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Não será com a bunda no sofá

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Não será com a bunda no sofá

Não será com a bunda no sofá

Ninguém disse que seria fácil.

Ninguém falou que não teria resistência, que não haveria uma oposição ferina, que não seria muito tumultuado. E como está tumultuado! Até o silêncio é usado para causar tumulto. Sabíamos, inclusive, que a justiça seria um oponente duro. Mas não havia previsão de que para essa dureza valeria jogar sujo, ou mais sujo ainda.

Como jogar com alguém que joga sujo se esse alguém tem poder suficiente para que o jogo sujo só seja eficaz a favor dele? Em outras palavras, como encarar os desmandos do Supremo Tribunal Federal sem a mínima chance de êxito já que o único poder – que tem poder – para enfrentar os senhores ministros é o Senado Federal, cuja metade dos senadores está devidamente acomodada nos escaninhos desses mesmos ministros.

Durante a pandemia, o STF, em nome da própria pandemia, soltou 32.500 bandidos para que os pobres coitados não fossem contaminados pelo flango flito. Para onde foram esses bandidos? Qual a chance remota de conseguir levar de volta para a cadeia pelo menos 5% desse contingente? Por que soltaram? Por que soltaram diversos líderes de facções? Qual o propósito de ter essas pessoas soltas?

Também em nome da pandemia, o mesmo STF proibiu operações policiais nas favelas e comunidades do Rio de Janeiro, inclusive sobrevoos de helicópteros da polícia sobre esses locais. E só podem subir ou sobrevoar morro com autorização judicial. Em nome de que? O que, de verdade, está sendo preservado nisso tudo? Ou o que está sendo omitido, quem sabe?

Eu gastaria milhares de caracteres para falar de ações ilegais, imorais, antiéticas, inadequadas, suspeitas, partidárias, e até criminosas praticadas no e pelo judiciário brasileiro. Mas não diria nada que muita gente já não saiba. Não levantaria uma dúvida que muitos já não tivessem levantado. Porém, não paro de procurar a combinação certa de palavras que podem motivar as pessoas a saírem da letargia que as impede de reagir em nome do próprio futuro.

Convivemos com escândalos inomináveis desde a redemocratização do país. A corrupção ocupou todos os espaços da máquina pública chegando ao ápice nos governos petistas. A palavra escândalo conseguiu perder o glamour e a força que tinha quando era usada para uma revelação bombástica. São décadas convivendo, passivamente, com escândalos todos os dias, momentos em que estavam envolvidos do mais alto ao mais baixo cargo no setor público. De propina em construções faraônicas á propinas em lanchonete da Câmara dos Deputados.

Nos últimos anos vimos de dinheiro escondido em apartamentos alugados apenas para esse fim até enfiado no fiofó de um senador da república. Vejam bem, um senador da república.

Temos ministros do STF que libertam amigos, outros que libertam ex-chefes, outros que libertam qualquer bandido, outros especializados em bandidos do PCC, outros em bandidos de colarinho branco, tudo isso regado à lagostas e vinhos com no mínimo quatro premiações internacionais. E gente há anos na fila do STF para conseguir autorização para aquisição de remédios, gente que morre sem o remédio, sem receber o precatório, ou um direito de herança, gente que simplesmente morre, sem foro privilegiado.

Somos uma panela de pressão de válvula frouxa. O calor é suficiente para gerar a pressão, mas ninguém tem a menor intenção de arrumar a válvula. Não há alguém que se habilite, ou que indique o caminho ou que aponte alguém minimamente habilitado para isso. E sem liderança não chegaremos aonde queremos e precisamos para sair desse limbo social no qual nos metemos.

Talvez as redes sociais sejam a válvula frouxa que nos impede de chegar à pressão necessária para gerar ação. A constante expressão de indignação funciona como a fumaça que escapa pela válvula frouxa. A gente vê a fumaça sair e se contenta com isso. E ação nenhum é gerada.

O julgamento da possibilidade de reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre foi uma vitória com gosto de derrota, quando 5 ministros, meia corte, fez vista grossa para uma reinterpretação grosseira de algo que não dá para ser reinterpretado. O voto de Gilmar Mendes foi uma das chicanas mais grosseiras que vi no STF nos últimos 10 anos, e olha que já vi coisas grosseiras. Fez do fatiamento do impeachment da Dilma erro de estagiário.

