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Projeto impede Temer de morrer até 31 de dezembro de 2018

Projeto impede Temer de morrer até 31 de dezembro de 2018

Não se sabe ainda se Temer será preventivamente imortalizado por medida provisória, se por projeto de lei que tramitara com urgência pelas casas do Congresso Nacional, se alguma ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade será apresentada pela PGR ou se alguma questão de ordem será apresentada por algum ministro do STF.

O que importa é que Temer fique impedido de morrer porque a economia não aguentaria, isso facilitaria a vida da esquerda e a possibilidade de ter Lula de volta. Além disso, Eliseu Padilha e Moreira Franco perderiam o direito ao foro privilegiado e Rodrigo Maia se sentaria na cadeira da presidência.

O Brasil deixou de ser um país Lulodependente para ser Temerdependente. Temer sim é O Cara.

Ironias à parte, todas as argumentações que defendem a permanência de Michel Temer tratam da questão como se a presença dele no governo fosse selo garantidor de que o Brasil atravessará seguro os 14 meses que faltam para as eleições. Balela.

Muitos dos bons indicadores econômicos não têm a ver com a presença de Temer, mas com a certeza da ausência de Lula, Dilma e do PT. Nesse mundo, Michel Temer é o “menos pior” porque só anda pela esquerda quando ela está no poder. No entendimento de poder dele não há ideologia, só fisiologia. E quando fisiologicamente interessante, ignora-se a cumplicidade de outrora.

Michel Temer foi eleito vice-presidente de Dilma Rousseff duas vezes. Não foi uma, foram duas. E muito provavelmente as duas eleições dela tiveram uma colaboração enorme dos votos vindos do PMDB, não por Temer, mas pela força do partido. Ele pode até ter-se dito um vice decorativo, mas quem cala consente. Quem assiste um crime e não faz nada (vide papo com Joesley Batista) torna-se cúmplice.

As reformas levadas a cabo pelo governo Temer além de insuficientes ainda não tiveram tempo de produzir os efeitos esperados. Mas da forma que o governo vem usando a caneta para engavetar denúncias e angariar votos para aliados, o que se ganha de fôlego com reformas se perde em negociações com o congresso e o que seriam reformas viram meros reparos, nada estrutural como deveria. Dois bons exemplos são o novo Refis e a aprovação da Reforma Política.

Mas nem só de economia vive um país, e no que tange ao resto, entenda-se exatamente por resto. Nada anda, nada se produz além de emendas à constituição e projetos de lei para proteger os políticos da sombra cada vez mais escura da justiça. A Advocacia Geral da União continua defendendo o presidente e não a instituição da presidência, tal qual era nos governos Lula e Dilma.

Metade dos ministros de Estado estão envolvidos em algum tipo de escândalo ou já respondem a inquéritos e processos. Poderosos e próximos de Temer, ex-ministros estão presos preventivamente, um deles, Geddel Vieira Lima, depois de descoberto um apartamento com 52 de milhões de reais em dinheiro vivo guardado em malas espalhadas pelo chão. 52 milhões de reais. Geddel Vieira Lima, amigo de uma vida de Michel Temer, tanto quanto Padilha e Moreira Franco.

Não, Michel Temer não pode morrer, nem que para isso Gilmar Mendes tenha que expedir um habeas corpus de ofício junto ao outro plano para garantir que “Dona Morte” não terá jurisdição no território brasileiro até as eleições de 2018 – sem o voto impresso.

Pelo amor à razão. O Brasil é muito maior que um presidente corrupto de 78 anos que como qualquer pessoa, pode morrer a qualquer momento. E se morrer a economia suportará, Lula não voltará ao poder, Padilha e Moreira Franco terão de se explicar a justiça e aturaremos Rodrigo Maia o tempo que for preciso, porque é isso que a constituição prevê para a vacância do cargo.

Defender Temer em nome de convicções pessoais é um direito de cada um. O que não é honesto é a justificativa de que o país não suportaria uma nova mudança de presidente. Suportaria sim, e já deu mostras disso em diversos momentos. O que o país não suporta mais é a certeza de que tudo está sendo feito para que nada mais seja feito com eficiência quando se combate a corrupção.

Michel Temer já não é mais um presidente. É uma alma penada que vaga assombrada entre o Palácio do Planalto e o Palácio do Jaburu. Porque assombrar, não assombra mais ninguém.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.