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STF fundou a República Corruptocrática dos Fiapos.

STF fundou a República Corruptocrática dos Fiapos.

Falar do STF é chover no molhado, mas inevitável. Não dá para conviver com a desgraça sem tratar dela. E o que vivemos é uma desgraça sem tamanho na história da nossa república. Não há mais democracia no Brasil, e o conceito de república sobrevive em fiapos.

Nomear esse ou outro ministro do Supremo Tribunal Federal como bom ou ruim é um erro de avaliação, afinal, o colegiado é representado pelo resultado final dos julgamentos, e não pelas posições individuais dos ministros. É como seu time do coração perder do rival com time reserva em campo. A história não registrará a escalação do time, mas o placar do jogo. Nesse momento, estamos perdendo o jogo.

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A anulação das condenações de Aldemir Bendine e do ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira baseada numa interpretação que não existe na lei é o cometimento de um crime, crime esse que se agrava por estar sendo aplicado retroativamente. É como se o STF entendesse que não pode haver impeachment de um presidente e aplicasse isso ao caso do impeachment de Fernando Collor. É um absurdo.

Esse absurdo, porém, é só a coroação de uma sequência de absurdos que vêm sendo praticados não apenas pelo STF, mas também, e no mesmo nível, pelo Congresso Nacional. Ministros do STF, senadores e deputados estão reescrevendo as leis brasileiras em benefício próprio e de bandidos que se encontram encrencados até o último fio de cabelo em crimes expostos pela Lava Jato.

A passividade do povo brasileiro diante de tantos descalabros é, no entanto, o fato mais assustador. A esmagadora massa da população não faz a menor ideia do que acontece no Brasil, de que efeitos isso tudo têm no dia a dia e terá no futuro, e não se envolve com a política além dos telejornais ou de opiniões nas redes sociais. Muitos, inclusive, entendem que as redes sociais são a fonte de informação mais confiáveis, e seguem seus gurus como o gado segue a vaca que tem o sininho no pescoço, mesmo que isso os leve para o brejo.

Não há saída para o Brasil que não passe pela derrubada desses vermes corruptos que controlam e usam a máquina do estado a seu favor. Não existe diálogo ou saída diplomática para tirar o país dessa crise. As instituições faliram, assim como o próprio conceito de cidadania está falido à medida que não conseguimos sair do lugar para fazer o enfrentamento necessário.

Permitir uma injustiça é abrir caminho para todas as outras que virão depois.

Não soubemos combater e exigir a correção quando a Segunda Turma do STF, na época ainda com Dias Toffoli no lugar de Cármen Lúcia, começou a soltar bandidos, reinterpretar leis, criar novas jurisprudências e, efetivamente, legislar, uma vez que o Congresso Nacional não cumpre seu papel no que tange a elaborar leis que detalhem e complementem todos os artigos da Constituição Federal.

As únicas leis impactantes criadas nos últimos anos dizem respeito à manutenção da impunidade e a facilitação do acometimento de crimes.

O STF tem sido não apenas o algoz da Lava Jato, mas da própria república. Em nome da libertação de Lula – sim, é tudo por causa de Lula – um grupo de ministros do STF vêm desconstruindo todo o arcabouço jurídico do país, denegrindo e menosprezando as instituições de estado e todos os funcionários públicos nelas lotados, gente técnica e concursada, sem vínculos políticos com partidos ou personagens da política.

Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli são os mentores da destruição das instituições brasileiras como o Ministério Público Federal, primeira e segunda instâncias do judiciário, Receita Federal, Polícia Federal e todo e qualquer órgão que tenha colaborado com o combate à corrupção. Alexandre de Moraes, Celso de Mello, Marco Aurélio de Mello, Rosa Weber e até Cármen Lúcia têm sido coadjuvantes nesse processo, se alternando nos votos para garantir as maiorias.

Edson Fachin, Luis Roberto Barroso e Luiz Fux tem sido a resistência ao processo de desmoralização do sistema judiciário brasileiro. Não que sejam santos, ou que não colaborem com os demais em outras situações, mas têm sido os mais firme e coerentes na defesa do estado brasileiro e do combate à corrupção e ao fim da impunidade. Mas são apenas 3 em 11.

Quanto ao Governo Federal, se podemos acusar os dois presidentes anteriores por tentarem e interferirem diretamente para atrapalhar o combate à corrupção, o presidente atual pode ser acusado ,no mínimo, de estar sendo leniente com o que o judiciário e o legislativo estão fazendo para que a impunidade e a corrupção permaneçam sendo o modo de administrar o Brasil.

O silêncio do governo Jair Bolsonaro em relação ao combate à corrupção, assim como diversas atitudes estranhíssimas, como a nomeação de Augusto Aras para a PGR, os parcos vetos à Lei de Abuso de Autoridade que foram facilmente derrubados no Congresso Nacional, são péssimas sinalizações de comprometimento com os anseios da sociedade que o levaram a ser eleito.

A falta de compromisso com a bandeira anticorrupção levantada por Jair Bolsonaro pode ser entendida como um estelionato eleitoral, pois não é difícil perceber que o governo silencia por conivência e conveniência, e não porque não sabe o que fazer. Ainda entenderemos que papel a situação de Flávio Bolsonaro tem nisso tudo, mas pode ser que só sirva mesmo para entendermos, sem chance para que haja a aplicação das correções devidas.

A república está aos fiapos, e, nesse andar da carruagem, só podemos esperar dois caminhos à frente: ou haverá uma acomodação geral ao novo status quo do Brasil, ou o povo vai para às ruas e refunda a república com as próprias mãos.

Não há mais democracia no Brasil, e o conceito de república sobrevive em fiapos. A corruptocracia, agora capitaneada pelo STF, é quem continua decidindo o futuro desse país. Triste futuro.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.