SÉRIE TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – SETE TEXTOS DE 2008

Os textos a seguir foram produzidos originalmente para o site faculdademental.com.br, no qual eu assinava a Coluna do Canalha. O jornal era, naquele momento, um contraposição à direção da faculdade,e cumpriu bem seu objetivo. Mas eu já me atrevia a escrever textos com ideias mais amplas, mesmo sabendo que elas atingiam a poucos naquele ambiente. Vai-se o público, ficam-se os textos.

Relendo essa série, pensando no contexto de 2008, achei que deveria publicar aqui, a quem interessar possa.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – PRÓLOGO

Por HS Naddeo

02/03/2008

 

Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia, pelo que observa, pelo que ouve.
Se você é milionário, o som do brinde de champagne em taças de cristal lhe é comum.
Se você é favelado, o som de tiros de AR15 lhe é inconfundível.
O acesso à informação é tudo.
O político é corrupto, desonesto, ladrão.
Ele desvia, rouba, furta e usufrui os bens do estado em favor próprio. E os bens que são desviados deixam de se transformar em saúde, segurança, trabalho, comida, estradas, transporte, educação.
Os bens usurpados do estado deixam de servir a população que os gera.
A maior parte da população fica sem saúde.
A maior parte da população fica sem segurança.
A maior parte da população fica sem trabalho.
A maior parte da população fica sem comida.
A maior parte da população fica sem estrada.
A maior parte da população fica sem transporte.
A maior parte da população fica sem educação.
E a falta de educação só permite que as pessoas percebam o mundo através do conceito formado pelo seu poder de observação, da sua vivência, da informação que recebem e dos canais de comunicação que têm à disposição.
E, assim, o som do brinde de champagne em taças de cristal continua comum a poucos, enquanto os tiros de AR15 se tornam cada vez mais inconfundíveis para muitos.
E você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 2ª PARTE – PAPAI NOEL
Por HS Naddeo

11/03/2008

Até os seis, sete anos, ou mais um pouquinho, a maioria de nós acredita em Papai Noel.
Papei Noel é a redenção.
Vale à pena ficar bonzinho. Vale à pena tomar banho todos os dias, dormir na hora certa, não brigar com os irmãos, tirar boas notas, ser um filho carinhoso, um sobrinho educado, um neto devotado, um amigo do peito. Afinal, o cara é Papai Noel.
Papai Noel é merecimento. Um troféu pela boa pessoa que a gente deve ser.
Até os quatro, cinco anos de idade a gente acredita ainda em coelhinho da páscoa. A gente só vê mesmo o ovo. O coelhinho da páscoa propriamente dito, tal qual Papai Noel pondo presentes na árvore, ninguém nunca viu.
E o bicho papão, que por tantos anos nos persegue? Sem falar em assombrações, espíritos de luz, colégio interno, corte de mesada… Sempre nos assombrando.
Mas eis que chega um dia no qual descobrimos que tudo isso era uma farsa.
Papai Noel era uma farsa. Aquele gordinho simpático era apenas um ator servindo ao mundo capitalista. O vovô que todo mundo acha que merecia ter tido. Um ator.
Aí você começa a ouvir falar que na verdade o coelhinho da páscoa é um agente infiltrado da CIA para promover a indústria de chocolate globalizada, as assombrações são efeitos especiais para promover Hollywood, e te contam que colégio interno é lugar de fazer lavagem cerebral e que o corte de mesada é a sua introdução ao mundo dos negócios, onde presente de natal tem preço, ovo de páscoa tem preço e cada um que se vire com suas próprias assombrações e espíritos de luz.
Geralmente por conta do costume familiar, você acaba descobrindo afinidade com uma religião. E descobre Deus. E descobre que ao contrário do Papai Noel e do coelhinho da páscoa, Deus continua existindo. E essa religião dita o modo como você deve adorar a Deus. E dita o modo como você deve se relacionar com o mundo.
E tanto quanto o Papai Noel colocando presentes na árvore e o coelhinho da páscoa entregando os ovos, você não vê Deus. Mas Deus você sente. Como sentia o Papai Noel. Como sentia o coelhinho da páscoa.
Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia pelo que observa pelo que ouve.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 3ª PARTE – COLOMBO
Por HS Naddeo