Os outros 6 ministros, de seus lados, não votaram apenas para guardar o texto constitucional, mas agiram em socorro da Constituição Federal, agiram para impedir um dos maiores vexames do STF e também para afrontar o que parece ser um grupo de amotinados contra a lei e a ordem, gente que flerta permanentemente com o autoritarismo, quando não o pratica deliberadamente.

A sociedade brasileira tem que, desde já, 2020 ainda, se organizar para enfrentar o que fará café pequeno desses poucos episódios que citei. O movimento não é apenas no Brasil, é no mundo inteiro. O conservadorismo está sob ataque cerrado em todos os cantos, ao mesmo tempo que os progressistas se aproveitam da pandemia de flango flito para estabelecer suas agendas.

Só um movimento coordenado e organizado será capaz de deter isso. O Brasil é um país de maioria conservadora, capaz de fazer o enfrentamento necessário. Falta coragem, organização, e tirar a bunda do sofá.

Publicado originalmente na Pingback em 7/12/2020 – Não será com a bunda no sofá

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.

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Brasileiro não é patriota por essência. É, sim, um eterno apaixonado.

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Brasileiro não é patriota por essência. É, sim, um eterno apaixonado.
Brasileiro não é patriota por essência. É, sim, um eterno apaixonado.

Dizem que o brasileiro deveria ser estudado. E é difícil não concordar com essa frase, que já virou clichê, pois conseguimos ser únicos mesmo quando, necessariamente, deveríamos ser iguais a outros povos.

Mas, a despeito de todas as improbabilidades que nos unem, e de conseguirmos cumprir os preceitos básicos par nos considerarmos uma nação (Nação é a reunião de pessoas, geralmente do mesmo grupo étnico, que falam o mesmo idioma e tem os mesmos costumes, formando assim, um povo), ainda não atingimos o grau de patriotismo (Patriotismo é o sentimento de orgulho, amor, devolução e devoção à pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino, brasão, riquezas naturais e patrimônios material e imaterial, dentre outros) e ao seu povo. É razão do amor dos que querem servir o seu país e ser solidários com os seus compatriotas), exceto quando a seleção brasileira entra em campo.

E por que isso?

Bem, eu não sou sociólogo ou antropólogo para que a minha opinião tenha validade científica ou assertividade comprovada. Sou um opinólogo e palpitólogo por natureza, ajudado pela formação em comunicação, administração, marketing e recursos humanos, e por um interesse natural pela observação da vida, das pessoas, do cotidiano. Tive a oportunidade de conhecer pouco mais de uma dezena de países, morar fora durante 4 anos, o que também colaborou muito para que eu conseguisse estabelecer comparativos diversos e criar minhas próprias teses sobre como funcionam outras sociedades. E penso que o próprio fato de ser brasileiro já me deu uma vantagem ao observar tudo o que vi. Mas é do povo brasileiro que quero falar.

Nunca tivemos, de fato, nada além da seleção brasileira e de Ayrton Senna para despertar o patriotismo na nossa sociedade. O Brasil sempre foi um país do futuro – que parece nunca chegar. Nunca tivemos que provar nosso patriotismo além de sentar em frente à TV para ver Senna ganhar uma corrida ou ver a seleção jogar.

Brasileiro - Pracinhas

Sem desmerecer os Pracinhas da Segunda Guerra, essa foi a tentativa mais próxima de despertar o orgulho pelo nosso país, mas que, mesmo assim, com a consciência do quão coadjuvante fomos numa guerra longa e de tantas consequências para a história da humanidade. E pior do que isso, uma guerra longe de nós. Não teve uma bomba sequer, nem um estalinho, que pudesse nos dar a sensação de que fazíamos parte do que acontecia na Europa. Enquanto os aliados tomavam a França, a Alemanha e soltavam bombas atômicas no Japão, nós tomávamos Monte Castelo na Itália. Nem uniformes adequados ao inverno europeu nossos pracinhas tinham.

