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Dias Toffoli, pare tudo! Tem um recado meu e de muitos para você.

Dias Toffoli, pare tudo! Tem um recado meu e de muitos para você.

Detestado ministro Toffoli!

Costumo ser um tanto sincero, portanto, não faria sentido chamá-lo de prezado ou distinto, uma vez que o sentimento real é exatamente esse, o que não significa que eu ofereça risco a vida de Vossa Excelência (isso tenho que usar, fazer o que?) ou a qualquer outro digníssimo (ai, ai) ministro.

Faço parte de uma camada social a qual Vossa Excelência já fez parte, mas que compreendo o esquecimento, uma vez que o mundo ao seu entorno há muito tempo não é mais o mesmo que o nosso. Somos chamados de povo brasileiro, ministro Toffoli, aquele pessoal que bate um bife de alcatra com arroz, feijão e salada, e quando toma vinho é chileno de 25 reais em promoção em algum supermercado.

Somos a força motriz desse país, a que trabalha, a que gera riqueza, a que ajuda a gerar riqueza, a que paga caríssimos impostos em tudo o que compra ou vende, e que muitas vezes vê seus bens e direitos surrupiados por ladrõezinhos de galinha e por tubarões de colarinho branco, mas que segue em frente, carregando suas próprias malas e guarda-chuvas, porque acredita que haverá um dia justiça de verdade nesse país. Sei que isso pode parecer-lhe utópico, mas é assim que pensamos.

Nossa turma, ministro Toffoli, é aquela que vota para vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos, governadores e presidente da república. É a turma que sabe que as urnas eleitorais não oferecem nenhuma confiança, possibilitando até que Vossa Excelência tenha ficado isolado na sala de apuração nos momentos finais da eleição de 2014, mas que, mesmo assim, obediente, entendendo que seu voto obrigatório é um exercício vão de cidadania, comparece diante das tais urnas eletrônicas a cada eleição, e diz amém quando aperta o botão de confirma.

Vossa Excelência está com 51 anos. No que depender da lei atual, e de seu critério, é claro, ficará no STF por mais 24 anos ainda. Mas mesmo que a PEC da Bengala venha a ser derrubada, ainda serão 19 anos como ministro da mais importante instância do sistema judiciário brasileiro.

A pergunta que não quer calar, ministro Toffoli, é até quando Vossa Excelência pretende ser um defensor de bandidos de colarinho branco?

Veja, se ficar mais 24 anos no cargo, serão pelo menos 5 presidências, 5 novas composições do Congresso Nacional, diversas renovações de ministros no STF. Será possível, ministro Toffoli, manter-se ao lado de bandidos por tanto tempo? Ou será que Vossa Excelência mudaria de opinião a cada novo formato de república?

Tudo o que está sendo feito é para soltar Lula, independente do que qualquer membro do judiciário venha a dizer ao contrário. E seu voto no dia 6 ou 7, na próxima semana, será decisivo para a manutenção da prisão após condenação em segunda instância, ou pela derrubada de um entendimento que perdurou de 1942 a 2009, e que depois disso, já votado novamente em 2012 e 2016 voltou a ser utilizado. Foram 57 anos ininterruptos. Já a decisão de 2009, que completa agora 10 anos, já foi derrubada duas vezes no plenário da casa e por último no HC de Lula nesse mesmo período, e só deixará de estará em vigor com o seu voto.

O que o povo brasileiro quer, ministro Toffoli, é a manutenção da prisão após condenação em segunda instância. Esse povo, que paga lagosta e vinho premiado, seguradores de guarda-chuvas e carregadores de mala, está de saco cheio. E se o que os senhores ministros do STF querem é colaborar para que essa panela de pressão estoure, a derrubada do atual entendimento de que condenados em segunda instância podem começar a cumprir pena será entendida como uma sinalização de o compromisso do Supremo Tribunal Federal não é com as leis da nação que ele representa, com os os bandidos que precisam serem acobertados para fugirem delas.

Não há aqui nenhum tipo de ameaça, ministro Toffoli, quem sou eu para isso, ou para ter algum alcance que leve a isso. É, sim, uma constatação, de que o limite de sacrifício e tolerância com tantas injustiças está chegando ao fim.

Se houver uma convulsão social nesse país, ministro Toffoli, o STF, através da sua pessoa e de outro ministros da casa, serão corresponsáveis pelos atos da população brasileira. Para que essa convulsão aconteça, basta que alguns gatilhos mentais sejam acionados, transformando indignação em ação, e Vossa Excelência sabe quais gatilhos seriam esses.

Mas, finalizando, faço-lhe uma proposta, ministro. Que assista ao vídeo abaixo e veja os melhores e mais sólidos argumentos pelos quais o início do cumprimento de pena deve se dar após a condenação em segunda instância. São argumentos imbatíveis, dados numa entrevista por um ministro que fala com total segurança sobre seu entendimento a respeito do tema, inclusive combatendo com fatos as objeções apresentadas pela repórter.

O nome do ministro é Antônio Dias Toffoli, hoje presidente do STF. Vejamos sua capacidade de contrariá-lo.

Cumpra a Constituição Federal, ministro Toffoli. Ou pela menos sejam digno e mantenha o entendimento que tinha quando deu essa entrevista.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.