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Presidência. Por que todos eles querem comandar um país quebrado?

Presidência. Por que todos eles querem comandar um país quebrado?Assumir a presidência do Brasil é efetivamente virar administrador de um país que está para alugar. Vender placa de “aluga-se” já virou um negócio. Pequenas empresas de promoção, que vivem das oportunidades e tendências do momento, estão ganhando dinheiro legitimamente com a crise. E elas só sofrerão com a crise quando a economia se fortalecer o suficiente para que se gere empregos e se ocupem os imóveis. Então, quem vive disso, já terá descoberto uma nova oportunidade ou tendência para investir. Ser querer ser maldoso, mas quem vive da desgraça alheia sempre tem oportunidades num país como esse.

Ao sentar na cadeira da presidência da república o presidente herdará – em dados de hoje, penso até que deve aumentar – 13,1 milhões de desempregados. Terá sob sua responsabilidade direta a fome de milhões de pessoas, a dependência assistencialista de milhões cadastrados no Bolsa Família. Encontrará um país com infraestrutura falida, incapaz de colaborar na promoção do desenvolvimento, e não terá dinheiro, nem apoio congressual, nem credibilidade internacional para financiar tudo o que precisa.

O próximo a ter a honra de ter seu nome na galeria dos raros e poucos que ocuparam a presidência da república (independente se realmente tiveram ou não honra para estar lá) será responsável por um país que precisa fazer combates a doenças do século passado, desaparecidas dos registros de saúde há 20, 30, 40, 50 anos. Será responsável também por um SUS completamente desprovido de competência para responder às demandas da sociedade, que paga através dos seus impostos o direito de ser bem atendida. Milhares de pessoas morrem por não conseguir sobreviver à espera da realização de um exame que salvaria sua vida se feito a tempo. São esperas de muitos meses, em vários casos passando muito mais de um ano.

O próximo na presidência da república, seja “ente” ou “enta”, assume o comando do país com índices de violência que nos colocam nos primeiros lugares em várias estatísticas sobre violência, com números absolutamente superiores a locais em guerra, como a própria Síria. E vai ter que encarar a realidade de que o tráfico de drogas no Brasil é tão bem armado quanto os exércitos que estão lutando por lá. Mais do que isso, o próximo presidente vai ter que encarar quem realmente comanda o tráfico de drogas, e se quiser fazer isso verdadeiramente, vai ter que combater os andares de cima dos poderes da república.

Seja lá quem for que assuma a presidência do Brasil terá a responsabilidade de manter ou alterar o modelo de sistema educacional, ideologicamente corrompido e que desde cedo subverte o pensamento, praticando a ideologização em paralelo com a assimilação dos conceitos básicos pelas crianças. A prática da ideologia na educação infantil perverte a liberdade de escolha porque só apresenta o seu modelo de pensamento como certo, não oferece outra opção além disso.

Se o próximo a ocupar a presidência for de esquerda, a tendência é que esse quadro se aprofunde. Se for de direita, espera-se uma guinada para o lado oposto, e aí entra uma outra situação interessante. Nenhum presidente de direita conseguirá implantar um novo sistema educacional que cause impacto em menos de duas gerações, e ele só terá um governo de 4 anos.

Teremos que ter muuuuuuuuita sorte de encontrar um presidente com tanto altruísmo, especialmente se continuarmos a ter presidentes com 77 anos de idade que, pela expectativa de vida do brasileiro (recomento a leitura), segundo o IBGE entre 68 anos para mulheres e 75,8 anos para homens, de verdade não estariam muito interessados nos próximos 30 anos.

Um país dividido entre incrédulos e iludidos, lúcidos e alucinados, extremistas e autistas, incapaz de se encontrar como nação, sem espírito de cidadania ou civilidade, uma imensa massa de pessoas preteridas pelo estado na saúde, na educação, na segurança, no trabalho, estagnadas na miséria do assistencialismo, infelizes com Smartphones e TVs de LED sem saber que são, orientadas por um sistema que foi feito para mantê-las assim, e nem adianta tentar explicar nesse momento.

Com todos esses contras, por que essas pessoas querem comandar o Brasil?

Bem, se você achou que eu teria essa resposta, eu não a tenho. Minhas suspeitas não são diferentes das suspeitas das maiorias das pessoas em relação às pessoas e aos grupos que representam os candidatos.

É muito claro que toda a classe política, indiferente dos partidos a quem pertençam os políticos, querem fugir da Lava Jato, e a única opção que tem é que um deles volte ao poder. Dessa maneira pode-se facilmente imaginar que políticos de partidos como PT, PSOL, PCdoB, PDT, REDE, MDB, PSDB, DEM, PP, PTC e mais uma meia dúzia de legendas mais secundários que eu nem sei dizer o nome, estarão ligados a candidatos que tenham a manutenção da impunidade como compromisso.

Não existe a menor hipótese de que um candidato ligado a esses partidos seja um vibrante apoiador de um candidato à presidência que esteja comprometido com o combate à corrupção e com o fim da impunidade. Qualquer integrante que pertença a essas legendas estará preocupado estritamente com o fim da Lava Jato.

Candidatos como Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, João Amoedo, e Flávio Rocha, são apostas que se apresentam distintas das legendas acima, mas que, efetivamente, tirando a bolsonaromania, que acabou virando uma seita como o lulopetismo, não conseguiram se tornar opções capazes se postar como opções capazes de ultrapassar um tema específico como bordão ou uma utopia com bons fundamentos.

Acima da ideia de oferecer uma resposta, o que eu ofereço é a pergunta. Por que essas pessoas querem comandar o Brasil?

Se não usamos os fatos para formar nossa opinião sobre determinado pensamento, não somos capazes de saber por que concordamos ou discordamos com alguma coisa. E é essa ignorância que nos faz reféns de uma ideia ou comportamento, porque as pessoas precisam pertencer, e a culturalmente essa sensação de pertencimento se dá quando a pessoa se enquadra nos hábitos sociais do grupo a que pertence.

Se realmente não estiver nas mãos da Smartmatic, escolher o próximo ocupante da Presidência da República Federativa do Brasil estará nas mãos de todos nós.

