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Pesquisas de intenção de votos à presidência são só esses mesmo?

Quando comecei a escrever esse artigo, o site politicocarimbado.com registrava o tempo apresentado na imagem em sua contagem regressiva para as eleições 2018, tempo suficiente para invadir mentes com pesquisas e enquetes que, tecnicamente, não valem nada.

Com tanta coisa ainda para acontecer nesse Brasil, você acredita que, faltando 10 meses para a eleição, é possível que pesquisas ou enquetes possam realmente indicar com precisão a possibilidade de um resultado? Lembremos, inclusive, que nas últimas eleições gerais e municipais, ocorreram erros grotescos. Ou será que não são exatamente erros?

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Pessoalmente, decidi não responder mais pesquisas e enquetes, e mantenho minha posição em compasso de espera em relação ao candidato à presidência, porque não bastará elegê-lo sem saber quem o apoia, muito menos elegê-lo se ele não tiver uma base de apoio que não seja meramente fisiológica, como sempre foi o PMDB.

Os nomes nas pesquisas e enquetes são sempre exatamente os mesmos, com exceções para meia dúzia de balões de ensaios de vez em quando. Mas o que querem mesmo é que nós acreditemos que os únicos, possíveis e viáveis candidatos à presidência são esses que estão aí. Mais do que isso, ao colocar determinados nomes em pesquisas e enquetes, cria-se confusão na cabeça do eleitor, porque esses nomes, como, por exemplo, o do Juiz Sérgio Moro, não estarão na lista porque definitivamente não serão candidatos.

A insistência na fixação do nome de Lula nas pesquisas e enquetes não tem nada a ver com eleição, mas com uma tentativa bem engendrada de aumentar a comoção se, em algum momento, ele for preso. É o reforço da tese de que Lula não poderá ser candidato porque é um perseguido político, ou, se preso, de que o prenderam porque liderava a corrida ao Planalto.

Não estou dizendo em nenhum momento que as pessoas não possam ou não devam ter um candidato desde já, o que inclusive é natural. Mas muitos detalhes devem pesar numa escolha definitiva. Alianças e coligações só se consolidarão a partir das convenções partidárias até final de junho de 2018. E não sabemos, de verdade, quem apoiará quem.

Pesquisas e enquetes podem ser estratégicas na difusão e fixação de nomes, e isso pode ser observado em relação à esquerda. O lançamento precoce de várias pré-candidaturas, tais como Marina Silva, Manoela D’Ávila, Ciro Gomes e a ameaça de Guilherme Boulos são apenas um fracionamento tático que pulveriza e rouba votos da direita e do centro agora. Mas lá na frente, a depender do desempenho de Lula ou de seu poste, se unirão lá na frente.

Um fato mais importante a observar é que como não estamos em período eleitoral as pesquisas não precisam ser registradas nos TREs. E se já, comprovadamente, faltam com o compromisso com a verdade quando são registradas, que garantia existe de que elas podem ser confiáveis agora? Os principais institutos de pesquisa apareceram envolvidos com estratégias de compra de resultados e lavagem de dinheiro. Quem confia em institutos de pesquisas?

E as enquetes, então, que não são regulamentadas por lei alguma? Quem está por trás desses perfis de Twitter e Facebook que só fazem enquetes o tempo todo? Quem financia isso? O que fazem com essas informações?

Se eu puder dar um conselho a alguém, direi: cuidado com o tipo de pesquisas e enquetes que você responde, retuita ou compartilha. Ao invés de usar da liberdade de se expressar você poderá ser inocentemente cúmplice da disseminação da ideia de que não é possível que haja nomes que não sejam esses que se apresentam. E mais, as vezes contribuindo para uma agenda que tem por objetivo pressionas as pessoas a escolher desde já aquilo que farão daqui a 10 meses.

Não sou Carlinhos Vidente, mas vou me arriscar à uma previsão. Luciano Huck já foi devidamente testado em pesquisas e enquetes. Tem boa aceitação. A precocidade do lançamento do seu nome gerou também reações e ataques precoces. Saiu de cena. Saiu das pesquisas e das enquetes. Mas voltará candidato quando a briga for para valer. Loucura, loucura, loucura.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.