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França deve rejeitar o acordo de livre-comércio UE-Mercosul – Tradução jornal Liberation

França deve rejeitar o acordo de livre-comércio UE-Mercosul - Tradução jornal Liberation

Estes são os brasileiros traidores do Brasil e da América do Sul que assinaram o documento.

O Ministro de Assuntos Exteriores começará, dia 27 de julho, sua visita no Brasil – principal parceiro comercial da França na América Latina. Na linha de fogo está o acordo comercial com Jair Bolsonaro, cujas consequências ambientais e sociais são consideradas inaceitáveis pelas partes signatárias. 

De 27 a 30 de julho, o Ministro de Assuntos Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, se desloca ao Brasil para encontrar-se com as autoridades e empresas. Essa viagem ocorre umas semanas após a visita ao Quai d’Orsay (sede do Ministério da Europa e dos Assuntos Estrangeiros) do seu homologo Ernesto Araújo, e à realização de um encontro internacional do MEDEF sobre as oportunidades comerciais com o Brasil, onde as vantagens de reforma da aposentadoria – que reduz os direitos sociais dos trabalhadores brasileiros – foram evocadas. Os dos países não tinham uma atividade bilateral tão intensa há anos. 

O Brasil está longe de ser o principal parceiro comercial da França na América Latina, com trocas comerciais que ascendem aos 7,5 bilhões de euros, 900 empresas francesas implantadas e grandes perspectivas de expansão apesar da concorrência cada vez mais forte dos atores chineses. Assim, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul é considerado estratégico pelo governo e o patronato. Além de favorecer a importação de matérias-primas para a Europa, deve reduzir consideravelmente as barreiras alfandegárias à exportação de produtos manufaturados. A indústria local, já bastante frágil, será dizimada. O acordo prejudicará altamente ao desenvolvimento econômico e social do Brasil e de outros países latino-americanos. 

Entretanto, Emmanuel Macron parece ter esquecido um detalhe que não tem valor comercial: os danos ambientais irreversíveis causados pelo tratado. Ainda assim, no G20 em Buenos Aires em novembro de 2018, pouco tempo depois da eleição do Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil, ele afirmou que condicionaria a assinatura do acordo à manutenção do Brasil no Acordo de Paris.

Bolsonaro anunciou várias vezes durante sua campanha eleitoral que queria sair dele.  Mas aparamente, saudações entre ministros e chefes de Estado na última Cimeira G20 em Tóquio foram suficientes para o presidente brasileiro convencer da sua vontade de preservar o ambiente. As palavras do Emmanuel Macron ficarão sem sentido se as trocas entre a França e o Brasil se multiplicam. Os volumes de dióxido de carbono emitidos para a atmosfera registrarão a mesma evolução. Nessas condições, a possibilidade dos critérios do Acordo de Paris serem respeitados é muito pequena. 

Esperamos que Jean-Yves Le Drian tenha previsto na sua agenda uma visita à floresta amazônica, onde o desmatamento acelerou de 88% desde 2018, bem como uma visita às tribos índias ameaçadas pelas milícias do agronegócio e aos túmulos das centenas de defensores do ambiente que foram assassinados nos últimos anos (uma cifra que não para de aumentar). Também esperamos que o ministro previu acompanhar durante umas horas os trabalhadores agrícolas empregados nas grandes explorações que dão de comer à Europa, num momento em que a escravidão volta a ser uma realidade e 239 pesticidas (muitos proibidos na Europa) acabam de ser autorizados no Brasil.

A entrada em vigor do acordo amplificará a destruição do ambiente e aumentará o número de mortes decorrentes das atividades do agronegócio. O Acordo de Paris não é uma varinha mágica, apesar do que acreditem alguns negociadores do Quai d’Orsay. Não inclui nenhuma cláusula vinculativa. Mesmo que o Brasil se mantenha no acordo, poderá prosseguir as suas atividades criminais que destroem o ambiente e as pessoas que dedicam a sua vida à proteção dele. 

Para conformar-se aos princípios do Acordo de Paris, é preciso vontade política e um forte compromisso com o combate ao aquecimento climático. Isso notoriamente falta no governo de Jair Bolsonaro. Lamentamos profundamente que o presidente Macron, que fervorosamente pretende ser o líder mundial da proteção ao ambiente, se recusa a reconhecer essas evidências. 