Penso que se a cada aparição de um candidato diante de você – televisão, rádio, jornal, revista, site, rede social – se perguntar “por que realmente essa pessoa quer ser presidente do Brasil?”, e contrastar isso com o que as pessoas comentam a respeito, a chance de errar na escolha será bem menor.

Mas não vou me furtar a dar minha opinião, mesmo assim. Só a considere mais uma, quem sabe até a mais errada e inútil.

Por enquanto ainda não consegui ver ninguém que queira realmente comandar o Brasil. Até o momento eu só consigo ver gente que quer impedir o combate à corrupção e manter o sistema de impunidade e um outro grupo que só quer ser presidente do Brasil. Presidir e comandar são duas coisas completamente diferentes, e ninguém ainda foi capaz, na minha opinião, de provar que ser comandante de um novo caminho para o Brasil.

A verdade dos fatos começará a se estabelecer quando o jogo começar a ser jogado, e então veremos quem apoiará quem. Será a capacidade de angariar e recusar apoios que poderá nos apresentar alguém com capacidade de comandar o Brasil. Presidir é mole, Dilma foi eleita duas vezes, e todo mundo sabe no que deu.

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STF acovardado? Não. Acovardados estão o povo e as Forças Armadas.

Quando Lula disse que o STF estava acovardado ele usou a palavra errada. Naquele momento o STF estava apenas envergonhado. O que destravou a timidez de certos ministros foi a armação da gravação da JBS, que de uma vez só abateu Rodrigo Janot, o Ministério Público Federal, a justiça federal e ainda deu a Temer as condições necessárias, uma “certa legitimidade” para pôr o pé no freio da Lava Jato.

Derrubados os empecilhos e recuperada a autoconfiança, Gilmar Mendes encabeçou o enfrentamento à justiça, o que não deixa de ser engraçado escrever, um ministro do Supremo Tribunal Federal fazendo um enfrentamento à justiça. Com ele, e, também, sabe-se lá sob que tipo de pressão, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello puderam voltar a agir como sempre agiram, sem que antes vivessem sob tantas lentes e holofotes.

O STF não está acovardado. Nos gabinetes e corredores da corte trava-se uma guerra entre um grupo disposto a enfrentar os corruptos e outro disposto a enfrentar o combate à corrupção. Não significa, no entanto, que um grupo seja melhor ou menos comprometido que os outros, mas existem posições claras de cada lado, mesmo que sejam de conveniência.

Covarde é o povo brasileiro, e não me refiro ao povo menos esclarecido ou a camada mais pobre da população. Covarde é o cidadão médio, informado, esclarecido, indignado, mas, mesmo assim, absolutamente incapaz de reagir à usurpação de sua cidadania. Um povo que não se abala com escândalos, que é cada vez mais incapaz de se reunir em torno de um nome ou uma causa.

O empregado não tem coragem de não ir trabalhar em protesto aos acontecimentos. Nenhum empresário, pequeno, médio ou grande é capaz de fechar seu negócio por um dia em protesto a nada. Todos que tem alguma fonte de renda se escoram na justificativa financeira para não fazer nada. Estão certos? Estão errados? Fazer esse julgamento chega a ser injusto com as necessidades e prioridades individuais, mas a inércia é um grave sintoma de que o povo brasileiro só consegue pensar no país para as próximas horas ou semanas. Poucos ousam tentar enxergar um Brasil melhor para nos próximos 10, 20 ou 50 anos.

O povo brasileiro é acomodado, e a máxima de que basta a cerveja gelada, o futebol e uma pancada de feriados no ano nunca foi tão assertiva. Somos acomodados. E a acomodação não deixa de ser uma espécie de covardia, senão consigo mesmo, com os outros. Sair da inércia dá trabalho, oferece riscos, expõe as pessoas e nosso povo não é muito dado a isso. Vide o próprio descobrimento do Brasil onde não demorou muito para que os índios se aliassem aos invasores portugueses inclusive para combater outros invasores europeus. Dá para dizer que o Brasil já nasceu com síndrome de Estocolmo.

A torcida, então, passou a ser para que as Forças Armadas fizessem um enfrentamento à situação. Mas estão mais acovardadas do que nunca. Isso fica muito bem ilustrado na figura máxima do Exército Brasileiro, o General Villas Boas, que comanda a tropa na forma de uma frágil figura em uma cadeira de rodas. Belos discursos, belas postagens no Twitter, mas vindas de um homem cuja vitalidade física reflete na vitalidade das palavras que fala. Penso inclusive que o General Villas Boas deveria renunciar ao comando do Exército Brasileiro.

Da Marinha e da Aeronáutica não sabemos nem dizer. Quem sabe alguma coisa a respeito do Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira? E do Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato? Provavelmente, só quem faz parte das referidas armas ou acompanha com lupa o noticiário. A mídia só fala os nomes deles em notícias sobre solenidades ou se algum dois fizer algum comentário mais ácido que mereça destaque. Não sendo isso, no imaginário das pessoas, as Forças Armadas continuam atreladas à representação de um general de exército sentado numa cadeira de rodas.

O povo é incapaz de promover espontaneamente uma manifestação, e não há na sociedade civil nenhum movimento organizado que tenha competência para estruturar um movimento de oposição aos sucessivos desmandos do STF e dos políticos. No Brasil não há sequer uma ala política que se possa chamar de oposição, e que seja capaz de arregimentar as pessoas para combater o governo e o STF.

Os poucos que se atrevem a fazer alguma coisa acabam cooptados pelo sistema e sua agenda, ou fazem como faz todo oportunista e se engajam na política para tirar proveito dela. E os raros e poucos políticos que mantém a resistência, são sufocados por acusações infundadas que geram absurdos processos no STF, na mais clássica aplicação do “assassinato de reputações”, tal como descrever Romeu Tuma Jr. em seu livro quando descreve o modo de operar que marcou o PT desde sua fundação.

Os militares que se atrevem a reverberar o sentimento do povo brasileiro, ou estão na reserva, ou são mandados para a reserva, como aconteceu com o General Mourão. Os ativos continuam confinados numa cadeira de rodas ou no anonimato da desimportância com a qual desempenham suas funções.

