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O STF amarelou porque está com medo do Brasil esverdear

O STF amarelou porque está com medo do Brasil esverdearO simples twitte do general Villas Boas na véspera do julgamento de Lula no STF, mereceu críticas violentas do ministro Celso de Mello, que além de evocar memórias de um regime militar que salvou o Brasil do comunismo, chamou os militares de pretorianos, numa alusão à guarda pretoriana do exército romano. Não o fez para dar recado, muito menos para enaltecer a democracia. Aqui foi uma reclamação, porque o simples twitte do General foi um aviso. Para quem sabe ler, pingo é letra.

Também não por acaso, Gilmar Mendes, enquanto escarrava soberba em apartes e durante seu voto, fez menções ao nazismo e ao fascismo, que, mais do que regimes de governo, eram regimes militares. Também não foi crítica, nem ameaça, no máximo uma contra ameaça. E a maioria demais ministros do STF assistiu passivamente aquela fala recheada de ódio de quem oprime seus protegidos, sem falar na inveja da fama de Sérgio Moro estampada na cara. Chega a babar quando cita o nome do juiz de Curitiba.

Ricardo Lewandowski é o ministro que mais faz com que o STF pareça um teatro, porque ele é um péssimo ator, e fica fácil da gente identificar quando um ator não sabe atuar. Ricardinho, que, acredite quem ainda não sabe, foi indicado para Lula pelo dono do restaurante que o ex-palanque ambulante frequentava em São Bernardo do Campo. E, convenhamos, ninguém melhor do que um dono de restaurante para afirmar o notório saber e vida ilibada de um indicado ao STF.

Marco Aurélio Mello… coitado. Ele se auto intitula voto vencido porque não tem coragem de se nomear como um ministro com data de validade vencida. Continua no STF porque a PEC da bengala, que passou de 70 para 75 anos a obrigatoriedade da aposentadoria compulsória. E sabe-se lá qual foi a barganha que deu celeridade a votação dessa PEC no Congresso Nacional. Fato é que Renan Calheiros, Romero Jucá e, especialmente, o primo do ministro, Fernando Collor, que o colocou lá, ainda não foram molestados pela justiça, mesmo com os quilos de denúncias aceitas e investigações em andamento.

Quem parece que continua na base de apoio da ORCRIN, mas que tem se resguardado mais é o bacharel de toga Dias Tóffoli, tendo, eventualmente, aderido ao bloco que enfrenta Gilmar Mendes e sua turma. Mas não vale gastar mais uma linha falando dele. É um nada capaz de tudo.

Hoje, tivemos a finalização do julgamento do habeas corpus de Antônio Palocci, o réu confesso e delator que pode terminar de explodir os poucos alicerces da república e algumas caras que ainda posam de “bons moços”, inclusive, segundo ele, em tribunais superiores. Ele ameaça entregar 2 deles. E a mambembe encenação “em defesa da presunção de inocência” continuou, com um conjunto interpretativo de fazer inveja a teatrinhos de criança de maternal.

Confesso que chega a ser enfadonho falar de STF e dessa milícia de toga tantas vezes, reiterando sempre as mesmas suspeitas e certezas a respeito das intenções de um certo quinteto, que se fosse de cordas elas deveriam estar em seus pescoços. São pessoas mal-intencionadas, comprometidas com corruptos, com corruptores, com a manutenção do poder na mão desses quadrilhões partidários, que, tirando a elegibilidade e o foro privilegiado, em pouco diferem de facções como PCC, Comando Vermelho e Família do Norte. No fundo, funciona tudo da mesma forma.

Palocci vai ficar na cadeia. O habeas corpus foi votado de todas as maneiras que podia e não podia, que devia e não devia. Até a prerrogativa do relator, Édson Fachin, de conceder ou denegar monocraticamente o habeas corpus de ofício foi posta em votação. E foi rejeitado em todas elas, e dessa vez até por Celso de Mello, que ontem fez parte dos 5 ministros que foram vencidos a favor de conceder o habeas corpus para a soltura de Palocci.

Coincidentemente, ontem pela manhã, o general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa deu uma entrevista para o jornalista Milton Cardoso, na Band AM de Porto Alegre (você pode ouvir o áudio clicando aqui), onde falou claramente sobre intervenção militar, dizendo que há tempos essa iniciativa ronda a caserna, e que tudo tem um limite, e ele enxerga que chegamos a esse limite.

Muito mais do que isso, o general Lessa dirigiu suas palavras diretamente ao STF, fazendo ásperos questionamentos e responsabilizando previamente os ministros da corte pela situação de insegurança jurídica que vive o país. O general Lessa falou em derramamento de sangue, vítimas, e tal qual fez inteligentemente o juiz Sérgio Moro, jogou a bomba no colo do STF.

Estamos chegando num momento crítico no Brasil, onde todos os que se movimentam contra o combate à corrupção e a favor da impunidade não estão tendo mais como se esconder atrás de votos eruditos e discursos floreados. É impossível frear a velocidade da informação. Nada é mais poderoso do que a informação, especialmente a informação correta, que abre mentes e ilumina pensamentos, nos deixado capazes de olhar a cara desses ministros e enxergar neles os verdadeiros farsantes que são.

O habeas corpus de Paulo Maluf, que poderia ser útil para salvar Lula da cadeia, teve a votação adiada para a próxima semana. A ADC do PEN, impetrada à boca miúda pelo advogado bandidista juramentado (tem gente que chama de criminalista) Kakay, já havia sido adiado no fim da tarde de ontem por Marco Aurélio Mello, a pedido do PEN, que se disse traído pelos plenos poderes que deu ao referido Kakay. Tempos estranhos, como diria o próprio Marco Aurélio Mello. Parece que o tempo está é fechando.

Gilmar Mendes que se cuide. Os ataques frontais feitos aos juízes Sérgio Moro e Marcelo Bretas, símbolos maiores do combate à corrupção, não ficarão impunes, coisa com a qual ele é tão acostumado. Muitos menos ficarão impunes as acusações de corrupção nos membros da Operação Lava Jato, mais especificamente o ministério público federal, de onde, inclusive, veio Gilmar Mendes, que nunca havia sido magistrado antes. O CNJ – Conselho Nacional de Justiça precisa investigar Gilmar Mendes, e não apenas por esse episódio.

Tempos estranhos, muito estranhos.

O Brasil verde-amarelou. O STF só amarelou. Morre de medo do verde.

Errata: a entrevista do General Lessa à Band AM de Porto Alegre foi no dia 1° de abril e não na véspera do julgamento do habeas corpus de Palocci, como consta no texto.

Gilmar Mendes um câncer que ataca a interpretação da lei

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.