O povo brasileiro nunca passou por uma guerra. Nunca fomos vítimas de tufões, furacões, terremotos, tsunamis, vulcões, nada de proporções avassaladoras que nos permitisse sentir a fundo a necessidade de nos unirmos em torno de algo muito maior que nós.

As poucas guerras que vivemos foram internas e, dado o tamanho continental do nosso país, quem não fosse vizinho só ficava sabendo. Conhecemos a história da Guerra Farroupilha, da Revolução de 30, do golpe que implantou o estado novo, do contragolpe militar de 1964, mas nada disso foi perto de todos, ou afetou a todos materialmente ou emocionalmente. Sempre ficamos distantes de todos esses acontecimentos, afinal o mais próximo aconteceu 55 anos atrás.

A própria fome, que é um mal que nos afeta desde sempre, e em especial no nordeste, nunca chegou nem perto do Holodomor, que vitimou mais de 8 milhões de pessoas de fome na Ucrânia.

O brasileiro não vota em presidentes por nacionalismo ou patriotismo. O brasileiro se apaixona por políticos, e, com isso, abre mão de toda noção de realidade e bom senso para defender sua paixão, esquecendo-se que esses políticos existem para representar o povo, a nação, e não apenas a si mesmos.

Brasileiro - Getúlio Vargas

O povo era apaixonado por Getúlio Vargas, pai dos pobres, autor intelectual da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, que acabou dando um tiro no peito em 1954 pelas graves acusações de corrupção que seu governo sofria.

Brasileiro - JK - Juscelino Kubitschek

Com a morte de Getúlio assumiu seu vice, Café Filho, enquanto o povo já se apaixonava pelo mineiro Juscelino Kubitschek, que prometia desenvolver o Brasil 50 anos em apenas 5. Foi ele quem trouxe a indústria automobilística para o país, mas seu maior legado acabou sendo a construção de Brasília. Saiu do governo também acusado de corrupção, o que foi largamente usado pelo seu sucessor.

Jânio Quadros

Usando uma vassoura como símbolo de quem prometia limpar a corrupção do pais, Jânio Quadros mal esquentou a cadeira e renunciou ao cargo 8 meses depois alegando a existência de forças ocultas. A renúncia de Jânio Quadros provocou até suicídios, tristeza coletiva, inconformismo generalizado.

Brasileiro - Jango - João Goulart

João Goulart, ou Jango, como era conhecido, era vice-presidente de Jânio Quadros e assumiu o poder quando este renunciou. Com ele, a esquerda assumiu o poder, e outra ala apaixonada do povo brasileiro se manifestou. Acusado de comunista e acuado pelos militares, Jango abandonou o poder e fugiu para o Uruguai.

José Sarney

José Sarney assumiu em função da morte de Tancredo Neves, último presidente do Brasil eleito pelo Congresso Nacional. Mesmo considerado um dos piores presidentes da nossa história, Sarney teve seus dias de glória quando decretou o congelamento de preços. Mas seu governo foi um dos maiores fracassos de república, o que abriu a brecha necessária para que o povo brasileiro mais uma vez se apaixonasse.

Brasileiro - Fernando Collor

Autodenominado “caçador de marajás”, Fernando Collor foi eleito numa disputa com Lula, despertando paixões em todos os cantos do país. Suas caminhadas aos domingos era acompanhada de centenas de pessoas. Porém, mais um governo recheado de corrupção. Sofreu impeachment 1 ano e 9 meses depois da posse. Deixou como legado a abertura econômica do país.

O sucessor de Collor foi Itamar Franco, que era seu vice-presidente. Um presidente que não despertou paixões, apesar de ser popular e ter deixado como legado o Plano Real, até hoje o grande responsável por tirar o Brasil de uma inflação de 80% ao mês e dar a estabilidade da moeda, antes impossível. Mas se Itamar não despertou paixões, foi de certa forma ele o responsável pela eleição de seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso, então Ministro da Fazendo e principal ator da criação do Plano Real.

Fernando Henrique

Se Fernando Henrique Cardoso não era o presidente mais popular dos populares, quem gostava dele era apaixonado. Não à toa ele derrotou Lula duas vezes, ambas no primeiro turno.