O STF não está acovardado. Está agindo diante dos nossos olhos, acompanhado e propagado pela mídia, praticando os mais abusivos absurdos contra a Constituição Federal e contra o povo brasileiro, à luz do dia, com transmissão ao vivo pela TV e pela internet, para quem quiser ver.

Diante dos fatos, não há muito mais o que dizer. Gilmar Mendes, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello não são covardes. E quando praticam algum tipo de covardia é contra o povo, contra a Constituição Federal, porque sabem que do lado de cá a covardia é ainda maior.

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Sou brasileiro, faço parte do povo mais trouxa e acomodado do planeta

E eu me incluo mesmo nessa lista, mesmo que muitos digam que o brasileiro não é assim, ou, em primeira pessoa, “eu não sou assim”. Mas o povo brasileiro é trouxa e acomodado, as vezes as duas coisas juntas.

Não se faz revolução com um povo trouxa e acomodado. O trouxa acredita em tudo e em todos. Para o acomodado, tanto faz. Hoje mesmo em resposta a uma postagem no meu Twitter um cidadão disse: “Né por nada não, mas alguém ainda acredita mesmo que Lula será preso?!? Eu já desencanei…”. E muitas são as postagens e os comentários nas redes sociais que tratam da questão da mesma forma, como se “desencanar” o tornasse imune do assunto e das consequências advindas dele.

Só desencanam os trouxas, ou os acomodados.

A sessão de ontem do STF, dia 22 de março de 2018, foi um marco na história do tribunal. Ontem, claramente, e de cara limpa, ministros como Dias Tóffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio de Mello deixaram claro que não agem como os magistrados que deveriam ser, mas como lacaios do poder, a serviço das oligarquias, quadrilhas, facções e bandidos que combatem a impunidade, dentro e fora do poder. Uma encenação.

É inquestionável a responsabilidade do povo brasileiro (me mantenho incluso na lista)  nos acontecimentos, tenha sido pelo voto, seja pela ignorância ou conveniência, mas, sobretudo, pelo comodismo, incapaz de se envolver com as questões nacionais, tratando-as como um assunto que não faz parte do seu cotidiano e não impacta a sua vida. Um povo que não aprendeu a se informar, mas aprendeu, com louvor, a se conformar.

Só não se envolvem ou trouxas, porque são envolvidos, ou os acomodados, porque não querem se envolver.

Ser brasileiro não é ter uma semana de carnaval todo ano. Não é ter 20 feriados ao ano. Não é tomar a cerveja mais gelada do planeta, nem torcer para a única seleção de futebol 5 vezes campeã do mundo.

Ser brasileiro é ter nascido nesse país gigante, com contrastes sociais que enchem os olhos de qualquer antropólogo ou sociólogo, porque somos um verdadeiro laboratório. Resistimos aos 60 mil homicídios por ano; às mortes causadas por problemas de saúde que se iniciam no esgoto que corre a céu aberto e desaguam nos hospitais de portas fechadas; às escolas que deixaram de ensinar matemática, português, geografia, história e ciências como deviam (para ficar nas disciplinas básicas) e passaram a lecionar matérias como ideologia de gênero e/ou como colocar camisinha com a boca no pênis do parceiro; à falta de infraestrutura viária que encarece o alimento na mesa do trabalhador, além de matá-lo por falta de duplicações e reparos necessários.

Resistimos porque somos trouxas, ou acomodados.

Ontem, vimos a mais alta corte de justiça da nossa república privilegiar um ex-presidente que deveria ter sido tratado como é tratado qualquer brasileiro. Ele não é mais brasileiro do que nenhum de nós. Ele não é melhor do que nenhum de nós. Ele é um condenado em segunda instância por crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e ainda responde a mais seis processos que incluem tráfico de influência, obstrução de justiça e participação em organização criminosa.

O sistema carcerário brasileiro tem mais de 220 presos sem que um julgamento tenha sido feito. Pessoas que foram presas por crimes que as fazem merecedoras da punição, mas gente que nem presa deveria ter sido. Mas todos sem os recursos financeiros milionários que permitem pagar advogados que defendem causas e fazem milagres, porque nenhum deles é Lula, nenhum deles indicou ministros para os tribunais superiores, nenhum deles mantém presos os rabos desses ministros.

Lula não está acima da lei, porque ele ignora a lei, e porque quem cuida de defender a lei o ignora.

Lula não está solto apenas porque o STF assim o quis. Mas pelo simples motivo de que somos um povo trouxa e acomodado, absolutamente incapaz de reagir a 33 anos de roubalheira e desmandos após a redemocratização do país, antes de maneira camuflada, agora com exibição ao vivo pela TV Justiça.

Não sei como escaparemos disso, já não sei se escaparemos, talvez por ser trouxa, ou acomodado como todo brasileiro.

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Você pode não gostar da Globo. Mas cuidado com o lado para o qual você torce.

As reações de muitos brasileiros à invasão do MST no parque gráfico de O Globo, desconsidera um princípio básico do que é certo ou errado, pois percebem as organizações Globo como um lugar que mereça ser invadido, deixando de observar que a invasão à uma propriedade privada, pertença ela a quem pertencer, é um ato ilegal, e que pode ser enquadrado como um ato de terrorismo.

Esse tipo de posicionamento desconsidera também uma questão básica que é o fato das organizações Globo serem o que são exatamente por causa do público que a assiste seus canais, lê seus impressos e ouve suas notícias no rádio. Ninguém obriga ninguém a assistir, ler ou ouvir as notícias e opiniões emitidas pelas empresas da família dos Marinho.

Se num dado momento da história brasileira a predominância das organizações Globo se deu pela falta de alternativas ou concorrência à altura, há pelo menos duas décadas essas opções existem, e só assiste, lê ou ouve a programação desse grupo empresarial quem quer.

Ninguém é obrigado a assistir BBB, Ana Maria Braga, Luciano Huck, Faustão, Jornal Nacional. Ninguém é obrigado a ouvir a CBN eu seu rádio. Ninguém é obrigado sequer a ler as manchetes estampadas na capa do O Globo. E nem Globonews, GNT, Multishow. Nada. Só assiste quem quer. Desde o controle remoto todos nós estamos no controle.

