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Tóffoli recebe e passa, Lewandoski levanta, Gilmar Mendes corta

Tóffoli recebe e passaO saque desse jogo foi dado em 11 de março de 2015, dia que Dias Tóffoli assumiu a cadeira da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.

Se, no entanto, naquele momento, o motivo era uma garantia a mais no enfrentamento a Gilmar Mendes, declarado anti-petista, a transferência acabou sendo, sem querer querendo, uma aposta certeira de futuro, já que somados a Lewandowski eles garantem maioria na Segunda Turma, constantemente deixando vencidos Fachin e Celso de Mello.

Esse jogo, então, começou a ser jogado lá atrás, e após a morte de Teori Zavascki a Lava Jato perdeu um atacante que nunca teve medo de encarar rede e bloqueios de qualquer altura. Subia, cortava no meio, nas pontas, e até da linha dos 3 metros, sempre bolas certeiras na quadra do adversário. Com sua morte, o placar virou, e nem a prisão de Lula pode ser mais considerada como um daqueles pontos que deixa 3, 4 adversários no chão ou correndo desesperados atrás da bola.

A pior coisa que poderia ter acontecido contra o combate à corrupção e a favor da impunidade, foi ter Tóffoli, Gilmar e Lewandowski na mesmo colegiado de 5 ministros. E ainda contam com diversas fraquejadas de Celso de Mello, um garantista que, acima de tudo, garante primeiro o seu lado, ficando bem com todo mundo, especialmente os políticos corruptos com quem ele convive desde que foi nomeado por Sarney em 1989. Fachin é o que mais leva bola nas costas, perde quase sempre.

No plenário do Supremo Tribunal Federal, à essa turma se une Marco Aurélio Mello, outra peça de museu da corte, nomeado pelo primo Collor em 1990. Só não fazem maioria no plenário porque a ministra Rosa Weber vem sendo a luz do bom senso, se contrapondo a sequentes tentativas de golpes a favor de acusados e contra a Lava Jato, ou pelo menos aos golpes que hoje em dia acontecem diante das câmeras de TV.

Tóffoli é, sistematicamente, um puxador de divergências. E o faz sem que a cara fique ao menos vermelha. A desfaçatez para distorcer interpretações de artigos da constituição combina bem com o estranho hábito de colocar as duas mãos para cima, aquela cena de mãos ao alto mesmo, alguém que deve alguma coisa. Mas ele só levanta a bola. Suas locuções são frequentemente assessoradas por longos apartes de Gilmar, Lewandowski e Maro Aurélio, que distorcem a distorção e ajudam a dar a tese uma cara de factível.Lewandoski levanta

Hoje, 24 de abril de 2018, a Segunda Turma, com a maioria desse triunvirato do mal, tirou das mãos de Sérgio Moro a delação premiada de Marcelo Odebrecht no tocante ao processo do sítio de Atibaia e do prédio comprado para o Instituto Lula. O processo continuará nas mãos de Moro, mas as delações serão retiradas dele.

Em resumo, a exclusão da delação de Marcelo Odebrecht esvazia o processo contra Lula no que se refere a esses dois imóveis. Para ilustrar melhor, é como se numa ação de assassinato tirassem o termo de confissão de crime feita e assinada pelo assassino, restando a arma do crime e a vítima como evidências.

Esse é apenas mais um absurdo jurídico promovido por Dias Tóffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, e não será o último, nem o penúltimo.

Na sessão de amanhã do Supremo Tribunal Federal o Brasil pode ser surpreendido com um nada surpreendente pedido de julgamento da ADC – Ação Direta de Constitucionalidade do PCdoB que pede a imediata reversão de entendimento sobre o início de cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Essa parte do golpe ficará a cargo de Marco Aurélio Mello, e já conta com a expressa adesão de Dias Tóffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.

Eles querem soltar Lula. Eles precisam soltar Lula. Eles precisam impedir que outros investigados e réus, como Aécio Neves, Gleisi Hoffmann, Eduardo Azeredo, José Dirceu vão para a cadeia. E precisam que, da cadeia, sejam liberados gente como Antônio Palocci, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves.

Para soltar Lula e sua corja, e impedir que a outra corja vá presa, Dias Tóffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, em nome de uma pretensa tese de presunção de inocência, soltarão todos os estupradores, assassinos, bandidos e pedófilos que cumprem sentença após terem sido condenados em segunda instância. E dirão que fizeram isso em nome do cumprimento à Constituição Federal.

Gilmar Mendes cortaFaço questão de repetir, para soltar Lula, Dias Tóffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Marco Aurélio Mello soltarão, também, todos os estupradores, assassinos, bandidos e pedófilos.

Só há no Supremo Tribunal Federal uma pessoa capaz de impor um bloqueio legal e moral nesse processo, que é Rosa Weber. Como fiel da balança e reserva moral e ética da corte, sendo inclusive, de longe, a mais discreta entre os 11 ministros da corte, caberá mais uma vez a ela decidir que tipo de Brasil o Supremo Tribunal Federal tem a oferecer para o povo brasileiro.

Do mesmo modo, a verdadeira decisão sobre o que nós, povo brasileiro, queremos em relação ao Brasil tem que ser tomada agora.

Se não nos insurgirmos de alguma maneira contra a manipulação da Constituição Federal e das leis, da forma como tem sido feita por políticos, advogados e juízes da suprema corte, não será na eleição de daqui a 6 meses, nem elegendo o mais honesto e competente político que possa haver à disposição faremos isso.

Mais do que isso. Poderemos estar todos com cara de bunda dia 1° de janeiro de 2019, vendo Lula tomando posse pela terceira vez no Palácio do Planalto, se bobear com Renan Calheiros de vice-presidente ao seu lado.

Ainda tem jogo. Mas com a quadra vazia e a defesa enfraquecida, a Lava Jato vai perder.

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