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STF não vende fiado, não vende barato, nem aceita cartão

STF não vende fiado, não vende barato, nem aceita cartãoNão precisa ser especialista em direito, jornalismo ou ciências políticas. Pode, inclusive, ser analfabeto de pai e mãe. Basta que tenha um mínimo de atenção aos acontecimentos dos últimos anos para entender qual é o tamanho da responsabilidade do STF no caos em que o Brasil se encontra.

Há quem preferisse que 2018 não terminasse nunca. Os mais sonháticos imaginaram que uma medida provisória de Temer talvez pudesse esticar 2018 até 2050 pelo menos. Outros torceram por uma decisão esquisitocrática do STF. Os mais ousados chegaram a imaginar uma PEC no Congresso Nacional, até com a suspensão da intervenção no Rio para uma votação republicana de emergência “daquelas” que são votadas na Câmara de manhã em acordo de líderes, vão para o senado e são votadas logo depois do almoço e sem emendas, retornam à Câmara e são votadas no fim da tarde. E antes mesmo que o Jornal Nacional comece, para dar tempo de ser noticiada, o senado vota a PC em segundo turno e joga o pepino na mão do presidente.

Informações de bastidores dirão que famosas clínicas cardiológicas e imponentes bancas de advocacia criminal já preparam plantões de 24 horas e 7 dias por semana para o mês de janeiro. Atestados médicos e habeas corpus já são encontrados em templates do Word e modelos na internet, bastando pôr o nome do felizardo, da doença que pretende que seja atestada ou do juiz que prefere para julgar o habeas corpus em questão. O STF aceita ambos.

O aumento do judiciário talvez tenha sido o acordo mais caro, mais antirrepublicano e, porque não dizer, mais criminoso com o estado brasileiro. Os artificies desse aumento são todos os que quebraram o Brasil. Um aumento solicitado e fustigado por um STF imoral, num acordo imoral, cujo preço, além dos danos irreparáveis às contas do país, ultrapassa a barreira do escárnio.

Um aumento votado por um Congresso Nacional combalido, ainda lotado de bandidos cujos crimes vão de espancamento de mulher até liderança de quadrilha. Gente que foi derrotada nas urnas, que responde a processos no STF, muitos já são réus e só não estão presos graças ao foro privilegiado, mas que poderão ser dentro de 40 dias. Essa gente votou e aprovou o aumento do judiciário. E o presidente da república, denunciado, investigado, réu, sancionou, sem envergonhar, essa pouca vergonha.

A falta de pudor ainda se estende ao ato do ministro Fux no qual cancela o pagamento do auxílio-moradia, condicionando a suspensão do pagamento à sanção presidencial e devidos depósitos em contas dos juízes, e ainda o faz sob a justificativa de que o estado não tem dinheiro para pagar, deixando, assim, margem para que esse assunto possa ser questionado de uma vez. Traduzindo: o STF barganhou com o “sainte” e “desencarnante” Michel Temer, que não estará mais no governo nos próximos 40 dias e provavelmente não estará mais entre nós para ver os efeitos das bombas que deixou para estourarem no futuro.

E então, quando você imagina que isso tudo já é nojento o suficiente para justificar a guinada à direita dada nas eleições, você é informado que o ministro Barroso, do STF, o mesmo que deu sequência às investigações contra o presidente da república, trará ao plenário a votação sobre o indulto de natal de Michel Temer de 2017, que havia sido suspenso pelo próprio Barroso. Caso aprovado o indulto de 2017, a Lava Jato chega ao fim, e tudo o que o próprio Barroso deixou que acontecesse com o processo de Michel Temer terá sido mero gasto de tempo e dinheiro do contribuinte.

De outro lado vemos o ministro Edson Fachin liberou para julgamento mais um entediante habeas corpus pedindo a libertação de Lula, e Ricardo Lewandowski todo assanhado já quer pautar o julgamento do HC para dezembro.

E para coroar, o bacharel Ministro presidente Dias Tóffoli já avisou que entre o carnaval e a páscoa colocará em votação a revisão da prisão após condenação em segunda instância. Que ninguém se espante se essa deixa não fizer parte de um enredo para que Lula ressuscite no domingo de páscoa. Nunca se sabe aonde a fantasia petista pode chegar.

Mas, temos uma noção muito clara de onde o STF pode chegar. E por isso mesmo todos os desenhos situacionais acima não são reles conjecturas ou teorias de conspiração. De fato, isso tudo está nos jornais, dia após dia, há mais de 5 anos.

Os três poderes da república estão absolutamente podres, infestados de vermes roubadores de dinheiro do contribuinte. São verdadeiras farras com verbas públicas que salvariam vidas, educariam crianças, dariam casas para milhares de pessoas, garantiriam a segurança das pessoas, e que são roubadas, desviadas ou aplicadas na manutenção de privilégios e mordomias.

Não é possível que ministros do Supremo Tribunal Federal pressionem o Congresso Nacional e o Executivo pelo aumento de salário.

Precisamos parar de ser ridículos e imaginar que qualquer juiz nesse país chute o pau da barraca de uma necessária austeridade fiscal para ter aumento de 6 mil reais nos salários. Os salários dos juízes estão aumentando de 33 mil para 39 mil reais. Não é possível que, em sã consciência e além de todas as outras mordomias que recebe, o judiciário brasileiro ligue o foda-se para o futuro do país por causa de 6 mil reais, que individualmente nem e tanto para que já gana 33 mil, mas que para as contas do país representa mais um atraso de anos na busca de dar à população o mínimo que ela deve receber em troca dos impostos que paga.

Nesse momento, o STF, como mais importante órgão do poder judiciário, garantidor da Constituição Federal, que diz logo no começo que “todos são iguais perante a lei”, age de maneira sorrateira, desleal, pressiona o Congresso Nacional e o Executivo por uma demanda imoral, mas cuja aprovação garante um nível de camaradagem que pode ser muito útil para todos.

Diz o ditado popular que “aqui se faz, aqui se paga”. No STF funciona diferente. Não tem nenhuma placa, mas é na base do “aqui se paga, aqui se faz”. E faz mesmo. Nada de fiado, barato ou que seja possível pagar com cartão de crédito. Custa caro, mas o resultado é garantido.

É melhor Jair botar logo o bloco na rua. Se demorar muito não sobra Brasil para governar.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.