A CHAVE DA MUDANÇA NÃO É BRASÍLIA. É O MUNICÍPIO.

A CHAVE DA MUDANÇA NÃO É BRASÍLIA. É O MUNICÍPIO.

Olavo de Carvalho disse, mais de uma vez, que a chegada de Jair Bolsonaro à presidência de república representava a cereja do bolo, mas que não tínhamos feito o bolo, escolhido o sabor, o recheio, a cobertura e nem a decoração do mesmo. Tudo começa pelo município.

Não sei exatamente quais foram as palavras que ele usou, não encontrei um link pra referência. Mas, o que ele quis dizer, se não estou enganado, é que de nada adiantava ter a presidência da república e achar que, com isso, todos os problemas estavam resolvidos.

Sou um árduo defensor do municipalismo e isso fica explicito nos diversos artigos que tenho publicados no meu espaço na pingback. Tive a experiência de viver quatro anos em um país onde o municipalismo é a base da política participativa, em todos os sentidos, ao contrário desta visão deturpada que temos de focar nossos esforços e atenções ao que acontece em Brasília.

Nossa vida cotidiana não acontece em Brasília. Seja onde for, no Brasil, você vive em uma rua que fica em um bairro (ou distrito, ou subdistrito) que fica em uma cidade. Deputado Federal e Senador não resolvem buraco na sua rua, poda de árvore, falta de esgoto, falta de transporte público, segurança, educação, saúde pública, lei de uso do solo, coleta de lixo… Nada que diga respeito ao que nos afeta imediatamente.

Tudo o que diz respeito ao nosso cotidiano imediato é decidido nas câmaras e prefeituras municipais, e nós negligenciamos este fato. Negligenciamos que o vereador de hoje é o deputado estadual ou federal de amanhã, ou prefeito, ou governador, ou senador, ou até mesmo o presidente da república. E engana-se quem acredita que é Brasília que corrompe as pessoas.

O corrupto começa sua carreira no município, e não vemos isso porque não acompanhamos o que acontece debaixo dos nossos narizes

Seja honesto consigo mesmo e, sem procurar no Google, tente dizer o nome de 10 vereadores da sua cidade. Quantos conseguem fazer isso? Seja honesto consigo mesmo e diga 5 projetos municipais importantes que estão tramitando ou engavetados no seu município. Diga os nomes dos autores de 3 destes projetos? Ou a data que um deles foi apresentado. Saberia dizer o nome do presidente da Câmara Municipal da sua cidade, de qual partido ele é, quantos mandatos ele já tem, quais foram os projetos que ele apresentou?

Enquanto estivemos preocupados com a cereja, a esquerda definiu o sabor, o recheio, a cobertura e a decoração. Nem nos demos conta de que vários andares do bolo eram falsos, e que a única parte verdadeira do bolo era horrível de comer. Mesmo assim fomos comendo.

A participação da esquerda na última eleição municipal, sob efeito da vigência do governo Bolsonaro, foi um fiasco. E quando falo que a chave da mudança está no município, quero dizer o que a esquerda já sabe há muito tempo e por isso estão tão focados nas próximas eleições municipais. Certamente farão de tudo para eliminar, antes das eleições, qualquer expoente que represente a direita e o conservadorismo.

O brasileiro precisa ocupar os espaços nos municípios. É ali que se elimina o joio do trigo para que a colheita futura seja boa. Os municípios eram fortes quando os cargos de vereadores eram ocupados por médicos, engenheiros, advogados ou empresários bem sucedidos, gente envolvida com a comunidade.

Precisamos eliminar os fulanos das farmácias, os beltranos dos táxis, as fulanas dos sacolões, as beltranas dos sindicatos. Precisamos ocupar conselhos municipais, associações de pais e mestres nas escolas, associações de bairros. Temos que participar ativamente das decisões que afetam nossa coletividade imediata, sermos representativos naquilo que altera nossas vidas.

A Europa é municipalista. Os Estados Unidos, além da autonomia que os estados têm constitucionalmente, também é municipalista, dividida em condados. A pirâmide de arrecadação é invertida nestes locais, assim como as decisões e responsabilidades do que acontece nestas microrregiões. E quando isso acontece, a ideologia não consegue prevalecer sobre regras e costumes, porque ela não consegue ser hegemônica.

O Brasil tem 5568 municípios, além dos distritos de Fernando de Noronha e o Distrito Federal. Em 2020 foram disputadas 50.208 vagas de vereadores, e a esquerda teve uma queda expressiva na sua participação, especialmente no comando das capitais, o que justifica o desespero e a necessidade de agir com todos os meios lícitos e ilícitos para na ficar apenas com a cereja do bolo.

A consolidação deste regime nefasto depende dos municípios. E nós também dependemos do que acontece no município onde moramos, no bairro, na nossa rua. A educação, a saúde, a mobilidade, a qualidade sanitária, a segurança, todas nos afetam nos nossos municípios. Cabe a nós virarmos esta chave. A fechadura estará disponível em outubro.

Segue o link de matéria do G1 que mostra como ficaram as participações de cada partido nas últimas eleições municipais. E caso alguém se interesse em ler, aqui o link para meus artigos na pingback.

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