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UM CONGRESSO NACIONAL QUE VIVE ENTRE EXCESSOS E RECESSOS.

As pessoas parecem começar a perceber que tal qual as vítimas de estupro, somos indefesos diante do poder daqueles que estupram nossas vidas e nosso futuro. Ao invés da violência física, do constrangimento e da intimidação, nossos estupradores usam apenas canetas. E com elas fazem do povo brasileiro uma vítima que, também tal qual as vítimas de estupro, não costuma denunciar seu algoz.

O recesso parlamentar iniciado ontem – e o judiciário no início de julho – funciona como o estuprador que mantém a vítima em cárcere privado, abusa quando quer, e dá uma pausa quando está saciado. É exatamente isso que vivemos no Brasil.

Nossos parlamentares vivem dos excessos, seja qual for a ala, seja qual for a música que a banda toca. E o recesso parlamentar é só mais um deles, e longe de ser o pior deles. Mas é a demonstração clara do descaso com o cidadão comum que vende suas férias todos os anos para ajudar nas despesas, o homem e a mulher simples que acordam as 5 da manhã para enfrentar um péssimo sistema de transporte público, almoçar de marmita e enfrentar o mesmo transporte na volta para casa as 9, 10 da noite, tendo que driblar a violência no meio disso tudo.

Nossos estupradores com suas canetas, retiram do povo a dignidade, a saúde, a segurança, a autoestima, em nome de nada mais do que saciar a sede de poder. E enquanto se regozijam em seu descanso, agem subterraneamente para que nós, vítimas, fiquemos quietos. E porque ficamos?

O recesso termina no final do mês de julho, mas os excessos não têm férias, e continuarão mais vorazmente já no início de agosto.

A pretensa emenda Lula, por exemplo, nada mais é do que um excesso tramado para agir no recesso.

A pergunta que temos que nos fazer é se realmente somos estuprados ou se, como entendem nossos políticos, trata-se apenas de sexo consentido, renovado a cada quatro anos.

Somos o país dos abusos. E dos abusados.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.