23/03/2008

Quem descobriu o Brasil?
Quando pequenos, parece que não somos considerados inteligentes enquanto não conseguimos responder esta pergunta. E, quando conseguimos, ninguém nos poupa de perguntar, repetidamente, quem descobriu a América.
Então crescemos, e descobrimos que não necessariamente foi Cabral quem descobriu o Brasil, e muito menos terá sido Colombo a descobrir a América, que, inclusive, recebe esse nome em homenagem a Américo Vespúcio, que teria chegado lá antes. E porque continuamos a dizer que foi Colombo que descobriu a América? E, se foi ele, porque não se chama Colomba em vez de América?
Mas, seja como for, é isso que nos ensinam, é isso que querem que saibamos e é isso que nós mesmos transmitimos aos nossos filhos, com as mesmas perguntas idiotas.
No ensino fundamental aprendemos que o resultado da soma de dois mais dois é quatro. Já no ensino médio a resposta não precisa ser necessariamente essa. E no ensino superior, essa conta pode resultar em números jamais imaginados.
Como vemos o que nos é ensinado num dado momento é apenas uma questão de elaboração e conveniência. Para que explicar para uma criança de sete anos que na verdade não foi Colombo quem descobriu a América se é isso que ela e todo mundo aprende antes de descobrir que foi Américo Vespúcio?
E quantas são as meias verdades convenientes que aprendemos em nossa primeira infância? E quantas são as meias verdades que continuamos a aprender durante o resto de nossas vidas?
Os americanos invadiram o Iraque em busca de armas nucleares que nunca existiram. Esse fato vai entrar para os livros de história e será contado de acordo com a conveniência de quem o conta.
No mundo árabe será tratado como uma das mais cruéis invasões que um país já fez a outro. No mundo ocidental, a versão contará que a invasão americana libertou o povo iraquiano do ditador Saddan Hussein. Uma mera questão de conveniência.
E com desculpas assim, a China invadiu o Tibete, os brancos mantiveram por décadas o regime do apartheid, a ex-Iugoslávia se subdividiu e continua se subdividindo em diversos países, os israelenses continuam a subjugar os palestinos, os árabes continuam a explodir homens e carros-bomba por tudo quanto é canto do mundo.
E nossas crianças continuam a aprender que Cabral descobriu o Brasil e que Colombo descobriu a América, até que alguém desminta ou que a curiosidade pela verdade as leve a descobrir que no final das contas a maioria das versões que sabemos para os fatos históricos não é exatamente da forma como nos contaram.
Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia pelo que observa pelo que ouve.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 4ª PARTE – VERDADES E MENTIRAS SOBRE A MENTIRA
Por HS Naddeo

28/03/2008

Já ouviu dizer que mentira tem perna curta? Será que isso é verdade? Ou também existe mentira de perna longa?
Você nem precisa ser esforçar muito para lembrar de ter contado uma mentira que nunca ninguém descobriu.
Tanto quanto a verdade, a mentira é um recurso do comportamento humano.

Recentes pesquisas afirmam que ninguém consegue conversar por mais de dezesseis minutos sem contar uma mentira, por mais inocente, inofensiva, irrelevante e – aí está o mais grave – desnecessária que seja.

Em 1997, por exemplo, o psicólogo Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califórnia, Estados Unidos, ouviu as conversas diárias de 20 pessoas submetidas a uma experiência e analisou as fitas gravadas em busca de inverdades. O resultado é acachapante para os amantes da verdade: do ponto de vista estatístico, mesmo os mais sinceros participantes disseram uma mentira a cada oito minutos. “Em geral, são apenas mentirinhas, mas, de todo modo, são o que são: mentiras”, avalia Jellison.
Mentiras podem machucar magoar, iludir, envolver, seduzir, entreter, lesar, mas também podem não causar coisa alguma.
Existem mentiras úteis, inúteis, mal intencionadas e bem intencionadas.
Na categoria das úteis, temos aquelas que usamos para nos livrar de alguma situação indesejável, as que usamos para não causar constrangimento a ninguém e as que nos valorizam e nos põe em vantagem de alguma forma.
Uma mentira que serve de exemplo para nos valorizar é dizer que conhecemos alguém que na verdade não conhecemos desde que isso seja difícil de checar. Os modernos professores das faculdades de hoje em dia usam muito isso. Quem vai conseguir checar se ele realmente deu consultoria pra Microsoft? Mas ele fica bonito na fita.
Mentiras inúteis não servem para nada mesmo. Mente-se pelo hábito. Nada que cause nada a ninguém. Não serve para disfarçar, não serve para fugir, para nada mesmo.
De repente o cara está num papo e do nada olha para um amigo e mente. Inventa. Do nada. Sem propósito algum, até porque esse tipo de mentiroso todo mundo sabe que mente mesmo.
As bem-intencionadas são as piores. Normalmente também inúteis. Mas tem uma psicologia poderosa. É a história de dar um beijinho que passa.
Outro tipo de mentira bem-intencionada, e que não serve para nada, é quando a pessoa aceita comer uma coisa que detesta, só porque é a primeira vez que vai almoçar na casa da sogra. Para que comer jiló se você não gosta de jiló?
E as mal-intencionadas então? Essas eu acho que nem precisa ilustrar. Todo mundo conhece o um vasto repertório de mentiras mal-intencionadas que sempre nos lesam de alguma maneira.
Tempos modernos.
A grande injustiça que se faz a mentira é que tanto quanto a verdade ela fez a história do mundo.
Importantes fatos históricos são mentiras, importantes nomes da história são mentiras. E temos que ser verdadeiros para tratar a mentira nesse contexto, pois ela continua existindo na nossa sociedade, hipocritamente nas nossas relações.
A verdade é uma mentira bem contada. A mentira é a verdade que, na verdade, o mentiroso gostaria que fosse.
O certo é ninguém sabe o tamanho das pernas da mentira.
Na velocidade de um mundo onde nenhuma verdade é eterna, porque seria eterna a mentira?
Preferencialmente, não minta. Mas se um dia tiver que mentir, por favor, minta de verdade.
Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia pelo que observa pelo que ouve.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 5ª PARTE – O FILHO DE PAULO
Por HS Naddeo