Brasileiro - Lula

Chegamos então em Lula, que dispensa mais explicações. Um fenômeno eleitoral cuja paixão do povo só pode ser comparada aos tempos de Getúlio Vargas. Paixão cega que perdura até hoje, quase 10 anos depois de sair do governo.

Dilma

A paixão do povo por Lula é tão ensandecida que graças a ela Dilma Rousseff, uma mera desconhecida, foi eleita e reeleita até sofrer impechment em 2015, após detonar a economia brasileira, fazendo o país retroceder mais de 10 anos em suas conquistas e estabilidade.

Dilma foi, então, sucedida por Michel Temer, seu vice-presidente nos 2 mandatos, que por mais que se esforçasse era incapaz de despertar paixões.

O povo brasileiro nunca passou por uma guerra. Nunca fomos vítimas de tufões, furacões, terremotos, tsunamis, vulcões, nada de proporções avassaladoras

Chegamos então em Jair Bolsonaro, um deputado federal do chamado baixo clero da Câmara dos Deputados, que nunca tinha feito nada de significativo, exceto combater ferozmente a esquerda com discursos inflamados e acusações duras.

O povo brasileiro, porém, cansado de tanta corrupção promovida nos anos FHC, Lula e Dilma, se apaixonou por Jair Bolsonaro, e o elegeu presidente do Brasil com 57 milhões de votos, número que não foi conseguido nem por Lula no auge de sua popularidade.

Encampando um duro discurso anticorrupção, e se valendo da popularidade da Operação Lava Jato e do, então, juiz Sérgio Moro, Jair Bolsonaro, já no primeiro turno, deu mostras de que seu oponente, o fraquíssimo Fernando Haddad, representante do legado de corrução deixado pela esquerda em todos os cantos do país, não teria chance de virar o placar no segundo turno.

Outra questão importante foi o atentado sofrido por Bolsonaro ainda antes do primeiro turno, que fez aumentar sua popularidade e a consequente onda de paixão avassaladora por ele.

O que penso, de fato, é que ainda não escolhemos um presidente pela sua capacidade de realização. Os principais ocupantes do cargo mais importante da nação foram eleitos pela emoção, e não pela razão, mesmo quando esta permeia a escolha.

Nos dias de hoje, não se pode criticar Jair Bolsonaro. Como não se podia criticar Lula ou Fernando Henrique, Jango ou Jânio, JK ou Getúlio Vargas, pelo simples fato de que não se tratava de presidentes, mas das paixões que o povo brasileiro nutriu por eles, e que nutre agora por Jair Bolsonaro.

Enquanto o povo brasileiro não conseguir eleger um presidente com a razão acima da emoção, a guerra ideológica ou partidária não acabará nunca, a instituição presidência da república não terá na república o peso que deve, o Congresso Nacional não terá pelo povo o respeito que deveria ter, e o Supremo Tribunal Federal terá a cara daqueles que, ao longo de seus mandatos, tiveram a chance de colocá-los lá.

Patriotismo não tem nada a ver com paixão. Tem a ver com pátria. E ainda espero um dia, apesar dos meus 55 anos, poder ver um povo brasileiro eternamente patriota, pois só isso constrói uma nação.

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Adélio Bispo. As duas farsas de um criminoso e da justiça.

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Adélio Bispo. As duas farsas de um criminoso e da justiça.
Adélio Bispo. As duas farsas de um criminoso e da justiça.

Hoje saiu o laudo dos psicólogos e psiquiatras definindo que Adélio Bispo é doente mental e sofre de Transtorno Delirante Permanente-Paranoia. Isso porque, entre outras coisas, ele insiste em dizer que não cumpriu sua missão e que vai matar Jair Bolsonaro quando (?) sair da cadeia. O laudo foi assinado por peritos (Quem são eles? Gostaria de saber seus nomes) indicados pela justiça federal. Como se pudéssemos confiar na justiça federal.

Essa tese poderia ser aceita se Adélio Bispo não tivesse tantas outras provas e evidências de ligações com o PSOL, com a esquerda. Mas não é o caso. Podem dar o laudo que quiserem, dado seja lá por quem for, porque o problema não estará no laudo, mas na farsa que responde pelo nome de Adélio Bispo.

