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João Doria, o Odorico Paraguaçu 2020 que conseguiu encher o cemitério.

João Doria, o Odorico Paraguaçu 2020 que conseguiu encher o cemitério.

Todo mundo conhece João Doria. Mas muitos dos mais jovens não conhecem Odorico Paraguaçu ou apenas o conhecem o nome e os memes.

Odorico Paraguaçu era o personagem criado pelo talentoso novelista Dias Gomes, que além de talentoso para escrever era talentoso também na sua militância de esquerda, pertencente aos quadros do PCB, o partidão como era chamado.

O talento de Dias Gomes consistia em aplicar as teorias comunistas nos dramas que exploravam o cotidiano das pessoas comuns. E assim criou Odorico Paraguaçu, prefeito da fictícia Sucupira, cidade do interior da Bahia.

Odorico era um prefeito ladrão, estrategista, usurpava dos direitos que o cargo oferecia, ameaçava adversários políticos, fraudava tudo o que fosse fraudável e lhe desse alguma vantagem financeira ou política. Era especialista na arte da traição.

Sua maior obra na carreira política foi a construção de um cemitério em Sucupira, no qual nunca conseguiu enterrar ninguém. Acabou sendo ele mesmo o defunto que inaugurou o cemitério.

Doria é uma cópia mal acabada de Odorico. Seu personagem não teve um escritor brilhante. Ele mesmo escreve, dirige e interpreta o papel de João Doria. Se pudesse ele mandava trocar o nome do cargo de governador. Seria algo do tipo Joãodoriador. Na ficção encontra paralelo em Odorico. Na vida real, seu ego e sua ambição só encontram comparativo em Lula. E tal qual os dois é mestre na arte de mentir, iludir, ludibriar, trair, e não fazer, de fato, nada pelo povo.

Para chegar à prefeitura de São Paulo, João Doria implodiu o PSDB paulista. Puxou tapetes, constrangeu adversários internos, peitou a cúpula do partido, traiu pessedebistas históricos, se agarrou ao saco de Geraldo alckmin e foi eleito prometendo que não abandonaria o cargo antes de completar o mandato.

A fantasia durou apenas 1 ano e 3 meses que ele usa como peça de marketing de si mesmo. Não fez efetivamente nada, e não porque seja incompetente, ou apenas isso, mas não fez porque em 1 ano e 3 meses depois de 20 anos nas mãos do PT, gestor nenhum faz nada. Mas ele jura que fez.

Eleito, o primeiro a quem Doria traiu foi exatamente o dono do saco no qual ele estava agarrado, Geraldo Alckmin. Doria simplesmente deu uma banana para Alckmin na campanha presidencial, vestiu a camiseta BolsoDoria, grudou na popularidade de Bolsonaro e chegou ao Palácio dos Bandeirantes. Chegando lá, de cara traiu Alckmin, puxando seu tapete no comando do PSDB de São Paulo. Em seguida traiu Bolsonaro.

O próximo a ser traído será Bruno Covas, por dois motivos:

  • a) Joice Hasselmann teve 2 milhões de votos;
  • b) Quantos votos teve Bruno Covas mesmo? Nenhum. Era vice de Doria, e vice não tem votos, vai a reboque.

E de tanto falar em traição, eis que um país tradicionalmente traidor infecta o mundo com um vírus de alta letalidade. O vírus chega ao Brasil e João Doria resolve ser seu anfitrião. Tira fotos com o vírus, grava vídeos com o vírus, faz discursos para o vírus, usa o vírus contra o presidente, contra a república, contra o pacto federativo, e sente-se poderoso o suficiente para engendrar um arriscado esquema para derrubar Jair Bolsonaro. Doria tornou-se o empresário do vírus do Brasil.

João Doria virou empresário do coronavírus no Brasil. Para ele, o coronavírus passou a ser o “negócio da China” de sua vida.

Contudo, quase tudo que e fabricado na China é de má qualidade. O coronavírus matou no Brasil muito menos do que Doria queria. Mesmo assim ele não desistiu de aterrorizar a população com números fantasiosos, meta espantosa de 110.000 mortes até junho, e agora invade a privacidade das pessoas monitorando seus movimentos através dos sinais de seus celulares, e ameaça de prisão quem for encontrado na rua.

Nem Odorico Paraguaçu se atreveu a tanto. Nem Lula se atreveu a tanto.

João Doria ultrapassou todos os limites do que entendemos que deveria ser uma democracia.

Não há dúvida da capacidade de contágio do coronavírus, nem mesmo de sua letalidade. Mas todos estamos cheios de dúvidas sobre as reais intenções de João Doria, que agora ensaia estender o isolamento social até o mês de junho, quando começa o inverno, que em São Paulo costuma ser inverno mesmo.

João Doria não tem nenhum cemitério para inaugurar, mas já poderia comemorar muitos cadáveres se quisesse, mas ele quer mais, precisa de mais. Não há como culpá-lo pela tragédia de até esse momento. Doria teve a sorte que Odorico não teve. Mas há que se pensar nas mortes que virão em decorrência dessa obsessão por tirar o país do equilíbrio em nome de uma ambição deslavada pela cadeira da presidência da república.

Como diria Odorico Paraguaçu, João Doria é um esquerdista, ambicista, traicista juramentado, mas um personagem que Dias Gomes não teria inventado, porque uma das principais caracterísitcas de seus personagens era que a gente conseguia acreditar neles.

Que João Doria se cuide. Odorico Paraguaçu é um excelente exemplo de que muitas vezes o político cava sua própria cova e é enterrado no seu próprio cemitério.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.

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