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Urnas eletrônicas? A rapidez é mesmo a única vantagem?

Urnas eletrônicas? A rapidez é mesmo a única vantagem?Urnas eletrônicas afinal são um avanço ou um retrocesso no processo eleitoral?

Como confiar num sistema que se apresenta claramente impossível de ser auditado? Como confiar nisso? Como confiar que não houve manipulação de eleições no Brasil se, ainda hoje, dezenas de especialistas constatam com provas cabais que as urnas são violáveis?

Segundo o site História do Mundo, foi no século II que os romanos tiveram a ideia de criar uma urna para serem depositados os votos dos eleitores, que até àquele momento eram dados em viva voz, o que causava uma série de constrangimentos. Mas quando nasceu em Atenas no século V A.C., o sistema eleitoral só incorporava um quinto da sociedade grega.

Somos um país de vanguarda, acreditem. Fomos um dos primeiros países a permitir o voto feminino, quando no Getúlio Vargas foi implantando o novo Código Eleitoral, em 1932. Para se ter uma ideia, muitas democracias europeias só vieram a reconhecer as eleitoras femininas a partir de 1970, e muitas não reconhecem até hoje os analfabetos como eleitores, o que fizemos em 1985. Mas poderia ter parado por aí. Pessoalmente ainda tenho dúvidas da questão do voto do analfabeto, não pela capacidade pessoa de decidir, mas pela incapacidade de obter informações que não venham além de terceiros e de algumas percepções.

O Brasil é o único país do mundo que adota o sistema de urnas eletrônicas em 100% das seções eleitorais, sendo usadas cédulas de papel e urnas apenas quando o sistema eletrônico falha por completo. E isso é bom ou ruim? Se compararmos com a precocidade do reconhecimento do voto feminino diante do mundo, poderíamos afirmar que é bom. Mas não é, porque nossas eleições também são 100% impossíveis de auditar. Não existe a menor possibilidade de fazer recontagem de votos.

Especialistas de várias partes do mundo, inclusive muitos brasileiros, atestaram que as urnas eletrônicas são violáveis, e muitos deles inclusive fazem a demonstração das violações possíveis. Enquanto isso, o TSE minimiza as falhas detectadas, admitindo apenas uma, como se fosse algo banal, mas que na verdade é uma falha que permite invadir a da chave eletrônica que acessa a urna para a transferência de informações sobre os votos. Só isso???????? É apenas o sistema que permite que os resultados sejam alterados.

O sistema eleitoral brasileiro é uma vergonha. As urnas eletrônicas Smartmatic, desenvolvidas na Venezuela (como se não tivéssemos competência para desenvolver no Brasil) foram reprovadas na maioria das democracias do mundo, por serem violáveis, inauditáveis, e, portanto, inconfiáveis. Com elas, a premissa democrática de que “um cidadão é igual a um voto”, se transforma em “um hacker, milhares de votos.

Não interessa quanto tempo se ganha na apuração de resultados de eleições realizadas com uso de urnas eletrônicas. Para que serve essa pressa? O que a democracia ganha com essa velocidade? Status? Mesmo que se acople uma impressora de votos a cada urna, quem garante que um clone da mesma urna não está gerando um rolo de papel que pode ser trocado pelo rolo da impressora original e que contém os resultados de uma adulteração e não os votos reais?

O povo brasileiro deveria se negar a votar em urnas eletrônicas, independente de que elas tenham impressoras para registro dos votos. Nem com o sistema de votos impressos proposto o país poderá se sentir seguro diante delas.

Não temos que proteger o dinheiro público quando se trata de garantir os fundamentos da democracia. Não interessa se uma eleição com cédulas de papel e urnas como as usadas no século II pelos romanos demorem dias para serem apuradas. A fraude eleitoral é o pior dos golpes que se pode dar numa democracia, seguida pelas coligações que levam para o congresso, assembleias estaduais e câmaras municipais candidatos que não conseguiram votos suficientes para se eleger, mas ganharam esse direito por fazerem parte de um ajuntamento de partidos.

Ainda não conseguimos resolver problemas básicos como saneamento básico, assistência médica básica, ensino básico, segurança pública básica, mas ministros como Gilmar Mendes e Dias Tóffoli (que no dia da apuração em 2014 ficou estranhamento sozinho por mais de 20 minutos no centro de apuração eleitoral do TSE) ficam cuspindo nos microfones a modernidade do nosso sistema eleitoral e a confiabilidade das urnas eletrônicas, quando nem eles mesmos conseguem ser confiáveis.

Ou o Brasil adota novamente eleições com cédulas de papel ou ficaremos fazendo papel de trouxa até surgir o primeiro grande escândalo das urnas eletrônicas, que, a meu ver, não demorará muito par acontecer.

E, por lei, ainda somos obrigados a votar. E votar usando urnas eletrônicas. É o voto de cabresto eletrônico, mais um caso de pioneirismo e liderança brasileiros.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.