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Interessa saber se o Facebook caiu ou foi “caído”?

Que diferença faz saber porque Facebook, Instagram e WhatsApp saíram do ar ontem por mais de 6 horas. O que vai mudar na vida de qualquer pessoa saber? Vai abrir conta em aplicativos alternativos? Telegram, que não tem nada a ver com a empresa de Mark Zukerberg também acabou caindo. E o Twitter, que também não é de Zukerberg ficou instável e muito tempo sem conseguir carregar fotos e vídeos.

Digamos que tenha sido para que o Facebook, Instagram e WhatsApp tenham sido resetados para apagar logs que confirmariam a denúncia feita por uma ex-funcionária do Facebook ao programa The 60′ – Sixth Minutes revelando ações de favorecimento ao candidato Joe Biden e desfavoráveis a Donald Trump, o que isso mudaria no fato de que os serviços ficaram foram do ar por 6 horas? Ou se isso tenha sido feito para implementar algum upgrade para tornarem ainda maiores as ações de controle social e censura? E se foram mesmo hackers que invadiram, o que muda? E eu respondo. Nada. Por um motivo muito simples: ninguém vai parar de usar.

O que aconteceu ontem mexeu com o mundo, não importa a cultura ou a relação específica com aplicativo A, B ou C. E se muitos já conseguiam ter uma nova do poder de influenciar comportamentos que as Big Techs têm atuando ativamente, a ausência desses 3 aplicativos por algumas horas, somados à queda e a instabilidade de outros dois aplicativos independentes são ótimas evidências de como podem dificultar ainda mais as nossas vidas.

Pense em quantas vezes sua digital já foi solicitada como prova de identidade para garantir algum tipo de acesso ou confirmação. Lembre quantas vezes você já recebeu uma ligação de telemarketing sendo obrigado a dizer uma série de sins e nãos que ficaram gravados nesses registros, além das gravações do diálogo completo onde, forçosamente, você deu uma série de informações, inclusive em muitas delas falando palavras como “confirmo, concordo, aceito”, tudo devidamente gravado. E sua imagem? Para quantas câmeras você já olhou voluntariamente ou foi involuntariamente olhada por elas, seu olhar, suas expressões, seu gestual.

Desde que surgiram, demos, de graça, no detalhe, complexos e completos dossiês de nossas vidas às redes sociais. Nossos universos individuais foram transformados em capítulos diários de nossas novelas pessoais, nos quais revelamos nossas preferências e contradições nos seus menores pormenores. O que para nós é visto como personalidade, para as redes sociais é a personalização de um produto. Para os algoritmos nós somos o produto.

A queda da maior rede social, do maior aplicativo de troca de mensagens e do maior aplicativo de fotos (pelo menos suponho que é, mas aceito discordâncias) é um alerta do poder que a tecnologia exerce sobre nossas vidas. E se o colapso tivesse acontecido no sistema bancário mundial? E se fossem em registros de universidades? Ou um apagão na orientação de aviões e torres se controle aéreo do mundo inteiro?

Para quem é usuário ou dependente (ainda soa estranho serem esses os mesmos termos usados em relação ao uso de drogas) dos serviços das redes sociais a única coisa que interessa é que as redes saíram do ar por motivos alheios à sua vontade. Ele não escolheu isso. Elas simplesmente não estavam lá. E pouco interessa o que causou, desde que voltem a ficar online e estáveis como sempre foram. O motivo interessa a quem tem a obrigação de manter a rede online, estável e acessível a todos os usuários e dependentes delas. Pode ter sido uma queda involuntária, um ataque cibernético, uma falha generalizada de servidores, ou uma decisão voluntária por algum motivo técnico, ou operacional, ou administrativo, ou até mesmo de limpeza de evidências de acometimento de crime. Muitas são as análises e possibilidades que vão surgir a partir desse acontecimento.

Nosso questionamento não tem a ver com os motivos que tiraram do ar o Facebook, o Instagram e o WhatsApp, mas em como isso afetou nossas vidas e lembrar que todas as Bigh Techs tem acesso ao botão de desligar o sistema. É só desligar. E isso serve para todo tipo de sistema de comunicação, sejam TVs, rádios, internet, e para tudo nas nossas vidas que tenha algum vínculo digital que pode ser uma senha, uma digital, um registro de voz ou uma imagem detalhada. Isso sim! me preocupa muito.

Como curioso, eu gostaria de saber a real explicação para a queda do Facebook, Instagram e Whatsapp. Mas, a menos que isso se transforme em algum escândalo impossível de esconder, deles, só teremos narrativas. Os fatos futuros é que poderão mostrar o que realmente aconteceu.

Nós estamos nas mãos deles, usuários e dependentes de um sistema que, em tese, deveria, ele, ser dependente de nós. E fica cada vez mais difícil desatarmos esse nó.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.

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