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Pedro Parente vai vender mortadela onde porco não dá palpite

Pedro Parente vai vender mortadela onde porco não dá palpiteA saída de Pedro Parente da presidência de Petrobras a empresa perdeu 40 bilhões de reais no seu valor de mercado em um único dia. O total foi de 137 bilhões desde que começou a greve dos caminhoneiros. Ao contrário, muito provavelmente, a BRF, empresa da qual Parente já é presidente do conselho administrativo, deve ter tido valorização em suas ações ao anunciar que é para lá que ele está indo assumir como principal executivo.

O motivo da saída de Pedro Parente é muito simples. Durante exatos 2 anos, ele assumiu e se demitiu em um 1° de junho, ele teve 100% do comando da estatal em suas mãos, sem sofrer interferência política. A movimentação do governo, desastrada como em tudo que os últimos governos têm feito quando lidam com crises, deixou claro que a autonomia tinha acabado.

O governo negociou com caminhoneiros a despeito da Petrobras. Pedro Parente, usando de sua autonomia na direção da empresa e no intuito de colaborar, também tomou atitude solitária quando anunciou uma redução no preço do diesel. Ninguém se entendeu. Mas ficou claro para Parente que o governo começava ali um processo de interferência administrativa e, principalmente, eleitoral.

Se Pedro Parente estava preocupado com a administração da Petrobras, o governo só se preocupa mesmo com a administração eleitoral. O presidente da Petrobras tem que se preocupar em dar lucro aos acionistas, inclusive o majoritário que é o governo. E o governo está preocupado em não ter prejuízos eleitorais. Aí vale tudo.

Esse processo já havia acontecido no BNDES com a executiva Maria Silvia. Colocada por Temer para supostamente sanear o banco e colocar ordem na casa, não demorou muito para que Temer lembrasse que a tal “casa” pertence ao governo e que teriam ali assuntos que não deveriam ser mexidos e outros que deveriam ser mexidos de acordo com seus interesses. Maria Silvia pulou fora.

Hoje, Moreira Franco, o angorá da planilha da Odebrecht, disse o seguinte no Twitter: “Pq governo tem que governar. E é isso o que vamos fazer: proteger as pessoas e atividades econômicas das flutuações internacionais dos preços dos combustíveis.”

Pedro Parente fez um excelente trabalho na Petrobras. Foi acusado e ainda não explicou a relação com empresas que andaram negociando títulos com a Petrobras recebendo adiantado, e com bom desconto, dívidas que só venceriam em 2022. Fosse a negociação em si já daria pano para manga, mas, para piorar, Pedro Parente é sócio de dois sócios dessas empresas. A transação pode até ser boa e absolutamente legal, mas, certamente, pouca ética e nada moral.

A 4 meses das eleições, o que parece certo é que a caneta presidencial funcionará como funcionam as canetas de todos os presidentes nessa mesma situação. Temer não hesitará em flexibilizar regras, tirará dinheiro da saúde, da educação, da infraestrutura, do combate a corrupção e de qualquer outra área que possa garantir sua permanência na presidência da república até 31 de dezembro de 2018.

O agravante dessa já grave situação é que Michel Temer não é candidato, sabe que as chances de seus preferidos Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin são ínfimas e o máximo que pode almejar para si nessa altura do campeonato é um absurdo indulto, uma improvável embaixada ou um cargo qualquer que o mantenha longe das mãos da primeira instância.

Nesse cenário, a única coisa com a qual ele não está preocupado é com o Brasil a partir de 1° de janeiro de 2018. Pedro Parente, por outro lado, tem muito com o que se preocupar. A BRF é uma empresa privada e seus gestores, apoiados por um conselho administrativo de verdade e que é corresponsável pelo que acontece na empresa, tem total autonomia para agir.

Na próxima vez que caminhoneiros resolverem parar o país, Pedro Parente só estará preocupado com prejuízo, lucro e atendimento aos consumidores. Eleitores continuarão sendo problema de Temer e dos políticos encabidados estatais a fora.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.