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O Rio de Janeiro continua lindo. Mas, cada vez mais, entregue aos Baratas.

O Rio de Janeiro continua lindo. Mas cada vez mais entregue aos Baratas.

Do que adianta o Rio de Janeiro ser uma das cidades mais lindas e incomparáveis do mundo se só é seguro olhar para ela no cartão postal?

Leonel Brizola, Moreira Franco, Leonel Brizola, Nilo Batista, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Rosinha Garotinha, Sérgio Cabral, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e novamente Luiz Fernando Pezão. Essa é a triste realidade da galeria de governadores do Rio de Janeiro desde a redemocratização do país.

Saturnino Braga, Jó Rezende, Marcello Alencar, Cesar Maia, Luiz Paulo Conde, Cesar Maia, Eduardo Paes e Marcelo Crivella. E essa é a triste galeria de prefeitos da cidade do Rio de Janeiro desde 1985.

Não é difícil entender como o Rio de Janeiro chegou nessa situação. O estado e sua capital foram entregues, pela população, na mão de políticos viciados em poder, esquerdistas desprovidos de competência administrativa, populistas demagogos, aventureiros e religiosos de meia tigela. Como um estado e uma cidade, com a importância que ambos têm, sobrevivem a isso?

Esses políticos, assim como os vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores, não foram parar nos seus cargos sozinhos. Foi o povo que os colocou lá, muitos com votações expressivas e outros tantos inclusive sem nenhuma expressividade política. Vejam o caso de Celso Pansera, que em primeiro mandato virou ministro de Dilma numa exigência de Eduardo Cunha. Aliás, agradeçam, hoje, os cariocas por Eduardo Cunha nunca ter se candidatado ao governo do Rio de Janeiro. Teria ganho.

Luiz Fernando Pezão é o resto do resto do que sobrou da sobra. Uma espécie de “Nícolas Maduro” de Sérgio Cabral, com o mesmo grau de comprometimento e falta de competência que o Maduro original. E sem autoridade. Quem manda no governo do Rio de Janeiro é Jorge Picciani e todo mundo sabe disso. Pezão come nas mãos dele, e ele não deixa de alimentar a besta.

As declarações do ministro da justiça Torquato Jardim (eu ainda acho que deveria ser Torquato Cemitério) sobre o envolvimento do comando da PM com o tráfico de drogas não traz à luz nada que nunca se houvesse suspeitado. Ele apenas formalizou o assunto pela importância do cargo que ocupa no governo.

Todos os estardalhaços possíveis já estão sendo feitos em reprovação à fala do ministro, mas ele não falaria uma bobagem tão grande se não tivesse informações garantidoras do que fala. E lembremos que a justiça e a defesa entraram nessa história por solicitação do governo fluminense. Agora, depois da casa arrombada, não adianta querer colocar cadeado na porta.

O ministro da justiça está amparado pelos serviços de inteligência da Polícia Federal e das Forças Armadas. E o que ele sabe, ou eles sabem, é que a situação chegou ao limite, fazendo de sua fala um alerta ao comando da PM do Rio de Janeiro para fazer sua parte, ou então o governo federal poderá agir de maneira intervencionista.

Recentemente, durante o começo da operação militar no Rio de Janeiro, um general (perdão, não sei o nome e não achei) questionado sobre uma intervenção de verdade na cidade disse algo assim: será que a população está realmente preparada para as consequências de uma intervenção de verdade?

Diante da calamidade da segurança pública no Rio de Janeiro, não é impossível que uma intervenção federal aconteça no estado, e com isso saberemos todas as consequências de um estado de exceção, entre os quais a suspensão de direitos individuais, incluindo mortes, prisões arbitrárias (ou não), com efeitos não apenas sobre os traficantes, mas também sobre os políticos. Se ainda não se pode dizer que seja provável uma intervenção federal, não dá para dizer que ela é impossível.

E, se acontecer, teremos a resposta para a pergunta do (tal) General (que lamentavelmente eu não sei o nome). E poderemos nos perguntar se o povo brasileiro que pede uma intervenção militar está preparado para as consequências inerentes ao estabelecimento de um regime de exceção no Brasil, mesmo que temporário.

Não é só o Rio de Janeiro que está entregue aos Baratas. O país inteiro está infestado de Baratas. E de políticos e juízes que tem medo de Baratas.

Mas o Rio de Janeiro continua lindo, e o que os políticos querem é que continue do jeito que é. Só lindo.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.