29/03/2008

Segunda-feira, 09hs25min.
É a quarta vez no ano que Paulo não vai trabalhar.
Um bom funcionário.
Eficiente. Inteligente. Pontual. Cumpridor de suas tarefas. Responsável. Mas tem um filho doente, bronquite asmática. Um problema que se agrava no inverno. E Paulo falta ao trabalho para que seu filho não lhe falte. Por duas vezes ele poderia ter morrido durante duas crises mais agudas. E foi mais uma vez a eficiência de Paulo que salvou a vida do filho. Soube identificar antes o agravamento e correu com o garoto para o hospital. Em uma das vezes, a morte poderia ter ocorrido nas quase quatro horas de fila. Deram sorte.
Paulo faz falta para a empresa. O trabalho faz falta para Paulo. O filho fará mais falta ainda.
O cidadão saudável se desenvolve, produz, contribui, consome.
Uma sociedade de homens saudáveis se desenvolve, produz, contribui, consome.
O problema todo é que uma sociedade saudável reivindica não se contenta e vive muito tempo. E quanto mais tempo a sociedade vive, mais caro fica o cidadão para o estado.
Se ele tem um carro, exige que o poder lhe ofereça boas ruas e estradas.
Se ele tem uma casa, exige que o poder lhe garanta água, esgoto, luz, telefone, iluminação pública, recolhimento de lixo, ruas limpas e seguras.
Mas se ele não faz parte da sociedade que tem carro e/ou uma casa, ele não tem asfalto nem na porta de onde mora e usa um transporte coletivo de péssima qualidade. Mas ele se contenta. Vira massa de manobra. E vive pouco. E vivendo pouco ele custa mais barato para a sociedade.
Numa visão de curto prazo, fica mais barato pagar o hospital e os remédios do que oferecer urbanização, saneamento básico, transporte de qualidade ou uma possibilidade real para que ele tenha uma casa própria e um carro.
A empresa pensa em pagar um plano de saúde para Paulo e para os outros funcionários, mas isso ainda custa caro para ela.
Demitir Paulo custa caro para a empresa. Custa caro para o estado. E pode custar caro para a sociedade.
Segunda-feira, 18hs00min.
Fim de expediente. Ninguém conseguiu falar com Paulo, o celular está desligado e não tem telefone em casa.
Foi à quarta vez no ano que Paulo não trabalhou. E a terceira vez que ele quase perdeu o filho
Um bom funcionário.
Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia pelo que observa pelo que ouve.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 6ª PARTE – ÓPIO

Por HS Naddeo

06/04/2008

ESTE PRODUTO CONTÉM MAIS DE 4700 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS, E NICOTINA QUE CAUSA DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA. NÃO EXISTEM NÍVEIS SEGUROS PARA O CONSUMO DESTAS SUBSTÂNCIAS.

