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Os tiros no ônibus da caravana de Lula acertam a mídia em cheio

Os tiros no ônibus da caravana de Lula acertam a mídia em cheioMídia consiste no conjunto dos diversos meios de comunicação, com a finalidade de transmitir informações e conteúdos variados. Essa é a definição que encontramos da palavra nos dicionários.

Mas, como se vê, o conceito é extremamente amplo, sem nenhum delimitação do espaço entre o que é verdade ou ficção, seja no de verdade ou no mundo da ficção. E parece que conselhos de ética ou auto-regulamentação muitas vezes servem apenas regulamentar o “politicamente correto”, como denominar culpados como suspeitos.

Há tempos cito em muitos dos meus artigos a necessidade dos factoides para justificar os absurdos que os corruptos utilizam para tentar justificar absurdos ainda maiores. Mas para que a estratégia dê certo é preciso alardear o absurdo, e só a grande mídia tem esse poder, especialmente a Rede Globo.

Segundo relatório de um organismo da ONU, com dados de 2014 e 2015, 197 brasileiros morreram por bala perdida. Mas isso não importa. O que importa são as balas achadas no ônibus da caravana de Lula, que não matou ninguém. Esses dados estão num artigo produzido, acreditem, pela EBC, pode ser lido aqui, e a publicação é de agosto de 2016.

Nessa rápida pesquisa que fiz no Google, o segundo artigo é do G1, de 3 de janeiro de 2018. Mas apesar do empolgante título “Brasil é terceiro na América Latina em mortes por bala perdida, diz ONU“, a notícia se resume a contar três ou quatro casos relacionados com balas perdidas e apenas no 9° parágrafo, de um total de 12, fala do especificamente do assunto que o título propõe, dizendo o seguinte:

“Um estudo feito pelas Nações Unidas revelou um dado alarmante: o Brasil é o segundo país da América Latina e Caribe com maior número de casos de balas perdidas e o terceiro em número de mortes causadas por esses disparos. Ficamos atrás apenas da Colômbia e da Venezuela.”

Zero dados.

Renato Russo se perguntava “Que país é esse?”, e eu me pergunto que mídia é essa.

Até hoje não desvendaram a contento a verdade sobre a morte de do ex-prefeito petista Celso Daniel, muito embora seja óbvio quem seriam os verdadeiros mandantes do crime, mas exigem que em um Rio de Janeiro violento, sob intervenção na segurança, onde morreram 134 policiais em 2017 e 16 em 2018, um total de 150 policias mortos. Mas exigem que a morte da vereadora Marielle seja esclarecida imediatamente.

As pessoas que lideram essas campanhas têm a atenção permanente da mídia, e, mais uma vez, todas as atenções da Rede Globo. Mais de 60 mil pessoas vêm sendo assassinadas por ano no Brasil, mas o que importa é dar atenção aos tiros que não mataram ninguém e que, certamente, não foram dados por ninguém que tivesse intenção de matar. Esse factoide cai como uma luva para tirar de circulação as notícias do fracasso da caravana de Lula pelo Sul do país. Mais. A encenação serve para justificar o fracasso, vendendo ao público que as manifestações de rejeição eram apenas ódio.

A mídia se presta a serviços ideológicos. Os principais jornais televisivos dedicam horas de sua programação para propagar a farsa. Jornais impressos estampam a prosopopeia em suas manchetes. Os falsos pré-candidatos que enfrentam a realidade das pesquisas eleitorais reforçam a mentira e também se promovem em cima dela. As emissoras de rádio falam fartamente do assunto em seus noticiários. Todos contam com a máxima de que uma mentira contada 1000 vezes vira verdade. E para isso não poupam nem o Louro José de dar sua opinião sobre o assunto.

O ministro do Supremo Tribunal Federal que recebeu ameaças contra si e a seus familiares não ganha 10% da atenção que a mídia dá às “balas achadas” do ônibus de Lula. Exatamente o ministro que cuida da Lava Jato, e que, gostem dele ou não, já deixou claro que não aceitará o habeas corpus de Lula. E imagino que não seja o único que tenha sido ameaçado. Mas as balas no ônibus de Lula, que, já que não se sabe quem, nem onde, nem porque foram parar lá, qualquer um poderia ter dado, inclusive um dos capangas armados do MST que acompanham a caravana, e já agrediram várias pessoas, entre elas um jornalista do jornal O Globo.

Se alguém realmente quisesse matar Lula não ia ficar dando tiros em latarias de ônibus. Se houvesse um plano para assassinar Lula não seria feito por um amador ou por um matador vagabundo de 50 reais. Quem deu os tiros no ônibus queria apenas criar um fato. Não há testemunhas do acontecido, exceto de quem estava dentro do ônibus. Mas a mídia não se importa com isso. O que vale é a notícia, cause ela o que causar.

O factoide dos tiros na caravana de Lula foram o aperitivo do evento que acontecerá em Curitiba. Certos da rejeição, e mais do que prontos para exalar o maior teor de ódio por metro quadrado jamais visto nesse país, Lula e seus petistas aloprados hoje irão declarar guerra as instituições, e todos os episódios negativos ocorridos durante essa malfadada passagem pelo Sul do Brasil nada mais foram do que uma parte da estratégia de deliberada provocação às leis e à ordem.

Lula também quis mostrar ao Brasil que o “exército do Stédile” realmente existe, e os “soldados” se apresentaram armados sem que fossem molestados por nenhuma autoridade policial que, pelo contrário, ainda lhes deu escolta em todos os lugares que foram. Inclusive nas estradas. Aliás, onde estava a escolta no momento dos tiros?

Tudo isso só tem um único propósito e objetivo: o julgamento do habeas corpus de Lula no dia 4 de abril de 2018, mais precisamente na próxima quarta-feira.

Até essa data, o esforço para impor o mais amplo e total constrangimento à justiça não terá limite. Serão capazes de produzir um cadáver se isso for convincente. Irão às últimas consequências para que Lula fique livre e possa se candidatar à presidência, o que já foi facilitado ontem pela absurda e ilegal liminar dada pelo ministro Dias Tóffoli que permite ao ex-senador cassado Demóstenes Torres saia candidato ao senado esse ano. Essa liminar jogou no lixo a Lei da Ficha Limpa, e será usada a favor de Lula.

O Brasil está sendo claramente golpeado.

A ampla cobertura de factoides como os tiros nos ônibus de Lula, ou a supervalorização de fatos como a morte da vereadora, é apenas parte que cabe à mídia nesse golpe. O que importa é que Lula não seja preso, que possivelmente seja eleito e que Bolsonaro não ganhe em hipótese alguma.

O porquê de a mídia defender Lula também é um mistério, tal qual o mistério que faz com que ministros do Supremo Tribunal Federal percam a vergonha, o pudor, a moral e a biografia e saiam atropelando a constituição e a lógica em sua defesa.

General, será que um dia saberemos esse porquê?

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.