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SE MICHEL TEMER TIVESSE SIDO HONESTO NA ENTREVISTA DESTE SÁBADO NO ESTADÃO…

…LERÍAMOS RESPOSTAS COMO ESSAS QUE NO PONTO DO FATO SE ATREVEU A DAR POR ELE. CONFIRA.

O Estadão deste sábado publica uma entrevista com Michel Temer, na qual ele fala sobre vários assuntos, entre os quais a saída de Rodrigo Janot e comportamento do governo em relação aos deputados da base aliada, que votaram contra o arquivamento da denúncia de corrupção feita pela PGR.

Michel Temer, obviamente, deu uma entrevista absolutamente institucional, aproveitando o palanque dado pelo Estadão para reforçar sua conduta de bom “rapaz”, sua honestidade, e que sua única e verdadeira preocupação continua sendo apenas o Brasil. Será?

No Ponto Do Fato republica as perguntas do Estadão e responde com a sinceridade que Michel Temer só terá diante de um juiz de primeira instância, se não melarem de vez a Lava Jato e o combate à corrupção ou se ele morrer antes. Confira cá e lá, ou lá e cá.

ESTADÃO – O sr. conseguiu derrubar na Câmara a denúncia de corrupção passiva, mas é possível que Rodrigo Janot apresente novas acusações. Como governar com esta espada na cabeça?

Pseudo-Michel Temer – É foda. É foda porque a gente sabe que não faltam coisas pra denunciar. E ele é um mala porque não dá sossego. É uma merda toda hora ter que ir na televisão com cara de que não sei nada sobre o assunto, me fazer de vítima e tentar diminuir o estrago. Muitas vezes me vejo repetindo Lula e Dilma. No meu caso nem é espada na cabeça, é um dedo ameaçando entrar no meu rabo.

ESTADÃO – Janot pediu que o sr. e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha sejam incluídos no inquérito do “quadrilhão” do PMDB. Como responde?

Pseudo-Michel Temer – Como toda quadrilha responde. Já botei meu emissários, capangas, subalternos e puxa-sacos pra tratar disso. Já convoquei meus advogados, meus ministros e meus juízes do STF pra resolver isso. Acho que não vai dar em nada.

ESTADÃO – A base aliada encolheu após as delações da JBS. Hoje o sr. não tem 308 votos para aprovar a reforma da Previdência. Como vai reaglutinar a base?

Pseudo-Michel Temer – Sem propina é complicado fazer isso. Antes a própria JBS ajudava nisso, agora veja, que situação. O pior estrago da delação da JBS foi revelar que muita gente não participava da distribuição da grana, por isso que estão contra mim. Cada um queria o seu quinhão, e quando descobriram que a gente levava sozinho pegou mal demais. A reforma da previdência, só a divina providência garante.

ESTADÃO – O sr. pretende fazer uma reforma ministerial para rearrumar a base?

Pseudo-Michel Temer – Não sei exatamente quando e como, mas o pau vai quebrar. Muita cabeça vai rolar no meu governo.

ESTADÃO – Não foi constrangedora a negociação de emenda em plenário no dia da votação?

Pseudo-Michel Temer – Minha cara, constrangedor é ser velho, ter uma mulher gostosa, vazarem fotos dela na internet e todo mundo duvidar que você dá conta do recado.

ESTADÃO – Mas no dia da votação, no plenário?

Pseudo-Michel Temer – Comprar deputado no plenário é a coisa mais comum que se possa imaginar. O deputado te faz uma proposta alta, sabendo que você precisa do voto dele. Vai pro microfone votar e fica olhando pra se recebe alguma sinalização de acordo pra decidir se fala sim ou não. O plenário sempre foi um enorme balcão de negócios, no atacado e no varejo

ESTADÃO – Como contar com o PSDB para outras votações sendo que o partido está rachado e praticamente metade da bancada votou contra o senhor?

Pseudo-Michel Temer – O PSDB é essa merda que todo mundo conhece, só tem chantagista lá também. Depois que o Joesley entregou o Aécio então a coisa piorou, porque viram qual é realmente a do PSDB. Então agora tem uma parte que quer se distanciar disso e se distancia do governo também. Não dá pra saber com quem e quando contar com o PSDB.