Encampar a ideia de que as organizações Globo merecem ser invadidas pelo MST só valida a ação desses terroristas disfarçados de trabalhadores sem-terra, como se eles fossem vingadores e um grupo que vem se paramilitarizando e afrontado a lei. Destroem fazendas produtivas, empresas de pesquisa agropecuária, bloqueiam estradas, invadem edifícios públicos, vendem terrenos em assentamentos, enriquecem seus líderes com dinheiro público e se utilizam da boa e da má fé de pessoas sem escolaridade, sem recursos intelectuais mínimos, e sem vontade de trabalhar.

O MST não é um movimento de trabalhadores sem-terra como sugere a sigla. É um exército de pessoas sem a menor noção do que é a cidadania real, por culpa do estado que não os assiste devidamente, e dos espertalhões que andam de jatinho para cima e para baixo, que moram em casas de luxo e andam de pick-ups importadas, e dos partidos de esquerda, que os alicia oferecendo um futuro que só existe nos livros e teorias de Karl Marx, que, diga-se de passagem, nunca trabalhou na vida.

Um dia desses, em conversa com um jornalista amigo, ele me perguntou quais eram os países comunistas que eu me lembrava. Rapidamente eu disse: Cuba, Venezuela e Coréia do Norte. E na mesma velocidade com que eu respondi ele me deu o troco: ”esses países não são comunistas, são ditaduras”.

É bom que todos pensemos como se deu a revolução cubana, e como se dá o bolivarianismo venezuelano.

Não é tão errado se compararmos o MST às FARC colombianas, o recém extinto grupo paramilitar que durante décadas levou o terror ao povo e ao governo colombiano, promovendo atentados e sequestrando pessoas.

Quem invade parques gráficos de jornais, fazendas, prédios de órgãos públicos, universidades, propriedades privadas de empresas, também poderá invadir casas, promover atentados e até sequestrar pessoas em nome de sua causa. E para isso basta que as pessoas, em algum momento, comecem a torcer por eles.

O errado é errado mesmo que todos estejam fazendo. O certo é certo mesmo que ninguém esteja fazendo.

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Dia internacional da mulher. É delas, só delas.

Todo mundo fala da mulher nesse dia, só delas.

Mas e o Homem? Assim mesmo, com H maiúsculo. Um ser injustiçado que ao longo das últimas quatro décadas vem sendo desafiado pela disseminação do pensamento feminista ocidental.

A verdadeira história da criação do Dia Internacional da Mulher “foi inicialmente proposta na virada do século XX, durante o rápido processo de industrialização e expansão econômica que levou aos protestos sobre as condições de trabalho. As mulheres empregadas em fábricas de vestuário e indústria têxtil foram protagonistas de um desses protestos em 8 de março de 1857 em Nova Iorque, em que protestavam sobre as más condições de trabalho e reduzidos salários” (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher), e não porque 129 trabalhadoras teriam sido vítimas de um incêndio numa fábrica na mesma Nova Iorque, como conta a lenda que ajuda a reforçar esse caráter de injustiça com o sexo feminino. Ou seja, mais uma farsa feminista.

Pois o homem não tem um dia dele.

Milhões de homens pelo mundo já saíram para protestar contra más condições de trabalho e salários reduzidos, mas nem por isso mereceram ganhar um dia só para eles. Nem municipal.
Por séculos, foram os homens que lutaram e morreram em guerras por justos ou absurdos motivos e, exceto os heróis, o que o mundo lhes deu foi uma série de monumentos ao soldado desconhecido, em diversos países e cidades. Mas não um dia.

Foi Eva quem seduziu Adão, fez o “Mané” comer a maçã e cá estamos nós todos, pagando pela expulsão de ambos do paraíso. E a mulher tem um dia só dela.
Antes, o homem saía para trabalhar e ganhava dez mil reais. A mulher também quis trabalhar. Foi exercer a mesma atividade que o homem, com a mesma competência, talvez maior em muitos casos, mas aceitando ganhar três mil. Era a conquista do espaço feminino.

O homem ficou caro para a empresa. Ficou desempregado. Arrumou outro emprego ganhando cinco mil. Os dois juntos passaram a ganhar oito mil, dois mil a menos. A renda diminuiu. E o salário da mulher passou a ser extremamente importante para a economia doméstica. E muitos homens ainda tiveram que ouvir que, sem o salário dela, com a mixaria que eles ganham, eles estavam ferrados.

O pobre homem, sem dia comemorativo, transformou-se apenas num fornecedor de sêmen, um pôrra, enquanto a mulher ocidental, detentora de um dia internacional só dela, hoje disputa até presidência de grandes potências. E muitas ganham mais que os homens.

Não é mais a única responsável imediata pela educação e pela criação dos filhos, se apropria do sucesso deles enaltecendo seu esforço financeiro para pagar-lhes boas escolas e, no máximo, aceita dividir os fracassos dos pobrezinhos, sendo que na maioria das vezes o atribui a alguma característica herdada do pai.

Essa mulher que comemora um dia único e exclusivo dela, já não lava mais a louça todas as noites. Um dia ela, um dia o homem, e pobre dele se não lavar no seu dia.

Se ela não tem o próprio carro, pergunta se o homem vai precisar dele, porque ela já tem um compromisso marcado. E se ele disser que vai precisar, certamente, terá a incumbência de levar ou buscar antes e depois do seu compromisso, isso se não tiver que adequá-lo ao horário dela. Ou, mais provavelmente, vai convencer o homem a ficar a pé e ter que se virar de táxi, ônibus, ou na carona de algum amigo que já levou sua mulher em algum lugar e ainda vai ter que buscá-la depois.

Tenho uma teoria de que todas as mães fazem parte de um complô, milenar, sem distinção de credo, religião, cor ou raça, e que tem por objetivo enaltecer nossa masculinidade apenas como parte de uma trama psicológica que visa infernizar nossas vidas adultas com os conceitos feministas.

Mamíferos que somos, aprendemos com as mulheres a apreciar o prazer dos seios quando nascemos. Mas, passada a fase da nossa subsistência, elas os escondem, negam e nos deixam a mercê de nossas vontades.

