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Interessa saber se o Facebook caiu ou foi “caído”?

Que diferença faz saber porque Facebook, Instagram e WhatsApp saíram do ar ontem por mais de 6 horas. O que vai mudar na vida de qualquer pessoa saber? Vai abrir conta em aplicativos alternativos? Telegram, que não tem nada a ver com a empresa de Mark Zukerberg também acabou caindo. E o Twitter, que também não é de Zukerberg ficou instável e muito tempo sem conseguir carregar fotos e vídeos.

Digamos que tenha sido para que o Facebook, Instagram e WhatsApp tenham sido resetados para apagar logs que confirmariam a denúncia feita por uma ex-funcionária do Facebook ao programa The 60′ – Sixth Minutes revelando ações de favorecimento ao candidato Joe Biden e desfavoráveis a Donald Trump, o que isso mudaria no fato de que os serviços ficaram foram do ar por 6 horas? Ou se isso tenha sido feito para implementar algum upgrade para tornarem ainda maiores as ações de controle social e censura? E se foram mesmo hackers que invadiram, o que muda? E eu respondo. Nada. Por um motivo muito simples: ninguém vai parar de usar.

O que aconteceu ontem mexeu com o mundo, não importa a cultura ou a relação específica com aplicativo A, B ou C. E se muitos já conseguiam ter uma nova do poder de influenciar comportamentos que as Big Techs têm atuando ativamente, a ausência desses 3 aplicativos por algumas horas, somados à queda e a instabilidade de outros dois aplicativos independentes são ótimas evidências de como podem dificultar ainda mais as nossas vidas.

Pense em quantas vezes sua digital já foi solicitada como prova de identidade para garantir algum tipo de acesso ou confirmação. Lembre quantas vezes você já recebeu uma ligação de telemarketing sendo obrigado a dizer uma série de sins e nãos que ficaram gravados nesses registros, além das gravações do diálogo completo onde, forçosamente, você deu uma série de informações, inclusive em muitas delas falando palavras como “confirmo, concordo, aceito”, tudo devidamente gravado. E sua imagem? Para quantas câmeras você já olhou voluntariamente ou foi involuntariamente olhada por elas, seu olhar, suas expressões, seu gestual.

Desde que surgiram, demos, de graça, no detalhe, complexos e completos dossiês de nossas vidas às redes sociais. Nossos universos individuais foram transformados em capítulos diários de nossas novelas pessoais, nos quais revelamos nossas preferências e contradições nos seus menores pormenores. O que para nós é visto como personalidade, para as redes sociais é a personalização de um produto. Para os algoritmos nós somos o produto.

A queda da maior rede social, do maior aplicativo de troca de mensagens e do maior aplicativo de fotos (pelo menos suponho que é, mas aceito discordâncias) é um alerta do poder que a tecnologia exerce sobre nossas vidas. E se o colapso tivesse acontecido no sistema bancário mundial? E se fossem em registros de universidades? Ou um apagão na orientação de aviões e torres se controle aéreo do mundo inteiro?

Para quem é usuário ou dependente (ainda soa estranho serem esses os mesmos termos usados em relação ao uso de drogas) dos serviços das redes sociais a única coisa que interessa é que as redes saíram do ar por motivos alheios à sua vontade. Ele não escolheu isso. Elas simplesmente não estavam lá. E pouco interessa o que causou, desde que voltem a ficar online e estáveis como sempre foram. O motivo interessa a quem tem a obrigação de manter a rede online, estável e acessível a todos os usuários e dependentes delas. Pode ter sido uma queda involuntária, um ataque cibernético, uma falha generalizada de servidores, ou uma decisão voluntária por algum motivo técnico, ou operacional, ou administrativo, ou até mesmo de limpeza de evidências de acometimento de crime. Muitas são as análises e possibilidades que vão surgir a partir desse acontecimento.

Nosso questionamento não tem a ver com os motivos que tiraram do ar o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, mas em como isso afetou nossas vidas e lembrar que todas as Bigh Techs tem acesso ao botão de desligar o sistema. É só desligar. E isso serve para todo tipo de sistema de comunicação, sejam TVs, rádios, internet, e para tudo nas nossas vidas que tenha algum vínculo digital que pode ser uma senha, uma digital, um registro de voz ou uma imagem detalhada. Isso sim! me preocupa muito.

Como curioso, eu gostaria de saber a real explicação para a queda do Facebook, Instagram e Whatsapp. Mas, a menos que isso se transforme em algum escândalo impossível de esconder, deles, só teremos narrativas. Os fatos futuros é que poderão mostrar o que realmente aconteceu.

Nós estamos nas mãos deles, usuários e dependentes de um sistema que, em tese, deveria, ele, ser dependente de nós. E fica cada vez mais difícil desatarmos esse nó.

PEC 05/2021, o Ministério Público na mão do Congresso

A primeira vez que me dei conta da existência de um procurador geral da república, o ocupantes do cargo era Geraldo Brindero. Mas foi só no governo Lula, pós mensalão, que entendi exatamente para que ele servia, entendendo a quem ele servia e quem se servia dele. Veio então a Lava Jato e procuradores da república vieram aos holofotes, trazendo consigo a popularização do órgão, suas atividades, componentes e a política que envolve a instituição.

Roberto Gurgel foi o PGR que fez a denúncia do mensalão, mas foi Rodrigo Janot que alcançou o estrelato tendo a Lava Jato sob seu guarda-chuva. Além dele, os procuradores que passaram a cuidar das ações estaduais da Lava Jato também deram muita publicidade ao Ministério Público, não sendo errado afirmar que Deltan Dalagnol tenha sido o maior protagonista desse período. Janot foi substituído por Raquel Dodge, dando início ao esvaziamento dos trabalhos da Lava Jato e abrindo as portas para o contra-ataque dos políticos e do judiciário. E então chegamos a Augusto Aras, que terminou de enterrar a maior operação anti-corrupção já feita nesse país. Mas, só falei das estrelas do Ministério Público, e ele é muito maior que isso.

O Ministério Público é numa instituição presente, ou pelo menos deveria, em toda a administração pública, sendo um órgão autônomo, com orçamento próprio, sem vínculo com nenhum dos três Poderes da república, apesar de ser um operador do direito. Sua autonomia orçamentária e funcional foi garantida pela Constituição Federal de 1988, sendo ele reconhecido como o real garantidor da democracia, enquanto a justiça é a garantidora (ou deveria ser) da constituição. Nesse sentido ele é tão importante que é quem garante que a própria justiça não avance sobre a democracia, e que tanto os direitos quanto os deveres de cidadãos e instituições sejam preservados ou exigidos.

Desde a elaboração da CF de 1988 o PT era contra a autonomia do Ministério Público Federal, mas não teve força para barrar essa determinação. Mas, tão logo assumiu a presidência da república, deu um jeito de interferir na regra do jogo, e em 31 de dezembro de 2004 Lula assinou o decreto criando o Conselho Nacional do Ministério Público, cuja composição é formada da seguinte forma:

Criaram um modelo com 14 membros, dos quais seis são indicações do STF, OAB e Congresso Nacional juntos, que além disso tem poder para influenciar nas outras indicações. E para completar, no mesmo 31 de dezembro de 2004, Lula assinou também a criação do Conselho Nacional de Justiça, com 15 membros, cujo processo de criação segue o mesmo modelo anterior:

Com a criação desses dois conselhos, aliadas ao fato de ser também o presidente da república quem indica o procurador-geral da república e os ministros do STF, o aparelhamento do sistema fica completo, tendo controle de quem opera e de quem vigia quem opera. E tanto Dilma e Lava Jato quanto Jair Bolsonaro foram pontos fora da curva nesse planejamento. Era para a esquerda ter permanecido no poder, o CNMP e o CNJ deveriam ter atuado para que a Lava Jato nunca tivesse acontecido e Bolsonaro jamais tivesse sido eleito. E chegamos a essa surub@ jurídica exibida até em programação infantil que cada dia mais destrói a até então acreditada democracia brasileira.