Os caros advogados que imediatamente acorreram para defender Adélio Bispo não foram defender uma pessoa que tem transtorno mental, mas um assassino. E não foram contratados às pressas pela família ou por amigos, mas por gente que estava mais preocupada em se proteger do que ele poderia falar do que com os possíveis problemas mentais que ele teria.

Adélio Bispo de Oliveira definitivamente não estava sozinho! (vídeo)

A verdade uma hora virá à tona, e todos saberemos que Adélio Bispo pode até ser doido – afinal quem tenta matar um candidato à presidência com a popularidade de Jair Bolsonaro, no meio da multidão, tem que ser doido e suicida. Mas a doideira dele não foi motivada por transtornos mentais e sim por pagamento de um serviço, do qual esperavam que ele não saísse vivo.

Adélio Bispo foi rapidamente tirado de Juiz de Fora pela justiça e isolado num presídio federal com a desculpa de proteger sua integridade. Só que foi tirado de circulação para que ninguém mais tivesse acesso a ele e assim pudessem orientá-lo para que pudessem constatar sua loucura. Adélio foi treinado para ser ou parecer louco, mesmo que o leitor possa achar que o louco aqui sou eu.

Se prestarem atenção, os advogados de Adélio Bispo disseram inicialmente que estavam cuidando de Adélio de graça, e que aceitaram o caso como estratégia de marketing.

Para quem não conhece, indico o filme As duas faces de um crime, protagonizado por Richard Gere e Edward Norton. Diz a sinopse do filme:

” Em Chicago, um arcebispo (Stanley Anderson) assassinado com 78 facadas. O crime choca a opinião pública e tudo indica que o assassino um jovem de 19 anos (Edward Norton), que foi preso com as roupas cobertas de sangue da vítima. No entanto, um ex-promotor (Richard Gere) que se tornou um advogado bem-sucedido se propõe a defendê-lo, sem cobrar honorários, tendo um motivo para isto: adora ser coberto pela mídia, além de ter uma incrível necessidade de vencer.”

Se prestarem atenção, os advogados de Adélio Bispo disseram inicialmente que estavam cuidando de Adélio de graça, e que aceitaram o caso como estratégia de marketing.

A história do jovem Aaron (o assassino da história) apresenta um jovem de 19 anos que tem transtorno mental e que teria praticado o crime por ter sido abusado pelo arcebispo que era pedófilo (a resenha completa do filme você pode ler inteira clicando aqui). A seguir vou replicar apenas alguns trechos e volto ao assunto.

” Alegando que foi abandonado pelo seu pai, ter lapsos de memória e ser vítima de maus tratos, Aaron, desperta Roy, seu alter-ego, oposto a sua personalidade. Enquanto Aaron é tímido e inseguro, Roy tem voz firme, olhar ameaçador e postura corporal intimidadora. Após a descoberta do distúrbio pedofílico de Rushman, Vail fica receoso em divulgar a notícia e ter a reprovação do júri, envia o material à promotora para que a mesma tenha aborde o fato no tribunal, algo que facilitaria com que Vail convencesse o júri. A seu favor, Vail descobre que seu cliente é portador deTranstorno dissociativo de identidade, um distúrbio que faz com que o portador aflore múltiplas identidades (geralmente duas). Com essa prerrogativa, Vail pode requerer a internação de seu cliente perante os jurados, uma vez que o mesmo possui doença que tolhe o discernimento.”

” A estratégia dá certo e Aaron é livrado do corredor da morte. Porem ao visita-lo na prisão afim de dar a notícia, Vail tem uma surpresa desagradável. Aaron na verdade o manipulou o tempo inteiro e sua personalidade verdadeira era a que o mesmo chamava de Roy. Percebe-se pela atuação do Richard Gere que Vail fica sem chão com a descoberta e sente-se traído e assim termina a estória.”

Pois então. Será que só a mim parece que a história de Adélio Bispo se parece com a estória do personagem Aaron? Será que sou eu um alucinado inventando teorias da conspiração?