Essa é a mulher do século XXI. E com 24 horas por ano dedicadas a ela.

Mas, o que faríamos sem as mulheres?

Primeiro que o mundo seria péssimo se só existissem homens. Depois, não há nada que gratifique mais um homem do que estar na companhia da mulher que ama. E estou falando de homem que gosta de mulher, claro.

A mulher é a poesia do mundo. É a música enigmática que toca nossos ouvidos, seja ela sua esposa, mãe, irmã, filha, amiga, não importa.

A mulher tem um canto único, que nos amolece, que nos amortece, que nos entorpece.

Naturalmente dissimulada uma mulher não pede água, diz que está com sede. Não pede coberta, diz que está com frio.

A mulher não pede amor. Ela diz que ama.

E, afinal de contas, ter um Dia Internacional de Mulher não é lá coisa do outro mundo. Até árvore tem dia, índio, geralmente as coisas que precisam ser protegidas, já repararam?

Então, só posso desejar um Feliz Dia Internacional da Mulher. E que ele seja bem comemorado por todos nós.

Bem, a prosa está boa, mas é melhor você ir trocar a fralda do bebê, ou lavar aquela louça de hoje, ou tirar a roupa da máquina e pôr no varal antes que ela te pegue!

Parabéns Mulheres! Vocês merecem.

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Posicionamento em política. Ter ou não ter? Eis a questão.

A relação de muitas pessoas com política é algo muito estranho. Todo mundo tem uma preferência particular por alguma coisa. Um tipo de carro, uma cor, um sabor, um perfume, uma temperatura, um time de futebol, um tipo de bebida…

Quando se trata de política, no entanto, é grande o contingente de quem não uma preferência clara, ou não tem nenhuma preferência, tomando decisões equivocadas ou influenciadas, ou se abstendo de participar da decisão.

Partindo desse princípio, porque ficaria insatisfeito quem escolhe um Uno se prefere uma Ferrari? Porque preferiria o azul quem gosta de vermelho? Porque escolheria o salgado se prefere doce? Porque cheiraria a rosa quem prefere o lírio? Porque a para a praia se prefere a neve? Porque assistiria um jogo do Corinthians se prefere o Flamengo? Porque beberia uma vodca se preferiria vinho?

Troco provocações constantes sobre política com uma amiga, que tem posicionamento em política completamente oposta à minha. Mas eu tenho uma posição. E ela tem uma posição.

Independentemente do que pensamos a respeito de política, nós pensamos. E eu a respeito por isso. E ela me respeita.

O debate que travamos é por ideias, por ideais, por noções e visões de sociedade, de futuro.

Isso não nos torna melhores do que ninguém, mas nos torna responsáveis por querer um caminho ou outro para o nosso país, e, portanto, responsáveis também pelo governo que temos e pelo sucesso ou fracasso desse mesmo governo, pois apoiamos a sua escolha. Da mesma forma, somos responsáveis por questionar aquilo que é contrário à nossa preferência, questionar um governo oposto pela não obtenção daquilo que desejamos para a população e o país.

As pessoas precisam se posicionar politicamente, precisam escolher um lado, por aquilo que ele oferece e, principalmente, pela capacidade de realizar o que promete.

Enquanto as pessoas não se posicionarem, de fato, apostando efetivamente numa opção que represente suas vontades e suas aspirações, continuarão a andar em qualquer carro, vestir qualquer cor, comer qualquer sabor, usar qualquer perfume, não se importar se faz frio ou calor e beber qualquer tipo de bebida. E de boca fechada. Quem não usa seu direito de escolher, de participar de uma escolha, não pode ter o direito de reclamar do resultado ruim.

No máximo ir de garupa no sucesso dos outros. Se conseguir.

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Joice Hasselmann, Jovem Pan, Veja. E muita coragem!

O último episódio profissional de Joice Hasselmann me fez ver que estou precisando de uma bússola.

Ou talvez não esteja vendo como manda a era cibernética. Ops! Termo ultrapassado. Era digital. Ou tem expressão mais atualizada? Mas também, quer algo mais antiquado que ser da época em que Fernando Henrique Cardoso e Lula eram rivais políticos?

Bem pouco tempo atrás, não saberia escalonar o período, a revista Veja era conhecida como um dos maiores inimigos do PT (Partido dos Trabalhadores) e da esquerda. Tirei esse pensamento de em meu universo particular de acordo com meu conhecimento de mudo, das minhas leituras, das minhas interpretações da realidade e das minhas observações. Essa conclusão, portanto, é de minha responsabilidade e pseudoautoria. Salvo pelas influências que tive e as incorporei que, logo, articularam meus pensamentos e minha dedução sobre os posicionamentos da Veja.

Recentemente a jornalista Joice Hasselmann foi afastada do programa Pingos nos Is da Jovem Pan. Usando de eufemismo, a emissora preparou um “pacote” em que vinha explícito que ela estava fora do programa em que era âncora. Teria como recompensa, no entanto, um espaço só para ela. Isso tudo foi planejado e enjambrado durante uma viagem dela. Ao retornar encontrou o pacote, mais conhecido por demissão, em cima da mesa. Era pegar ou largar.

Ela ainda fez uma contraproposta pedindo total controle e autonomia de seus pensamentos e ações e a total exposição deles no programa pretendido pela rede. A emissora não aceitou. E ela, então, entrou com as nádegas.

É de amplo conhecimento que Joice, conhecida no Paraná como Pimentinha, tem ideologia enraizada e possui argumentação de sobra para sustenta-la.

Conheci Joice através do Jornal da Massa da Rede Record, um programa que tinha como slogan Opinião e Personalidade e era transmitido diariamente de segunda a sexta das 7 às 7:30 aos paranaenses. Depois soube que estava na Revista Veja devido a publicações de seus vídeos da TVeja através do Facebook. No final do ano passado, também aleatoriamente, tive acesso às gravações do programa Pingos nos Is. Eu não a seguia, ela que me encontrava…

E o que a Jovem Pan e a Revista Veja têm em comum nesse contexto? Joice Hasselmann, obviamente.