ESTADÃO – O sr. está magoado ou irritado com o PSDB? Vai dar um prazo para os tucanos decidirem se ficam ou saem do governo?

Pseudo-Michel Temer – Só se eu for louco. Estou empenhado em negociar um apoio mais expressivo pra que eles não saiam. Não tenho como dar prazo. Se eu puxar o assunto dessa maneira corro o risco de perder o pouco de apoio deles que ainda tenho. Tenho que engolir essa sacanagem e negociar caso a caso.

ESTADÃO – Dizem que o seu governo está refém do Centrão.

Pseudo-Michel Temer – Só do Centrão?

ESTADÃO – Parlamentares do Centrão ameaçam não aprovar a reforma da Previdência, caso o sr. não puna quem o traiu na votação de quarta-feira.

Pseudo-Michel Temer – O que eles estão fazendo é valorizar o apoio de quem votou com o governo. De verdade eles só usam os traidores pra aumentar o preço de seus votos. E pra continuar votando querem cargos, verbas e propina se possível, que anda difícil.

ESTADÃO – O sr. também está se referindo ao PSDB?

Pseudo-Michel Temer – Entenda isso. Parlamentar só quer duas coisa: dinheiro e poder. É a versão pão e circo deles.

ESTADÃO – Com essa crise, o PMDB terá candidato próprio em 2018?

Pseudo-Michel Temer – Com a crise resta saber se haverá PMDB em 2018. O partido não tem um nome limpo com chance pra se eleger. Veja aí que tem senador com medo de não ser eleito nem vereador na sua cidade. Sem chance.

ESTADÃO – Em setembro de 2015, o sr. disse a empresários que era difícil a então presidente Dilma resistir e chegar ao fim do mandato com uma popularidade tão baixa (à época 7% a 8%). O sr. tem agora 5%. Como conseguirá governar mais um ano e meio sendo tão impopular?

Pseudo-Michel Temer – Eu tô na mesma merda e diria até que pior do que ela. Dilma tinha esse índice baixo mas tinha o PT e sua militância ao lado dela. Eu não tenho, e ainda tenho o PT e a militância contra mim. Eu tô tentando, mas acho difícil eu resistir mais seis meses no cargo.

ESTADÃO – O sr. não tem receio de delações de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha?

Pseudo-Michel Temer – Eu “me ca go to do”. Tenho calafrios, pesadelos, crises de ansiedade… Muitas vezes perco até o efeito do Viagra.

ESTADÃO – Vai ter mudança na Polícia Federal?

Pseudo-Michel Temer – Eu coloquei o Torquato Jardim na justiça pra fazer isso. A pressão popular é grande, então estamos esperando ver se sai alguma notícia muito quente contra o Lula ou outro graúdo desses, aí mudamos quando o povo estiver distraído, igual fizemos pra soltar o Rocha Loures.

O sr. acredita que, com a entrada de Raquel Dodge na Procuradoria-Geral da República, haverá alguma mudança?

Pseudo-Michel Temer – Eu coloquei ela lá pra isso. Falei pra ela: “Raquel, esse combate à corrupção, não tem que manter isso” (risos).

ESTADÃO – E todas essas mudanças na PGR, na PF e no Supremo Tribunal Federal darão um novo rumo para a Lava Jato?

Pseudo-Michel Temer – O objetivo é apenas colocar a Lava Jato no rumo certo, nada além disso.

ESTADÃO – E qual é o rumo certo?

Pseudo-Michel Temer – Os arquivos dos tribunais em todas as instâncias. O que queremos é acabar com Lava Jato e toda e qualquer operação que nos coloque em risco. É isso que todos esperam.

ESTADÃO – Nas denúncias contra o senhor, acha que foi cumprida a lei?

Pseudo-Michel Temer – Se não tivesse sido cumprida a lei você acha que eu e todos os políticos estaríamos morrendo de medo? O problema é exatamente que estão cumprindo rigorosamente a lei e com isso nos colocaram na parede. Mas, como eu disse, não dá mais pra manter isso. Se a lei nos prejudica, mudamos a lei. Lei é para quem rouba chiclete e biscoito.

No Ponto Do Fato