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QUANDO A INTERVENÇÃO MILITAR SE TORNA UMA POSSIBILIDADE REAL

MUITOS QUEREM, MUITOS PEDEM, MUITOS NÃO ACHARIAM RUIM. MAS ESTAMOS PREPARADOS PARA UMA?

Começo esclarecendo que intervenção militar, regime militar e ditadura militar são três coisas diferentes. A primeira delas está amparada pelo artigo 142 da Constituição Federal. Já a segunda e a terceira são desvios, que tanto podem se dar após uma intervenção militar, quanto por meio de um golpe. E, teoricamente, não há meio de impedir que isso aconteça, por um motivo constitucional, ou não. Mas fiquemos só na hipótese de uma intervenção militar.

Quando os militares tomaram o poder em 1964, entenda você isso como golpe ou contra-golpe, o inimigo a ser batido era o comunismo, a ideologia que havia derrubado 5 anos antes o governo de Fulgêncio Batista e colocado no poder Fidel Castro. Vivíamos o período da guerra fria, polarizados pela então URSS e pelos EUA. O socialismo/comunismo agindo para se expandir, o capitalismo reagindo para impedir.

O inimigo de hoje é a corrupção, e ela está no centro do poder, com tentáculos espalhados por toda máquina pública. Uma intervenção nessas condições significa, necessariamente, um lapso no processo democrático. E isso será politizado, especialmente pela esquerda, trazendo então questões ideológicas para dentro do debate.

Não há que se pensar numa intervenção militar que não objetive encher as celas das cadeias brasileiras de políticos presos, mesmo que as esquerda venha chamá-los de presos políticos. Mas será necessário conviver com esse debate. E com possíveis e previsíveis consequências sociais.

O povo brasileiro que pede uma intervenção militar procura, na verdade, um xerifão daqueles que prende todo mundo. Contudo seria preciso delimitar muito bem quem estaria dentro desse “todo mundo” para que provocações e ações, que viriam, não acabassem sendo respondidas de forma desconexa do objetivo final. Não se pode correr o risco de transformar caça aos corruptos em caça às bruxas.

Dificilmente uma ação militar desse porte aconteceria sem mortes, arbitrariedades, agressões físicas e também reações civis em forma de resistências e guerrilhas. Movimentos sociais como MST e MTST e seus blackblocks já deixaram claro do que são capazes, e certamente sentiriam-se valentes para tanto. E não nos esqueçamos do muito bem armado exército do tráfico de drogas.

E com tudo isso a restrição temporária de direitos civis, possíveis reflexos numa economia que apenas finge que se recupera, e mais um caminhão de imprevisibilidades inerentes a um estado de exceção.

O desconforto da caserna está muito alto, num contraste gritante com o conforto com que políticos usurpam dos cofres públicos, das leis e do povo brasileiro. E o que se vê através do judiciário, tendo como exemplo claro o comportamento do ministro do STF Gilmar Mendes, é que as instituições estão em frangalhos, e que a corrupção continua se aproveitando disso para sobreviver.

É bom pensarmos, então, se estamos realmente preparados para uma intervenção militar. E quem chegar a conclusão que não está, que comece a pensar no assunto, porque o clamor da parte da população que os chama parece ter sido ouvido. Agora é uma questão apenas de sabermos se será respondido.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.