E o que aconteceu para ela ser descartada ou romper o contrato com as duas corporações? Jogo que seja o fato de estarem contrários aos alinhamentos, interesses e estratégias políticas do mundo corporativo privado. Quando atacamos os políticos, geralmente referenciamos o poder público como o único responsável pelas mazelas sociais. Mas não é.

Lula conseguiu ser eleito pelo caloroso, vibrante e social discurso em favor do assistencialismo e da equidade social. Não tinha, segundo ele, apoio das grandes mídias e dos grandes empresários. Foi presidente na sua persistência e na expectativa do povo de sair da miséria física. Mas no percurso (e na minha singela opinião, muito antes dele) se deu conta, assim do nada, que seu caminho seria mais grandioso estando aliado a grandes grupos empresariais e publicitários. Prova disso é que numa entrevista concedida à Folha de São Paulo publicada em 01/03/2018, Lula disse: “Você há de convir que tenho um comportamento exemplar no meu tratamento com a impressa brasileira”. Cada um entende da forma como quiser essa declaração, ok?

Há um ditado que diz que ninguém bate em cachorro magro. E também sou da opinião que ninguém enfrenta um gigante sem uma pedra na mão. Talvez tenha sido por isso que, ao folhear a revista Veja nos governos do PT, se via muita propaganda do Governo Federal. Cachorro Magro e Gigante fizeram associações, ou conchavos, como ficar melhor e adequado. E nesse relacionamento ora um era cachorro magro. Ora outro era gigante. E Veja parou de bater tanto. E a enaltecer mais.

E Joice? 

Não acompanho a carreira dela. Sei o que sei pelo meu limitado acesso à mídia social.

Existem várias hipóteses para as prováveis demissões dela na Jovem Pan e na Revista Veja, incluindo a incompetência, dirão os invejosos. E também o fato de ela ser severamente contundente em seus posicionamentos.

Sempre há muito mais do que simples acontecimento ou fato. Há a verdade de um, a verdade de outro e a verdade verdadeira. Mas ela foi a única que se manifestou publicamente esclarecendo o ocorrido entre ela e o Pingos nos Is. E eu escolho acreditar em quem dá a cara para bater.

Independentemente da limitação intelectual ou do posicionamento político de cada um, não é certo, nem justo, nem humano, usar de um expediente tão insensível para dizer: Joice, você não serve mais aos nossos alinhamentos e interesses!

Prefiro acreditar que o que está me faltando seja só a bússola. Ela só sabe apontar o Norte. O mundo digital tem vários lados. E sabendo onde está o norte, ainda consigo saber onde está meu coração.

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Dilma, microfones e um caldo de cultura nos discursos

Verdade verdadinha, não tenho a menor honra de escrever o que escreverei da Senhora Dilma Rousseff. Como gostaria que fosse diferente…

Muito além das asneiras e babaquices que ela (ainda) anda discursando, é ter que engolir o fato que ela foi presidente do Brasil por quase dois mandatos. E que sua trajetória política fará parte de livros de história, material este que, de acordo como será repassado aos alunos, ela poderá ter reconhecimento de mártir.

Em 2014 quando Dilma foi reeleita, vi um desenho que ilustrava de forma metafórica, o verdadeiro momento da presidentA. Em cima de um poste estava uma tartaruga. Sim, um poste de luz. Algumas pessoas olhavam para cima sem entender como um ser, quase rastejante, chegou lá. A única palavra da ilustração bem ao lado da tartaruga era Dilma.

Dilma não chegou lá sozinha. Ela teve um governo anterior que surfava em suave (e mascarada) onda. Os índices econômicos eram favoráveis e o seu antecessor, Lula, estava com uma aceitação popular tão elevada, que passaria não só um boi, mas uma vacaria toda. Aliado a isso, uma excelente equipe de publicitários e marqueteiros pintaram e bordaram no acobertamento da imagem de ignorância e de despreparo de uma presidenciável. Uma estratégia: evitar microfones. Ela falou muito pouco e discursou menos ainda. E só arriscava abrir a boca quando era obrigatória sua participação, como nos debates. Fico imaginando como eram os bastidores de sua esquipe (e até dos anjos da guarda dela) quando ela tinha que falar sem estar em terreno neutro e de improviso. Ah, anjos!

O trabalho dos marqueteiros bem maquiado e a imagem de Lula, sem maquiagem, foram os grandes trampolins de Dilma Vana Rousseff. E Dilma chegou lá, assim como a tartaruga em cima do poste. E não foi sozinha, teve ajuda. Ela chegou de forma democrática, através das urnas eletrônicas e com o apertar de milhões de dedos humanos confirmando o número 13, ainda que a combinação de urnas eletrônicas e dedos humanos tenha gerado suspeição, em suas duas eleições.

Recordo-me de uma entrevista que ela concedeu ao Jô Soares. Ali ela era toda gavola, inclusive com a autenticação do entrevistador, que foi (ou é, não sei!) mulher de muitas leituras. Especialmente na época do exílio e teve a oportunidade de ler várias vezes a Bíblia.

Verdade seja dita: só quem tem muuuuuita leitura consegue ter habilidade para criar um discurso improvisado tão rico e tão excitante como o descrito na sequência:

“… em termos partidários inesperada por eles. A segunda questão é o surgimento da extrema-direita. A extrema-direita não surge como um raio no sol azul. Ela não é um raio no sol azul. A gente pode até ter subestimado a força da extrema-direita no Brasil. Mas ela já havia dormente. Porque eu acho que isso é que nem o novo. O novo. O que é o novo, hein? O novo. Essa… essa defesa do novo. Eu acho que o novo é que cada vez ocorre isso em relação a nós humanos que somos mortais. E que a nossa… a nossa etala… nossa vida  com capacidade ela tem uma durabilidade. Isso é o novo. Agora o novo não é o jovem de 30 anos ou o jovem de 70 anos. A enorme intolerância criada como o… como o… meio ambiente. Como o caldo de cultura melhor dizendo do que meio ambiente, porque o meio ambiente tem conteúdo positivo, caldo de cultura não. O caldo de cultura se cultiva doença.  Se cria… se cria o MBL, o Vem para a rua, e os movimentos desse tipo. E as… os… a… grande, o grande efeito desse processo que mostra o grau… o grau de perda do centro conservador e da direita conservadora é o surgimento claro da extrema-direita do Brasil com o Sr. Bolsonaro. Que é uma pessoa que defende… Ele poderia defender a ditadura militar? Não sei. Acho que não poderia num pais que teve a ditadura que nós tivemos. Agora ele não… jamais poderia… poderia, de público, defender tortura.” Dilma Vana Rousseff, 22/01/2018.