A proposta do PL 05/2021 não poderia vir de um deputado federal que não fosse de esquerda, e não é surpresa que tenha vindo de Paulo Teixeira do PT, um notório mau-caráter dado a essas propostas autoritárias fantasiadas de democracia e que, infelizmente conseguem tramitar e angariar simpatizantes debaixo do nariz de uma direita que passa mais tempo se divulgando pela internet do que enfrentando  com veemência esses debates absurdos que invadem as liberdades dos cidadãos e das instituições.

Não satisfeitos com o desempenho do CNMP, criado para tutelar as ações dos procuradores da república, o PL do deputado Paulo Teixeira do PT propõe que a corregedoria do Congresso Nacional tenha plenos poderes sobre o Conselho Nacional do Ministério Público, inclusive com poder retroativo para anular qualquer acordo ou punição fechados pelo CNJ. Traduzindo, essa corregedoria do Congresso poderia, por exemplo, anular todos os acordos de delação premiada feitos pela Lava Jato há 5, 6, 7 anos antepassados.

Esse é o tipo de canalhice que continua sendo perpetrada pela esquerda brasileira em nome da democracia. Eles oferecem controles como garantia de liberdade. Oferecem totalitarismo em nome da democracia. Escravidão ao sistema em nome da cidadania. Poder e corrupção em nome de salvar vidas.

O ritmo de urgência colocado em cima da votação e eventual aprovação do PL 05/2021 deixa claro que prioridades da sociedade como prisão em Segunda Instância e fim do foro privilegiado, há mais de 2 anos paradas na Câmara dos Deputados, não serão apreciadas enquanto não garantirem que o sistema que deveria punir os criminosos estejam totalmente sob controle e as leis sejam alteradas ou reinterpretadas para que crimes deixem de ser crimes, quando se trata de gente graúda.

Se você é do tipo de cidadão que além de reclamar em rede sociais, manda e-mails para seus deputados, esse é um bom motivo para escrever uma mensagem. Se nunca fez isso, taí a oportunidade de começar. Não espere tanto quanto eu esperei para descobrir a importância de um Ministério Público autônomo, independente, que deveria ter sido protegido com cláusula pétrea.

Finalizo deixando a parte inicial da definição da função do Ministério Público em artigo da Wikipédia, cuja leitura na íntegra eu recomendo.

Os crimes não relatáveis da CPI de Renan Calheiros

Enfim, Renan Calheiros vai ler o relatório que já estava pronto desde que a CPI começou. Ou antes dela. Segundo notícias, mais de 1000 páginas de ficção, mais se 60 indiciados, e a cereja do bolo, o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro, o que certamente foi a primeira coisa a ser escrita no relatório, o resto é só encheção de linguiça para não parecer (mais) suspeito.

A peça literária de Renan Calheiros nos traz um apanhado de sandices, como a que identifica 7 núcleos de uma trama que se subdivide em: comando; formulador; execução e apoio às decisões; político; produção de fake news; disseminação e, por último, financiamento. Nada de Covid. Nada a ver com o objeto da CPI. Nada a ver com salvar vidas ou encontrar culpados por mortes. Apenas 7 atos ficcionais para justificar o propósito de incriminar o presidente.

Não é difícil, porém, encontramos na própria CPI uma divisão de núcleos, essa real. Eu chamaria de Inquisição, Acusação, Interrogatório, Achacamento, Promoção de Tumulto, Intimidação e Ameaça, Difusão de Fake News e Vazamentos de documentos sigilosos e Assessoria DA imprensa. Não coloquei produção de relatório porque o relatório já está pronto. Esse é o primeiro caso da história no qual primeiro se inventou o criminoso para depois definir o crime e como ele foi praticado.

O que se pode esperar de uma trupe circense com integrantes do quilate de Omar Aziz(PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Renan Calheiros (MDB-AL), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Rogério Carvalho (PT-SE). E não nos esqueçamos da gralha do Maranhão, Eliziane Gama, responsável direta pelo núcleo de Produção de Tumulto toda vez quem um interrogado é aliado ao governo ou o interrogatório compromete o objetivo do relatório que já está pronto.

Senadores como Omar Aziz, investigado por desvio de pelo menos 260 milhões da saúde do Amazonas, Renan Calheiros, recordista de processos no STF por corrupção e lavagem de dinheiro, com ainda 11 processos ativos, conduzindo um processo investigatório do vulto de uma CPI é  algo que só acontece em um país cuja justiça é cúmplice da canalhice. Não por acaso Renan acusa Jair Bolsonaro de 11 crimes, uma tentativa ingênua de tentar igualar o presidente a ele mesmo. Relaciono e comento abaixo os crimes dos quais o cupincha de Lula vai acusar o presidente:

– epidemia com resultado morte; Bolsonaro inventou o vírus?– infração de medida sanitária preventiva; mais do que decretar emergência sanitária dia 5 de fevereiro de 2020 e mesmo assim prefeitos como o do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador fizeram carnavais com milhões de pessoas sabendo do risco?– charlatanismo; só rindo!– incitação ao crime; alguém viu Bolsonaro sugerindo que alguém cometesse algum crime?– falsificação de documento particular; inventa outra.– emprego irregular de verbas públicas; só se foi dar dinheiro para governadores e prefeitos ladrões.– prevaricação; viu dinheiro público sendo roubado por prefeitos e governadores e não fez nada?– genocídio de indígenas; peça de propaganda internacional, marketing puro.– crime contra a humanidade; se existir é crime contra a humanidade Bolsonaro é criminoso mesmo, seria a única forma dele ser criminalizado.– crime de responsabilidade – por violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo; balela ridícula.– e homicídio comissivo por omissão no enfrentamento da pandemia. Um presidente proibido pelo STF de agir dentro de suas atribuições constitucionais não são e jamais será omissão, o nome disso é invasão competência de um poder sobre o outro.

Não há possibilidade do ministério público dar andamento a independentemente do resultado do relatório de Renan Calheiros. E ele sabe disso. Mas sabe também que pode contar com a imprensa militante para martelar toda essa mentirada fantasiada de “salvar vidas”tanto no Brasil como na imprensa internacional, não importa o preço que o país pague por essa insanidade.

Não haverá nenhuma contribuição ao Brasil vinda da CPI de Renan Calheiros. Em nenhum momento essa comissão dos integrantes que a conduzem de se estabelecer alguma verdade sobre o enfrentamento da Covid no país. O enfrentamento sempre foi político, e do estilo mais sujo que se pode fazer política. Mas ali no G7 são todos sujos. Não se pode esperar nenhuma recaída de honestidade ou bom senso vindo dessas pessoas, muito menos algo que seja realmente de interesse da sociedade.

