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VEM AÍ O 7 DE SETEMBRO. VAMOS COMEMORAR O QUE MESMO?

OU FICAR A PÁTRIA LIVRE, OU MORRER PELO BRASIL?

Já imaginaram que em cinco anos o Brasil estará comemorando 200 anos de independência? Será também ano de eleição para presidente e Copa do Mundo. Mas, enquanto isso, na semana dos 195 anos dessa tal independência, há muito pouco a comemorar. Saímos do colonialismo, mas o colonialismo não saiu de dentro de nós.

Passamos das capitanias hereditárias para as quadrilhas hereditárias, basta ver os clãs familiares instalados na política, mesmo os de boa intenção. Em alguns estados o marido é senador, a esposa deputada federal, o filho deputado federal, um sobrinho deputado estadual e sem que se perceba uma sociedade inteira está com seu destino nas mãos dos interesses de uma única família. As vezes quadrilha. As vezes os dois.

Não nos livramos da corrupção, não temos uma sociedade equitativa, estamos aquém do potencial desenvolvimentista, temos um povo deseducado, desinteressado do seu próprio futuro e uma elite política que perpetua o estado de mendicância e dependência como instrumento de controle.

Mais da metade da classe política está envolvida em crimes e/ou corrupção. E mais da metade da população não está nem aí para o que acontece na política e que vai impactar no seu próprio futuro.

Muitos culpam as urnas eletrônicas pelos resultados das últimas eleições – a suspeita é forte – mas poucos se lembram dos 27,7 milhões de eleitores que não compareceram para votar no primeiro turno de 2014, 19,4% do eleitorado, voto que é obrigatório. E hoje sabemos que se tivessem comparecido e mudado o resultado da história talvez nem existisse mais Lava Jato.

É triste para uma nação que uma data carregada de tanto significado, tanta simbologia, vá ser comemorada e representada pelo que há de mais hipócrita nesse país.

Temos que pensar que liberdade é essa que Dom Pedro teria nos garantido às margens do Ipiranga, ou o que quis dizer o autor do hino quando disse que “já podeis da pátria filho, ver contente a mãe gentil, já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil” e ainda repete que “já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”. Só que esse horizonte insiste em permanecer distante. E o povo continua vendo contente.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.