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Fachin e 2ª Turma podem soltar Lula hoje. Só faltava um bom factoide.

Fachin e 2ª Turma podem soltar Lula hoje. Só faltava um bom factoide.

Não é difícil imaginar que ao invés de pautar o famigerado habeas corpus negado pelo ministro Felix Fischer do STJ em dezembro o ministro Edson Fachin tenha sido pautado para isso pela banda podre do STF. O assunto que estava parado desde dezembro de 2018 e teve nesta segunda-feira um pedido da defesa de Lula para que fosse apreciado, exatamente após o vazamento das conversas do ministro Sérgio Moro e dos procuradores da Lava Jato.

Tudo o que o STF precisava para libertar Lula era um bom factoide que colocasse em xeque a imparcialidade e correção do processo que condenou o apedeuta a 12 anos de cadeia. E Glenn Grenwald, que nem brasileiro é, deu às suas excelências os argumentos que faltavam para mandar para casa, sem tornozeleira eletrônica ou qualquer outro tipo de sanção.

Posso estar absolutamente errado na leitura dos fatos, mas me parece óbvio que está tudo armado nesse sentido. Fachin não tem força para confrontar a banda podre, nem vergonha de se aliar a ela se necessário. É uma questão de sobrevivência para que ficou pagando o mico de andar de braço dado com a esposa e pires na mão pelo Senado Federal mendigando a aprovação de sua indicação pelos senadores.

Porém, o habeas corpus em questão não pede apenas a libertação de Lula, mas a anulação da condenação proferida por Sérgio Moro na 13ª Vara Criminal de Curitiba e ratificada pelo TRF4.

Um agravante que reforça a teoria de que Fachin foi pautado ao invés de pautar é que o mandato do ministro Ricardo Lewandowski na presidência da segunda turma termina na próxima sexta-feira, e é o presidente da turma que tem a prerrogativa de definir a pauta de julgamentos. E para piorar para os bandidos, quem assumirá no seu lugar é a ministra Cármen Lúcia.

O vazamento das conversas de Sérgio Moro com os procuradores não teve apenas o intuito de constranger ou colocar sub judice a conduta de Sérgio Moro, mas especialmente criar um ambiente que desse aos ministros petistas e anti-lavajatistas uma excelente desculpa para soltar Lula, antes que Lula começasse a vazar o que sabe deles.

É isso mesmo. O Brasil está cansado de saber que Lula mantém sob ameaça todos aqueles que compactuaram com ele em algum momento, e que vinham mantendo-o sob controle com a promessa de que seria libertado na primeira oportunidade. E a oportunidade é essa.

Quem tiver paciência e estômago para ouvir os argumentos de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski escutará mais um festival de agressões a Sérgio Moro, desafeto de Gilmar, aos procuradores da Lava Jato, a quem Gilmar chama de moleques e cretinos, e à própria operação Lava Jato, que não sua versão carioca já chegou no judiciário.

Em outras frentes, o corregedor do Ministério Público Federal abriu processo de investigação contra o procurador Deltan Dallagnol e seus parceiros de Lava Jato, a OAB pede o afastamento de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, juízes trabalhistas resolveram encarar e repudiar as associações de magistrados que apoiam Moro e a oposição liderada pelo PT avisou que vai obstruir todas as votações no Congresso Nacional enquanto Moro continuar na equipe de ministros de Jair Bolsonaro.

Porém, acima da derrocada de Sérgio Moro, a ideia de obstruir as votações no Congresso Nacional, se der ser, impactará na não votação do PLN4 e, portanto, o governo estará descumprindo a Lei de Responsabilidade fiscal e Jair Bolsonaro incorrendo em crime de responsabilidade, passível de abertura de processo de impeachment, que é tudo o que a esquerda quer.

O que é certo é que a quebra ilegal e criminosa do sigilo telefônico e telemático de Moro e dos procuradores virou gasolina na mão da esquerda, e hoje Fachin vai acender uma fogueira na 2ª Turma do STF, por vontade própria ou não.

O Brasil não caminha para a pacificação, e não é Jair Bolsonaro o responsável pelo acirramento dos ânimos, muito menos Sérgio Moro.

A ORCRIM está viva. O mecanismo está reagindo e preparando um conflito cujas consequências ninguém sabe, de fato, quais serão, mas que interessa diretamente ao PT e seus satélites. Há inclusive a convocação de uma greve geral para o dia 14. E por que Gleisi Hoffmann marcou exatamente para dia 14? Porque Lula deverá estar solto e esse seria o cenário perfeito para o seu retorno.

Os políticos e o STF apostam na leniência de sempre do povo brasileiro. A direita se mostra incapaz de articular uma aglutinação de forças para mobilizar a população para além das redes sociais. E a esquerda continua tumultuando o Brasil.

Edson Fachin é constantemente voto vencido na 2ª Turma. Gilmar Mendes, Lewnadowski e Celso de Mello costumam fazer a maioria, deixando vencida com ele a ministra Cármen Lúcia. E quando era Toffoli no lugar de Cármen Fachin costumava perder de 4 a 1 com certa constância e facilidade.

O Brasil pode pegar fogo hoje. Pelo menos em termos de retórica. Daí para a ação é algo imprevisível.

O fato é que o PT comprou o Chopp. Agora temos que esperar para saber se será tomado com aguado ou gelado na temperatura ideal.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.