Mas, por incrível que pareça, há o que se tirar de bom dessa CPI, e não é pouca coisa. Ali muitas faces se revelaram, se tal forma que é quase impossível associar alguma verdade vinda dos senadores opositores. E o que era para desgastar a imagem do presidente teve efeito contrário, desgastando (em vários casos ainda mais) a imagem desses senadores. Quem confia em uma palavra sincera de Omar Aziz, Renan Calheiros ou Randolfe Rodrigues? Quem acredita que Otto Alencar, Humberto Costa ou Eduardo Braga  pensaram no número de mortos exceto na hora de imprimir as plaquinhas fúnebres que mostravam diariamente essa contabilidade para gerar empatia? Quem acredita no patriotismo de Alessandro Vieira, Eliziane Gama ou Rogério Carvalho?

E para finalizar, o último lado bom: a CPI acaba. O circo vai recolher a lona. Seremos privados dos capítulos diários do mais grotesco dos folhetins já produzidos pela política nacional. E agradeçamos que os atores são todos canalhas declarados, de quem realmente não se poderia esperar muito.

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Você precisa morrer, entenda isso.

Vivo, se não for famoso, você não vale uma manchete de jornal. Morto, dependendo da causa e do interesse em torno dela, você se torna uma celebridade. Lembremos o caso da professora Heley de Abreu Silva Batista, que morreu salvando alunos do incêndio na creche. Uma heroína de fato, que tratou com seriedade o conceito de “salvar vidas”, dando a sua para isso. Mas quantos outros heróis em idêntica situação salvaram vidas, ficaram vivos e nunca soubemos quem são?

Para a imprensa que comenta política e cotidiano social, pessoas comuns vivas servem para gerar notícias que causem comoção. Por mais evoluídas que as sociedades sejam, a miséria humana ainda desperta o mesmo interesse de centenas de anos atrás. Programas de TV como o apresentado por José Luís Datena, que deste patamar de atividade se acha qualificado para disputar a presidência da república, explora diariamente a desgraça humana, promovendo a criminalidade enquanto bravateia sob os olhares de amedrontados espectadores empáticos às vítimas desse panfleto televisivo. A imprensa vive da desgraça porque o povo gosta dela.

Quantos jovens morrem por dia no Brasil?

Há, no entanto, outro ponto de vista que pode ser ainda mais perverso, que não torna um morto uma celebridade, mas um fato inclusive aguardado. Quando se trata de gestão governamental e comercial, até às pessoas famosas não são nada além de números. Somos números, que nascem, morrem, compram, vendem, se associam, trabalham, pagam impostos sendo observados e analisados estatisticamente, friamente, como inclusive deve ser mesmo. Ninguém olha para um dado estatístico sobre crianças de 4 anos e diz “que lindinhas!”. É apenas uma sequência numérica que aumenta ou diminui em função de um sem número de fatores. Não gera empatia. Ninguém chora quando pega um relatório que aponta que a violência gera 64 mortes por dia.

A sessão da CPI de ontem, 18 de outubro de 2021, foi um festival fúnebre com o objetivo de inverter o processo. Expôr a dor individual das famílias foi uma tentativa de transformar a estatística e coisa pessoal. É como se a CPI tivesse dado voz à alguns dos números das plaquinhas/lápides que deciravam as mesas de alguns senadores com a  contabilidade dos mortos pela Covid. A tristeza alheia fazendo a alegria dos senadores.

Você, e eu também, precisa morrer para que a injustiça social continue gerando notícias e riqueza, lícitas ou não. Pessoas precisam continuar sendo assaltadas, estupradas e assassinadas para que os Datenas da vida possam existir, pois, não passam de apresentadores de circo de horrores. Nós precisamos morrer para que políticos possam continuar enriquecendo do desvio do dinheiro do pagador de impostos que deveria ter ido para a educação, para a saúde, para evitar que as pessoas continuem sendo assaltadas, estupradas e assassinadas.

Nós precisamos morrer porque meia dúzia de lunáticos poderosos no mundo resolveram que a população mundial precisa ser reduzida, e para eles tanto faz se for uma pessoa comum ou famosa; somos apenas unidades dentro de uma sequência numérica que eles entendem que precisa diminuir, mesmo que para isso uma providencial pandemia e uma série de providenciais vacinas experimentais sejam necessárias, um genocídio à prestação com juros altíssimos que através de mortes e passaportes sanitários nos forçam a pagar. A melhor analogia para isso é o embarque dos judeus nos trens sem saber para onde estavam indo. Hoje nós sabemos.

Os políticos precisam de palanques, a imprensa precisa deles e lhes garante esses palanques, não interessa se sejam montados em cima dos caixões de milhares de vítimas, que para eles são só estatísticas. Números. Político não sente dor pela morte de ninguém. Nem nós sentimos. Quem chorou cada uma das 600 mil mortes? Quem chorou a morte dos desconhecidos? Eu vivenciei de longe, e com bom atraso, a morte do filho de uma ex-colega de faculdade, criança de 4 anos, vítima da Covid. Me comoveu obviamente. Mas quantos milhões de brasileiros mais viveram a dor dela? Qual senador dessa CPI teve a nobreza de endereçar-lhe uma carta de condolências? Nenhum, claro. O filho da minha amiga é só um número em uma sequência de milhares de números. A dor da minha amiga é só um dado percentual para eles.

Nunca foi tão difícil ficar vivo.

É fato que haverá um determinado momento do mundo em que sua capacidade de abrigar pessoas terá um limite. Muitas culturas ainda têm muitos filhos, e lá na frente o planeta terá que conseguir alimentar uma população gigantesca, sendo que isso já é um problema enorme nesse momento. Mas não é aceitável que esse equilíbrio seja buscado pela mortandade através de guerras biológicas, econômicas ou armadas. Não é aceitável que um mísero vírus tenha colocado o mundo de joelhos, a menos que essa fosse a exata intenção.

Temos que permanecer vivos, e ativos. Porém, é inaceitável e inegociável que nossos direitos fundamentais sejam suprimidos a troco de pagar essa conta. A liberdade é inquestionável, de ir e vir, de livre manifestação e pensamento. Esse é o único jeito de continuar vivo.

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Relatório da CPI da Covid – As confissões de um canalha.

O indiciado que indicia. Esse é Renan Calheiros, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro em 11 ações no STF. Réu no processo em que a Mendes Júnior pagava a pensão da filha que ele teve fora do casamento, que inclusive o tirou da linha sucessória da presidência da república e só não o tirou da presidência porque ele ignorou a ordem judicial dada por Marco Aurélio Mello e acabou sendo salvo pelos outros ministros.

Em 11 de janeiro de 2019, quando se esboçava a disputa pela presidência do senado, escrevi em meu site o artigo abaixo”Renan Calheiros não cabe mais na república. Ele acabava de ser reeleito para mais 8 anos de mandato por Alagoas, e o filho reeleito para mais 4 anos como governador. E queria novamente a presidência do Senado Federal. Entretanto, quando viu que a rejeição ao seu nome ficaria estampada na história da casa como uma derrota, estrategicamente fez um discurso de mau perdedor e retirou a candidatura, tendo sido eleito Davi Alcolumbre.

A eleição de Alcolumbre só não foi mais desastrosa para a república porque o eleito foi ele e não Renan. Pelo menos não diretamente, ele nunca deixou de mandar no senado, direta ou indiretamente, e tudo o que é errado ou podre naquela casa legislativa está associado a ele de alguma maneira.

