0

E o Oscar vai para Gilmar Mendes pela atuação em “Vivemos numa Cleptocracia”

Não fui eu quem inventei o termo, não fui eu que propaguei. O próprio Gilmar Mendes o fez de própria voz aos microfones e holofotes que lhe dão a sensação de poder que tanto gosta. Acontece que naquele momento tratava-se de Lula. Não tinha Aécio, não tinha Temer e talvez não tivesse nem Gilmar Mendes.

Ainda existe gente que pensa que na parte de baixo da pirâmide só tem idiotas. Gente que despeja comentários como se não tivesse compromisso com eles, coisa típica de falastrões como Lula e Gilmar Mendes. Eles mentem e se desmentem com a certeza de que metade da população não entendeu nem a mentira e nem a contradição dela. Apenas falam.

Ministros falam de números, dados, estatísticas, tentando justificar o grosso de seus posicionamentos, pois aos olhos do STF, povo, classe média, classe baixa, não passa mesmo de números, dados e estatísticas. Como reza a cartilha da magistratura, processo não tem nome. Só se for nome de político. Aí, na grande maioria das vezes, tem nome e tem lado.

Os posicionamentos de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Tóffoli e Alexandre de Moraes tem lado. Isso já passou de evidente. A Segunda Turma do STF, da qual os três primeiros fazem parte, é quase um STF à parte. Edson Fachin e Celso de Mello não tem estatura para encarar os três. Quando tentam são vencidos.

Dali também saem habeas corpus, alvarás de soltura, decisões contrarias à jurisprudência do próprio STF. Decisões do colegiado são ignoradas, e não só na turma, mas nas decisões monocráticas.

Alexandre de Moraes deixa a nítida impressão que chegou na corte com o mantra de Chacrinha: eu vim para complicar e não para explicar. Se fizerem uma pesquisa é capaz de descobrirem que ele é o rei das divergências desde que chegou ao supremo. Sempre tem um ponto de vista diferente ou um ponto de vista a mais. E também não ficar vermelho quando se desdiz. Enquanto ministro da justiça era favorável ao fim do foro privilegiado e à prisão após condenação em Segunda Instância. No primeiro votou abrindo divergência.

A ministra Carmem Lúcia não tem força para lidar com o que está acontecendo no Brasil. A única coisa a se comemorar é o fato dela ser a presidente, pois antes seria Lewandowski e o próximo ser Tóffoli. Imaginem. O Bacharel em direito Antônio Dias Tóffoli, ex-advogado do PT, ex-advogado geral da União, presidente da maior instância da justiça brasileira. E nomeado por um semianalfabeto. E certamente analfabeto funcional.

Com tudo isso, há quem defenda a atuação dos Quatro Fantásticos, preferindo xingar Barroso e Fachin de “vermelhos” criando uma competição que não resolve uma coisa nem outra. Não existe pré-disposição na sociedade para que encaminhe para posições de consenso. Em nada. Qualquer divergência de pensamento é rapidamente fragmentada em outras pequenas divergências dissipando força e energia.

Estão passando a perna no povo brasileiro. O projeto do fim do foro privilegiado aprovado no senado manteve a proibição da prisão após condenação em segunda instância. E os deputados estaduais não só pretendem mudar o texto aprovado como estender o foro a ex-presidentes da república. E isso, aos olhos do STF e da Procuradoria Geral da República não parece um caso de políticos legislando em causa própria.

Então, no dia de hoje, na XXIII Conferência Nacional da Advocacia Brasileira, falando sobre o fim do foro na perspectiva de que os processos caiam para Primeira Instância, Gilmar Mendes, como bom falastrão que é, proferiu a seguinte frase:

“Será que vai ser bom? Será que nós não vamos ter uma grande influência política lá? Coisa que não ocorre, ou pelo menos não ocorre de maneira visível, no Supremo Tribunal Federal? São coisas que nós precisamos analisar com muita responsabilidade. Por isso eu achei importante o pedido de vista do ministro Tóffoli.” Certamente ele dirá que foi mal entendido, apenas uma frase mal formulada.

Gilmar Mendes leva o Oscar por sua atuação no clássico “Vivemos numa cleptocracia”, escrito, dirigido e interpretado por ele mesmo. Mas ele não falava a sério, era só interpretação. Se pudesse falar a sério teria dito que vivemos numa mentirocracia, sendo ele um artífice e partícipe de primeira hora. E no fim a plateia apenas chora.

Leia também

Relatório do CNJ revela que 18,8% do processos do STF caducaram em 2016

Do caso Aécio ao caso Picciani – Similaridades e Peculiaridades

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.