Adélio Bispo de Oliveira é um criminoso frio, que calculou meticulosamente cada passo até chegar à fracassada tentativa de assassinar Bolsonaro. E não planejou sozinho, não recebeu depósitos em suas contas de si mesmo, não tinha aquele arsenal de celulares e notebook comprados com dinheiro próprio, não viajava com dinheiro próprio e nem frequentou o Congresso Nacional e gabinetes de esquerda porque tinha Transtorno Delirante Permanente-Paranoia.

A tentativa de enquadrar Adélio Bispo como doente mental não é original e nem explica o trancamento das investigações a respeito do caso.

Era para Adélio Bispo deveria ter morrido e não morreu. E também não morreu na cadeia porque se morresse as teorias de conspiração deixariam de ser meras teorias.

Se inicialmente pensou-se na esquerda, PSOL, Jean Wyllys, PT e outros personagens secundários como possíveis mandantes, a conclusão que temos que chegar agora é que muita gente muito mais graúda está por trás da tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro, e tenho até medo de dar chutes a esmo. Mas é gente de primeira grandeza, de primeiro escalão, e não se resume à esquerda. Pode ser até que vista roupa preta.

A classificação de Adélio Bispo como doente mental, atestada por uma justiça corrupta, talvez hoje, após a Lava Jato, o poder mais corrupto no Brasil, é uma tentativa de liquidar o assunto, acabar com as investigações e dar uma satisfação à sociedade, em especial aos 52 milhões de brasileiros que votaram em Jair Bolsonaro.

Adélio Bispo é uma das maiores farsas da história recente do Brasil, e o desfecho que estão tentando dar ao caso é uma farsa ainda maior.

Insisto para que as pessoas assistam o filme As duas faces de um crime e cheguem às suas próprias conclusões sobre a similaridade entre Adélio Bispo e o personagem Aaron Stampler, brilhantemente interpretado por Edward Norton. Insisto porque tal qual Adélio, Aaron foi extremante brilhante ao convencer o júri de que era doente mental. E tiveram 6 meses para preparar Adélio para convencer psicólogos e psiquiatras a assinarem um laudo conferindo-lhe o status de inimputável.

A investigação da tentativa de assassinato de Jair Bolsonaro não pode terminar assim, da mesma maneira que Adélio Bispo não pode terminar essa história num manicômio judiciário. É preciso inclusive que o Desembargador Néviton Guedes explique porque mandou suspender as investigações. Que poder é esse que a OAB tem que interfere na investigação de um crime enquadrado na Lei de Segurança Nacional?

O povo brasileiro tem que pressionar a justiça para continuar a investigação e manter a quebra de sigilo bancário e telemático dos advogados que tão rapidamente abraçaram sua causa, contratados por “um pagador caridoso”.

Se há mesmo gente muito graúda nessa história nós precisamos saber, e essas pessoas precisam ser punidas, pois são as mesmas que vêm tornando o Brasil o paraíso da impunidade.

Mais do que revelar as duas faces de um criminoso, já passou da hora de revelar as duas faces da justiça brasileira, e daqueles que são responsáveis por fazer que ela seja feita.

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Alexandre Kalil, prefeito de BH, culpado pela tragédia do Vilarinho. Mas é?

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Alexandre Kalil, prefeito de BH, culpado pela tragédia do Vilarinho. Mas é?

Alexandre Kalil, prefeito de BH, culpado pela tragédia do Vilarinho. Mas é?Estava eu voltando da padaria, seis pãezinhos quentinhos, quando parei para tirar um dedo de prosa com o Djalma, porteiro do prédio. Disse ele que “o prefeito Alexandre Kalil assumiu a culpa pela morte da moça que foi engolida por um bueiro sem tampa”. Falávamos sobre o tempo feio, cara de que ainda chove um bocado esses dias, quando ele citou a tragédia da noite do último dia 15 no bairro Vilarinho, em Belo Horizonte.

E o Kalil está certo.

Quando uma pessoa assume a responsabilidade de administrar uma cidade ela se torna responsável por tudo o acontece nessa cidade, inclusive as tragédias, tal qual acontece quando um síndico assume a administração de um condomínio.

Quem assume cargo de comando é responsável pelo agora, e isso inclui os efeitos e defeitos das bobagens feitas anteriormente. Aliás, campanhas para prefeituras e condomínios costumam ser feitas com a promessa de consertar os erros anteriores.