Renan Calheiros sempre foi um homem de bastidores. Sempre frequentou as mesas mais poderosas da república. Quase todos os políticos presos na Lava Jato tem ligações com Renan, por motivos lícitos, ou não. Quase todos os senadores investigados pelo STF são ligados a ele. Doleiros, operadores financeiros, delatores, quase todos eles tinham alguma relação com o senador. Foi ele também, junto com o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que presidia o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, que articulou para que a Constituição Federal fosse fatiada e assim conseguissem preservar os direitos políticos dela.

Renan Calheiros chegou ao Congresso Nacional como deputado federal em 1983, e ao senado em 1995. São 38 anos de congresso, 26 só no Senado Federal. Chegou a ser ministro da justiça de Fernando Henrique Cardoso, vejam só. E desde que chegou à Brasília já traiu Sarney, Collor, Itamar, Lula, Dilma, pois traiu principalmente o povo de Alagoas, porque ele, de fato, nunca fez nada por seu estado, tanto que nem governador de Alagoas ele foi, elegeu o filho, que agora quer tentar eleger como senador.

Aliás, essa possibilidade de 2 membros da mesma família exercerem o cargo de senadores ao mesmo tempo, é uma aberração que precisa urgentemente ser corrigida. Não é justo, lógico ou moral que das 3 vagas que um estado tem direito no Senado Federal, 2 delas sejam ocupadas por membros de uma mesma família, seja qual for o parentesco. Mas quando se trata de mãe e filho, como já aconteceu com Sarney e Roseana, como acontece com Kátia Abreu e seu filho Irajá Abreu e se pretende com Renan Calheiros e Renan Filho.

A CPI da Covid é a última grande encenação de Renan Calheiros, possivelmente seu último grande protagonismo diante dos holofotes. Se Lula não pode sair às ruas, Renan também não pode. Portanto, se Renan pretende ser palanque para Lula em Alagoas, se já não iria quase ninguém é provável que não vá nem um terço disso.

O mais profundo que veremos no relatório que será lido hoje por Renan Calheiros não tem nada a ver com os crimes e indiciados que ele irá apontar, mas com o grau de confissão de sua má-fé e total desinteresse pelo Brasil e pelos brasileiros. A índole sem caráter desse senador estará explícita em cada linha, em cada parágrafo, um relatório quase autobiográfico de sua capacidade de ser canalha.

Se o grande objetivo de Renan Calheiros com essa CPI era desgastar a imagem do presidente, ele não conseguiu. Ao contrário, fortaleceu. Mas o estrago que ele fez à própria imagem, reafirmando sua postura de cangaceiro e traidor, será irreversível e altamente negativa para qualquer político que aparecer associado a ele.

A CPI da Covid cometeu diversos crimes, onde se inclui o próprio relatório, recheado de acusações falsas, infundadas, distorcidas, reinterpretadas, e que nunca tiveram nada a ver com salvar vidas, muito menos preservar vidas. Nenhum governador ou prefeito foi sequer ouvido pela CPI. Ninguém ligado ao consórcio nordeste foi ouvido, crime de prevaricação. Coação, coerção, ameaça, desrespeito, achacamento, humilhação, calúnia, difamação, falsa acusação de crime, vazamento de documentos sigilosos…

A CPI é cara de Renan Calheiros, suja, sórdida, quadrilheira, chantagista, ameaçadora, criminosa, corrupta, e complemente desinteressada pelas vidas perdidas sob cujos caixões sapatearam por 6 meses tentando garantir que o Brasil não avance na agenda que pretende eliminar políticos como esses. E é através da renovação no Senado, que é possível de fazer já em 2022, que uma nova mentalidade pode ser implantada nessa casa legislativa, reequilibrando os poderes no congresso e também diante do judiciário. Mas esse é assunto para outro artigo.

Que ninguém se impressione com o que será lido hoje por Renan Calheiros! Serão apenas canalhices, Renan dando o melhor do pior que tem para dar.

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Quando um primo fede e o outro cheira

Ando com nojo de comentar a política brasileira. Estendo até para a política mundial, mas vou ficar só no que acontece no Brasil.

Lamento pelos jornalistas que tem que escrever diariamente para garantir seus empregos, mesmo que isso signifique mentir, inventar, aumentar e ser criativo o suficiente para fazer isso dia após dia como se fosse a primeira vez, para si e para quem o lê, ouve ou assiste.

O que de novo pode-se falar sobre Renan Calheiros, Lula, Gilmar Mendes, Doria, Ciro Gomes, Sérgio Moro, Alexandre de Moraes? Nós sabemos de tudo, quem é amigo de quem, quem defende quem, quem protege quem, quem é protegido por quem, quem se articula com quem… Sabemos os crimes, os artigos, as penas, que juiz do supremo cuida do caso de quem, quem já soltou bandido na canetada monocrática, quem já cometeu abuso de autoridade, ilegalidade, inconstitucionalidade; sabemos ou não sabemos? Mas e daí? O que tem, de fato, mudado a nossa vida com tanto saber?

Há 2 anos e 10 meses vemos o Congresso Nacional (especialmente nós dois primeiros anos) e o Supremo Tribunal Federal perverterem as leis e impedirem que grandes reformas estruturais para o país fosse adiante. Sabotagem política de todos os lados, incluindo a bancada de apoio e alguns ministros, que depois se afastaram do presidente ou foram extirpados do governo, agentes do caos como Santa Cruz e Mandetta. Mas, não bastava. Precisava vir ainda uma pandemia que empoderasse também governadores e prefeitos, esvaziando a capacidade de agir do presidente da república e jogando nas suas costas todas as responsabilidades. Acusações irresponsáveis e ativistas como o “desgoverno” dito pela ministra Cármen Lúcia sobre o atual governo.

O plenário do STF também tem o seu G7. O G é se Gilmar mesmo, e o número se refere aos 7 sabujos que estão lá para fazer política ao invés de justiça. Se pudessem estariam vestidos de togas brancas como os senadores romanos, e copiava o que o imaginário e a arte definiam como vestimentas dos deuses em pinturas ou esculturas.

Confesso que por muito tempo entendia que ministros do STF penam que são deuses. Entretanto, os últimos dois anos me fizeram repensar essa visão. Não há mais auto-endeusamento no STF. Eles sabem exatamente o são. Sabem que seus poderes são organizacionais e não divinos. Atuaram nos últimos dois anos sob um plano detalhadamente traçado e seguido à risca, e ainda ganharam uma pandemia para ajudar a atrapalhar melhor. Deram o melhor do pior que tinham para dar.

A política do Brasil sempre viveu do atraso. Promessa dá mais voto que realização porque é renovável, dá para viver uma vida política inteira só prometendo a mesma coisa, um dia ela acontecerá, um dia. O nordeste foi a região mais castigada pela promessa. Milhões de pessoas mantidas na miséria para que a promessa de melhor a vida delas pudesse ser renovada na eleição seguinte. Perguntei-se, no entanto, quantos políticos ou juízes conhecem de perto a realidade dessas pessoas? E se conhecem, como dormem tranquilos sabendo que estão enriquecendo dessa miséria humana? Perguntas retóricas, bobas, eles mais estão nem aí.

Mas também assusta como nós, que aparentemente estamos aí, também não encontramos coragem para um enfrentamento mais duro do que manifestações presenciais eventuais e despejos de indignação nas redes sociais. E essa letargia nos deixa cada dia mais vulneráveis aos controles, às censuras, aos custos do caos que esse sistema arbitrário de fazer leis e fazer cumprir as leis, nem que precise reiterpretá-las para o plano dar certo, fazendo com que mesmo que sejamos muitos, ainda somos fracos. Reunimos vozes, mas não conseguimos reunir força. Sem força não conseguimos enfrentar o sistema.

