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SOMOS UM POVO DE ACOMODADOS OU COMODISTAS?

 

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E nada como tentar respondê-la começando pelo velho e bom dicionário de português, fonte segura na interpretação correta das palavras.

Segundo o Dicionário Online de Português,  comodista é sinônimo de egoísta, aquele que coloca sua satisfação pessoal acima de tudo, pessoa que só foge de responsabilidades e dificuldades pensando sempre na sua própria comodidade. Já o acomodado é aquele que procura por conveniência; quieto, satisfeito, sossegado, aquele que se adapta.

Tendo essas definições como ponto de partida, parece que a resposta quase que se encaminha sozinha. Seria injusto dizer que o Brasil é uma nação de comodistas ou de acomodados. Mas com certeza é a soma disso que nos torna o povo que somos.

Não dá para responder essa questão de forma coletiva sem que cada um tenha essa resposta sobre si mesmo. A mera tentativa de fazer isso não vai passar de um apontar de dedos. E a definição ainda assim não ficará só nisso. A pessoa pode ser ativista de alguma coisa até o momento que isso interfira nos seus interesses pessoais, e escolher então ser comodista, ou se acomodar.

Mas o fundamento dessa questão é entender porque o povo brasileiro não reage, e como o comodismo ou a acomodação atingem as pessoas em níveis diferentes de acordo com as responsabilidades que tem e a classe social a que pertencem.

É justo rotular de comodista um empresário honesto que defende os interesses da sua empresa antes do interesse da nação? Se ele apenas se acomodar ele quebra.

É justo classificar como acomodado um cidadão honesto e simples, que mora na favela e se adapta ao sistema imposto pelo tráfico de drogas como forma de proteger sua família e sobreviver? Se ele não for comodista ele morre.

Somos todos comodistas e acomodados. Mas penso que a falta de capacidade de reação tem respostas muito mais profundas do que essa.

Somos herdeiros de um império que acabou há 128 anos. Antes disso os portugueses dominaram a origem da nossa nação por 389 anos.

Para se ter uma ideia, segundo diferentes interpretações, que vão da religião à ciência, conta-se como geração um período entre 25 e 40 anos. Usando um meio termo, 32,5 anos, significaria dizer que estamos apenas na 4° geração desde a proclamação da república. Enquanto, antes disso, nosso berço esplêndido esteve por 12 gerações nas mãos dos portugueses, cuja própria história como nação começou em 1139, apenas 361 anos antes da nossa “descoberta”, ou quase 4 gerações.

Somos o resultado de uma história portuguesa de apenas 16 gerações. E se isso parece muito, um comparativo interessante é a história da Inglaterra, que se tornou um estado unificado 927 anos antes de cristo, portanto com uma história de 2944 anos, ou 90 gerações. E se alguém quiser usar os Estados Unidos como parâmetro por ter uma história com praticamente a mesma idade do Brasil, é só lembrar que eles foram colonizados fundamentalmente pelos ingleses.

A carta que ilustra o texto é O Pendurado, 12° arcanos maior do tarô. Quando aparece num jogo ela pode representar acomodação ou comodismo, ou mesmo uma parada estratégica para pensar.

Entres os significados simbólicos dessa carta, encontramos abnegação, aceitação do destino ou do sacrifício, provas iniciáticas, retificação do conhecimento, gestação, exemplo, ensino, lição pública.

Nas interpretações de leitura mais usais ela pode representar também desinteresse, sonhos generosos, patriotismo, entrega a uma causa, sacrifício pessoal, ideias voltadas para o futuro, semente, mudança de vida, sacrifício por algo valioso, paz interior, nova visão do mundo.

Como desafios, positivos e negativos, ela fala em êxito possível, mas parcial sem satisfação nem prazer, reticências, planos ocultos, resoluções acertadas, mas que não se executam, projetos abortados, planos bem concebidos que não saem da teoria, promessas não cumpridas, impotência, perdas, auto renúncia, passividade, risco de bons sentimentos serem desviados para ações condenáveis.

Penso que não precisamos que a cigana leia o nosso destino. Mas, se lesse, talvez essas dicas ajudassem a responder com mais assertividade: somos um povo de acomodados ou comodistas? Uma hora teremos que deixar de ficar apenas pendurados, por mais cômodo ou conveniente que a posição seja.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.