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O que o juiz federal Sérgio Moro não disse no Programa Roda Viva?

O que juiz federal Sérgio Moro não disse no Programa Roda Viva?Não à toa, o Roda Viva de ontem bateu o recorde de audiência na história do programa. O juiz Sérgio Moro não é qualquer personalidade. E dentro da eterna briga do bem e do mal, penso que apenas um programa com Lula alcançaria índices iguais ou superiores aos de ontem. Penso que nem Bolsonaro conseguiria a façanha.

Pelo que foi o programa Roda Viva de ontem, a TV Cultura poderia ter mudado seu nome naqueles quase 120 minutos para TV Cultura e Justiça, porque nem a TV Justiça consegue levar à audiência o sentido de justiça de maneira simples e direta. Sérgio Moro disse apenas o que precisava ser dito, esclarecido e explicitado. Só mesmo quem tem dificuldade de entendimento e interpretação não entendeu. E só quem tem o dom de se fingir de desentendido terá capacidade de dar outra interpretação às palavras.

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Sérgio Moro foi ético acima de tudo. Não se permitiu ultrapassar os limites impostos pelo cargo e pelo código de ética da magistratura, mas não deixou de responder pelo cargo e pelo cidadão, que também é. O Roda Viva expôs Sérgio Moro para o Brasil como nunca antes na história desse país, e ele, transparentemente, expôs o Brasil como ele realmente é para os brasileiros.

Mas, por elegância, ética, proteção e até cortesia a seus algozes, Moro não disse tudo.

Em nenhum momento Sérgio Moro foi perguntado sobre o processo do tríplex. Em nenhum momento ele falou sobre o sítio de Atibaia. Do primeiro, muito pontualmente, falou sobre o trâmite do processo, mas não entrou em detalhes que levassem sua fala diretamente ao nome de Lula. Aliás, quando não teve alternativa, se referiu a ele como “o ex-presidente”. Se citou o nome Lula, confesso me escapou.

O juiz federal de Curitiba também não comentou as interferências veladas sofridas pela Lava Jato, como o corte de verba e as mudanças constantes efetuadas na Polícia Federal, a transferência da mesma PF para o ministério da segurança pública, e sequer falou desse ministério ou do governo atual. Não usou o centro do Roda Viva para fazer ponderações sobre comentários e ataques que sofre de políticos e até de ministros do STF, que constantemente ridicularizam e menosprezam o trabalho das instâncias inferiores, muitas vezes jogando milhares de horas de policiais da PF, procuradores da república e funcionários e magistrados. Nem um pio sobre isso.

O Dr. Moro, que ali não precisou ser tratado por excelência, tirou seu corpo fora de dizer o que pensa que acontecerá no dia 4 de abril no julgamento do habeas corpus de Lula, porque, isso, ele nem precisava dizer porque, certamente, todos nós sabemos.

O que Sérgio Moro não disse é que ele conhece todos os nomes que estão envolvidos na Lava Jato e nas demais operações originadas dela. Ele sabe os crimes, os envolvimentos, as relações, os valores. Sabe que a república cairá quando esses nomes, crimes, envolvimentos, relações e valores aparecerem para o grande público.

Moro não disse que a “Operação Abafa”, gerenciada de dentro do Palácio do Planalto, corre desesperada pelos corredores do Congresso Nacional, do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Também não falou na promíscua relação ainda mantida pelo psicopata Eduardo Cunha e a cúpula do governo e do MDB, que também pode jogar a república no ralo.

O que Moro não disse no Roda Viva, caro leitor, é que o país continua caminhando para o caos, e o movimento do STF para reverter a permissão do início de prisões após condenação em segundo grau é um movimento que está a pleno vapor e que acontecerá. Talvez ele tenha insinuado isso quando apontou que, se vier acontecer, o próximo presidente poderá mudar a lei através de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional.

Moro não disse explicitamente, mas deixou claro a todos os que assistiram o Roda Viva de ontem o povo brasileiro precisa voltar para as ruas. Citou mais de uma vez que os movimentos de rua de 2016 foram apoios fundamentais para que a Lava Jato se mantivesse forte e “imexível” diante da pressão de todos os grupos e partidos que trabalharam e ainda trabalham para represar a fúria anticorrupção no país.

O Roda Viva deixou claro que Moro sabia o que fazia quando não prendeu Lula e, assim, transferiu para o STF a responsabilidade de golpear a democracia. Não atacou ou contestou nenhum dos ministros do STF, mas não cansou de elogiar a memória de Teori Zavascki, ressaltando sempre o grau de correção do falecido magistrado, quase como um parâmetro em relação aos outros.

E com muita habilidade, não perdeu a oportunidade de afagar o ego dos dois ministros Celso de Mello e Rosa Weber, não por acaso tidos como os mais discretos na Suprema Corte, e que, em tese, especialmente ela, podem ser definidores no julgamento do habeas corpus de Lula e da provável revisão do entendimento de prisão após condenação em segunda instância.

Mesmo que quisesse, Moro não poderia falar mais do que falou, até porque em aproximadas 2 horas de Roda Viva seria impossível. Mas disse tudo, até quando não disse.

Destaco aqui uma nota que considero negativa em relação à TV Cultura. Fiquei profundamente incomodado quando vi que a primeira propaganda do primeiro bloco de intervalo do Roda Viva foi do grupo CAOA, réu juntamente com Lula no processo que investiga corrupção passiva e venda de medida provisória. E a mesma propaganda também foi a primeira no terceiro bloco de intervalo. Penso que foi uma descortesia com a história do Programa Roda Viva, com o convidado, com os demais anunciantes, e, principalmente, com o público via TV e internet.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.