Consequentemente, pedimos à França que rejeite o tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, e condicione a troca entre os nossos dois países à adoção de normas rigorosas em matéria de defesa do ambiente e dos trabalhadores brasileiros. 

Signatários: François Alfonsi, deputado (EELV); Manon Aubry, deputado e copresidente do Partido Europeu GUE / NGL (Esquerda da União Europeia) (FI); Clémentine Autain, MP (FI); Ugo Bernalicis, MP (FI); Benoît Biteau, deputado (EELV); Manuel Bompard, eurodeputado, chefe da delegação não assistida ao Parlamento Europeu (FI); Guilherme Boulos, representante nacional do Movimento de Trabalhadores Sem Teto e ex-candidato (PSOL) nas eleições presidenciais (Brasil); Glauber Braga Membro do PSOL, membro suplente do Comitê de Relações Internacionais e Defesa Nacional (Brasil); Damien Carême, deputado (EELV); Leïla Chaibi, eurodeputada (FI); Fabien Cohen, Secretário Geral da França América Latina (França); Eric Coquerel, MP (FI); Alexis Corbière, MP (FI); David Cormand, MEP (EELV); Humberto Costa, senador do PT e presidente do Grupo do Senado (Brasil); Gwendoline Delbos-Corfield, deputada (EELV); Karima Delli, MEP (EELV); Caroline Fiat, MP (FI); Vagner Freitas, Presidente da Central do Trabalhador do Brasil (CUT) (Brasil); Raphaël Glucksmann, deputado (praça pública); Sylvie Guillaume, MEP (PS); Gleisi Hoffmann, deputado e presidente do PT (Brasil); Yannick Jadot, MEP (EELV); Aurélie Journée-Duez, presidente do Comitê de Solidariedade da Índia das Américas (CSIA-Nitassinan, França); Michel Larive, MP (FI); Marie-Noëlle Lienemann, senadora (GRS); Gilles Maréchal, Presidente da Associação AMAR-Brasil (atores no mundo agrícola e rural (França), David Miranda, membro do Comitê de Relações Internacionais e Defesa Nacional (Brasil), Emmanuel Maurel, MEP (FI); Jean-Luc Mélenchon, MP, Presidente do Grupo Parlamentar Insoluto da França, Danièle Obono, MP (FI), Younous Omarjee, MPE (FI), Mathilde Panot, MP (FI), Anne-Sophie Pelletier, MPE (FI); Taliria Petrone, MP do PSOL (Brasil), Paulo Pimenta, PT e Presidente do Grupo na Câmara dos Deputados (Brasil), Loïc Prud’homme, MP (FI) e Adrien Quatennens, MP (FI); Hugues Ratenon, MP (FI), Muriel Ressiguier, MP (FI), Michèle Rivasi, MPE (EELV), Caroline Roose, MPE (EELV), Sabine Rubin, MP (FI), François Ruffin, MP (FI); Mounir Satouri, deputado (EELV), João Pedro Stédile, Movimento de Trabalhadores Sem Terra (Brasil); Sophie Taillé-Polian, senadora (Génération.s); Bénédicte Taurine, MP (FI); Marie Toussaint, eurodeputada (EELV); Salima Yenbou, eurodeputada (EELV); Ivan Valente, PSOL (Partido do Socialismo e Liberdade), presidente do grupo PSOL na Câmara dos Deputados (Brasil); Sindicato Estadual dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Brasil). Um coletivo de personalidades políticas e associativas francesas e brasileiras

Tradução feita pela amiga francesa Coraline Chalamel, de Ambérieu-En_Bugey, França – 23 anos (fico devendo a interessante biografia dessa jovem que fala e escreve em português muitíssimo bem, além de inglês e espanhol). Caso encontrem erros de ortografia e gramática, fiz questão de não fazer correção e deixar a tradução tal qual ela fez.

Segue abaixo o link para o artigo original.

https://www.liberation.fr/amphtml/debats/2019/07/27/la-france-doit-refuser-l-accord-de-libre-echange-ue-mercosur_1742315

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.