ao mesmo tempo flertava com Silveira Martins, e, a quem acabou escolhendo. Silveira Martins era o maior desafeto de Deodoro. E ao dizerem isso, ele apenas perguntou onde assinava.

Para garantir que nada disso teria retorno, o conselho republicano resolveu expulsar a família real imediatamente, dando a eles 24 horas para deixar o Brasil, o que fizeram as 3 da manhã do dia 16 de novembro, de maneira que nada pudesse ser desmentido pelo Imperador.

Ao proclamarem a república no dia 15 de novembro de 1889, por iniciativa de Benjamim Constant, ficou estabelecido que seria feito um plebiscito para que o povo pudesse decidir o sistema de governo que o Brasil deveria ter. Esse plebiscito só veio a ocorrer em 21 de abril de 1993, ou seja, 104 anos depois, o que permite dizer que vivemos todo esse período em uma república provisória.

De lá para cá já tivemos 7 constituições e estamos no 38° presidente da república, entre golpistas, nomeados e eleitos. E a república, nascida de mentiras e um ego ferido, encontra-se em estado terminal, sustentada por mentiras e o ego ferido de um bandido que é o grande responsável pelo processo de morte da república.

Desde a redemocratização do Brasil, em 1985, a República Federativa do Brasil sofreu diversos golpes, sendo o mais importante deles a Constituição de 1988, que subverteu a ordem dos direitos e deveres dos cidadãos e tornou o estado pesado, oneroso e improdutivo. E até Jair Bolsonaro, todos os presidentes foram irresponsavelmente responsáveis pelo aprofundamento disso. Mas nenhum deles foi mais danoso à república do que Lula, porque Lula não é republicano, muito menos democrata.

Ao institucionalizar a corrupção como modo de governo, Lula perverteu os ideias de república ao cooptar o legislativo e aparelhar o judiciário e adequá-los ao seu propósito. A harmonia entre os três poderes passou a ser mantida através de dinheiro e não de ideais republicanos, nem mesmo nas bases que são estabelecidas pela Constituição Federal, ainda que elas seja mais uma grande mentira.

A luta que se trava nesse momento nacional não está circunscrita apenas à questões ideológicas ou econômicas, mas sobre o próprio conceito de república.

As instituições estão contaminadas pelos interesses pessoais dos políticos, em busca de poder e impunidade. Não há ideias democráticos, patrióticos ou nacionalistas por trás dos acontecimentos. Quem não está em atrás de poder está buscando desesperadamente se livrar da cadeia, e muitos casos querendo um para conseguir o outro. E não faltam lacaios como Sólon Ribeiro, que foi quem contou a primeira mentira para o Marechal Deodoro da Fonseca. São muitos os semeadores de mentiras e boatos para desestabilizar o governo e o próprio sistema de governo sob o qual vivemos.

A proclamação da república não foi noticiada imediatamente. Os republicanos tinham medo da reação do povo, que era feliz com o regime monarquista, que gostava de Dom Pedro II. Eram apenas 15 milhões de habitantes no país inteiro, as notícias demoravam a circular. E quando o povo percebeu, já era uma república.

Hoje, os fatos são noticiados em tempo real. As mentiras são ditas e propagadas em tempo real. Vemos políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal mentindo ao vivo, sem ficarem vermelhos. Gente criminosa fazendo e alterando leis que beneficiam a criminalidade e consolidam a ideia de que o crime compensa.

A vida ou morte da república não depende mais dos três poderes, ou das leis vigentes, muito menos da porcaria de Constituição Federal que nos rege. Depende única e exclusivamente da vontade do povo e de sua capacidade de demonstrar essa vontade. Porém, vivemos num país dividido não pela ideologia, mas pelo caráter.

Nossa realidade não tem nada a ver com direita ou esquerda, mas necessariamente com o caráter das pessoas. Ou as pessoas de bem se levantam contra esses bandidos que deturpam os ideias de república e democracia, que corrompem a cultura e os valores, ou seremos todos engolidos por eles.

A república não fazia parte dos planos de Marechal Deodoro. E continua não fazendo parte dos planos de ninguém. Precisamos decidir por quanto tempo ainda aturaremos mentiras e egos feridos. Já perdemos 130 anos.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.