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Presidente, para ter progresso primeiro tem que pôr ordem nessa negócio.

Presidente, para ter progresso primeiro tem que pôr ordem nessa negócio.

O presidente Jair Bolsonaro já deveria ter percebido que a maioria dos seus eleitores, penso que quase a totalidade, já entendeu que Gustavo Bebianno é safado e, aparentemente, a ideia dele era se escorar na sua imagem para tentar livrar a própria cara. Penso que ele foi ainda muito mais imbecil se tentou levar Bolsonaro para dentro do problema que é dele e do PSL. Minha leitura do fato é que ele queria mostrar que tinha sua retaguarda. Talvez até esperasse algum tipo de aceno nesse sentido. Mas, felizmente, não aconteceu.

O que aconteceu, porém, todo mundo já sabe. O “pitbull” meteu o dedo no smartphone, foi para o Twitter e arrumou essa quizumba toda, lavando roupa suja publicamente, criando um ambiente de disse-me-disse, dando quilos de material para a imprensa e para a oposição, quando teria bastado uma única canetada, sem celeumas, para resolver a questão. Era só chamá-lo no Albert Einstein, ou até mesmo ter essa conversa pessoal em Brasília no seu retorno.

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A pergunta que ficou no ar é: para que o barraco, presidente?

Para que levar a público, através de rede social, criando uma superexposição com tom de fofoca, um assunto que poderia (e na minha opinião deveria) ser resolvido em uma reunião de gabinete? Chegasse em Brasília, chamasse Bebianno num canto, desse o bilhete azul para ele e depois simplesmente comunicasse à imprensa que ele havia sido exonerado, até mesmo relatando o episódio por inteiro. E ponto.

Mas a continuação ainda acabou sendo pior do que isso. O bate-boca continuou pelas redes sociais e pela imprensa e o presidente titubeou na tomada de decisão. A ‘turma do deixa disso’ tentou apaziguar os ânimos, o assunto tomou mais vulto ainda e, naquele momento, além de não mandar Bebianno embora de pronto, o presidente ofereceu uma vaga na diretoria de Itaipu como cala boca e recebeu um tremendo não no meio da cara.

É estranho que decisões tão impactantes não sejam tomadas em comum acordo com o staff presidencial, ainda que, sempre, prevaleça a palavra do presidente. Mas essa não é a única coisa estranha. Bebianno é tóxico o suficiente para não poder ficar no Planalto, mas não para ganhar uma diretoria de Itaipu? E o Brasil fica como nisso? A ideia passada para todos nós na eleição foi que corrupto não teria vez nesse governo. Mas teria vez na diretoria de uma estatal?

Finalmente, depois de muitas idas e vindas, Gustavo Bebianno foi informado que será mesmo demitido e que sua exoneração será publicada no Diário Oficial na segunda-feira, 18 de fevereiro, e esperava-se que com isso o episódio perdesse dimensão e que o próprio presidente Bolsonaro tomasse as devidas providências para acalmar os ânimos. Inclusive o vice-presidente Hamilton Mourão e até o ministro Sérgio Moro chegaram a tecer comentários de que Bolsonaro daria uma acalmada nos filhos para que, aos poucos, o assunto saísse da pauta da imprensa e da oposição e das resenhas no Congresso Nacional.

Mas quem tem “Huguinho, Zezinho e Luisinho” ostentando a faixa presidencial nas atitudes não fica sossegado por muito tempo. Se o “pitbull” foi contido, o irmão dele – que não morde menos – tomou a frente, também foi para o Twitter e deitou a falar sobre Gustavo Bebianno novamente. Eduardo meteu o pé na jaca e disse o seguinte:

”Se fosse qualquer outro ministro e Bolsonaro o defendesse, a mídia e membros do establishment iriam dizer que o presidente estaria passando pano pra corrupto, mas como grande parte está defendendo Bebianno, somos levados a concluir que ministro tem amigos no establishment e que o buraco é mais embaixo. E ainda tem jumento que diz que o Carlos atrapalha o pai. Vocês são idiotas ou o quê?”

Que são os idiotas a quem ele se refere? Só a imprensa? Só a oposição? Ou qualquer um que discorde da maneira como eles pensam ou agem?

O que se espera de um presidente da república é que ele presida o país. Nada além disso. Que cumpra o que prometeu na campanha eleitoral, ou pelo menos se esforce muito para cumprir. Espera-se dele, também, ações com autoridade em relação a tudo o que envolve e impacta o exercício da presidência, entre elas a demissão de ministros de estado. E que não permita a interferência de quem não tem direito de se intrometer em assuntos para os quais não tem autoridade legal para tal.

O que não se espera de um presidente da república, ainda que não haja uma maneira de impedir isso, é que compartilhe com seus filhos os processos de tomada de decisão sobre assuntos de estado, inclusive muitos que são estratégicos e que devem ser mantidos restritos aos assessores próximos. Não se espera dele também a permissão para que as redes sociais sejam o palco para enfrentamentos e comunicados oficiais que dizem respeito à presidência da república.

A relação de admiração e respeito entre Jair Bolsonaro e seus filhos é muito bonita, mas precisa urgentemente se limitar à convivência familiar. Por mais que sejam eles pessoas de sua extrema confiança, o presidente precisa depositar na sua equipe de assessoria direta o máximo de confiança, pois ele os escolheu para os cargos que ocupam, como escolheu Gustavo Bebianno. E é também o presidente da república que tem que ser o protagonista dos principais atos da presidência, e não seus filhos.

É de suma importância que o presidente Jair Bolsonaro mantenha seus filhos longe do Palácio do Planalto e prestigie a assessoria que escolheu para ajudá-lo a governar, a começar pelo porta-voz da presidência de república que tem sido relegado a um papel de fundo no meio de tanta gente falastrona nesse governo.

O verdadeiro impacto dessa panaceia toda do episódio da demissão de Gustavo Bebianno será realmente sentido na tramitação das reformas no Congresso Nacional, sendo a reforma de previdência a primeira delas.

Podem até culpar a imprensa pela grande repercussão que está dando ao episódio, mas quem começou e está esticando o problema são os filhos de Jair Bolsonaro. E como diz minha mãe, “quem pariu Mateus que o balance!”. Mas longe do Palácio do Planalto, por favor.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.