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Reforma da previdência passa também por uma reforma da consciência, o que a esquerda não tem.

Sem entrar nos meandros e detalhes da reforma da previdência apresentada por Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional, temos que parar para pensar numa questão óbvia que é o envelhecimento da população, problema que já foi enfrentado por países como França, Alemanha, Grécia, Suécia, Japão e Chile, cada qual com seu próprio sistema, mas que buscaram sanar de alguma maneira o déficit gerado entre o número de contribuintes e o número de beneficiários.

A expectativa de vida do brasileiro em 1940 era de 45,5 anos. Imagine você, dentro desse panorama, qualquer pessoa com 45 anos de idade era considerada idosa e pronta para morrer. Mas éramos um país no qual a quantidade de jovens superava em muito a quantidade de pessoas idosas, o que garantia mais gente contribuindo do que gente recebendo.

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Em 1960 a expectativa de vida do brasileiro já era de 52,5 anos, um ganho de 7 anos em 20 anos. Nessa época, o Brasil tinha 70 milhões de habitantes e a população de idosos representava meros 3,3 milhões de habitantes. Clicando aqui você vai encontrar uma matéria do G1 que mostra a evolução da expectativa de vida do Brasileiro.

Chegamos a 2016 com uma expectativa de vida de 75,8 anos de vida. Ou seja, em 76 anos a expectativa de vida do brasileiro praticamente dobrou. Mas a previdência social, mesmo com as poucas e porcas reformas que recebeu desde que foi efetivamente instituída em 1946, não acompanhou essa evolução, nem desenvolveu mecanismos que tornassem o sistema seguro contra as dezenas de crises econômicas que tivemos nesse tempo todo.

E, claro, muito menos a depressão causada pelo governo petista de Dilma Rousseff que tirou 14 milhões de pessoas da conta de contribuintes, enquanto em contrapartida o número de pessoas aposentadas cresceu vertiginosamente com o envelhecimento da população. O gráfico abaixo mostra exatamente o impacto da recessão que na qual Dilma afundou o Brasil.

Reforma da previdência passa também por uma reforma da consciência, o que a esquerda não tem.

Uso um exemplo caseiro desse processo. Minha avó tem 96 anos de idade. Meu avô morreu em 1986, portanto ela já recebe pensão há 33 anos. Acontece que meu avô já era aposentado há pelo menos 10 anos, de maneira que a previdência social sustenta minha avó há no mínimo 43 anos. E apesar do Alzheimer, a saúde dela é ótima. Quantos anos mais?

Um outro processo que, a meu ver, também impactou muito os déficits da previdência social foi a criação da Super Receita, que colocou em um mesmo caixa o dinheiro das contribuições previdenciárias e da arrecadação de tributos pela Receita Federal. Sempre entendi isso como um péssimo negócio, mas isso é assunto para um outro artigo.

Ainda estamos saindo da pior recessão econômica da história do Brasil – faço questão de frisar mais uma vez que foi causada por Dilma Rousseff e pelo PT – e ainda temos perto de 12,5 milhões de desempregados, gente que não contribui para uma quantidade de aposentados que representava em 14,2% da população em 2017, segundo estudo do IPEA.

Em 1992, para cada aposentado existiam 12 pessoas contribuindo. No ano de 2015 essa proporção já era de 7 pessoas contribuindo para cada aposentadoria paga pela previdência social. Obviamente, nos últimos 4 anos a situação se agravou profundamente com o desemprego, com queda de arrecadação do governo, e com o aumento de privilégios, o que a reforma da previdência proposta pelo ministro Paulo Guedes e por Jair Bolsonaro pretende, se não acabar de vez, ao menos minimizar. Privilégios que, se não são os únicos culpados pelo problema, contribuem fundamentalmente para a manutenção das diferenças para o aposentado comum.

Portanto, ser contra a reforma da previdência não é apenas uma burrice, mas uma questão explícita de falta de caráter e uma demonstração clara de compromissos com discursos populistas como os do PT e da esquerda, que usam o tema porque precisam ser contra para manter seu eleitorado, felizmente cada vez menor. E a prova dessa canalhice pode ser vista nesse curtíssimo vídeo, no qual aparecem Lula e Dilma defendendo a necessidade de uma reforma da previdência social, que eles mesmos não fizeram. Continuo depois do vídeo.

Como se vê, o agora presidiário Lula defendia a reforma da previdência usando basicamente os mesmos argumentos que eu e a maioria das pessoas utilizam para defender a necessidade de reformar a previdência.

Vejo como curioso o fato de boa parte dos “tais direitos adquiridos” (em relação aos direitos trabalhistas) terem sido criados durante o regime militar, que o PT e a esquerda defenestram como tendo sido o pior período da história do Brasil. Pessoalmente, e acho que muita gente vai concordar comigo, o pior período da história do Brasil começou quando o PT assumiu o poder em 1° de janeiro de 2003.

Um último agravante é que a previdência social não paga apenas aposentadorias. Benefícios como afastamentos por doença, invalidez, gravidez, aposentadorias por idade, aposentadorias por idade de pessoas deficientes (essas duas de pessoas que nunca sequer contribuíram com um mísero centavo para a previdência), salário maternidade, auxílio acidente, auxílio reclusão, salário família, pensão por morte.

E além disso, temos a corrupção endêmica, com fraudes de todos os tipos de benefícios, além de fraudes em hospitais.

Ser contra a reforma da previdência é fechar os olhos para uma realidade que todos vemos diariamente, inclusive em nossas casas e famílias, nossos vizinhos e amigos, com pessoas idosas vivendo muito mais e pessoas jovens trabalhando muito menos.

É preciso reformar a consciência para encarar a necessidade da reforma da previdência, porque ela não é, e nem pode ser, uma pauta de um partido ou candidato, mas um grave problema de estado – com cujo agravamento a esquerda conta para aparecer como salvadora, mesmo não tendo feito absolutamente nada de significativo para minimizar o problema nos 13,5 anos em que esteve no poder.

Caso você se interesse em saber a história de previdência social no Brasil, basta clicar aqui.

A reforma da previdência proposta pela equipe econômica de Jair Bolsonaro certamente passará por ajustes e acertos quando tramitar pelas duas casas do Congresso Nacional. É importante que todos fiquem de olho no corporativismo e no ativismo político e ideológico de deputados e senadores, e principalmente no jogo sujo característico da esquerda brasileira, no qual quanto pior melhor. Afinal, se é uma coisa que a esquerda brasileira já provou incontáveis vezes que não tem é consciência.

Verifique bem quem fala contra a reforma da previdência, o que fala, e porque fala. Você verá, lerá e ouvirá muitas mentiras, pois esse é e sempre foi o principal recurso da esquerda.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.