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Ricardo Lewandowski. A entrevista com o vampiro, versão bolivariana.

Ricardo Lewandowski. A entrevista com o vampiro, versão bolivariana.Ricardo Lewandowski está longe de ser Brad Pitt ou Tom Cruise, tanto fisicamente como na capacidade de interpretação. Mas, seu papel no enredo bolivariano idealizado por Lula, em muito se assemelha ao papel do vampiro Lestat, do livro de Anne Rice “Entrevista com o vampiro“, transformado em filme e protagonizado pelos atores em questão. Lestat é um vampiro que no século XVIII transforma o latifundiário Louis após a morte da esposa deste, e que não encontrou na imortalidade sossego ou prazer.

Lewandowski é um vampiro muitíssimo mais moderno. Ele não morde pescoços, nem transforma pessoas em vampiros. Mas, como Lestat, tem total desprezo pelas pessoas, que não passam de meios para chegar a seus objetivos. E seu objetivo no momento, associado a Marco Aurélio Mello, é fazer com que Lula dê uma entrevista para a Folha de São Paulo e qualquer outro veículo de comunicação que possa dar ao condenado em segunda instância a chance de interferir no processo eleitoral.

Uma das especialidades de Ricardo Lewandowski é a teratologia, expressão que designa algo monstruoso ou absurdo, muitíssimo usado no meio jurídico. Aliás, a própria nomeação de Lewandowski para o STF pode ser considerada teratológica, pois nada teve a ver com competência ou notório saber jurídico, ainda que o tenha, mas, sim, segundo a Revista Época, com a indicação de um amigo de Lula, Laerte Demarchi, durante uma comilança de frango com polenta num restaurante do ABC, como alguém que poderia ajudá-lo muito se fosse indicado para o STF. E assim foi feito.

O que se viu de lá para cá foi um servo fiel do lulopetismo, tendo sido antagonista do então presidente do STF, Joaquim Barbosa, durante o julgamento da ação penal 470, conhecida como mensalão. Ricardo Lewandowski, tal qual um vampiro que vive sob o domínio do agente de sua transformação, jamais disfarçou seus posicionamentos a favor dos réus do mensalão, protagonizando embates com os outros ministros do STF, em especial com Joaquim Barbosa, a quem veio suceder no comando da suprema corte após o fim do mandato de Barbosa.

Grosso modo, por Ricardo Lewandowski, só Marcos Valério e todos que não fossem políticos teriam sido condenados e responsabilizados por tudo o que aconteceu no episódio do mensalão, como se os políticos envolvidos tivessem sido vítimas do sistema capitalista, e não o contrário. Custou caro à Lewandowski ver petistas e políticos tão servis quanto ele serem condenados pelo STF. Ainda assim, baseado em teses teratológicas que só são vistas na suprema corte bolivariana da Venezuela, conseguiu ainda reduzir penas e livrar alguns, como, por exemplo José Dirceu, da acusação de formação de quadrilha.

Mas o ápice da teratologia jurídica de Ricardo Lewandowski se deu durante o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, quando em conluio com Renan Calheiros e outros tantos, “fatiou” a constituição brasileira ao preservar os direitos políticos da ex-presidente, o que permitiu a ela concorrer ao senado nessa eleição.

Na segunda turma do STF, Ricardo Lewandowski, em parceria com Gilmar Mendes e Dias Tóffoli – eventualmente também Celso de Mello – foi responsável pela libertação de diversos presos preventivamente pela Operação Lava Jato, entre eles, mais uma vez, José Dirceu, condenado em segunda instância a mais de 30 anos de cadeia.

No plenário, junto com Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski é um dos inconformados com a decisão do plenário que permitiu o início do cumprimento de pena após condenação em segunda instância, motivo recorrente de embates, desafios e admoestações publicas a seus pares durante as sessões do STF, na insistência para que essa decisão seja revista, e com isso jogue-se por terra todo o trabalho do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da justiça de primeira e segunda instância.

Seria possível escrever mais 20 ou 30 parágrafos falando das decisões e posicionamentos de Ricardo Lewandowski, que, ao contrário de Louis, inconformado com Lestat pela sua condição de vampiro, é um inconformado com a prisão de seu criador, a quem de todas as maneiras possíveis, teratológicas ou não, tenta beneficiar.

O que motiva esse artigo, no entanto, é a absurda insistência de Lewandowski de permitir que Lula dê uma entrevista à Folha de São Paulo e seu inconformismo indisfarçável com o fato de que isso não aconteça agora, antes do primeiro turno das eleições e a ponto de interferir nelas, ou que aconteça no máximo durante o segundo turno, com a mesmíssima intenção, tendo em Marco Aurélio Mello um apoiador incansável a favor dessa causa, além da revisão da decisão de início de cumprimento de pena após condenação em segunda instância.

Ricardo Lewandowski, o Ricardinho amigo de Laerte Demarchi, o ministro do frango com polenta, é um exemplo do que se tornou o nosso Supremo Tribunal Federal, uma corte quase bolivariana a serviço da corrupção, da impunidade e da teratologia. E nos faz pensar no que teria se tornado essa mesma corte caso Dilma Rousseff tivesse tido a chance de nomear mais um ministro se não tivesse sofrido o impeachment. É possível que no lugar de Alexandre de Moraes estivesse ocupando a cadeira do falecido Teori Zavascki alguém do naipe de Cristiano Zanin ou Eugênio Aragão, petistas e lulistas de carteirinha.

Diferentemente da história de Anne Rice, entretanto, nós, povo brasileiro, não precisamos, não podemos e não devemos ser meros espectadores. Temos a obrigação civil e moral de interferir no desenrolar dessa trama, rejeitando com veemência que Lula possa conceder entrevistas, especialmente no momento em que a intenção delas é interferir na mais acirrada disputa presidencial nos últimos 60 anos, cujo candidato líder das pesquisas é um opositor ferrenho ao lulopetismo, motivo pelo qual sofreu uma escandalosa tentativa de assassinato.

A entrevista de Lula só não será feita por obra e graça de uma liminar de Luiz Fux e, principalmente, pela ação de Dias Tóffoli, hoje na presidência do STF e num claro movimento no qual tenta se descolar da velha parceria com Ricardo Lewandowski e dos absurdos que, juntos, praticaram na segunda turma do STF.

As más línguas dizem que Dias Tóffoli foi discípulo de Ricardo Lewandowski desde que foi nomeado por Lula para o STF. Se isso for verdade mesmo, a conclusão que podemos chegar é que Lewandowski não mordeu seu pescoço direito, e que não virá dele o sossego e o prazer tão almejados por Lula.

Honestamente, a vida era mais tranquila quando vampiros agiam apenas na calada da noite. Agora eles agem à luz do dia, não importa o quanto do sangue do povo brasileiro isso possa custar.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.