As eleições de 2022 serão as mais sujas da história brasileira. A começar pela hipótese de um condenado em três instâncias da justiça, ex-presidente ex-presidiário com mais de 3000 provas atestadas por 10 juízes diferentes, 2 em colegiado, estar participando como candidato a presidente após os juízes do STF terem jogado a constituição no lixo e assim reabilitado o meliante. Só isso já resumiria a precariedade da nossa democracia, mas isso é só o começo.

Uma reforma eleitoral vagabunda, um verdadeiro deboche com o cidadão/contribuinte/eleitor, que, entre outras coisas, traz de volta a indecência das coligações, cria um libera geral no uso do fundo partidário e não mexe em questões essências como o imoral quociente eleitoral, responsável pela eleição de 486 deputados federais eleitos graças a ele, já que somente 27 se elegeram com seus próprios votos. De modo que com a regra atual corre-se o risco de nem 27 conseguirem ser eleitos com seus próprios votos.

E só para finalizar essa conversa, o que dizer do Moraes mandando prender Alan dos Santos? Bem, eu digo. Vozes da minha cabeça apenas. Esta semana foi preso um poderoso traficante conhecido no RJ (Rio de Janeiro), como Imperador do Amapá. Logo 5 dias depois foi preso por envolvimento com tráfico de drogas Isaac Alcolumbre, cuja investigação começou quando André Mendonça era ministro da justiça. Isaac é primo de Davi Alcolumbre e tem sua esposa nomeada no gabinete do senador que, misteriosamente, não quer marcar a sabatina de André Mendonça. Além disso, a Polícia Federal apreendeu grandes quantidades de drogas no último mês, aí o PCC não aguenta tanto revés e parte para cima afrontando o governo e seus apoiadores com seu poderoso braço jurídico. E tem gente que não entende que vivemos num narco-estado sob uma ditadura policialesca.

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O que veio primeiro, a lei ou o crime?

Pode um juiz tirar de sua cabeça um crime para o qual não há lei que o enquadre como crime? Pode uma pessoas ser acusada por um crime que não existe? Afinal quem serve a quem? A lei serve ao juiz ou o juiz serve à lei?

Nosso Código Penal em seus artigos 1° e 2°  prevêem o seguinte:

1º – Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. Art. 2º – Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

Quem veio primeiro, a lei ou o juiz? Foi a lei que definiu as atribuições e regulamentações da justiça, portanto da existência dos juízes, ou foram os juízes que difiniram as leis e suas próprias atribuições?

Penso que a respostas são óbvias até para quem nunca pensou no assunto. Uma constituição é elaborada por congressistas constituintes e não por juízes. É a constituição que estabelece todo o conjunto de leis e penas inerentes a elas, pesos e contrapesos, em todas as áreas da sociedade, pública ou privada. Dentro deste conjunto está a criação do cargo de juízes, das instâncias em que atuam, da maneira como o cargo e as instâncias são exercidos e administrados, o que podem e o que não podem fazer. E não está nas atribuições de um juiz criar leis, muito menos crimes.

Juízes foram criados para garantir o exercício da lei como ela foi definida pela Constituição, o mais ao pé da letra possível. Juízes não são anteriores ou contemporâneos às leis, mas um dos resultados delas, para que funcionem. Ninguém está acima da lei, principalmente e especialmente quando a lei não existe.

Ainda pagaremos caro pela leniência com os absurdos praticados pela atual composição do Supremo Tribunal Federal, em colegiado, monocráticante e, pior, por omissão. Estamos assistindo a invasão de nossa liberdade e privacidade como se fosse um filme ou uma novela, algo que só acontece com os outros.

Ei! Acorda aí! O que esses caras estão fazendo dizem respeito a você, à sua liberdade, ao modo de vida que você conhece, ao seu direito de ler o que escrevo e opinar a respeito disso do jeito que quiser. Esses caras estão acabando com nossa liberdade, destruindo o que tem de mais básico na democracia. E do jeito que tá indo, vai chegar em você, pode chegar a mim só por ter me atrevido a escrever esse artigo e ter feito ele chegar até você.

A diferença atual entre a verdade e a mentira é o que a cabeça de um juiz decidir que é uma coisa e outra, mesmo que ele, além de infringir a lei, esteja mentindo para te fazer acreditar nisso. Temos visto isso fartamente em decisões de julgamentos, interpretações das leis, inquéritos ilegais e inconstitucionais, perseguições, tudo sob a fachada do “salvar vidas e salvar a democracia”.

Sim, a democracia está em risco, mas nas mãos de quem só está onde está para garantir que ela exista, o que não se resume ao judiciário, nesse aspecto todos os poderes da república tem a mesma obrigação. A diferença é que o executivo só consegue subverter a democracia se for um poder totalitário ou se cooptar o judiciário através da força, da corrupção ou do aparelhamento, o que não é o caso do atual ocupante da presidência da república. Muito pelo contrário. Já encontrou o judiciário aparelhado.

A despeito do que pensamos a respeito das pessoas, não podemos fingir que não estamos vendo o que está acontecendo com o jornalista Alan dos Santos, com o presidente de um partido político, Roberto Jefferson, com jornalistas como Oswaldo Eustáquio e Wellington Macedo, com Sara Winter, com Daniel Silveira, deputado federal no exercício de seu mandato e munido de imunidade parlamentar. Assim como não dá para fingir não ver que diversas pessoas tiveram busca e apreensão em suas casas, canais desmonetizados, empresas como o Terça Livre fechadas, sem que nenhum dos envolvidos conseguisse saber sequer o que constava no processo contra eles ou saber que os crimes dos quais são acusados não existem no ordenamento jurídico brasileiro.

Amigo, amiga, isso vai chegar mais forte até nós todos, porque já chega e a gente tá fingindo que não vê. Se uma publicação ou postagem de alguém não chega até você porque foi censurada por alguma plataforma, sua liberdade já foi afetada. Se o direito de alguém expressar sua opinião livremente foi tolhido pelos termos de uso e política de privacidade ou pela canetada se um juiz, a sua liberdade, é você mesmo, já foi afetada. Tiraram de você o direito de receber aquela informação e a liberdade de decidir o que fazer com ela.

Não é pelo Alan dos Santos, com quem nem simpatizo. Não é por Roberto Jefferson, em quem não confio. Não é por Oswaldo Eustáquio cujo estilo de jornalismo eu nem gosto. Não é por Wellington Macedo, que eu mal conhecia. Nem por Sara Winter que acho uma tola. E nem é por Daniel Silveira por ser de direita. É porque se não pararmos de fingir que essas coisas estão acontecendo com eles, não conseguiremos fingir quando acontecer a cada um de nós.

É preciso que o Brasil volte a ter ordem se quiser ter progresso. O problema é que não permitem a ordem porque o progresso oriundo dela reelege Jair Bolsonaro com mais facilidade ainda. E já não se importam mais com as leis. O que importa é atingir o objetivo de sufocar um movimento genuíno do povo brasileiro, de querer um país com liberdade, com democracia de fato, com um estado que promova desenvolvimento social ao invés de escravizar a sociedade sob um regime autoritário que só se instala e sobrevive através da opressão do estado sobre o cidadão.

