0

VIDA DE POLÍTICO É UM ETERNO PRIMEIRO DE ABRIL

Na política brasileira, o primeiro critério para a definição de um bom candidato é que ele seja um bom mentiroso.

Segundo o que pudemos aprender com o marqueteiro João Santana, o povo acredita em qualquer coisa, qualquer mentira que esteja adequadamente travestida de uma boa dose de marketing.

Assim, elegem-se vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da república – mesmo que qualquer um deles seja um mero vice decorativo e num dado momento caia-lhe o cargo no colo.

Quando eleito, o marketing de massa vira pano de fundo e o que vale é o marketing pessoal. O candidato passará a conviver dentro da mesma redoma que seus pares, entre eles inimigos políticos domésticos, territoriais e nacionais, mas isso não importa. Ninguém é realmente inimigo, especialmente depois de eleito. Desafetos no máximo.

Mas, como quase tudo na vida, isso também tem efeitos colaterais. Posicionamentos, amizades, votos, conchavos e envolvimentos em escândalos ou corrupção, obrigarão que o candidato se volte eventualmente aos eleitores a fim de justificar suas ações. E é aí que a vaca vai para o brejo.

A situação brasileira está tão grave, que já não se ouvem nem desculpas inéditas. E as poucas tentativas mostram-se as vezes piores do que a verdade. Exemplo disso foi o caso do ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Durante a sessão que julgou a chapa Dilma/Temer no TSE ele fez um escândalo porque seu filho flagrado pela imprensa ao ser barrado na entrada do tribunal, visivelmente nervoso e carregando um envelope suspeito.

E o que disse o ministro ao vivo e a cores para o Brasil, além de oferecer à degola aos jornalistas que noticiaram o fato? Eram apenas fotos da neta de 3 anos, que faria ou teria feito aniversário. Se tivesse dito que eram as anotações de seu voto escrito, sob o qual passou a madrugada e só ao chegar no tribunal percebera que havia esquecido, qualquer um teria acreditado, inclusive as pessoas inteligentes.

O que vemos no Brasil é uma sequência de mentiras e repetições de mentiras, que vão do “não sabia de nada”, passam pelo “é tudo institucional” e chegam às raias do “não há ninguém mais honesto que eu nesse país”. E todos eles dizem exatamente as mesmas coisas, fazem as mesmas caras e seguem os mesmos roteiros; e que, atualmente, tem terminado mal.

Um dos motivos é que por mais mentirosos que sejam, uma boa mentira precisa ser ensaiada, decorada, como uma piada. O problema é que isso não pode ser combinado com jornalistas que fazem perguntas constrangedoras repentinamente. E como nesses momentos a inteligência – de quem já tem pouca – costuma faltar à maioria, fica mais fácil repetir a mentira alheia.

Mesmo os políticos mais experientes têm tido problemas para ensaiar e decorar as mentiras do dia, mas ousam, e diante de provas como gravações nas quais são nitidamente flagrados cometendo o crime de dizer a verdade, acusam a verdade de ser mentirosa, seus acusadores de mentirosos, e insistem em versões que nem mesmo João Santana seria capaz de inventar. E foi ele quem elegeu Dilma. Duas vezes. Uma das maiores mentiras já contadas e acreditadas na história desse país.

E enquanto os políticos e até importantes magistrados persistem nessa sequência interminável de mentiras, o povo brasileiro sente a verdade do desemprego, da violência, da falta de saúde, da falta de boa educação, bater às suas portas, sem o verniz que dá brilho às palavras dos mentirosos. A verdade é nua e crua, e não oferece versões alternativas para a solução de todas essas mazelas.

Nem mesmo uma ótima mentira é capaz de resistir às evidências, fatos, provas, muito menos resistir à verdade.

Não é à toa que no Brasil comemoramos oficialmente o dia 1° de Abril como o Dia do Político. Aliás, taí uma mentira que virou verdade.

 

No Ponto Do Fato