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Coaf longe de Moro tem uma explicação simples: está funcionando bem!

Coaf longe de Moro tem uma explicação simples: está funcionando bem!

Talvez, ao final do dia, o Coaf continue com Sérgio Moro. Mas isso não significará que o assunto estará encerrado. Se continuar será um sinal de que os ratos estarão ainda mais encurralados diante do fracasso da manobra para tirá-lo do Ministério da Justiça. Se sair, no entanto, não significará que os dados do Coaf não poderão ser usados nos processos de investigação, apesar de que até para isso foram apresentadas emendas.

Esse episódio do Coaf tem que ser analisado muito mais pelo que ele simboliza do que somente pelo efeito prático. A batalha que os parlamentares estão travando nessa comissão da reforma administrativa estão permitindo diferenciar os parlamentares que querem sacanear o governo Bolsonaro dos parlamentares que querem se livrar da justiça. E em muitos casos parlamentares que representam as duas coisas.

O PT, em particular, não esconde seu desejo de se ver livre das duas coisas. É o partido que mais luta contra a justiça brasileira, que mais difama juízes, procuradores da república, membros do governo, e que tem um problema figadal com Sérgio Moro e com Bolsonaro. Não há nada com fundo patriótico nas ações do PT e da esquerda que o acompanha. Trata-se apenas de retaliação pelo desmantelamento da uma roubalheira de pelo menos 13 anos e meio na presidência da república.

Já os parlamentares que não são de oposição, mas que se dispõem a votar para que o Coaf volte para o ministério da economia, estes querem é fugir da justiça mesmo. Não há outra explicação plausível.

O papel do Coaf, enquanto órgão ligado à Receita Federal, não deverá mudar se sair da justiça para a economia. Mas corre o risco, caso seja aprovada uma emenda que quer proibir os auditores da Receita Federal de fazer investigações. E tem gente no Ministério Público que concorda com esse raciocínio.

Nos meus 55 anos de vida, não me lembro, jamais, de ter visto uma comissão de parlamentares interferir de tal maneira na forma como um presidente montou seu governo. Não vi isso com Sarney, não vi com Collor, não vi com Itamar, não vi com FHC, não vi com Lula, não vi com Dilma, não vi com Temer.

A postura de retaliação dos parlamentares contra Jair Bolsonaro e Sérgio Moro deixa claro para o Brasil que os políticos estão se lixando para o futuro do país, para os graves problemas nacionais.

Desde a posse de Bolsonaro o Congresso Nacional tem feito tudo para criar instabilidade no governo. São declarações desafiadoras de Rodrigo Maia a todo momento, confrontando tudo o que o presidente fala ou faz, o que se repete no Senado. Eu já dizia isso nesse artigo aqui.

O STF faz a sua parte, mantendo o país em estado de permanente insegurança jurídica, dando sentenças de acordo com a cara do freguês, dando ganho às causas que destroem a economia pelos próximos 10 anos. Exemplo recente disso aconteceu quando os ministros do STF concederam às empresas que compram insumos na Zona Franca de Manaus o direito de receberem credito de IPI, mesmo estes insumos sendo isentos do imposto pelo regime que criou a Zona Franca. Isso é um insulto às finanças do país. Empresas que não pagaram IPI na compra de insumos poderão obter créditos para serem usados no abatimento de outros impostos. É como se você declarasse despesa médica e odontológica para conseguir desconto no seu imposto de renda sem ter usado esses serviços. E pior é que tem gente que faz.

A imprensa também faz sua péssima parte nisso tudo. Hoje em dia os jornais, impressos e online, mais parecem tabloides de fofocas, gerando crises desnecessárias, dando constante destaque às pessoas que em nada agregam ao país, estimulando intrigas, criando intrigas. Quase tudo o que chega aos leitores já vêm contaminado por alguma ideologia ou prepara terreno para algum movimento político de alguém.

E então voltamos ao Coaf, Sérgio Moro, Jair Bolsonaro e um bando de parlamentares corruptos que até admitem publicamente que torcerão membros da comissão na hora de votar porque esses votariam a favor da manutenção do Coaf subordinado ao ministério da justiça.

O Coaf é só uma questão simbólica. Mas altamente simbólica. E a briga dos bandidos com a justiça, mocinho e bandido mesmo, como eram as brincadeiras das crianças. Mas levada muito a sério.

O que é difícil no Brasil é que a população leve política a sério. A maioria não toma conhecimento de nada. Se qualquer um sair na rua agora e perguntas o que está acontecendo na comissão da reforma administrativa eu duvido que consiga uma resposta. A maioria dirá “reforma do que”? E se perguntar o que é Coaf então, piorou. Provavelmente dirão que é nome de remédio para tosse.

Não podemos ficar vivendo ao sabor dos finais de dia para saber nosso destino. O Brasil só sairá da lama se o povo participar – além da internet.

Lula introduzir o “nós contra eles” na sociedade brasileira. Pois eu diria que o momento nunca foi tão nós contra eles como é agora. Só que claramente esclarecido que somos “nós” e quem são “eles”.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.