A força do bolsonarismo

A FORÇA DO BOLSONARISMO

Quando um governo sucede o outro, é até normal que se invoque o nome do antecessor nos primeiros momentos, numa espécie de autoafirmação perante o eleitorado. O mais comum, porém, é que essa autoafirmação seja feita em torno de obras, projetos e realizações. Não é o que acontece no Brasil. Nem o que aconteceu nos EUA nos últimos anos, mas fiquemos no Brasil e falemos do bolsonarismo.

Uma das táticas usadas pela esquerda (inclua-se aí as togas) e pela imprensa militante durante os 4 anos de Bolsonaro foi a de não deixar que o governo promovesse o que estava fazendo. Foram 4 anos dando explicações por falsas suspeitas e casos de corrupção, associação do nome de Bolsonaro com tudo quanto fosse possível incriminá-lo minimamente, mesmo com zero indícios ou provas que corroborassem as acusações por crimes nunca comprovados.

O sistema atacou e judicializou tudo e todos que tivessem relação com Bolsonaro e seus filhos, com o governo, com sua carreira política, com seus amigos, parentes próximos e distantes e até inimigos. Cada frase dita por Bolsonaro era esmiuçada palavra por palavra, de maneira que o conjunto pudesse ser descontextualizado e transformado em algum tipo de crime ou fobia.

A grande verdade é que, mesmo depois de um ano fora do governo, o sistema não consegue sobreviver sem usar o nome ou a imagem de Bolsonaro, nem consegue acabar com o bolsonarismo. A tática, porém, é a mesma, mas com propósito inverso. É preciso que, diariamente, o nome, a imagem ou fatos relacionados a ele estejam nas manchetes para que este governo não precise falar de si mesmo.

Dilmo não fala do seu governo. Não fala de realizações ou resultados. Não fala de projetos, propostas e intenções. A toda aparição pública ele fala mais de Bolsonaro e da Lava Jato do que de seus ministros, dos programas de governo e das pessoas que o cercam. E mesmo quando fala de ministros e programas de governo, usa Bolsonaro e a Lava Jato para alicerçar sua retórica.

Existe um diálogo entre Batman e Coringa no filme “Batman, O Cavaleiro das Trevas”, extremamente análogo à nossa realidade. O Coringa começa dizendo – “os idiotas da máfia querem você morto pra ter a situação de volta ao que era. Mas eu sei a verdade: não tem volta! Você mudou tudo, pra sempre!”

Na sequência Batman pergunta: “Então porque você quer me matar?” E o Coringa em êxtase, gargalhando, responde: “Eu não quero matar você. O que eu faria sem você? Voltaria a roubar mafiosos? Não, não. EU PRECISO DE VOCÊ!” No fim do filme, apesar de ter salvo Gothan, Batman termina desacreditado. (quem não viu até hoje, recomendo, é muito mais que um filme de super herói).

O sistema precisa de Bolsonaro para sobreviver, mas precisa desacreditá-lo, e é isso que não consegue fazer apesar de todos os seus esforços. Dilmo não é o Coringa. O sistema é o Coringa, assim como no filme o Coringa é o sistema.

Entre outras diferenças entre Dilmo e Coringa, é perceptível que Dilmo não é inteligente, o Coringa sim. Mas ambos são loucos, queimam dinheiro do qual se apropriaram em nome da loucura que os acomete (há no filme uma cena onde literalmente o Coringa queima milhões de dólares).

Dilmo sem Bolsonaro é apenas o criminoso condenado em três instâncias por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. É só um bandido velho, de quinta categoria, que precisa transformar Bolsonaro em bandido pra conseguir se igualar a ele. E esta é sua única redenção pessoal.

Fica cada dia mais claro que Dilmo não está preocupado com o povo, o país, a economia ou com pobreza se alastrando. Nem mesmo está preocupado que o povo deixe de enxergá-lo como bandido. O que ele e o sistema mais desejam, mais precisam, desesperadamente, é que Bolsonaro também seja visto como bandido, pois, repetindo o que disse o Coringa, “não tem volta! Você mudou tudo, pra sempre!”

O problema do sistema não é Bolsonaro e o bolsonarismo, e sim o legado que ele deixou. Bolsonaro acordou o povo brasileiro que agora se recusa a adormecer. E se o sistema não consegue mais fazer o povo dormir, restam duas alternativas: tentar transformar Bolsonaro em vilão e, ao mesmo, tempo calar a voz do povo.

Como citei acima, no fim do filme “Batman, o Cavaleiro das Trevas”, o herói foi desacreditado. Entretanto, o real motivo para isso não está no que ele fez ou deixou de fazer, mas no que ele entendeu que, diante daquelas circunstâncias, o povo precisava acreditar. Portanto, foi o próprio Batman que decidiu ser transformado em vilão para salvar a imagem da justiça.

Isso, porém, em hipótese alguma, acontecerá com Bolsonaro. Muito pelo contrário. No nosso caso é a justiça, hoje parte fundamental do sistema, que precisa conseguir criminalizar Bolsonaro como meio de criar uma boa imagem pra si – porque ele mostrou o que ela realmente é. Dilmo é só uma peça, inclusive descartável quando não for mais útil – além da validade quase vencida.

Realmente recomendo, para quem não viu, e mesmo para quem já viu, o filme “Batman, o Cavaleiro das Trevas”. Um filme que fala de mafiosos, loucos, poder, corrupção e de elementos que tentaram combater isso, e pagaram com a própria vida. E esqueça que é um filme de super herói, porque é muito mais do que isso.

P.S. – Bolsonaro não é Batman. Mas o sistema é o Coringa.

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