Faço questão de registrar que ouvi esse discurso várias vezes. Quis transcrevê-lo com precisão. Arrisquei na pontuação, buscando respeitar a oralidade. Se algo estiver errado a falha é minha na transcrição. Nada errado no discurso dela que foi impecável, A La Dilma Rousseff! Um grosso Caldo de Cultura! E uma desgraça para o entendimento da extrema-direita.

Quando ouvi mais essa baboseira toda, em total descrença, pois ainda consigo não acreditar, perguntei a mim mesma: quem é o babaca, ops! quero dizer, o responsável em liberar o microfone a ela?

Pensando melhor, torço para que liberem microfones, megafones, canal aberto de televisão 24 horas e etc, tanto para Dilma como para Lula. Esses dois ex-presidentes quanto mais abrirem a boca, mais fácil e curta ficarão suas histórias nos livros. Agora é torcer para que não tenhamos professores à caça de mártires acéfalos.

Por Leila Previati

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Ordem, Progresso e uma cama com colchão no meio do caminho!

Li recentemente a um relato que uma única pessoa, no caso a mesma que descreveu o fato e sem necessariamente estar preocupada com a ordem, ajudou um casal. Embarcaram uma cama de casal box com um colchão num ônibus público. Na região paranaense (de onde venho) chamamos esse meio de transporte de ‘circular’. O usuário paga pela passagem e tem trânsito permitido até o destino desejado. O trajeto inclui pontos comerciais e residenciais, áreas de lazer, aeroportos, rodoviárias, etc. A cama, que é um móvel, ficou totalmente imóvel no corredor e pagou-se por ela uma passagem (valor considerado um absurdo pela relatora) até o seu destino final: o bom sono de seus donos.

Tentei através do Google várias buscas no intuito de conhecer – pelo menos superficialmente – as regras de transportes de pessoas em ônibus urbanos. Talvez não tenha sido específica o suficiente, mas não encontrei o que procurava. Quis buscar na lei as regras que regulam o transporte de pessoas dentro dos municípios, mas só encontrei entre cidades e estados. E aí resolvi usar do bom senso e da minha suposta sensibilidade nas argumentações. Corro grande risco, na minha exposição, de ser mal interpretada e sei que poderei até ser mal vista (já tive um feedback raivoso e uma sugestão clara que não sou um Ser de Luz). Mas penso diferente da Boa Samaritana que ajudou uma cama box a ficar no meio de um corredor de um ônibus coletivo destinado a pessoas. E o que esperar de um ser sem luz como eu? Minha opinião, é óbvio…

Ficou claro que a condição financeira do casal é precária a ponto de recorrer a um expediente tão bizarro, impróprio e sem ordem como esse para transportar seu valioso e precioso móvel. Não é todo dia que se vê uma cama ‘deitada’ no corredor de um ônibus. E meu desejo é que esse tenha sido o primeiro e o único evento dessa natureza. Mas também sei que não acontece tudo o que desejamos…

Situações como essa abrem precedentes. Com exceções de objetos pessoais, como malas, sacolas, bolsas, mochilas, mochilões, acredito ser improvável que a legislação permita o transporte de bens móveis como sofás, mesas, geladeiras, camas. Isso porque, na minha, quem sabe, distorcida visão, está subentendido que o ônibus urbano é exclusivo a transporte de pessoas. Não de cargas, porque não há compartimentos específicos para elas.

Mas o que esperar de um país que tem um lema tão lindo em sua bandeira – Ordem e Progresso – e que acomoda todos os tipos de situações? O que é atender a necessidade de um casal e seu novo colchão sendo transportado num corredor de ônibus quando um ex-presidente, condenado em várias instâncias, continua solto? O que é não permitir o ir e vir de pessoas num ônibus público com o corredor tomado por um colchão quando um tal Supremo acena com a possibilidade de inclusive fazer voltar um ex-presidente condenado? E o que tem de comum entre um dono de uma cama box que a transportou num ônibus coletivo com um ex-presidente condenado e solto? São pessoas. E sendo pessoas são dignas de compaixão.

Vamos desconsiderar a ordem em favor do humanismo. Logo teremos filas nos pontos de ônibus de fogões, geladeiras, sofás, estantes e tudo mais. O motorista continuará cobrando uma passagem de cada item. Se o passageiro transportar dois deles , por exemplo, serão mais duas passagens. Será, por assim chamar, o preço do frete. Cria-se a partir disso, uma nova modalidade para o transporte de mudanças, muito peculiar de nossa criatividade brasileira. A desordem cria o caos e ela abre caminho para a impunidade em todos os níveis, incluindo a corrupção. Esta não tem a visibilidade de um colchão no meio do caminho. Não tem provas factuais e físicas e com isso consegue ampliar o coitadismo, a vitimização e a pobreza de espírito do homem, favorecendo a impunidade, incluindo de ex-presidente da nossa pátria.

Ainda no relato desse fato, a ‘pessoa da luz’ diz que, provavelmente o casal tenha sido surpreendido com a impossibilidade de entrega da cama pela loja. Talvez sim, talvez não. Para mim isso soa mais como argumentação social barata do que uma escolha racional e consciente do casal ao se decidir pela compra do colchão naquele dia e daquela forma.

Pior que carregar um colchão é dormir num ruim. Uma moradia digna pressupõe um bom e confortável lugar para o descanso, incluindo a qualidade do leito. E faço votos que cada um consiga, elegendo suas prioridades, o melhor e mais aconchegante lugar para dormir.

