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Rodrigo Maia é o novo Eduardo Cunha. Chantagista, fisiológico e burro.

Na medida em que a situação de Eduardo Cunha se complicava, muita gente se afastou dele, entre eles Rodrigo Maia, que viu ali a grande chance de alçar voo em direção à presidência da Câmara dos Deputados.

Escorado no fato de ser casado com a enteada de Moreira Franco, naquele momento poderoso ministro de Michel Temer, aproveitou-se da força do governo e reuniu aliados que garantiram sua eleição. Mais do que isso, garantiu que Eduardo Cunha fosse cassado por 450 votos a favor e apenas 10 contrários. Ele, até convenientemente, como presidente da Câmara, não votou.

Rodrigo Maia é o novo Eduardo Cunha. Chantagista, fisiológico e burro.

De lá para cá o que vimos foi um deputado federal que mesmo chegando à presidência da casa não deixou de ser insignificante como figura política. Presidente da Câmara, Rodrigo Maia se preocupou mais com os conluios e compadrios do que em ser um deputado federal efetivamente preocupado com o Brasil. Um sujeito apático, sem carisma, mas que soube usar tudo o que aprendeu com Eduardo Cunha, principalmente na capacidade de chantagear o executivo.

Foi assim que ele garantiu a aprovação das reformas porcas que Michel Temer apresentou ao Congresso Nacional, dando em troca a não aceitação e o congelamento das duas denúncias oferecidas pela Procuradoria Geral da República contra Temer.

A política brasileira é pródiga em promover figuras inexpressivas a cargos de importância vital para o país. É triste lembrar que a Câmara já foi presidida por inexpressividades políticas como Severino Cavalcanti, Aldo Rebelo, Marco Maia, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, Waldir Maranhão… e agora Rodrigo Maia. E é mais triste ainda que todos esses nomes, todos, inclusive Rodrigo Maia, tem inquéritos, processos e denúncias de corrupção.

Eu ajudei a eleger Eduardo Cunha, gaba-se Rodrigo Maia

Sentado na mais importante cadeira do legislativo, afinal na ausência de um vice-presidente ele é o substituto natural do presidente da república, Rodrigo Maia não se constrangeu em adotar o mesmo estilo de Eduardo Cunha, usando o fisiologismo e a chantagem como modo de se relacionar com o executivo. Primeiro se aproxima bonzinho, depois parte para a barganha.

Jair Bolsonaro sabia muito bem quem era Rodrigo Maia quando decidiu apoiar sua reeleição para a presidência da Câmara, portanto não pode reclamar ao ver agora o DEM colocar na mesa a barganha por mais cargos em troca da aprovação da reforma da previdência.

Bolsonaro apoiou ainda Davi Alcolumbre, também do DEM, para a presidência do senado, mesmo tendo o Major Olímpio, do seu partido, PSL, candidato ao cargo. Se por um lado mostrou força ao emplacar os dois nomes para as presidências das duas casas legislativas mais importantes do Brasil, acabou se colocando nas mãos do DEM, um partido que esteve quase morto, mas que agora ressurge das cinzas e quer mais cargos.

Rodrigo Maia e o DEM não estão satisfeitos em presidir o Congresso Nacional e ter 3 ministros no governo Bolsonaro, entre eles a importantíssima e estratégica pasta da Casa Civil com Onyx Lorenzoni. Querem mais, e para isso chantageiam o governo como podem, usando principalmente a reforma da previdência como moeda de troca.

É lamentável constatarmos que o cidadão brasileiro ainda não saiba votar, e elege e reelege figuras como Rodrigo Maia, que se tornam conhecidas por atos de trairagem explícita, como ele fez com Eduardo Cunha, seu amigo e, dizem, mentor, quando viu que a queda era inevitável.

Não se sabe o quanto o presidente da república será capaz de enfrentar o fisiologismo da Câmara dos Deputados e de Rodrigo Maia, que ele conhece de perto. Mas é certo que quem o elegeu Jair Bolsonaro esperava um presidente mais disposto a encarar e escancarar a putaria que existe por trás dos processos que definem o futuro de 200 milhões de brasileiros.

P.S. – Vejam que eu nem me ative ao fato de que ele é filho de Cesar Maia, o que por si só já justificaria muita coisa.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.