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POR QUE GILMAR MENDES TEM MEDO DE BARATA?

Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional, 40% da população carcerária é formada por presos provisórios. São quase 250 mil pessoas presas sem nem terem sido julgadas em primeira instância. Gilmar Mendes e os outros ministros do STF não concederam habeas corpus ou liminares para livrar a cara de nenhum deles. São tratados como um ninho de baratas do tipo que não metem medo em juiz.

Mas parece que no tocante a Gilmar Mendes, uma espécie de barata causa pânico.

Por mais que a palavra escândalo já não cause o impacto que seu significado propõe, a atuação de Gilmar Mendes em favor de Jacob Barata Filho é um escândalo. Aliás mais um, o ministro vem colecionando vários. Mas vou ficar somente nesse.

Gilmar Mendes foi padrinho de casamento da filha de Jacob Barata Filho com o sobrinho de sua esposa, Guiomar Mendes. Tirou foto com os noivos e com o pai da noiva. Isso, por si só, já seria uma recomendação ética para que Gilmar Mendes se declarasse em suspeição e passasse o caso adiante, evitando assim qualquer insinuação que pudesse advir do fato. Não o fez.

Mesmo um ministro do Supremo Tribunal Federal precisa contar com um advogado para suas questões particulares. E não deve ser difícil para um membro da mais alta corte do país, casado com uma advogada que atua numa importante banca brasileira, encontrar um bom advogado. E Gilmar Mendes tem um bom advogado. Coincidentemente o mesmo advogado de Jacob Barata Filho. E se o apadrinhamento do casal filha e sobrinho não fosse ainda um forte motivo de se colocar em suspeição, esse seria. Não o fez.

Como notícia ruim corre rápido, um organograma produzido pela Procuradoria Geral da República mostra que o cunhado de Gilmar Mendes, Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, é sócio de Jacob Barata Filho na empresa de ônibus Auto Viação Metropolitana LTDA. E mais do que sócios, Jacob Barata Filho e Francisco Feitosa de Albuquerque Lima são amigos íntimos, tratam-se por “irmão e compadre”.

Se o famigerado apadrinhamento e o fato de dividir o mesmo advogado não fossem ainda um bom motivo para se colocar em suspeição, convenhamos, esse seria. Mas também não foi.

Então, descobre-se que o escritório Sérgio Bermudes, onde trabalha Guiomar Feitosa de Albuquerque Lima Mendes, esposa de Gilmar Mendes, prestou serviços para as empresas de outro empresário preso no mesmo esquema de Jacob Barata Filho, Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor).

Seguindo a mesma lógica utilizada quando Gilmar Mendes libertou Eike Batista, Guiomar Mendes seria “credora” do empresário, o que o Código de Processo Civil considera motivo para a suspeição de um juiz em seu artigo 135. Isso sim seria um motivão para se declarar suspeito, não? Mas também não foi.

Aí a perícia da Polícia Federal descobre o contato de Guiomar Mendes na agenda do telefone de Jacob Barata Filho, o que revela que o empresário não apenas tinha acesso à esposa de Gilmar Mendes, como revela que havia intimidade. Ninguém tem o telefone da esposa de um ministro do STF na agenda telefônica se não tiver liberdade de usá-lo, nem que seja em último caso. Nitroglicerina pura o suficiente para que Gilmar Mendes tomasse a máxima distância do assunto, se declarasse suspeito, passasse o processo adiante e nem quisesse saber do desenrolar da coisa.

O ministro Gilmar Mendes concedeu habeas corpus e libertou Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira. O juiz Marcelo Bretas, responsável pela prisão preventiva de ambos reagiu e emitiu novo mandado de prisão com base em novos argumentos. Gilmar Mendes soltou de novo.

Gilmar Mendes não tem medo da opinião pública. Não se curva a ela.

Gilmar Mendes não tem medo do CNJ – Conselho Nacional de Justiça, que nada faz contra sua atuação autoritária.

Gilmar Mendes não tem medo da imprensa.

Gilmar Mendes não tem medo quando é flagrado em grampo telefônico com um investigado pela Polícia Federal sendo solicitado a interferir numa questão política a fim de ajudar a convencer um senador a mudar seu voto.

Gilmar Mendes não tem medo nem de que pegue mal ter recebido 2 milhões de reais da tão encrencada JBS em 2017 para patrocinar seminário de seu instituto, IDP, em Portugal, além de patrocínio da outra encrencada Odebrecht.

Gilmar Mendes não tem medo de mudar seu voto ou sua interpretação da lei de acordo com o réu em questão, e é ele quem está por trás da eventual mudança de entendimento do STF sobre prisões após condenação em segunda instância. Já avisou que vai votar contra, e assim mudar o lado mais pesado da balança.

Gilmar Mendes não tem medo de que possa parecer estranho ser flagrado visitando o presidente da república fora da agenda de ambos após as 22 horas. E nem medo também que se ache estranho sua participação ativa na escolha da nova Procuradora Geral da República, que também foi flagrada numa dessas visitinhas noturnas fora de agenda a Michel Temer.

Gilmar Mendes não tem medo de absolutamente nada. Ou quase nada.

Gilmar Mendes só tem medo de barata.

Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional, 40% da população carcerária é formada por presos provisórios. São quase 250 mil pessoas presas sem nem terem sido julgadas em primeira instância. Gilmar Mendes e os outros ministros do STF não concederam habeas corpus ou liminares para livrar a cara de nenhum deles. São tratados como um ninho de baratas do tipo que não metem medo em juiz.

Mas parece que no tocante a Gilmar Mendes, uma espécie de barata causa pânico.

Por mais que a palavra escândalo já não cause o impacto que seu significado propõe, a atuação de Gilmar Mendes em favor de Jacob Barata Filho é um escândalo. Aliás mais um, o ministro vem colecionando vários. Mas vou ficar somente nesse.

Gilmar Mendes foi padrinho de casamento da filha de Jacob Barata Filho com o sobrinho de sua esposa, Guiomar Mendes. Tirou foto com os noivos e com o pai da noiva. Isso, por si só, já seria uma recomendação ética para que Gilmar Mendes se declarasse em suspeição e passasse o caso adiante, evitando assim qualquer insinuação que pudesse advir do fato. Não o fez.

Mesmo um ministro do Supremo Tribunal Federal precisa contar com um advogado para suas questões particulares. E não deve ser difícil para um membro da mais alta corte do país, casado com uma advogada que atua numa importante banca brasileira, encontrar um bom advogado. E Gilmar Mendes tem um bom advogado. Coincidentemente o mesmo advogado de Jacob Barata Filho. E se o apadrinhamento do casal filha e sobrinho não fosse ainda um forte motivo de se colocar em suspeição, esse seria. Não o fez.

Como notícia ruim corre rápido, um organograma produzido pela Procuradoria Geral da República mostra que o cunhado de Gilmar Mendes, Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, é sócio de Jacob Barata Filho na empresa de ônibus Auto Viação Metropolitana LTDA. E mais do que sócios, Jacob Barata Filho e Francisco Feitosa de Albuquerque Lima são amigos íntimos, tratam-se por “irmão e compadre”.

Se o famigerado apadrinhamento e o fato de dividir o mesmo advogado não fossem ainda um bom motivo para se colocar em suspeição, convenhamos, esse seria. Mas também não foi.

Então, descobre-se que o escritório Sérgio Bermudes, onde trabalha Guiomar Feitosa de Albuquerque Lima Mendes, esposa de Gilmar Mendes, prestou serviços para as empresas de outro empresário preso no mesmo esquema de Jacob Barata Filho, Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor).

Seguindo a mesma lógica utilizada quando Gilmar Mendes libertou Eike Batista, Guiomar Mendes seria “credora” do empresário, o que o Código de Processo Civil considera motivo para a suspeição de um juiz em seu artigo 135. Isso sim seria um motivão para se declarar suspeito, não? Mas também não foi.

Aí a perícia da Polícia Federal descobre o contato de Guiomar Mendes na agenda do telefone de Jacob Barata Filho, o que revela que o empresário não apenas tinha acesso à esposa de Gilmar Mendes, como revela que havia intimidade. Ninguém tem o telefone da esposa de um ministro do STF na agenda telefônica se não tiver liberdade de usá-lo, nem que seja em último caso. Nitroglicerina pura o suficiente para que Gilmar Mendes tomasse a máxima distância do assunto, se declarasse suspeito, passasse o processo adiante e nem quisesse saber do desenrolar da coisa.

O ministro Gilmar Mendes concedeu habeas corpus e libertou Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira. O juiz Marcelo Bretas, responsável pela prisão preventiva de ambos reagiu e emitiu novo mandado de prisão com base em novos argumentos. Gilmar Mendes soltou de novo.

Gilmar Mendes não tem medo da opinião pública. Não se curva a ela.

Gilmar Mendes não tem medo do CNJ – Conselho Nacional de Justiça, que nada faz contra sua atuação autoritária.

Gilmar Mendes não tem medo da imprensa.

Gilmar Mendes não tem medo de ofender seus pares e órgãos do judiciário.

Gilmar Mendes não tem medo de jogar no lixo o dinheiro do contribuinte gasto durante todas as investigações em andamento.

Gilmar Mendes não tem medo quando é flagrado em grampo telefônico com um investigado pela Polícia Federal sendo solicitado a interferir numa questão política a fim de ajudar a convencer um senador a mudar seu voto.

Gilmar Mendes não tem medo nem de que pegue mal ter recebido 2 milhões de reais da tão encrencada JBS em 2017 para patrocinar seminário de seu instituto, IDP, em Portugal, além de patrocínio da outra encrencada Odebrecht.

Gilmar Mendes não tem medo de mudar seu voto ou sua interpretação da lei de acordo com o réu em questão, e é ele quem está por trás da eventual mudança de entendimento do STF sobre prisões após condenação em segunda instância. Já avisou que vai votar contra, e assim mudar o lado mais pesado da balança.

Gilmar Mendes não tem medo de que possa parecer estranho ser flagrado visitando o presidente da república fora da agenda de ambos após as 22 horas. E nem medo também que se ache estranho sua participação ativa na escolha da nova Procuradora Geral da República, que também foi flagrada numa dessas visitinhas noturnas fora de agenda a Michel Temer.

Gilmar Mendes não tem medo de absolutamente nada. Ou quase nada.

Gilmar Mendes só tem medo de barata.

 

Fontes pesquisadas:

Dados do DEPEN

Revista ISTOÉ

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.