Nesse sentido, Alexandre Kalil fez o que se espera que um executivo faça. Assumiu a responsabilidade não apenas pela tragédia, mas pela irresponsabilidade dos prefeitos anteriores, que não resolveram problemas como esse do Vilarinho, em locais nos quais essas tragédias se repetem há décadas.

Procure agora o síndico do seu prédio e pergunte a ele quando é que será reposta a tampa do ralo da garagem ou do jardim ou do banheiro da sauna ou o espelho do interruptor de um lugar desses. Sou capaz de apostar que 90% dos síndicos dirão que nem sabiam que estava faltando a tal tampa do ralo, e ainda agradecer a informação.

Lamentavelmente, tampas de bueiros são tampas de ralo numa cidade grande, e dificilmente um prefeito conseguirá saber quantas e quais estão faltando, porque são milhares, porque por muitos motivos elas somem, porque as pessoas demoram para informar, denunciar e porque a prefeitura demora a agir, ou apenas não age.

Essa informação unitária só chega ao prefeito quando o bueiro engole a moça. Antes disso ela, a informação, foi engolida pela burocracia, pela corrupção, pelo roubo, pelo descaso, pela imprudência, por improbidade administrativa de gente que, na estrutura de uma prefeitura, poderia ter resolvido o caso e não resolveu.

Ainda que a responsabilidade seja dele, a atitude de Alexandre Kalil chega a ser nobre. Mesmo não gostando de sua figura, de suas controvérsias, e da forma como sempre estimulou uma rivalidade irracional como torcedor e presidente do Atlético Mineiro (obviamente sou cruzeirense), reconheço que sua autenticidade vem de sua honestidade em falar o que pensa sobre o que quer que seja, o que ele fez agora como prefeito.

Não é comum um prefeito fazer isso. É muito mais simples – e o povo aceita – tirar o “seu da reta” alegando que está na prefeitura há apenas 2 anos e não teve tempo de resolver muitas coisas. E não teve mesmo. E nem ficou sabendo.

Tentei explicar isso tudo para o Djalma. Mas não sei se eu consegui fazer o Djalma entender que o prefeito Alexandre Kalil tem culpa, sem que o cidadão Alexandre Kalil seja propriamente o culpado.

Tentei também mostrar ao Djalma que as pessoas roubam as tampas de ferro dos bueiros da cidade, roubam os fios de cobre da iluminação pública, roubam placas de sinalização, roubam portas, janelas e peças sanitárias de órgãos públicos, e que não há prefeito capaz de dar notícia de tudo o que é roubado ou danificado em um único dia na cidade, mesmo sendo o responsável final por tudo isso.

A burocracia, a corrupção, os maus governantes, legisladores, funcionários públicos e a própria população tornam impossível que as tampas de bueiros sejam repostas tão imediatamente quanto somem.

Somos uma sociedade negligente, muitas vezes cúmplice do sistema quando estaciona em local proibido, avança sinal vermelho, estaciona em vaga de deficiente ou idoso, para em cima da faixa de pedestre, faz gato na luz, na água, na TV a Cabo, oferece propina para não levar uma multa no seu carro, negócio ou imóvel, gente que fura fila, que fica com troco a mais, mesmo sabendo que está prejudicando alguém com essas atitudes.

Finalmente, o Djalma disse que concordava comigo. Que eu estava certo. E eu fiquei feliz por ter conseguido passar um ponto de vista mais amplo para ele.

Meus pãezinhos, obviamente, já tinham esfriado, e eu me despedi, desejei um bom sábado de trabalho, me virei para entrar no prédio, e o Djalma falou:

“Mas como fica a família da moça que foi engolida pelo bueiro, porque não é justo, a família da moça está lá chorando. O Kalil falou que a culpa é dele, mas ele está lá no apartamento de luxo dele, não colocou a tampa do bueiro…”

Então eu parei, respirei fundo, me virei para o Djalma e disse: Djalma, o Alexandre Kalil é atleticano, Djalma. Dá para confiar num prefeito atleticano, Djalma?

Não, não dá – disse o Djalma. E agora ele estava satisfeito com o resultado do papo. Djalma também é cruzeirense.

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