Na verdade, o que veio primeiro não foi a lei e nem o juiz. A lei criou o juiz mas não deu a ele o poder de criar lei, muito menos o direito à interpretação criativa das leis, menos ainda de se valer delas para perseguir inimigos ou adversários. Por isso a lei não deu aos juizes o direito de exercerem atividades políticas e partidárias, mesmo que os atuais o façam descaradamente. E quando juízes ignoram a lei com a desfaçatez que vemos atualmente, eles ignoram, mesmo, a nós, cidadãos, que somos a verdadeira origem das leis, legítimos mandatários do poder que cria as leis que criam juízes. Mas parece que até nós mesmos esquecemos disso.

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Você acredita em disco voador? E em Deus?

Alguma vez você já parou para pensar na sorte que nós temos? Não estou falando de sorte do dia a dia, de ganhar ou achar coisas, de ser selecionado para um emprego ou ter um parceiro ou parceira bonita, nem mesmo de ficar livre de um acidente ou de alguma doença. Estou falando de uma espécie de sorte muito, além disso.

O universo tem bilhões de galáxias, a Via-Láctea, onde está nosso planeta, é só uma delas, e uma das menores. Nosso sistema solar tem 8 planetas, sendo a maioria planetas gasosos, alguns gelados pela distância do sol, e apenas à Terra e Marte rochosos. E só o nosso se encontra em uma zona habitável em relação ao sol.

Pouca gente sabe que Júpiter, o maior planeta do nosso sistema, com seu poderoso campo magnético é um verdadeiro escudo para à Terra, pois atrai para si a esmagadora maioria dos meteoros e detritos espaciais, livrando e protegendo à Terra desses impactos. E poucos sabem que por sua composição Júpiter deveria ter sido um sol, que não deu certo, pois se tivesse acontecido eu não estaria aqui escrevendo e nem você lendo, a vida na Terra seria impossível.

Temos apenas um satélite natural, a nossa Lua, da qual só vemos só um lado, por sua rotação ser sincronizada com a da Terra. Porém, esse lado que nunca vemos, é recheado de marcas de impactos de asteroides e meteoritos que, não fosse a Lua, que nem gravidade ou campo magnético tem, cairiam aqui na Terra.

Além de Júpiter, à Terra é o único planeta no nosso sistema que tem um campo magnético que nos protege dos efeitos devastadores dos raios solares. Tem também uma atmosfera densa composta de elementos que filtram os raios solares e mantêm presos ao planeta todos os gases essenciais para a existência de vida.

Junto com a influência da Lua, a velocidade de rotação da Terra, 1.700 quilômetros por hora na região da linha do Equador, é responsável por termos uma situação climática que inibe a formação de grandes tufões e furacões, pois essa combinação impede a formação desses eventos naturais com mais violência, como acontece em Júpiter, por exemplo, com seus tufões e furacões permanentes com velocidades de até de 600 quilômetros. Já imaginou uma ventania de 600 quilômetros por hora? E além de girar em volta de si mesma a 1700 quilômetros por hora, à Terra ainda gira em torno do Sol a nada menos que 107.000 quilômetros por hora.

Consegue imaginar isso? Uma esfera gigante com 6300 quilômetros de raio girando em volta de si mesma a 1.700 quilômetros por hora e em volta do Sol a 107.000 quilômetros por hora e nós dentro dela?

Com toda a inteligência e tecnologia que temos, até hoje não encontramos vida inteligente em nenhum outro lugar que já conhecemos do universo. Nem mesmo uma amebazinha para contar a história, ainda que possam existir em outros lugares.

Ninguém sabe explicar ao certo, até hoje, como temos água na Terra, elemento essencial à vida como conhecemos. A ciência é incapaz de explicar como essa água toda veio parar aqui.

E falando em água, e apesar de toda a poluição que já foi jogada nela, é um elemento indestrutível, apenas alterando sua composição entre sólida, líquida ou gasosa. Simplesmente não dá pra destruir a água.

A geografia terrestre também é fundamental para nossa vida. Ao contrário de outros planetas, onde há chuvas que nunca param, e que não são formadas de água, mas de metano, enxofre, nossas chuvas são formadas apenas de água e espaçadas conforme as estações do ano. E é graças à inclinação entre 22 e 24 graus (variável a cada 41 mil anos) no eixo da terra, associada ao giro em torno de si mesma e em torno do Sol que temos a primavera, verão, outono e inverno, o que também é diferente da maioria dos outros planetas do nosso sistema solar, que não são divididos pelas estações do ano como aqui.

Nosso relevo, com planícies, planaltos e montanhas, é fundamental para que rios corram e transportem a água pelos continentes permitindo que a vida se estabeleça neles, seja a vida animal ou vegetal. E graças a tudo isso é que temos essa incontável diversidade de espécies e alimentos, inclusive nos oceanos.

É muita sorte né? Mas não é.

O nome de tudo isso não é sorte. É Deus.

Ainda que diante de toda infinidade e tamanho do universo seja matematicamente possível que todas essas coincidências aconteçam em um único planeta, estatisticamente falando não seríamos o único planeta a ter todos esses elementos reunidos para possibilitar a existência de vida, seja ela humana ou vegetal. E mesmo os planetas descobertos com características muito semelhantes às da terra, alguns não estão em uma zona habitável em relação ao seu sol, ou não reúnem em sua atmosfera os elementos que poderiam possibilitar a existência de vida como a nossa.

O que explica isso tudo se não um Deus? O que explica isso tudo se não uma força criadora que promoveu todo esse equilíbrio para que pudéssemos estar aqui e nos deu a capacidade de conhecer e interpretar todas essas informações – e eu não sou nem cientista, nem estudioso do assunto.

Se não sabemos o que Deus estava fazendo antes de criar o universo, a ciência também não explica o que havia antes do Big Bang. E não importa tudo o que já sabemos a respeito do universo em que vivemos, o fato é que o equilíbrio desse universo, com seus bilhões ou trilhões de galáxias e incontáveis estrelas e planetas, que nos permite estar aqui, o que torna muito simplório dizer que tudo é fruto de mera coincidência.

Talvez você não acredite em Deus, como eu já não acreditei por muito tempo. Talvez você não tivesse reunido tantas informações para tentar apenas imaginar como tudo no universo funciona em perfeito equilíbrio, ou questionar como isso é possível. Mas é. Tanto que estamos aqui.

Não vou te convencer da existência de Deus, nem que tudo o que eu disse seja obra dele. Mas afirmo que se tudo o que sabemos e conhecemos é apenas resultado de um caos que começou e se estabilizou sem explicação, somos seres à deriva, sem motivos para pensar no futuro próximo ou distante, sem justificativas para sermos humanos e solidários, sem razões para querer saber de onde viemos e para onde vamos.

A ciência não explica o que existia antes do Big Bang, assim como a religião não explica onde estava Deus antes da criação do universo. Mas se ficarmos com o Big Bang como teoria da nossa existência, a vida se torna sem sentido e sem propósito. E é exatamente Deus que dá sentido e propósito às nossas vidas e nos faz muito mais importantes do que a hipótese de sermos apenas resultado de tantas coincidências.

Não sei se você crê em Deus, ou se algum dia já parou para pensar nisso tudo que eu disse com as informações dispostas dessa maneira. Em relação ao tamanho do universo somos menores que um átomo, muito menos significativos do que um grão de areia no deserto. E mesmo com tudo o que já sabemos, diante de tanta grandeza, não sabemos nada, e continuamos procurando nossa origem fora do planeta, fora no sistema solar e nem no interior da Via Láctea conseguimos chegar ainda. Contudo, penso que temos procurado muito pouco nossas origens dentro de nós mesmos, que é o único lugar onde Deus nos responde.

