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Aleijou, calou, prendeu, quem sabe mata algum?

Quem se propõe a comentar a política brasileira tem que se acostumar a chover no molhado. Os mesmos temas são debatidos há anos. Chega a ser vergonhoso ver sequências de capas de jornais e revistas. Fosse eu editor de um desses grandes veículos de imprensa e teria vergonha das manchetes apresentadas nos últimos 5 anos, repetitivas, mentirosas, sensacionalistas e dissociadas da realidade.

Me não são só editores e veículos de imprensa não. Nós, cidadãos comuns, também entramos nesse círculo vicioso não conseguir avançar nos temas que consideramos relevantes. Reclamamos, esperneamos, debruçamos nas redes sociais e na profusão de lives falando de política, vamos às ruas (em menor frequência e presença do que o realmente necessário) e nada muda, exceto para pior.

Recebemos o impacto dos fatos e das notícias, vemos a imprensa, o legislativo e o judiciário adulterando a história enquanto ela acontece, e as versões dos acontecimentos vão ganhando roupas novas até que assuntos novos vão providencialmente surgindo e outros ficando no esquecimento sem terem sido resolvidos.

Parece que todo mundo assimilou que Oswaldo Eustáquio está em uma cadeira de rodas como consequência involuntária de uma prisão ilegal que ele sofreu. E é mais triste assumir que tanto a causa como a consequência já não recebem mais a relevância que tem.

Daniel Silveira, deputado federal eleito, em pleno gozo de seus direitos políticos, detentor de mandato eletivo delegado pelo povo, usufruindo de sua imunidade parlamentar que o protege por “QUAISQUER palavras, opiniões e votos”, está exatamente assim na Constituição Federal, está ilegalmente preso. E que relevância temos dado esse fato cuja gravidade para a democracia e para a própria república só vem se ampliando desde o início?

O jornalista Wellington Macedo está preso há exatos 20 dias. Não come a 18 dias. E só virou comoção porque está fazendo greve de fome. O fato de estar ilegalmente e inconstitucionalmente preso não foi o suficiente para gerar a comoção que devia. Em certos temas o brasileiro pratica a solidariedade platônica. É incapaz de gestos e ações que denunciem seu interesse pela causa.

Em comum entre eles, prisões ilegais e inconstitucionais, ausência de crime e Alexandre de Moraes.

Isso é chover no molhado. Há mais se 2 anos fala-se de Alexandre de Moraes, de suas arbitrariedades, de suas ilegalidades, de suas inconstitucionalidades, até de crimes de responsabilidade. Mas ele continua com a caneta na mão e abusando do poder que ela lhe dá sem que a sociedade tenha, até aqui, sabido enfrentar o sistema que ele representa a cada canetada que dá.

É mais que óbvio que ele não representa a justiça ou a si mesmo, mas uma estrutura de crime organizado em guerra pelo domínio do Brasil. Se é por coação, opção, chantagem ou só porque é mau-caráter mesmo, nem é problema nosso saber. Mas é 100% problema nosso sofrer os efeitos de suas ações e abusos.

Queremos resolver os problemas de cima para baixo o tempo todo, e isso não está funcionando. Insistir em delegar a alguém ou a alguma instituição esse confronto é extrema covardia. O sistema é quase imparável, é bruto, e tem agentes espalhando em todos os setores e níveis do establishment e da própria sociedade. A parcela que ganha dinheiro com a desgraça, com a manipulação da miséria, apoia e promove desgraça e miséria. E não há desgraça pior para um povo e uma nação do que perder todas as suas liberdades.

Precisamos de foco, e insisto que, diante das regras sujas do dia a dia e das regras eleitorais porcas que estão sendo aprovadas no Congresso Nacional, a oportunidade de promover mudanças está principalmente no senado, onde 27 senadores serão eleitos pelo voto majoritário, ou seja, serão eleitos em cada estado os senadores que receberem mais votos, e em 2022 só haverá uma vaga para o senado para cada estado.

Como providência assessoria votar em candidatos a governadores que tenham alinhanhamento real com o pensamento de direita e conservador, repetindo o mesmo dois anos mais tarde nas prefeituras. Mas o foco principal precisa ser o Senado Federal.

Eleger o máximo de senadores alinhados ao conservadorismo de direita significa reequilibrar as forças na balança do Senado. Mas não apenas no Senado. Sendo a casa legislativa que endossa, altera ou derruba os projetos aprovados vindos da Câmara dos Deputados, um senado decente também colocará em equilíbrio o poder no Congresso.

Finalmente, um Senado Federal que tenha a maioria de senadores sem rabo preso com o STF pode dar andamento a projetos e ações que hoje são impossíveis de ir adiante tal é a promiscuidade com que legislativo e judiciário se relacionam.

Não é possível que Alexandre de Moraes esteja fazendo o que faz apenas porque ele quer ou está disputando o troféu de malvado da década. Mas seja lá o motivo pelo qual faz, é inacreditável que sua sanha de justiceiro o faça correr o risco de ter uma morte no cárcere, por greve de fome, de uma pessoa escancaradamente não cometeu e nem ofereceria risco de cometer crime algum. Certamente o abuso de poder em questão não é o dele, mas de quem, por algum motivo que não deveria, pode mais do que ele.

De nosso lado cidadão, também penso que não é possível que estejamos assistindo esse momento dramático vivido pelo jornalista Wellington Macedo, cujo único crime foi trazer fatos e informações e ter tido a coragem de mostrar sua cara para nosso benefício, para que nós, que não somos capazes de nós mobilizarmos de fato em sua defesa, tivéssemos a oportunidade de saber as verdades que a imprensa tradicional não nós contamos. Não desejamos e não precisamos de um mártir. Precisamos é de mais brasileiros corajosos que se disponham a levar.a verdade a cada vez mais pessoas.

Meu conselho a Wellington Macedo: volte a comer. Recupere dia saúde. O povo brasileiro ainda não merece que alguém se proponha a morrer de fome por ele. E nem faça isso pela sua própria dignidade. Se Deus lhe deu a missão de estar nessa situação nesse momento não foi para que esse sacrifício terminasse com o fim de sua vida. Não seja um mártir. Renove a coragem que lhe deu dignidade de chegar até aí por mostrar a verdade que ninguém quer que a gente saiba.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.

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