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General, a Segunda Turma do STF abriu as portas do inferno

General, a Segunda Turma do STF abriu as portas do infernoO que a Segunda Turma fez hoje foi uma amostra do que ainda está por vir, uma espécie de preparo psicológico para medir a temperatura da audiência. E sabe qual o retorno que eles estão tendo? Que o povo só reclama na internet, protesta e apoia protestos virtuais, mas ainda é incapaz de tirar a bunda do sofá ou da cadeira para manifestar algo mais contundente do que isso. Engolimos tudo, e fica tudo por isso mesmo.

Duas das canetadas da Segunda Turma abriram duas seguidas para Lula. A possibilidade de não ser preso por doença, dando o direito a Lula até arrumar um novo câncer de novo para não ir para a cadeia, e a chance dele se candidatar à presidência. E para isso, liberaram Jorge Picciani e autorizaram Demóstenes Torres a se candidatar.

Para sermos considerados asnos completos só faltam as penas. Ops! Asno não tem penas.

Vou subverter a frase de Romanos 8:31 que diz “Que diremos, então, quanto a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? ”

E este que vos escreve diz: nós somos contra nós. Um povo covarde, incapaz de defender seus próprios interesses, de se agrupar em volta de um objetivo comum, acostumado a ser roubado como se esse fosse seu único destino possível. Nós somos contra nós.

O único ministro da Segunda Turma que ainda tenta fazer alguma coisa, mesmo que haja quem o ache ruim de serviço, é Edson Fachin, relator da Lava Jato e costumeiramente voto vencido. E não bastasse a opressão dentro do STF, sua família vem sofrendo ameaças, levando o ministro a pedir a ampliação de sua proteção pessoal e familiar. Até Celso de Mello se converteu em carrasco da Lava Jato, e nosso por tabela. Hoje, inclusive, estavam ausentes Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, que se estivessem presentes só teriam servido para tornar mais acachapante a derrota de Fachin.

Quem será por nós se até mesmo nós somos contra nós mesmos? Deus faz a parte dele, mas nós não sabemos, ou temos preguiça de fazer a nossa.

Mas, ainda que esse inconformismo resulte em indignação, ainda assim ele não será forte o suficiente o enfrentamento que se faz necessário. Podemos fazer greve, podemos praticar a desobediência civil, mas isso não significa que políticos e ministros do STF mudarão sua maneira de agir. Não somos fortes para promover uma revolução; não sozinhos. Não temos nem as ferramentas, nem a autoridade, necessárias para uma revolução. Permitimos que nos desarmassem, deixamos que nos desmoralizassem, contribuímos para que nos achatassem.

Enquanto a Segunda Turma abre as portas do inferno para o povo brasileiro, políticos presos e com medo da prisão comemoram o caminho adotado pelo STF. Mas não apenas os políticos. Todo tipo de bandido, preso ou com medo da prisão, terá assegurado o mesmo tipo de tratamento que está sendo dispensado aos poderosos assaltantes de cofres públicos que enriqueceram às custas da pobreza do povo brasileiro e com isso o condenou ao eterno subdesenvolvimento social e moral.

Tudo no STF, especialmente na Segunda Turma, é pensado estrategicamente. Não deve ter sido por acaso que no dia do primeiro jogo Brasil X Alemanha depois do vexame dos 7 a1 na Copa do Mundo, mesmo com uma vitória magra de 1 a 0 para o Brasil, Dias Tóffoli tenha levado o habeas corpus de Picciani para ser julgado fora da pauta. Muito provavelmente porque eu que gastei meu tempo para escrever e você que está gastando o seu para ler não fazemos parte da imensa maioria da população que sabe o qual é o quinto metatarso do pé esquerdo de Neymar, mas nem imagina o que seja um habeas corpus. E nem quer saber.

Precisamos de ajuda, mas a intervenção divina parece não estar sendo suficiente. Talvez a fé não esteja sendo suficiente. O mais provável, porém, é que estejamos precisando de algo mais forte que a fé, algo que tenha as armas adequadas, a autoridade necessária, a coragem do enfrentamento e a obrigação de cumprir com as obrigações que lhe são conferidas para justificar a sua existência.

Só uma turma muito grande para fechar as portas do inferno que a Segunda Turma abriu. Afronta se lava com fibra de herói, de gente brava.

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