Sim, somos seres de sorte por tudo isso. E, até então, aparentemente, somos os únicos seres de sorte no universo, ávidos por conhecer alienígenas e reticentes por conhecer Deus, que, para mim, continua sendo a única resposta plausível para tudo o que conhecemos, com a grandeza, beleza, complexidade e equilíbrio que conhecemos, a começar por nós mesmos.

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Brasil: de narco-estado à narco-nação

Felizmente esse caminho ainda não está completo. Porém, é esse. E o único obstáculo atende pelo nome de Jair Bolsonaro. No cenário atual, qualquer outro nome que se candidatar à presidência, inclusive do ex-juiz, leva a esse caminho. Não adianta nada fingir atacar o tráfico na operação e ao mesmo tempo proteger as autoridades envolvidas com ele como se fossem coisas distintas, pois, dando certo, num dado momento nem combate às operações do tráfico aconteceriam mais, e aí teremos nós transformado em uma narco-nação.

Mas qual a diferença entre narco-estado e narco-nação? É muito simples. Narco-estado é aquele no qual o tráfico de drogas está infiltrado na política e no judiciário, interferindo legalmente, e essa é a grande jogada desse povo, nas decisões do país. E nós transformamos em uma narco-nação quando as drogas são incorporadas ao cotidiano das pessoas, primeiro descriminalizando o consumo, depois o cultivo, depois a comercialização.

Mesmo tendo um presidente opositor a essa narco-agenda, que não é só brasileira, é mundial, já estamos avançados na implementação dela. Prova disso, por exemplo, é que em um dos canais de sucesso no YouTube, um dos apresentadores, fuma maconha diante dos entrevistados, faz apologia ao uso de drogas, e tudo é tratado na maior normalidade do mundo, por quase todos, entrevistados e audiência. E é esse tipo cada vez mais crescente de leniência que nos levará a ser uma narco-nação de fato. Em outros tempos, esse estúdio já teria sido mapeado pela inteligência da Polícia Federal e recebido uma carreata de Uber Black em dia de gravação.

Durante a pandemia o STF soltou mais de 35 mil presos, a pretexto sabe-se lá de que, ou porquê, ou quem sabe até por quanto. Tiraram bandidos das cadeias para não pegarem Covid, sendo que nos presídios, até a última informação que eu tenho, o índice de contaminação pelo flango flito foi menor do que do lado de fora deles. Entre os libertados, diversos líderes das facções criminosas, sendo André do Rap o mais famoso deles, ou pelo menos o que mais repercutiu. Mas não fica nisso, claro. As evidências do poder do crime organizado se espalham pelas instâncias do judiciário e do legilslativo, havendo inclusive parlamentares eleitos com dinheiro do tráfico e agindo como legítimos representantes dele. Quer mais? Ninguém explicou porque o ministro Fachin, em nome da pandemia, proibiu ações policiais apenas nas favelas do Rio de Janeiro. Por que só no Rio de Janeiro? Os milhões de moradores de outras favelas do Brasil não pegam flango flito? São imunes? O vírus não gosta deles?

Lula e José Dirceu não foram soltos apenas porque teriam o que dizer contra ministros do STF. Ele foi solto porque essa gente precisava deles para liderar o enfrentamento a esse governo e a essa agenda maldita. Basta ver como o tema das drogas está presente nos discursos de Lula. Basta ver como ele entende e trata a criminalidade de modo geral.  Basta ver as alianças que ele está fazendo, com quem anda falando, quem ele anda apoiando, exemplo disso Marcelo Freixo ao governo do Rio de Janeiro.

A esquerda no congresso defende aberta, raivosa e insistentemente as pautas que estão ligadas à ruptura social que leva à facilitação para que o que entendemos como crime deixe de ser crime, defesa essa que encontra eco também na cabeça de muitos magistrados: descriminalização das drogas, aborto, destruição da família, transformar pedofilia em doença ao invés de crime, proteger estupradores, desarmamento, fim das polícias, e por aí vai. Tudo isso fazendo parecer aos incautos que trata-se de progressismo, de esquerdismo, quando não passa de puro banditismo praticado no seu mais alto grau. E não agem sozinhos. Instituições como a OAB e diversos procuradores da república não apenas endossam como dão suas contribuições para que a sociedade fique à mercê da bandidagem.

Veja de quem são amigos esses defensores da transformação do Brasil em uma narco-nação: Venezuela, Bolívia, Cuba, FARCs colombianas, todos envolvidos com tráfico internacional de drogas, armas, pessoas e órgãos humanos. Um ministro do STF teve a coragem de afirmar que a Venezuela é uma ditadura de direita.

Todas as vozes conservadoras e de direita estão sendo caladas, censuradas pela imprensa, pelas plataformas de redes sociais e pelo próprio judiciário através de inquéritos e ações ilegais e inconstitucionais, sem que a OAB ou o ministério público tenha saído em socorro da legalidade. É normal?

Vimos a operação Lava Jato ser destruída diante de nossos olhos, com cobertura da imprensa, enquanto deputados e senadores criaram leis como a Lei de Abuso de autoridade, sentaram em cima de projetos como o fim do foro privilegiado e a prisão em segunda instância, e ainda tentaram obter controle sobre o Ministério Público através de um projeto de lei controverso que daria a um conselho composto também por políticos, com poderes até para anular processos retroativamente, tipo anular todas as operações da Polícia Federal e acordos de delação premiada. Felizmente não passou, a despeito de, na minha opinião, muita gente da direita ter defendido por entender o Ministério Público como inimigo, quando o verdadeiro inimigo, nesse caso, é o judiciário que acolhe qualquer palhaçada que esses procuradores fazem. Se o judiciário agir apenas pela lei, em defesa do povo, que é sua função, não haverá espaço para que esse “inimigo” seja bem sucedido nas suas empreitadas.

Passa da hora de tirarmos as vendas dos olhos e enxergarmos o cenário feio como ele é. E é muito feio.

Não sei explicar exatamente porque  poucos articulistas comentaristas tem falado tão abertamente sobre esse assunto quanto eu falei aqui. Talvez medo de represálias, cancelamento ou até porque não enxergam o tema da mesma forma que eu, que posso até estar errado, ou medo de cadeia mesmo, porque quem tem grande alcance na mídia, que não é o meu caso, fica mais sujeito a ser penalizado pelos agentes dessa agenda socialmente caótica.

Fiz um apanhado raso da situação. Comentei apenas sobre o que é comentável por qualquer um que consiga juntar A com B através dos fatos, mas o buraco é profundamente mais embaixo. Não dá para lidar com isso tudo somente com retórica. Tem que ter força e disposição para enfrentar o sistema, e quem se atreve a isso precisa ter o respaldo da maioria da sociedade, caso contrário será dominado pela minoria doutrinada e associada a todos esses movimentos que visam dar o último passo na direção de uma narco-nação através das eleições para presidente. E então digo novamente: hoje, só Jair Bolsonaro tem disposição para tal enfrentamento, e é por isso que querem a todo custo tirá-lo já da presidência do Brasil ou no máximo inviabilizá-lo para 2022. E arrisco dizer que a qualquer custo, inclusive a vida dele, como já tentaram uma vez.

