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Presidência. Por que todos eles querem comandar um país quebrado?

Presidência. Por que todos eles querem comandar um país quebrado?Assumir a presidência do Brasil é efetivamente virar administrador de um país que está para alugar. Vender placa de “aluga-se” já virou um negócio. Pequenas empresas de promoção, que vivem das oportunidades e tendências do momento, estão ganhando dinheiro legitimamente com a crise. E elas só sofrerão com a crise quando a economia se fortalecer o suficiente para que se gere empregos e se ocupem os imóveis. Então, quem vive disso, já terá descoberto uma nova oportunidade ou tendência para investir. Ser querer ser maldoso, mas quem vive da desgraça alheia sempre tem oportunidades num país como esse.

Ao sentar na cadeira da presidência da república o presidente herdará – em dados de hoje, penso até que deve aumentar – 13,1 milhões de desempregados. Terá sob sua responsabilidade direta a fome de milhões de pessoas, a dependência assistencialista de milhões cadastrados no Bolsa Família. Encontrará um país com infraestrutura falida, incapaz de colaborar na promoção do desenvolvimento, e não terá dinheiro, nem apoio congressual, nem credibilidade internacional para financiar tudo o que precisa.

O próximo a ter a honra de ter seu nome na galeria dos raros e poucos que ocuparam a presidência da república (independente se realmente tiveram ou não honra para estar lá) será responsável por um país que precisa fazer combates a doenças do século passado, desaparecidas dos registros de saúde há 20, 30, 40, 50 anos. Será responsável também por um SUS completamente desprovido de competência para responder às demandas da sociedade, que paga através dos seus impostos o direito de ser bem atendida. Milhares de pessoas morrem por não conseguir sobreviver à espera da realização de um exame que salvaria sua vida se feito a tempo. São esperas de muitos meses, em vários casos passando muito mais de um ano.

O próximo na presidência da república, seja “ente” ou “enta”, assume o comando do país com índices de violência que nos colocam nos primeiros lugares em várias estatísticas sobre violência, com números absolutamente superiores a locais em guerra, como a própria Síria. E vai ter que encarar a realidade de que o tráfico de drogas no Brasil é tão bem armado quanto os exércitos que estão lutando por lá. Mais do que isso, o próximo presidente vai ter que encarar quem realmente comanda o tráfico de drogas, e se quiser fazer isso verdadeiramente, vai ter que combater os andares de cima dos poderes da república.

Seja lá quem for que assuma a presidência do Brasil terá a responsabilidade de manter ou alterar o modelo de sistema educacional, ideologicamente corrompido e que desde cedo subverte o pensamento, praticando a ideologização em paralelo com a assimilação dos conceitos básicos pelas crianças. A prática da ideologia na educação infantil perverte a liberdade de escolha porque só apresenta o seu modelo de pensamento como certo, não oferece outra opção além disso.

Se o próximo a ocupar a presidência for de esquerda, a tendência é que esse quadro se aprofunde. Se for de direita, espera-se uma guinada para o lado oposto, e aí entra uma outra situação interessante. Nenhum presidente de direita conseguirá implantar um novo sistema educacional que cause impacto em menos de duas gerações, e ele só terá um governo de 4 anos.

Teremos que ter muuuuuuuuita sorte de encontrar um presidente com tanto altruísmo, especialmente se continuarmos a ter presidentes com 77 anos de idade que, pela expectativa de vida do brasileiro (recomento a leitura), segundo o IBGE entre 68 anos para mulheres e 75,8 anos para homens, de verdade não estariam muito interessados nos próximos 30 anos.

Um país dividido entre incrédulos e iludidos, lúcidos e alucinados, extremistas e autistas, incapaz de se encontrar como nação, sem espírito de cidadania ou civilidade, uma imensa massa de pessoas preteridas pelo estado na saúde, na educação, na segurança, no trabalho, estagnadas na miséria do assistencialismo, infelizes com Smartphones e TVs de LED sem saber que são, orientadas por um sistema que foi feito para mantê-las assim, e nem adianta tentar explicar nesse momento.

Com todos esses contras, por que essas pessoas querem comandar o Brasil?

Bem, se você achou que eu teria essa resposta, eu não a tenho. Minhas suspeitas não são diferentes das suspeitas das maiorias das pessoas em relação às pessoas e aos grupos que representam os candidatos.

É muito claro que toda a classe política, indiferente dos partidos a quem pertençam os políticos, querem fugir da Lava Jato, e a única opção que tem é que um deles volte ao poder. Dessa maneira pode-se facilmente imaginar que políticos de partidos como PT, PSOL, PCdoB, PDT, REDE, MDB, PSDB, DEM, PP, PTC e mais uma meia dúzia de legendas mais secundários que eu nem sei dizer o nome, estarão ligados a candidatos que tenham a manutenção da impunidade como compromisso.

Não existe a menor hipótese de que um candidato ligado a esses partidos seja um vibrante apoiador de um candidato à presidência que esteja comprometido com o combate à corrupção e com o fim da impunidade. Qualquer integrante que pertença a essas legendas estará preocupado estritamente com o fim da Lava Jato.

Candidatos como Jair Bolsonaro, Álvaro Dias, João Amoedo, e Flávio Rocha, são apostas que se apresentam distintas das legendas acima, mas que, efetivamente, tirando a bolsonaromania, que acabou virando uma seita como o lulopetismo, não conseguiram se tornar opções capazes se postar como opções capazes de ultrapassar um tema específico como bordão ou uma utopia com bons fundamentos.

Acima da ideia de oferecer uma resposta, o que eu ofereço é a pergunta. Por que essas pessoas querem comandar o Brasil?

Se não usamos os fatos para formar nossa opinião sobre determinado pensamento, não somos capazes de saber por que concordamos ou discordamos com alguma coisa. E é essa ignorância que nos faz reféns de uma ideia ou comportamento, porque as pessoas precisam pertencer, e a culturalmente essa sensação de pertencimento se dá quando a pessoa se enquadra nos hábitos sociais do grupo a que pertence.

Se realmente não estiver nas mãos da Smartmatic, escolher o próximo ocupante da Presidência da República Federativa do Brasil estará nas mãos de todos nós.

Penso que se a cada aparição de um candidato diante de você – televisão, rádio, jornal, revista, site, rede social – se perguntar “por que realmente essa pessoa quer ser presidente do Brasil?”, e contrastar isso com o que as pessoas comentam a respeito, a chance de errar na escolha será bem menor.

Mas não vou me furtar a dar minha opinião, mesmo assim. Só a considere mais uma, quem sabe até a mais errada e inútil.

Por enquanto ainda não consegui ver ninguém que queira realmente comandar o Brasil. Até o momento eu só consigo ver gente que quer impedir o combate à corrupção e manter o sistema de impunidade e um outro grupo que só quer ser presidente do Brasil. Presidir e comandar são duas coisas completamente diferentes, e ninguém ainda foi capaz, na minha opinião, de provar que ser comandante de um novo caminho para o Brasil.

A verdade dos fatos começará a se estabelecer quando o jogo começar a ser jogado, e então veremos quem apoiará quem. Será a capacidade de angariar e recusar apoios que poderá nos apresentar alguém com capacidade de comandar o Brasil. Presidir é mole, Dilma foi eleita duas vezes, e todo mundo sabe no que deu.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.