É exatamente o que está escrito no cigarro.
Mais de 4700 substâncias tóxicas. Isso é tão vago que pode significar 10000. Mas está lá. Letras grandes, brancas, em fundo azul. E mesmo assim continuam vendendo.
Na cerveja consta apenas um “este produto destina-se ao público adulto” e um “beba com moderação”, ambos bem moderados na exposição. Se não procurar, nem dá para ver.
Na cerveja não consta sequer um alerta de que é proibida a venda para menores de 18 anos de idade.
Não vou me dar ao trabalho de pesquisar e divulgar dados estatísticos sobre mortes provocadas pelo consumo de cigarro e bebida alcoólica, da qual devemos destacar que a cerveja é amplamente mais consumida, inclusive por uma grande fatia de menores de idade.
Ou seja, o cidadão pode ser viciado em cigarro e bebida. E o motivo é muito simples: dá lucro para o estado. Dois dos produtos que muito contribui para a arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais. E ainda assim conseguem ter lucro. Pode procurar informações sobre isso também, a incidência de impostos sobre o cigarro e a bebida.
Quem em sã consciência, governamental e arrecadatória, terá a coragem, a cara de pau de mexer num negócio rentável desses?
Maconha é crime inafiançável. Financia o tráfico de drogas, de armas, de crime organizado.
O sujeito que é preso com 50 gramas de maconha para consumo próprio é preso cometendo o mesmo grau de crime que um traficante preso com 1 tonelada do mesmo produto.
Quando se trata do cigarro e da bebida o governo transfere a responsabilidade do consumo para você. Quer consumir? Consuma. Dane-se.
Mesmo que os problemas provocados pelo consumo do cigarro e da bebida transformem em doentes uma boa parcela de seus usuários, para o governo é melhor ter que arcar com esse custo social a médio e longo prazo do que deixar de usufruir do dinheiro gerado por eles no curto prazo.
Ninguém planta cevada no quintal e fabrica cerveja.
Ninguém planta tabaco no quintal e fabrica cigarro.
Combate-se mais o tráfico de cigarros do Paraguai para cá do que do tráfico de carros roubados daqui para lá. E é muito simples de entender. Quando o cigarro de lá entra aqui o governo não ganha nada com impostos. Quando um carro é roubado e levado para lá, você, caro leitor, cara leitora, é o otário que vai comprar outro carro e ajudar nosso governo a ficar mais rico.
Maconha, o sujeito arruma uma semente, um vaso, planta, rega, cresce, colhe e fuma. Isso não paga imposto. O governo ainda não descobriu um jeito de cobrar imposto sobre isso. Mas vai descobrir. E quando descobrir qualquer um vai poder comprar na banca de jornal. E o problema passa a ser seu se quer usar ou não.

O PODER CONTÉM MAIS DE 4700 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS, ALÉM DE APEGO A UM ALTO PADRÃO FINANCEIRO E CAUSA DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA. NÃO EXISTEM NÍVEIS SEGUROS PARA O CONSUMO DESTAS SUBSTÂNCIAS.

Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia pelo que observa pelo que ouve.

 

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – ENFIM…
Por HS Naddeo

13/04/2008

Dava para ficar escrevendo teorias de conspirações pela eternidade. Das que explicam o movimento da terra às que explicam os motivos para que o acidente da Gol no norte do país tenha sido um atentado terrorista, como chegou a circular pela internet.
Temos que enxergar claramente que o mundo de hoje nada mais é do que a versão modernizada – e altamente sofisticada – dos antigos impérios, nos quais a característica mais explícita é a importância do domínio.
Os métodos utilizados pelas grandes corporações multinacionais nada mais são do que as antigas legiões de soldados agora travestidas de empresas.
As armas utilizadas nessa guerra são mais avassaladoras do que os mísseis utilizados no Iraque.
A arma de hoje não mata, domina. Ela lesa o consciente coletivo na difusão de suas culturas.
Quando introduziu a Bavária Premium no Brasil a Coca-Cola apostava na reversão de um padrão de consumo de 85% de tomadores de cerveja. Ela acreditava que o Brasil deveria tomar sua cerveja porque ela é a mais consumida no mundo. Só se esqueceu de combinar isso com os 85% de tomadores de cerveja do Brasil.
Não era mais fácil produzir uma cerveja da maior qualidade naquilo que os tais 85% de tomadores de cerveja preferem?
Os caras mandam o Mc Donalds para cá e junto com ele exportam a cultura de fast-food junto com ele. E esse é só um exemplo.
É a expansão de culturas que ao mesmo tempo nos integra e nos escraviza.
Somos vítimas permanentes das teorias da conspiração porque elas são criadas exatamente para que sejamos apenas isso, vítimas.
O time que você torce, a novela que você assiste, o celular que você gosta, o sapato que você compra, o corte de cabelo que você usa, a gasolina que você põe no seu carro, o próprio carro, todos chegaram até você através de um sistema psico-social-religioso imensamente complexo que o enquadrou em algum padrão de comportamento e passou a oportunizar as formas de você se enquadrar socialmente.
E como a teoria da conspiração é calcada na hipótese de que outra hipótese possa ser a explicação real para um fato, os fatos não são, de fato, como parecem ser.
Não, você não é um cidadão livre.
Você só tem o direito a formar e expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação. E isso significa que você só fica sabendo das coisas importantes da forma como querem que você saiba.
Somos a sociedade do consumo e, compulsoriamente, consumimos também as tantas teorias das conspirações. Enfim…