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Goste, ou não, em 2022 elegeremos um legislativo ainda pior.

Até 2018 bradávamos aos quatro ventos que aquela era a pior composição do Congresso Nacional. Não tinha como ser pior. E o mesmo fenômeno se repetia em relação às assembleias legislativas e câmaras de vereadores. Nem obtivemos o índice de renovação desejada, e nem roda renovação de fato renovou alguma coisa, como os casos se Aécio Neves e Gleisi Hoffmann que correram do Senado para a Câmara para se beneficiarem do coeficiente eleitoral e não ficarem de fora da brincadeira. E sem foro privilegiado.

Mas, como o que já é ruim sempre pode ser piorado, a reforma eleitoral que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados é um chute de bota com biqueira de aço no saco da sociedade brasileira. A volta das coligações partidárias e a manutenção da proporcionalidade de votos, como é atualmente, mantém o funil funcionando a favor dos que se elegem no rabo de um bom puxador se votos.

Se na última eleição apenas 27 dos 513 deputados federais se elegeram com seus próprios votos, com as novas regras propostas dá para apostar que talvez nenhum se eleja com seus próprios votos. Minorias segmentadas é que elejerão seus representantes, fracionando ainda mais o ambiente dos legislativos.

As reduções de punibilidades, reduções de tempo para prescrição de crimes, uso livre do fundo partidário sem ter que dar satisfação, incluindo compra de bens móveis e imóveis, aeronaves e o que mais desejar, tipo “toma, o dinheiro é seu!” e fica por isso mesmo.

A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados é um golpe ainda mais profundo na democracia. A maneira como se distribui o fundo partidário entre os candidatos dos partidos, dobrando o valor do voto dado a um negro ou a uma mulher, estraçalha o conceito de igualdade e direitos iguais. Mais uma cota que subclassifica as pessoas e tornam uns mais importantes que os outros.

Com essas regras implantadas a representação das minorias será ampliada em detrimento de um congresso eleito para representar a maioria e incluir as minorias. O que está se vendo é a preparação da eleição de um congresso ocupado pela minoria e excluindo a maioria de sua legítima representatividade dentro dos conceitos de uma democracia. Vai virar outra coisa.

Mas, quero chegar à cereja do bolo. Nós não podemos fazer nada contra isso, porque não estamos dando a esse tema a importância que ele tem. Já esquecemos a ideia do voto impresso auditável, não passou, ficou lá. Aí vem essa reforma eleitoral vagabunda, que ainda quer triplicar verba de fundo partidário subindo para 6 bilhões de reais. E se o presidente vetar, como já vetou a proposta desse valor no orçamento de 2022, o congresso derruba o veto.

Ficamos alertas a esses acontecimentos no Congresso Nacional, mas muitas vezes o pior está debaixo de nossos narizes e não vemos, ou optamos por não dar importância. Escândalos ainda maiores e mais estapfurdios são produzidos em muitas assembléias legislativas e câmaras municipais, e quase ninguém acompanha ou fiscaliza. E são esses mesmos vagabundos que alçam carreira na política e se elegem a cargos maiores por comodismo e negligência dos eleitores. É muito mais fácil fiscalizar uma Câmara Municipal do que o Congresso Nacional. Mas ninguém faz.

E assim, sendo aprovada e sancionada, com ou sem vetos, ou vetos derrubados, o sistema eleitoral brasileiro vai regredir aos tempos das trevas e rechearemos os legilslativos do país de gente que não teve voto para se eleger d ter que aceitar que são elas as representantes legítimas do povo, avaliadas por uma lei eleitoral da época do bang-bang.

Dentro das quatro linhas não dá mais tempo para mudar. Não existe força para isso, por mais forte que o povo esteja.

Atualizando: ontem no início da noite a Câmara dos Deputados aprovou a vergonhosa quarenta de 4 anos para policiais, juízes e promotores poderem se candidatar. É a cassação prévia da cidadania.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.

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