Não, não durmo em berço esplêndido. Durmo em ambiente legal e construído com o suor, com calos e, em alguns momentos, com dores – pode não parecer aos olhos de alguns (ainda mais com meu posicionamento contrário ao humanismo da Boa Samaritana). Seria leviano, para mim, pensar diferente do que penso em função do meu histórico de vida. E também seria arbitrário da minha parte, querer que a pessoa que ajudou o casal, pensasse diferente e fizesse diferente do que fez. Não só foi feita a boa ação como foi fotografada e publicada. Minhas questões mais contundentes em relação ao ocorrido:

  • O que aconteceu (transporte de móvel em circular) tem respaldo na lei? Pode Arnaldo?
  • Por que estar mais associado com a Ordem da bandeira nacional faz de mim, por exemplo, um ser desprezível e das trevas?

Um dia, passou em frente a minha mesa um diretor da empresa onde trabalhava conversando ao celular. Ele, um pouco alterado, dizia: “-Você está dizendo que é para eu usar o bom senso? Se é isso, meu caro, é porque você não tem ordem em seus critérios e ainda quer que eu o siga?”.

Acredito, piamente, que somente alcançaremos o Progresso quando seguirmos a Ordem.

Por Leila Previati

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Ao contrário do quase homônimo do cinema, aqui Huck é que vira Luciano

Luciano Huck me fez lembrar minha experiência em cursos ministrados de PNL (Programação Neurolinguística). Era muito comum aplicação de dinâmicas de grupos para consolidar o conhecimento buscando aproximar a teoria com a pratica.

Uma delas era um verdadeiro curinga. Tão versátil, útil e poderosa que circulava livremente em todos os conteúdos. Era só uma questão de adaptação. E sua riqueza existia devido ao texto que a sucedia. Ele era impreciso, carregado de generalizações, de omissões e de distorções. Tinha apenas seis personagens e um deles tinha o nome de Bandido.

Em salas, era muito comum devido as características abertas do texto, muita discussão por conta dos pontos de vistas contrários. O enredo, muito bem enjambrado, era manipulativo e fazia com que os participantes preenchessem as lacunas abertas (devido a linguagem geral, omissa e distorcida) com seus históricos de vida. Muitos até parecidos o que facilitava o entendimento entre um integrante e outro, mas o pau torrava na maioria do tempo.

E claro o aprendizado se comprometia. Isso porque a grande maioria não conseguia ampliar a visão, mantendo apenas seus posicionamentos e pontos de vistas de acordo com suas vivências. Os fatos eram desconsiderados e o que mais se valorizava eram as próprias opiniões e os egóicos sentimentos. A morte, presente no enredo, era totalmente desconsiderada. Em favor das autoexperiências e “elevados” julgamentos, criavam-se inúmeras, vagas e imprecisas interpretações para o que tinha acontecido. Vai lá, tudo bem. O texto fazia essa provocação.

Obviamente que ele induzia encontrar outros culpados que não fosse o Bandido, porque estimulava cada um dar a versão de acordo com suas experiências pessoais. Praticamente tudo nele era tendencioso. Mas tendencioso para quem?

A sala de aula me mostrou a realidade das massas, a facilidade de seguir tendências e não fatos. São poucos que a enxergam a realidade como ela realmente é. A grande maioria, sem se apoiar em dados e seguir sinais e pistas, acompanha a trilha que a grande mídia mostra, por ela é mais aberta, fácil e acessível.

Uma tela em altíssima resolução repleta de bundas peladas rebolando a céu aberto, sons altos e de baixíssima composição, coreografias ensaiadas com movimentos eróticos e tudo intermediado com apelo vocativo e emocional com o nome de Lar Doce Lar, por exemplo, é audiência certa. Ainda mais com a expectativa que a próxima casa a ser reformada pode ser a minha. Não há audiência atrofiada, limitante e condicionante que resista a um lar reformado com os padrões globais. E cede. E essa mesma sociedade rudimentar transforma um Bandido num pobre coitado, com direitos de vítima e obrigações de coitado.

E a isso tudo se está chamando de Nova Política: inclusão de bandidagem, de viadagem, de putaria e muito mais. Além de um sangue-bom e novo conhecido por Luciano Huck. Sim, o mesmo das bundas peladas de anos a fio e do também famoso Lata Velha, dentro do programa Caldeirão da Rede Globo.

Huck não é o novo como Fernando Henrique Cardoso, com sua voz embasbacada e que se diz autoridade do PSDB, está tentando vender. Em idade pode ser, mas marcha de acordo com os mandamentos da política velha. Não tenho nada contra ele como apresentador fanfarrão, mas não concordo com sua filosofia de vida e seu jeito de ganhar dinheiro. E gosto menos ainda dos vínculos que ele tem de amizades que evidenciaram não possuir filtros, apenas ideologias interesseiras e pessoais.

Luciano é para mim o mesmo que alguns outros candidatos à presidência: um completo ignorante em várias áreas. Nem arisco pontuá-las, porque estaria sendo leviana ou justa demais. E com um agravante: ele é um subproduto de uma grande teia geradora de tendências nociva, corrosiva e manipulativa. É alguém que chegando lá na Presidência da República do Brasil, contribuirá ainda mais com a alienação do povo, aquele mesmo que não consegue enxergar Bandido como bandido. Aquele mesmo das dinâmicas de grupos incapaz de explorar a realidade factual em detrimento da concepção de outras como a usurpação da inocência de crianças definida subliminarmente como criação de gênero. Uma ideia tão repugnante com o objetivo de por em dúvida “tão somente” Deus e Suas criações.

Não queria Luciano Huck como presidente do Brasil, mesmo sabendo que tudo é possível depois do advento conhecido por Dilma. E não o queria nem como candidato. Huck para mim é só mesmo a referência sonora do nome de um personagem de um homem irado, forte e verde que poderia ser ruim, mas é bom nos desenhos animados. Na vida real a coisa é bem diferente como vi acontecer inúmeras vezes nos testes simulados das dinâmicas. Se não conseguimos enxergar e separar fatos, como lidar com a loucura de um homem bonachão, franzino e vermelho?

Felizmente, ele se descobriu Luciano e desistiu. As pessoas sérias do país agradecem.

Por Leila Previati  Professora por formação. Trainer em PNL (Programação Neurolinguística) por paixão. E escritora cronista para exploração e provocações de ideias e ideais.

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