Portanto, se você não quiser se transformar em um narco-cidadão de uma narco-nação governada por um narco-estado, amplie sua visão dos fatos e faça suas escolhas, pois o caminho imposto por essa agenda não tem retorno, ou só é possível ao custo de muitas vidas. Não custa lembrar que o ex-presidente da maior nação do planeta, além das fraudes eleitorais, sucumbiu ao sistema porque sua sociedade sucumbiu primeiro.

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Ele não está sorrindo para você. Está rindo de você.

É inegável que a Operação Lava Jato, comandada por Moro quando era juiz da 13 Vara Federal de Curitiba, revelou ao Brasil a extensão da podridão da política e do empresariado brasileiros, expondo e prendendo políticos e empresários que, durante décadas, roubaram deslavadamente a jato o dinheiro dos pagadores de impostos para financiar campanhas eleitorais e enriquecer ilicitamente.

Talvez poucos conheçam com tantos detalhes os meandros do funcionamento da política no Brasil como Sérgio Moro, o que me leva a perguntar o porquê dele ter largado a toga para se enfiar de cabeça nela. Hoje me acho muito ingênuo em ter acreditado que ele aceitou ser ministro da justiça do governo Bolsonaro por “entender” que dali conseguiria fazer mais pelo Brasil do que fez quando estava sentado na cadeira de juiz federal em Curitiba.

Confesso, inclusive, que minha ingenuidade não parou aí. No dia que Moro fez a coletiva informando sua saída do ministério, levantando suspeitas sobre o presidente, eu fiquei abalado. Até aquele momento, mesmo com algumas dissonâncias e deslizes demonstrados enquanto ministro da justiça, ele ainda gozava da minha credibilidade, e vindo dele tais insinuações e suspeitas, fiquei em alerta. Felizmente, a realidade não demorou a se impor, e foi fundamental para que eu ampliasse minha confiança em Bolsonaro.

O discurso de filiação de Sérgio Moro ao Podemos revelou que ele não deve ter prestado muita atenção em como realmente funciona a estrutura dos poderes no Brasil. Penso que ele não teve capacidade de avaliar o que é ser presidente da república com os poderes gerados pela aliança entre o judiciário e o legilslativo, ou, se preferir, entre os bandidos e os juízes. E se eu fui ingênuo em acreditar que ele queria ser ministro da justiça para combater a corrupção, hoje o ingênuo foi ele ao fazer um discurso prometendo coisas que, com esse jeito congressual e judicial de ser do Brasil, são praticamente impossíveis de serem mudadas pela ação e bons propósitos de um presidente da república. Se assim for, o ex-juiz será engolido pelo sistema sem relutância, ao contrário de Jair Bolsonaro que pelo menos entende e aceita o embate como ele realmente é.

Mas Sérgio Moro não é ingênuo, longe disso. E eu não consigo nem definir exatamente o que ele é. Não é mais juiz, mas também não é político. E se esse mix de não ser nem uma coisa nem outra agrada quem aposta nele como alternativa para o Brasil, desagrada tanto eleitores da direita quanto da esquerda. Os de direita porque entendem que os problemas do Brasil não serão resolvidos com discursos cheios de chavões, acenos à imprensa e propostas inexequíveis no nosso sistema republicano. Os de esquerda porque, acima de tudo, foi ele quem mandou Lula para a cadeia e expôs as vísceras da corrupção institucionalizada implementada pelo lulopetismo e seus puxadinhos mediante o direito de roubar dado a todo e qualquer que se dispusesse a prestar vassalagem e pagar comissão ao PT quando esse detinha o poder.

Não adianta fingir que ri da própria voz quando no fundo é da voz do povo que ele está rindo. Moro deixou de ser herói no dia que tirou a bunda da cadeira de juiz. Deixou de ser juiz para ser julgado e considerado suspeito por prender o ladrão com quem agora ele quer um pacto de não agressão, como se Lula fosse mesmo cumprir algum tipo de pacto proposto por ele, mesmo que o foco venha a ser derrotar Bolsonaro.

Aliás, nessa questão, soa inclusive muito estranho que Moro trate Jair Bolsonaro como inimigo e proponha uma trégua ao ladrão cujos crimes ele conhece um a um em detalhes que até hoje nós não conhecemos e talvez não venhamos a conhecer nunca. Como exemplo, a morte de Celso Daniel. Se isso não tira os méritos do que fez como juiz, reduz a zero seus méritos enquanto candidato. Basta ver a situação do Rio de Janeiro onde por décadas governantes fizeram pactos com bandidos. Moro demoniza Bolsonaro, contra quem não conseguiu apresentar uma mísera prova, e afaga Lula, que dispensa mais comentários.

A filiação de Moro ao Podemos revela a proximidade do ex-juiz com o senador Álvaro Dias, que, enquanto candidato à presidente presidência, em um ato patético durante um debate, quase de desespero, anunciou que, se eleito, o convidaria para seu ministério. O ex-comandante da Lava Jato era uma espécie de carimbo de idoneidade, apresentado como um trunfo político por Álvaro Dias, exatamente ele, poupado pelo próprio Moro em investigações que o envolviam com esquemas de corrupção.

Outra pergunta pertinente nesse processo é no que o Podemos contribuiu para o Brasil até agora? O projeto de maior relevância, o fim do foro privilegiado, aprovado pelo senado (com uma pegadinha embutida que proíbe políticos de serem presos se condenados em segunda instância) está há mais de dois anos parado na Câmara dos Deputados e Lira já é a segunda bunda na presidência da casa a sentar em cima dele. Fora isso, de relevante a mencionar, o Podemos é contra praticamente tudo que o governo Bolsonaro propõe, não interessando se o tema é relevante ou não para o país.

Da mesma maneira que ainda tenho muitas dúvidas se Lula será mesmo candidato à presidência, tenho as mesmas dúvidas se Moro será. E se de fato for não será visando a presidência, mas tão somente derrotar Jair Bolsonaro, se permitindo ser usado para tentar dividir a direita, que se mostrou até agora incapaz de focar em um objetivo e permitindo se desviar por narrativas e falácias de toda natureza. Não faz sentido (e acho que não há precedentes na história política do Brasil) alguém que planeja ser candidato ir jantar animadamente na casa de João Doria, na companhia de Mandetta, ambos pré-candidatos declarados ao mesmo cargo, sendo Doria governador do maior estado do país e com fartas demonstrações de como trata seus adversários.

A operação Lava Jato foi para o lixo, e não é Jair Bolsonaro o culpado disso. A culpa está no legilslativo que mudou leis para impedir que novos “Moros” surgissem no Brasil. A culpa é do judiciário que não apenas ridicularizou Moro enquanto juiz como o tornou suspeito de condenar o bandido com quem agora ele quer uma relação de respeito mútuo. A Lava Jato foi para os escaninhos da história porque Moro e Dallagnol já faziam política enquanto juiz e procurador da república, ambos vazavadores informações privilegiadas para sites de notícias “amigos” que lhes davam notoriedade e os alçavam à condição de heróis, e que são agora seus cabos eleitorais declarados.

Se candidato mesmo, Sérgio Moro fará o papel de “coelho” em maratona, aquele que sai correndo em disparada para forçar o ritmo dos adversários e no final sai da frente para que o atleta principal da equipe ganhe a corrida. Sim, eles estão atuando em equipe. E é por isso que eu afirmo que se você o ver sorrindo, não estará sorrindo para você, mas de você.

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