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Por que com Eduardo Cunha pode e com Aécio never?

Ao contrário do tratamento dispensado à Aécio Neves, Eduardo Cunha, diga-se de passagem merecidamente, foi extraído da vida pública num piscar de olhos.

Ao contrário do tratamento dispensado à Aécio Neves, Eduardo Cunha, diga-se de passagem merecidamente, foi extraído da vida pública num piscar de olhos ao ser suspenso dos cargos de Deputado Federal e Presidente da Câmara dos Deputados de uma só vez e por um STF que não deixou dúvidas sobre decisão que tomava, sapecando-lhe um 11 a 0.

Quem tiver interesse pode ver os 11 votos dos ministros clicando aqui. E quem assistir e prestar atenção perceberá que o julgamento da última quinta-feira tratava do mesmo assunto, mas não do mesmo defunto. Aécio ainda respira por aparelhos, cedidos pelo próprio STF.

Algumas diferenças básicas ajudam a explicar a diferença entre o tratamento dado a Eduardo Cunha e a Aécio Neves.

Eduardo Cunha não era apenas um corrupto, ou um corrupto qualquer. Era um gangster, chefe de quadrilha e usava tanto de métodos ortodoxos quanto pouco ortodoxos para tratar com adversários e opositores. Administrava seus aliados na base da chantagem, comprava opositores se necessário e não se recusava a nenhum acordo espúrio no qual ganhasse alguma coisa.

Aécio Neves também não é um corrupto qualquer, mas teve uma horda de inimigos sanguinários dispostos a arrancar-lhe o couro. O próprio Lindbergh Farias, do alto de seus devaneios, sempre tratou Aécio como parâmetro de corrupção, mas não como o inimigo a ser batido. Aécio tentou ser presidente pelo voto, Cunha pensou que seria pelo impeachment de Dilma e pela deposição de Temer.

Eduardo Cunha atrapalhava a estratégia de Temer, Aécio Neves ajuda.

Cunha ofuscava o brilho de Renan Calheiros, Aécio o coloca nos holofotes.

Eduardo desafiava a autoridade do STF. Aécio Neves pede ajuda ao STF.

Noves fora, ou Neves fora, se me permitem o trocadilho, Eduardo Cunha era o limite da desfaçatez de um corrupto usando o mandato para continuar a praticar crimes graves ao mesmo tempo em que dava entrevistas posando de cristão incapaz de roubar o doce de uma criança. Já Aécio vendia a imagem de quem dava doces às crianças, e acabou provando ser daqueles que poder ser capazes até de dar mais do que doces em portas de escolas.

O STF protege aos seus, pelo histórico, pelo compromisso, mas, principalmente, pelo comprometimento pessoal de seus ministros, que operam abertamente a favor do movimento para abrandar o combate à corrupção e proteger as figuras proeminentes da política tupiniquim, afinal não há nada mais tupiniquim do que o sistema político brasileiro.

O julgamento da última quarta-feira devolveu ao Senado o destino de Aécio Neves, e todos sabemos que não haverá força capaz de suspender-lhe o mandato, afinal, ele é um dos mais de 50 senadores multi-investigados e multi-denunciados que não estão dispostos a abrir um precedente que possa custar-lhes os mandatos. E eles seguem o recado dado por Eduardo Cunha, no vídeo de 1 minuto que você pode ver aqui.

Aécio Neves também precisa ser extraído da vida pública. Mas antes que os olhos pisquem vale a velha e repetida máxima de que manda quem pode, obedece quem tem juízes.

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Eduardo Cunha continua em Brasília. E que ninguém se assuste se for libertado.

 

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.