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Palocci soltou a língua para ficar solto ou para Lula ficar preso?

A despeito do que pensa o Ministério Público Federal, 6 dos 11 ministros do STF já votaram a favor de a Polícia Federal fazer acordos de delação premiada como o de Palocci. Acordos que, inclusive, foram homologados como, por exemplo, o da ex-amante de Alberto Yousseff Nelma Kodama e outros.

Palocci soltou a língua para ficar solto ou para Lula ficar preso?

A verdade é que a Polícia Federal deve não apenas poder fazer os acordos, como também, no caso de Palocci, receber um prêmio de fonoaudiologia. Tirou o freio da língua de Palocci sem cirurgia.

Será que ele falou tudo? Provavelmente não. Membros do Ministério Público Federal estranham que Palocci não tenha citado ninguém com foro privilegiado, o que faria com que sua delação tivesse que ser homologada pelo ministro Edson Fachin, responsável no STF pela Lava Jato, obrigatoriamente passando antes pela mão da Procuradoria Geral da República, que não quis fechar acordo com Palocci anteriormente.

Ora bolas, então está explicado porque ele não citou ninguém com foro privilegiado. Se falasse a delação iria para a PGR e não seria homologada. Não citando, cabe a Sérgio Moro homologar ou não o acordo. E muito provavelmente o acordo fechado deve ter sido pensado de maneira que a delação se referisse a temas específicos, deixando uma porta aberta para que uma delação complementar seja feita a partir da liberdade de Palocci. Se não for assim, apesar de fazer sentido para fatos imediatos, não faz sentido no todo.

Vamos ao fato. Todo mundo está apavorado, principalmente os imundos. Só José Dirceu, João Vaccari Neto, Paulo Okamoto, Guido Mantega e Dilma Rousseff tem o mesmo potencial destruidor que Antônio Palocci. Por mais que muita gente saiba de muita coisa, só esses têm o mesmo tipo de veneno que a língua presa de Palocci destila quando resolve se soltar. A outra seria Marisa Letícia, mas tanto ela quanto Chico Xavier já morreram, e carta dele já valei até como prova em absolvição.

E agora vejam vocês, até carta do Chico Xavier serviu como prova em um julgamento, e as delações de Marcelo Odebrecht, dadas de viva voz, de corpo presente, sem precisar de um médium para transcrever o que ele dizia, guardado em mídia digital periciável, espontaneamente, não serviram no julgamento da chapa Dilma e Temer no TSE e também foram retiradas do processo que julga os casos do sítio de Atibaia e da compra do Instituto Lula.

O PT só solta nota para sua própria militância. A mídia só publica porque pouco se importa com o conteúdo, o que importa é a audiência. E se bobagem da audiência, publicam sem dó e dão o máximo de destaque possível. Não se viu, por exemplo, a grande mídia espernear contra a recusa da PGR de fechar acordo de delação com Palocci.

Antônio Palocci é o primeiro grão cacique petista a expor com detalhes de estratégia o funcionamento do sistema lulopetista. Palocci conhece a estratégia macro, participou da elaboração e da execução dela. Enquanto foi ministro da Fazenda e, portanto, chefe do chefe da Receita Federal, só os otários pagaram impostos e foram investigados. Até pobres, como o caseiro Francenildo Santos Costa teve seus dados invadidos, a mando do próprio Palocci. É só uma questão de quantas e que tipo de ordens com esse nível de absurdo foram dadas em benefício e malefício de outras pessoas?

Os integrantes da esquerda sabem que o fim do teatro está próximo. Estão tentando criar para si mesmos um estado de vitimização coletiva, algo que possa ser usado como tese na tentativa patética de se defender do que já passou de indefensável. A delação de Antônio Palocci é a pá de cal na carreira da maioria dos políticos que se amontoa na porta da Polícia Federal de Curitiba.

O problema do Brasil continua sendo a justiça, a briga da parte que faz com a parte que nem faz e nem quer deixar fazer. A delação de Palocci com a PGR não andou nem com Janot e nem com Raquel Dodge porque é para não andar mesmo. Ainda que ele não cite nominalmente pessoas com foro privilegiado, a exposição das relações e meandros de quem deu com quem recebeu e como pagou irá respingar no governo e em dezenas de parlamentas do Congresso Nacional. Vai acertar também Fernando Pimentel. As evidências cuidarão de mostrar como os caminhos desses personagens se cruzam.

Falem o que quiserem os petistas, a realidade dos fatos está simbolizada no patético comício de Lindbergh Farias em Duque de Caxias, no qual nem um cachorro se interessou em chegar perto para mijar nas suas pernas. Lindbergh foi copiosamente ignorado pela população, exposto como um maluco falando sozinho com microfone na mão, gesticulando como se tivesse plateia, sem a menor noção do ridículo a que estava se expondo e expondo o partido e a causa que defende.

O PT é esse tipo de pastelão no qual personagens como Wadih Damous, Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta, Paulo Teixeira, Maria do Rosário, entre outros, não cansam de nos fazer rir quando, a cada aparição, aprofundam o ridículo que vivem. É, na verdade, impressionante ver a maneira como essas pessoas expõem a falta de caráter e compromisso com a verdade, consideração que estendo também a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Essas pessoas não perceberam ainda que não se constrói mais uma realidade alternativa como a que foi feita desde o fim do regime militar. Não dá para recontar a história no mesmo momento que ela acontece. Foi fácil fazer isso antes da informação se tornar imediatamente disponível a qualquer um em qualquer lugar. Um pseudo-ataque fascista ao acampamento do PT não demorou 2 horas para ser esclarecido. Ao invés de fascismo, um cara que teve seu carro apedrejado por seguranças do acampamento decidiu revidar a agressão. Sérgio Moro, Bolsonaro e Donald Trump não tiveram nada a ver com isso.

Pouco importa o motivo que o motivou. O que realmente interessa a todos é que Sérgio Moro homologue a delação de Antônio Palocci, e que dela surjam importantes esclarecimentos, muitas provas – principalmente e essencialmente provas – e possam dar origem a novas operações que terminem de minar a resistência daqueles que se escondem atrás do falseamento da verdade e do foro privilegiado. No mais, que Moro mande ligar o ventilador.

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